domingo, 30 de setembro de 2012

Outra trapalhada do governo Dilma na área elétrica: 32 parques eólicos estão parados por falta de linhas de transmissão

[Nossa ex-guerrilheira e ex-quase Dama de Ferro, como todo governante petista que se preza, adora jogar pedra em telhado alheio embora o seu seja de cristal. Assim como seu criador, padrinho e tutor (Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata - NPA), Dilma dirige o carro de seu governo buscando sempre o governo de FHC no retrovisor -- resultado: volta e meia quebra a cara. Um dos motes preferidos dela e do NPA (de quem foi ministra de Minas e Energia por dois anos) é a história dos apagões -- em postagem anterior mostrei que nos governos do NPA houve também apagões sérios, e na semana passada tivemos um apagão que atingiu 8 dos 9 Estados do Nordeste (Bahia, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte) e pelo menos 7 milhões de pessoas.  A Folha de S. Paulo fala em 11 Estados, já que a região Norte do país teria sido também atingida.

Para provar e comprovar que também na área elétrica nossa ex-guerrilheira deixa bastante a desejar como gestora -- vide o PAC --, o jornal O Estado de S. Paulo de ontem (29/9) nos traz o relato de outra trapalhada do governo Dilma: 32 parques eólicos licitados no primeiro leilão de energia eólica no Brasil estão parados por falta de linhas de transmissão! Reproduzo a seguir a íntegra dessa reportagem. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

Quase metade das usinas licitadas no primeiro leilão de energia eólica do Brasil está pronta sem poder gerar um único megawatt (MW) de eletricidade. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que 32 dos 71 parques eólicos leiloados em 2009 estão parados por causa da falta de linhas de transmissão. "Houve um descasamento entre a entrega das usinas e do sistema de transmissão", afirmou o diretor da agência reguladora, Romeu Rufino.

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), estatal do Grupo Eletrobrás, venceu o leilão das linhas de transmissão, mas não concluiu nenhum projeto - em alguns casos, nem iniciou as obras. Pelas regras do contrato, o sistema de transmissão teria de ser concluído na mesma data dos parques eólicos para permitir o início dos testes. Mas, na melhor das hipóteses, a conexão com as usinas apenas se dará em julho do ano que vem.  Consequentemente, as obras do sistema de transmissão dos parques licitados em 2010 também ficarão comprometidas. No mercado, algumas empresas foram informadas de que os cronogramas de empreendimentos marcados para setembro de 2013 foram estendidos para janeiro de 2015.

Rufino afirmou que a Aneel tem discutido constantemente com a estatal para tentar resolver o problema e diminuir os impactos para o consumidor.  Segundo ele, não está descartada a possibilidade de fazer uma instalação provisória enquanto a definitiva não é concluída. Apesar de não poderem produzir energia, as geradoras terão direito de receber a receita fixa prevista nos contratos de concessão. Pelos cálculos da Aneel, as 32 usinas têm receitas de R$ 370 milhões a receber. [O consumidor e contribuinte brasileiro é, portanto, duplamente penalizado -- pela falta do reforço de energia e pelo pagamento de uma energia que não está disponível, por incompetência e/ou irresponsabilidade de uma estatal do setor elétrico até prova em contrário. Nesse imbróglio, sobram incompetências e irresponsabilidades para a Eletrobras, da qual a Chesf é subsidiária, e para a Aneel, uma agência reguladora de fachada.]


No namoro do governo com os fabricantes de cerveja a saúde pública fica em terceiro plano

Diz o velho e sábio ditado popular que onde tem fumaça, tem fogo. Ontem, o Globo publicou dois textos sobre a indústria de cervejas no Brasil: um recuo do governo quanto ao aumento de taxação sobre cervejas, adiando-o para abril de 2013, após o carnaval, e um comunicado da CervBrasil -- Associação Brasileira da Indústria da Cerveja --  comemorando o fato .  Aparentemente, mais uma redução de imposto seria, realmente, para se comemorar -- não neste caso, pois a redução foi suspensa exatamente durante os períodos de maior consumo (fim de ano, pré-carnaval e carnaval), para impedir o aumento de preços e um freio no consumo de cerveja.

Isso significará mais gente consumindo, sobretudo jovens, e os enormes problemas que as bebidas alcoólicas acarretam para a saúde dos usuários, para suas famílias e para a população (principalmente no trânsito). Mas nosso governo é opaco, insensível e absolutamente indiferente a esses problemas, tanto é que barganhou a redução de tributação por uma promessa de aumento de investimentos das indústrias cervejeiras. Essa é a ótica mesquinha de um governo petista -- que se dane a saúde pública, o que interessa é o aumento de investimentos; PT, saudações. A lista que a CervBrasil apresenta em seu comunicado de regozijo, como contrapartida à decisão do governo, é revoltante -- aumento de capacidade produtiva, renovação da frota de veículos, aquisição de equipamentos de refrigeração e mais recursos para o desenvolvimento de novos produtos e embalagens. Com o governo e conosco ficam os enormes gastos e traumas que o consumo do álcool acarreta.

Cinicamente, a CervBrasil diz ainda que a folga financeira ocasionada pelo relaxamento tributário será também usada para incentivo à capacitação profissional e estímulo aos programas sociais de conscientização do consumo responsável de cerveja. A CervBrasil nos considera certamente um bando de idiotas, que acham que a maciça propaganda de cerveja sobre os jovens contém alguma conscientização além da de consumo puro e simples! Os fabricantes acham que colocar pura e simplesmente a frase "se beber, não dirija" em fundo azul -- jamais usam o vermelho, que é o clássico sinal de perigo -- gera "conscientização de consumo responsável"! Sintomaticamente, a CervBrasil foi criada em 03 de maio deste ano por Ambev, Schincariol, Petrópolis e Heineken do Brasil (responsáveis por 99% do consumo nacional), exatamente quando o governo começou a ameaçar o aumento de impostos sobre o setor.

Todo mundo sabe, mas os "gênios" da tributação do governo Dilma (certamente com o fantástico Guido Mantega à frente) fingem ignorar, que aumento de preço é um inibidor do consumo de qualquer produto -- essa é uma lei fundamental da Economia, chamada "downward sloping demand curve", que estabelece que quando o preço de um produto sobe, a quantidade demandada desse produto cai. Como o preço da bebida alcoólica pode ser manipulado por meio de política tributária, este é um recurso largamente utilizado por governos -- não no Brasil, não num governo petista, obviamente --, para inibir o consumo desse tipo de bebida, juntamente com legislação mais restritiva quanto ao consumo, especialmente por jovens.

Em fevereiro de 2011, a OMS - Organização Mundial da Saúde publicou um relatório em que  afirma que:
  • o uso prejudicial do álcool resulta em 2,5 milhões de mortes por ano;
  • 320.000 jovens na idade entre 15 e 29 anos morrem de causas relacionadas com o álcool, resultando em 9% de todas as mortes ocorridas nessa faixa etária;
  • o álcool é o terceiro maior risco no mundo para a saúde -- é o principal fator de risco no Pacífico Ocidental e nas Américas, e o segundo maior na Europa;
  • o álcool está associado com muitos e sérios temas sociais e de desenvolvimento, incluindo violência, negligência e abuso com crianças, e absenteísmo no trabalho.
Esses fatos não significam absolutamente nada para o governo de Dª Dilma -- o que lhe importa é os fabricantes de cerveja comprem mais caminhões, mais equipamentos de refrigeração, etc. E tem muita gente que acha uma maravilha esse governo!!

 Percentagens globais de DALYs [Disability-Adjusted Life Year = uma medida da carga geral por doença, expressa como o número de anos perdidos por má saúde, invalidez ou morte prematura] atribuídos a 19 principais fatores de risco por grupo de renda, incluindo o alcoolismo -- o 3° principal fator de risco -- High income = renda alta; - Middle income = renda média; - Low income = renda baixa -- (Fonte: OMS).








sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Anatel define canais obrigatórios em TVs via satélite

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) divulgou nesta quinta-feira uma lista de 14 emissoras de televisão que passarão a ser transmitidas, obrigatoriamente, pelas 13 TVs por satélite existentes hoje no país. Cinco são ligados às igrejas católica e evangélica e quatro transmitem programação exclusivamente religiosa. O presidente da Anatel, João Rezende, informou que entraram na lista aqueles canais que estão presentes em todas as regiões do país e que atendam a, no mínimo, a um terço da população brasileira – ou cerca de 64 milhões.  A lista inclui a Globo, MTV Brasil, Mix TV, Canção Nova, Rádio e TV Aparecida, Band, CNT, Record, Rede Mulher, SBT, Rede Brasil, Rede Internacional de Televisão, Rede Vida e Rede TV!.

[No portal da Anatel lê-se: 

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) definiu hoje o conjunto de estações geradoras ou retransmissoras de televisão que tem presença em todas as regiões geopolíticas do País, alcança ao menos um terço da população brasileira e provê a maior parte da programação por uma estação para as demais, nos termos do § 2º do art. 52 do Regulamento do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC). 

A Lei do SeAC (Lei nº 12.485/2011) estabeleceu que as operadoras de TV paga devem carregar os canais das geradoras locais em suas áreas de prestação. De acordo com essa regra, as prestadoras de TV paga via satélite (DTH) deveriam carregar, atualmente, um conjunto de mais de 500 canais. Caso não haja viabilidade técnico-econômica, a legislação permite que a prestadora solicite à Anatel a dispensa dessa obrigação.

No caso de dispensa total, a operadora não precisará carregar o sinal de nenhuma geradora local. Se carregar um canal local, a operadora deverá carregar o conjunto de 14 estações definido hoje. Veja a relação de estações.
Documentos relacionados

A lista era aguardada por todo o setor de radiodifusão. Se não houver recurso, a partir da publicação, as TVs por satélite terão que oferecer, obrigatoriamente, em seus pacotes a programação dessas geradoras locais de TV.  A regra, que obriga a transformação em rede nacional desses novos canais, foi aprovada neste ano pela Anatel, mas só será aplicada a partir da publicação da lista.

Antes da mudança, as TVs por satélite cobravam das emissoras regionais para transmitir suas programações e só veiculavam os canais que queriam.

[A decisão da Anatel teria o objetivo de aumentar o conteúdo nacional nas transmissões, divulgar e reforçar nossa diversidade cultural e, por essas vias, aumentar a produção nacional de programas, vídeos, filmes, etc. Ela é fortemente saudada, defendida e elogiada pela Ancine. O objetivo, sem dúvida, é nobre e pertinente -- vamos ver agora o que sairá daí. As TVs listadas abrangem mesmo o chamado "arco" da nossa sociedade cultural -- o duro é ter que aceitar que Rede TV e certos programas e novelas da Globo, por exemplo, representem e apresentem algum tipo de cultura que se preze.]

Ultimato

A agência deu também um prazo de 30 dias para algumas das principais empresas de TV por assinatura apresentarem um plano de melhoria da qualidade dos serviços.  Ontem, técnicos da reguladora conversaram com as empresas GVT, Embratel, Net, Oi e Sky para informar que elas estão acima dos limites de reclamação permitidos pela agência e terão que melhorar seus serviços.

O superintendente de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel, Marconi Maia, afirmou que, apesar de o setor estar crescendo no "nível chinês", as reclamações estão subindo muito, "na faixa de 100%".  Lideram a lista mensal de problemas levados à Anatel os erros na cobrança das faturas, a dificuldade de cancelar contratos e problemas com o aparelho e o sinal.

Banco Central comprova que economista pichado por Guido Mantega e Fernando Pimentel estava certo

[O ministro da Fazenda, Guido Mantega, certamente dos ministros dessa pasta um dos mais fraquinhos que o país já teve, entre suas inúmeras deficiências tem se revelado um péssimo avaliador -- em 1994 já atropelava a ciência que surpreendentemente ainda o sustenta financeira e politicamente, a economia, ao avacalhar o Plano Real -- voltou a mostrar que foi enganado pelo camelô que lhe vendeu a bola de cristal que usa para analisar e avaliar nossa economia.  Em junho deste ano, com seu habitual humor de velório, chamou de "piada" a previsão de um economista brasileiro do banco Credit Suisse de baixar para 1,5% o crescimento do PIB brasileiro para 2012. Se deu mal, outra vez.]

O corte do Banco Central (BC) na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano abriu uma oportunidade para o carioca Nilson Teixeira ir à forra. Na terceira semana de junho, o time de economistas liderado por ele no banco Credit Suisse foi criticado publicamente por dois ministros de Estado por rebaixar a previsão de alta do PIB de 2012 para 1,5%.

"É uma piada", disparou, na ocasião, Guido Mantega, da Fazenda. "Acho que a visão que os europeus têm é necessariamente pessimista e negativa, muito influenciada pelo clima lá", emendou Fernando Pimentel, do Desenvolvimento. [Graças ao PT, temos essas duas figuras caricatas em ministérios importantíssimos -- Mantega é parte da herança de chumbo deixada por Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata, para o atual governo, e Pimentel é cria mimada de Dª Dilma mesma (trata-se do mesmo cidadão que continuou dando consultoria privada remunerada quando já a serviço da nossa ex-guerrilheira, e que em março deste ano foi denunciado ao STF pela Procuradoria Geral da República por fraude em licitação pública, quando era prefeito de Belo Horizonte -- a blindagem exacerbada que Dilma lhe proporciona provocou a recente crise na Comissão de Ética Pública].

A nova projeção do BC para o PIB - alta de 1,6% - não abalou a tranquilidade habitual de Teixeira. "(As declarações) não me pareceram uma crítica direta ao trabalho dos analistas do Credit Suisse. Foram apenas fruto de avaliações distintas sobre a economia brasileira", disse ele, em conversa telefônica diretamente de Londres, onde participa de encontros com investidores. "Além disso, o próprio ministro Mantega já disse em algumas ocasiões que uma de suas funções é passar confiança sobre o desempenho da economia".  [Esse economista é um gentleman, Mantega não merece esse cavalheirismo.]

Teixeira lembra que as projeções do Credit Suisse para o PIB de 2012 vêm diferindo não só das expectativas do governo, mas de grande parte do mercado. "Em novembro de 2011, projetávamos expansão de 2,5% para 2012, enquanto muitos analistas falavam em pelo menos 4%".  Na avaliação do economista, a explicação para a divergência está nos investimentos. "Desde o ano passado, acreditávamos que a crise externa, associada ao desempenho da indústria bastante tímido, faria com que os investimentos continuassem a desacelerar", afirmou.

Para 2013, o Credit Suisse estima um crescimento em torno de 4%. "Mas é preciso frisar que, na conjuntura atual, está difícil projetar até mesmo o crescimento do próximo trimestre", disse. "Em 2013, a expansão pode ser de 2% ou de 5%". Entre as variáveis que, segundo Teixeira, dificultam a tarefa dos analistas que se debruçam sobre os números estão a situação fiscal indefinida dos Estados Unidos no ano que vem, o ritmo de desaceleração da China e o desenrolar da crise europeia.

Ainda que a situação externa permaneça tensa, Teixeira acredita que o Brasil pode se sair melhor porque o governo tem atacado pontos vitais para destravar os investimentos - como as concessões na área de transporte e logística.

 O economista Nilson Teixeira, do banco Credit Suisse, que teve o luxo de ser pichado pelos medíocres ministros petistas Guido Mantega e Fernando Pimentel - (Foto: Gabo Morales/Folhapress).

Samsung lança Galaxy Note 2 no Brasil no mês que vem a R$ 2.299

A Samsung anunciou nesta quinta (27) que trará ao Brasil o smartphone Galaxy Note 2, conhecido por sua tela de 5,5 polegadas, no mês que vem pelo preço sugerido de R$ 2.299 -- R$ 300 a mais que o topo de linha Galaxy S 3.

Galaxy Note 2, segunda geração do híbrido de smartphone e tablet da Samsung- (Foto: Divulgação).

Segundo o site "Gizmodo", a primeira versão do Galaxy Note continuará a ser vendida pela coreana no Brasil, por um preço reduzido e ainda não especificado. 
 
Telão
 
O aspecto mais marcante do Galaxy Note 2 é sua tela de tecnologia Oled, ainda maior que as dos smartphones topo de linha. As 5,5 polegadas são preenchidas com uma resolução de 1.280 x 720 pixels, comercialmente denominada HD.  O modelo tem processador de núcleo quádruplo, rodando a 1,6 GHz e é acompanhado por sua característica caneta do tipo stylus. 
 
 
  • 1.6GHz Quad-Core Exynos processor
  • 2GB of RAM
  • 5.5-inch Super AMOLED HD display, 1280×720 pixels
  • 8-megapixel camera, 1.9-megapixel front facing camera
  • S-Pen
  • Android 4.1 Jelly Bean, TouchWiz Nature UX
  • 3,100 mAh battery
  • Marble White and Titanium Grey colors
  • Micro-SD card slot
  • 16GB/32GB/64GB memory variants
 
 
[No site da Fnac francesa, o Galaxy Note 2 custa € 649,90 (cerca de R$ 1.700,00). Preços previstos em outros países: nos EUA - US$ 810 (cerca de R$ 1.645,00); -- no Reino Unido -  € 652 (cerca de R$ 1.706,00). É preciso sempre checar se o equipamento não está bloqueado para uso fora do país onde for comprado.]

Mercedes "aposenta" Schumacher e contrata Lewis Hamilton

A Mercedes pode ter aposentado o piloto alemão Michael Schumacher, de 43 anos e heptacampeão mundial de F-1, ao contratar o inglês Lewis Hamilton, de 27 anos e uma vez campeão mundial, para a próxima temporada.

A notícia foi confirmada pela equipe alemã na manhã desta sexta-feira. A Mercedes chegou a um acordo com Hamilton.  "Agora é a hora de eu assumir um novo desafio e eu estou muito animado para iniciar um novo capítulo na Mercedes. A equipe contribuiu de forma incrível com o automobilismo e compartilha comigo a mesma paixão pelas vitórias", disse Hamilton ao site da Mercedes.

A contratação de Hamilton pode representar o fim da carreira de Schumacher, que retornou para a F-1 na temporada de 2010, mas não conseguiu nenhum resultado expressivo desde então. Assim, o GP Brasil, dia 25 de novembro em Interlagos, pode ser a última prova na carreira do piloto alemão. 

"Foram três anos agradáveis com a equipe. Infelizmente [os resultados] não foram como nós gostaríamos. Eu desejo sorte para Lewis, agradeço a equipe e vou me concentrar nas próximas corridas", disse Schumacher ao site da equipe.

Aparentemente, a Mercedes decidiu contratar Hamilton para tentar melhorar seus resultados, após conseguir só um terceiro lugar no GP da Europa e uma pole em Mônaco na atual temporada. O outro piloto da equipe é o alemão Nico Rosberg, 27.  A renovação do contrato de Schumacher com a Mercedes, que vence no fim do ano, estava em xeque desde o início da temporada. Seus maus resultados determinaram que a escuderia alemã decidisse não renovar com ele. Rosberg continuará sendo o segundo piloto da Mercedes.

A McLaren confirmou nesta sexta-feira por meio de um comunicado a saída do piloto inglês Lewis Hamilton para a rival Mercedes, mas a equipe britânica foi rápida na reposição e já anunciou a contratação do mexicano Sergio Perez, 22, da Sauber. O mexicano tem tido um bom desempenho na F-1 desde sua chegada à categoria, em 2011. A partir de 2013 terá como companheiro de equipe o inglês Jenson Button.

A McLaren anunciou um "acordo multianual" com Perez. A escuderia britânica considera que sua nova dupla de pilotos oferece "uma perfeita mistura de juventude e experiência". 

Hamilton e Schumacher - (Foto: Max Rossi/Reuters).

Hamilton e Perez - (Foto: Olivier Morin/France Presse).

Cientistas apresentam eletrônico solúvel, útil para a medicina e a tecnologia

Cientistas americanos apresentaram nesta quinta-feira placas eletrônicas ultrafinas que se dissolvem naturalmente e que podem ter importantes implicações tecnológicas e médicas - justamente porque se dissolvem na água ou mesmo dentro do corpo humano.

Segundo seus criadores, em pesquisa publicada no periódico Science, o dispositivo - chamado de "eletrônico transitório" - se autoextingue assim que perde sua utilidade.  Ele é feito com uma mistura microscópica de seda, magnésio e silício, que se dissolve sem causar danos ao entrar em contato com a água. A novidade já foi usada para proteger uma ferida e mantê-la livre de infecções. Os pesquisadores dizem que a tecnologia pode servir para implantes médicos, monitoramento de órgãos vitais e para a aplicação de medicamentos.

No campo dos aparelhos eletrônicos, pode servir, futuramente, para criar, por exemplo, celulares que se dissolvam após o uso, de forma a evitar que esses aparelhos passem anos contaminando aterros sanitários e lixões.

"Transitórios"

O segmento de "eletrônicos transitórios" se baseia na ideia de dissolução controlada e já desenvolveu o que é chamado de "tatuagens eletrônicas": sensores que dobram e se esticam com a pele. A ideia por trás desse segmento é exatamente oposta à do setor eletrônico tradicional, focado em criar produtos duráveis. O silício, tão usado nesses produtos, é solúvel. A dificuldade é que o tamanho dos componentes eletrônicos tradicionais faz com que a dissolução demore muito. Assim, as novas tecnologias usam uma finíssima placa de silício, chamada nanomembrana, que se desintegra em questão de dias ou semanas.

A velocidade da dissolução é controlada pela seda: o material é coletado de bichos-da-seda, dissolvido e depois reconstituído. Ao alterar a forma como a seda dissolvida se cristaliza, mudam-se suas propriedades finais, bem como sua durabilidade. "Eletrônicos transitórios oferecem um bom desempenho e são totalmente reabsorvidos pelo meio ambiente em um determinado período de tempo, que varia de minutos a semanas", explica Fiorenzo Omenetto, professor da Escola de Engenharia da Universidade Tufts (EUA).

Uso médico

Diversos aparelhos já foram testados em laboratórios, incluindo uma câmera digital de 64 pixels, sensores de temperatura e células solares. "É um novo conceito, que abre várias oportunidades", diz à BBC John Rogers, cientista mecânico e professor da Universidade de Illinois, responsável pelo estudo na Science. "Provavelmente sequer identificamos muitas delas".

Um campo promissor, diz ele, é o de curativos pós-cirurgias: um aparelho cujo objetivo é evitar infecções pode ser colocado no corpo ainda no centro cirúrgico. Esse aparelho só seria útil durante o período mais crítico - por exemplo, duas semanas após a cirurgia - e depois disso poderia ser dissolvido. Além disso, pesquisadores já testaram em ratos um aparelho que "esquenta" uma ferida, para impedir a proliferação de germes.

Também planeja-se o uso dessa tecnologia para injetar doses de medicamentos no corpo ou para construir sensores cerebrais e cardíacos. No futuro, os pesquisadores vislumbram dispositivos mais complexos, que poderiam ser ajustáveis em tempo real ou responder a mudanças em seu ambiente de natureza química, pela luz, ou por pressão.

Novos dispositivos eletrônicos biocompatíveis, encapsulados em seda, podem dissolver-se, sem sequelas ou danos, no ambiente em que se encontram depois de uma precisa porção de tempo. Na foto acima, um circuito integrado biodegradável  -- incluindo transistores, diodos, indutores e capacitores -- é parcialmente dissolvido por uma gotícula de água - (Foto: cortesia da Universidade Tufts e da Universidade de Illinois).



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Bancada ruralista insaciável -- Código Florestal pode ter novo round, na Justiça

[Os ruralistas são  vorazes e insaciáveis. Apesar dos visíveis ganhos já alcançados, impondo sucessivas derrotas ao governo, eles querem mais e agora acenam com briga na Justiça como relata a Folha de S. Paulo de hoje, em texto só disponível para assinantes do jornal e que reproduzo a seguir. A insistência deles em reduzir ao mínimo possível as matas ciliares dos rios, por exemplo, já é uma prova inequívoca de que desdenham da natureza e são egoístas, oportunistas, gananciosos e imediatistas. Mantive o mesmo português às vezes arrevesado, "peculiar" e errado do autor da reportagem.]

Após o confronto no Congresso entre governo e bancada ruralista para aprovar a Medida Provisória (MP) que complementa o Código Florestal, a questão pode ter um novo round -- desta vez, na Justiça.

"Vai ter problemas, principalmente no que tange as áreas de proteção consolidadas e os princípios colocados na medida provisória. São dois pontos que vamos buscar nossos direitos na Justiça", disse o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária. Segundo ele, mesmo depois da aprovação do novo texto do Código não ficou claro se as áreas consolidadas compreendem a zona rural, urbana ou as duas, o que pode abrir margem para penalidade aos agricultores.

Em relação aos princípios, a avaliação de parte dos ruralistas é que o texto aprovado é muito abrangente e não respeita realidades regionais.  A MP traz como fundamento "a proteção e o uso sustentável das florestas e demais formas de vegetação nativa" e consagra compromisso do país com o modelo de desenvolvimento ecologicamente sustentável.

"Isso é muito subjetivo. Dá margem para qualquer tipo de interpretação sem que seja levado em conta a realidade de um território. O juiz poderá dar uma decisão que vai se basear num princípio e não na lei", afirmou Colatto. [Este ruralista é um tanto ou quanto bizarro em seu raciocínio -- se o que a MP estabelece for apenas figurativo, meros "princípios" na visão do Sr. Colatto, sem nenhuma obrigatoriedade de adesão, para quê então ela servirá?!]

Para o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, o texto aprovado no Congresso deve ser comemorado. "Não acredito mais em guerra jurídica. Acredito em avanços [do Código] que devem ser aplaudidos", disse Ribeiro à Folha.  O ministro, no entanto, foi evasivo sobre quais pontos da proposta aprovada sua pasta deve sugerir para serem vetados. "Acho que o texto aprovado no Congresso é o texto da maioria mas agora o governo reserva-se o direito de analisá-lo", afirmou.

Vetos

Um grupo interministerial deve se reunir nos próximos dias para apresentar sugestões de vetos à presidente Dilma esoluções para as lacunas jurídicas que surgirem. Na avaliação do governo, as alterações aprovadas pelos congressistas flexibilizaram muitas regras de proteção ambiental. A mudança mais importante foi no sistema de recuperação de matas em beiras de rios.

A maior possibilidade é que o governo use normas que não passam pelo Congresso Nacional para preencher esses buracos.

"Guerra" aos juros ameaça consumo

[Mais uma vez, vale o ditado: se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come ...]

Acendeu a luz amarela na "novela" dos juros dos cartões de crédito. A "guerra" do governo, iniciada para forçar os bancos a baixar as taxas e estimular o consumo, pode ter o efeito inverso. Para reduzir as taxas no crédito rotativo, alguns bancos planejam acabar com os parcelamentos "sem juros" ou cobrar uma taxa extra dos lojistas.

O Valor apurou que o governo não vai permitir que os bancos cobrem essa taxa adicional, nem vai aceitar o fim abrupto da prática do parcelamento. Teme-se que essas restrições afetem negativamente o consumo das famílias exatamente no momento em que a economia começa a dar sinais de recuperação. Os técnicos entendem que pode haver desestímulo às compras, principalmente de bens duráveis, passagens aéreas e pacotes turísticos. O estoque de crédito parcelado atinge R$ 90 bilhões, cerca de 70% de todo o financiamento nos cartões.

A batalha contra a venda parcelada "sem juros" provocou uma divisão entre os dois maiores bancos privados do Brasil. O Itaú Unibanco é o principal defensor da proposta de cobrar a taxa extra. O Bradesco é contra. Os bancos públicos tendem a uma posição mais próxima da do Bradesco. Isso porque o estoque de operações parceladas sem juros nessas instituições é significativamente inferior ao dos bancos privados. Os bancos alegam que o parcelamento é uma das principais razões da cobrança de juros elevados no crédito rotativo, forma de crédito usada pelos usuários de cartões que não conseguem pagar o total da fatura no vencimento ou que ficam inadimplentes. Nas últimas semanas, o governo forçou, por meio dos bancos estatais -- Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil --, a queda dos juros do crédito rotativo.

As taxas caíram de forma acentuada, embora continuem bastante elevadas. No caso do Bradesco, por exemplo, o juro máximo do crédito rotativo caiu de 14% para 6,9% ao mês. No Itaú, a taxa máxima recuou para 9,9% e no HSBC para 15,95% ao mês, a maior dos grandes bancos. No BB, a mesma taxa desceu a 5,7% ao mês e, na Caixa, para 5,65%. [Essas reduções provam o quanto de "gordura" havia -- e, certamente, ainda há -- nas taxas escorchantes cobradas nos cartões dos bancos. Esse burburinho quanto a acabar parcelamento, cobrar taxa extra, etc, é esperneio de quem está acostumado a comer um belo filé mignon inteiro e não quer perder nenhum pedaço.]

As próprias empresas varejistas já são afetadas pelo corte dos juros nos cartões. As ações de grandes varejistas de capital aberto tiveram forte queda ontem na bolsa de São Paulo (veja gráfico). Analistas do mercado alertaram os investidores para o risco de queda nos lucros das varejistas que oferecem serviços financeiros, porque terão de igualar suas taxas às oferecidas agora pelos bancos para não perder espaço.

Variações das ações ON das empresas varejistas no pregão de ontem da Bovespa (clique na imagem para ampliá-la) - (Fonte: Valor Econômico).

Algumas lojas, como a Renner, cobravam historicamente juros menores que os dos cartões de bancos. Com a recente redução dos juros no Bradesco e no Itaú, esses bancos passaram a oferecer taxas menores. Para voltarem a ser competitivas, as lojas terão de reduzir seus resultados, o que explica a queda na cotação de suas ações na bolsa.

[Caçador inexperiente se mete em encrenca. O governo quer domar o mercado sem ser do ramo, achando que pode tomar conta do quintal dos outros como toma do seu. Mirou na onça e corre o risco de ter acertado o próprio pé. Apesar dos sinais mais do que evidentes de que a solução econômica de estímulo ao consumo já beira a exaustão, com os níveis de endividamento e de inadimplência das famílias atingindo patamares perigosos, Dª Dilma insiste em sua teimosia e agora se vê diante da possibilidade indigesta (para ela) de ver seu tiro contra os juros virar um bumerangue e nocautear seu adorado projeto.]






Sobras de uísque escocês serão transformadas em biocombustível

Uma destilaria escocesa e uma empresa de tecnologia anunciaram que pretendem usar sobras do processo de produção de uísque para produção de biocombustível a ser usado em veículos.  Um acordo foi firmado entre as duas empresas escocesas que vão trabalhar juntas no desenvolvimento da nova tecnologia que produzirá o biobutanol – um tipo de biocombustível que pode ser usado por carros e motos.

Mais de 90% do material usado para destilar uísque é resíduo. As sobras possuem alto teor de açúcar e, hoje em dia, são aproveitadas para produção de fertilizantes e ração para gado.

O centro de pesquisas BfRC – que é ligado à Universidade de Napier, em Edimburgo – descobriu que determinadas bactérias, quando misturadas às sobras das destilarias, produzem o butanol.  A Celtic Renewables, uma empresa formada a partir do centro de pesquisas, fechou uma parceria com a destilaria de uísques Tullibardine, de malte puro [não "blended" = malte combinado com outro(s) grão(s), que pode(m) ser cevada, trigo ou milho] da cidade de Perthshire.  "Nossa parceria com a Tullibardine é um passo importante no desenvolvimento de um negócio que combina duas indústrias icônicas da Escócia: uísque e combustíveis renováveis", diz Martin Tangney, da Celtic Renewables.

O diretor da Tullibardine, Douglas Ross, acredita que, se o projeto der certo, sua empresa vai poupar 250 mil libras (cerca de R$ 820 mil) em dinheiro gasto hoje com o manejo dos resíduos.  "Isso nos retira um custo e cria algo com valor social e comercial", afirmou. A Tullibardine pode produzir 6.500 toneladas de borra e 2 milhões de litros de pot ale [refugo do processo de destilação] -- subprodutos que hoje são borrifados em plantações agrícolas, ou transformados em ração animal, ou descartados no mar sob licença, de maneira segura, tudo isso a um custo significativo.

A Celtic deseja construir uma planta de processamento na Escócia que ajudará a desenvolver uma indústria que poderá movimentar £ 60 milhões [cerca de R$ 197 milhões] por ano.


A iniciativa está recebendo recursos do governo escocês, no contexto de iniciativas para reduzir em 42% as emissões de carbono em 2020 e de atingir a meta mandatória da União Europeia de 10% de biocombustível em 2020. O projeto Celtic-Tullibardine está sendo financiado em R$ 509 mil pelo programa Zero Waste Scotland [Escócia Resíduo Zero, em tradução livre], que é gerenciado pelo WRAP - Waste & Resources Action Programme em nome e no interesse do governo escocês.

[Esse é o tipo de negócio que pode deixar a gente tonta ...]

6 montadoras desistiram de fabricar carros no Brasil -- por ora

[No mês passado fiz postagem sobre perspectivas fantásticas que se apresentavam para a indústria automobilística do país, com o anúncios de várias novas fábricas no país -- parece que, mais cedo do que se pensava ou esperava, esses planos começaram a fazer água.  É o que nos conta reportagem de hoje de Tatiana Vaz no site Exame.com, que reproduzo resumidamente abaixo.]

São 6 as montadoras que desistiram de investir em uma fábrica no Brasil, mas que podem repensar a decisão em breve -- BMW, JAC, Land Rover, CN Auto, GM e PSA Peugeot Citröen.

BMW

A BMW afirmou hoje que decidirá se vale a pena construir ou não uma fábrica no Brasil nas próximas três ou quatro semanas. Seria  a conclusão de meses de incertezas da montadora sobre o assunto.

No final do ano passado, a euforia tomou conta do mercado de automóveis no país depois que a BMW anunciou que pensava abrir uma fábrica no país. Em janeiro, uma fonte no Brasil chegou até a afirmar que a montadora estava nos estágios finais de escolha do local de sua primeira fábrica na América Latina, com uma decisão esperada para fevereiro. Mas a decisão do governo de aumentar o IPI sobre os carros importados, fez com a empresa desanimasse de montar sua primeira fábrica no Brasil. "Não iremos para o Brasil para termos prejuízo", disse diretor de produção da BMW, Frank-Peter Arndt, a jornalistas durante reunião anual do grupo, em março.

JAC

Outra montadora que havia decidido abrir uma fábrica no país e mudou de ideia (por enquanto) foi a JAC Motors. Em novembro do ano passado, a empresa divulgou seus planos de construir uma fábrica no polo de Camaçari, na Bahia. O investimento seria de 900 milhões de reais e a unidade poderia fabricar até 100.000 veículos por ano, em dois turnos de trabalho que empregarão 3.500 pessoas. 

Os planos foram por água abaixo meses depois, quando o governo tomou algumas medidas de proteção à indústria nacional de automóveis. Entre elas, a de aumentar em 30% o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros fabricados no exterior e exigências de que uma boa parte dos conteúdos desses carros fosse feito no país. “O que encareceria o produto brasileiro e o tornaria menos competitivo”, defendeu a empresa.  Como resultado, as obras da fábrica da JAC permanecem paradas a espera de uma revisão das exigências do governo em relação ao assunto, segundo informações da própria empresa.

Land Rover

No início de junho, a Jaguar Land Rover, divisão de carros de luxo da indiana Tata Motors, suspendeu seu plano de investir em uma fábrica no Brasil por acreditar que “falta clareza em termos de políticas” para automóveis no país.
A Land Rover havia anunciado o interesse em construir sua primeira fábrica brasileira em janeiro deste ano, dentro de sua estratégia de expandir sua atuação em mercados emergentes.

CN Auto

O aumento do IPI de carros importados também interrompeu o plano da quarta maior fabricante chinesa, a Great Wall, de começar a fabricar no Brasil. “O aumento do imposto inviabilizou temporariamente as negociações”, disse a EXAME.com Ricardo Strunz, diretor-geral da importadora CN Auto, que comandava as negociações. A Great Wall há anos tem o interesse de ingressar no mercado brasileiro, principalmente agora com a grande aceitação de outras chinesas como Chery e JAC. A CN Auto também é a importadora oficial das minivans Topic, da Jinbei, e Towner, da Hafei Motor. Além de naufragar as negociações com a Great Wall, o aumento do IPI também impactará a empresa.  [Essa CN Auto está envolvida até o pescoço em uma negociata envolvendo a AMB (Asia Motors do Brasil) e a importação dos utilitários Towner, um calote de mais de R$ 2 bilhões que a Receita Federal busca recuperar da AMB.]

GM e PSA Peugeot Citröen

Em maio, uma notícia publicada na revista Veja afirmava que as montadoras General Motors e PSA Peugeot Citröen pretendiam investir em uma fábrica conjunta no país. A unidade seria construída em Minas Gerais ou Rio de Janeiro a produziria quatro modelos de automóveis, dois de cada montadora. O plano durou pouco mais de um mês. Em junho, as duas desistiram do investimento conjunto – e desta vez o motivo não foi aumento de IPI para importados, mas os reflexos negativos nas finanças das empresas causados pela crise econômica na Europa.


Foxconn exige reserva de mercado e fábrica de telas pode não sair

[Desde que Dª Dilma esteve na China no ano passado, junto com seu apagado ministro da Ciência e Tecnologia da época, Aloizio Mercadante (hoje seu ministro da Educação e apagadíssimo, como sempre), o governou alardeou maravilhas sobre um acordo com a empresa taiwanesa Foxconn para a fabricação de iPads no Brasil, com investimentos de US$ 12 bilhões, que estariam à venda já no Natal de 2011 -- nada disso aconteceu, e o governo ficou mudo e quedo, dando uma de songamonga. Desde então, tenho feito repetidas postagens sobre o engodo dessas promessas e o estranho e suspeito currículo da Foxconn -- em 14/7/2012,  em 01/01/2012, em 13/11/2011,  em 03/9/2011, em 26/5/2011, etc.  Hoje, a Folha de S. Paulo publica nova notícia sobre exigências adicionais da Foxconn -- desta vez, uma absurda reserva de mercado -- que pode fazer gorar a fabricação de telas no país por essa empresa. Vejam a reportagem, a seguir.]

O investimento da Foxconn no Brasil na produção de telas de cristal líquido (LCD) para tablets e smartphones corre sério risco de ficar só na promessa, quase um ano e meio depois de anunciado como parceria estratégica. A empresa chinesa enviou carta ao governo brasileiro há cerca de dois meses condicionando a instalação da fábrica no país à concessão de uma reserva de mercado. Durante no mínimo cinco anos, só ela poderia produzir e vender esse tipo de display no Brasil [pedido indecente].

A exigência foi considerada uma "loucura" por técnicos do governo brasileiro, que vão aconselhar o Palácio do Planalto a não aceitá-la por considerarem a condição um retrocesso em relação à política industrial.  Além disso, a área técnica afirma que as recentes notícias vindas da China, envolvendo conflitos em fábricas da Foxconn naquele país, podem desestimular as negociações com a empresa [o histórico do relacionamento da Foxconn com seus empregados é péssimo -- ver aqui e notícia da Folha de 24/9].

Assessores presidenciais ouvidos pela Folha disseram, porém, serem favoráveis à continuidade das negociações, por se tratar de investimento de altíssima tecnologia dominado por poucos países no mundo [essa história de transferência de tecnologia da Foxconn para o país continua extremamente nebulosa e com baixíssimo nível de garantia; basta ver que, passado um ano e meio desde o início das negociações para essa tal "fabricação" de iPads no Brasil, os entendimentos continuam num atoleiro -- e, até agora, a Foxconn no Brasil no essencial só faz montagens, não fabrica xongas]. Atualmente, esse tipo de tela é fabricado pela Foxconn e pela sul-coreana Samsung. O Japão detém a tecnologia, mas não consegue competir com os produtos da China.

Além da reserva de mercado, outra condição imposta pelo empresário Terry Gou, dono da Foxconn, desagradou o governo. A empresa taiwanesa disse que não pretende fazer nenhum aporte de capital em dinheiro, como reivindicava o Palácio do Planalto, e que entrará apenas com sua tecnologia de LED.  A Foxconn, que fabrica produtos da Apple, descartou inclusive atender a outro pedido do governo, de adotar no país sua tecnologia de última geração na fabricação de telas de cristal líquido [pelo visto, nossa ex-guerrilheira e seu escudeiro Mercadante comeram gato por lebre ...]

A taiwanesa fabrica telas iluminada por "minilâmpadas" LEDS (diodos emissores de luz). A tecnologia mais avançada, O LED [Light Emitting Diode -- sigla inglesa para Diodo Emissor de Luz], usa compostos orgânicos que se autoiluminam, permitindo telas mais finas e flexíveis. 

A instalação de uma fábrica de telas de LCD no Brasil foi anunciada em abril do ano passado durante visita da presidente Dilma à China. Na época, foi divulgado que a Foxconn investiria US$ 12 bilhões no país, sendo US$ 4 bilhões para a unidade de telas, que ficaria em Minas. Seriam sócios o BNDES, que entraria com 30%, e Eike Batista, com US$ 500 milhões. Na avaliação de técnicos, a Foxconn vai priorizar suas fábricas de montagem de aparelhos eletrônicos.

 Raio-X da Foxconn no Brasil e no mundo (clique na imagem para ampliá-la) - (Fonte: Editoria de Arte/Folhapress).

Banco Santander completa a maior IPO do México e a terceira maior do mundo este ano

A dupla oferta de ações nos EUA e no México efetuada pela filial do Santander no México levantou US$ 4,13 bilhões, no terceiro maior lançamento em mercado no mundo este ano, com as ações desafiando a fraqueza global das bolsas e fechando o pregão do primeiro dia com alta de 6%.  Marcos Martínez, presidente do Santander México, disse ao jornal Financial Times (FT) que a IPO [Initial Public Offering, Oferta Pública Inicial ou oferta pública primária de ações, refere-se à ocasião em que uma empresa lança ações em um mercado bursátil pela primeira vez] foi subscrita cinco vezes, liderada por investidores dos EUA e da Europa. "Isso realmente excedeu as nossas expectativas", disse ele.

A IPO do Santander México, que em proporções ficou atrás apenas das ofertas feitas pelo Facebook e pela Japan Airlines até agora, estabeleceu um marco para a segunda maior economia latino-americana ao se tornar a maior já feita no mercado de ações do México.

Luiz Télles, presidente da Bolsa de Valores do México, disse que a oferta irá melhorar a liquidez do mercado local. "É um sinal de que há confiança e se acredita no México", ele disse ao FT, acrescentando que a IPO ocorreu em um dia difícil para as bolsas mundiais.  Santiago Arias, analista sênior da PineBridge Investments, disse que a emissão trouxe "transparência para o setor financeiro e abre mais oportunidades para investimentos em uma indústria crescente no país".

Os resultados financeiros da venda de 24,9% das ações do Santander México serão utilizados para reforçar o capital da matriz espanhola do banco [a melhoria da saúde financeira da matriz do Santander na Espanha reduz a pressão por socorro de suas subsidiárias no exterior, incluindo a brasileira]. Sam Hamadeh, principal executivo de pesquisa de mercado da empresa PrivCo, disse que o Santander estava em dificuldade e sendo forçado pelos reguladores europeus a melhorar seu nível de solvência. Ele fez o registro de que nenhum centavo do que foi obtido com a IPO será aplicado em apoio ao crescimento da subsidiária mexicana do Santander.  "Essa decisão era a que se esperava do Santander, que anteriormente fez IPOs de suas subsidiárias no Brasil, no Chile e na Polônia e pensa também monetizar outras subsidiárias", disse Hamadeh.

No primeiro semestre, a receita líquida do Santander México aumentou 18% para US$ 720 milhões e foi responsável por 12,4% dos lucros globais da matriz, muito embora represente apenas 4% dos ativos desta.

A Bolsa do México informou que as 15.799 transações efetuadas com as ações do Santander México estabeleceram um recorde para o maior número de operações diárias com uma única empresa.  As ADS (American Depositary Shares) listadas em Nova Iorque do Santander mexicano, correspondentes a 80% da IPO, fecharam a US$ 12,91 em Nova Iorque, em comparação com os US$ 12,18 do preço da oferta.

Em contraste, as ações do Santander caíram 4,5% na quarta-feira, quando as bolsas europeias foram afetadas pelas preocupações com a crise da dívida da eurozona.

Investidores disseram que os principais riscos enfrentados pelo braço mexicano do banco espanhol são seus laços com a matriz espanhola, incluindo a possibilidade de que tenha que descarregar os restantes 75% de suas ações para ela.

Na operação da IPO os bancos Santander, UBS, Bank of America e Deutsche Bank atuaram como coordenadores globais das vendas, e os bancos Citibank, Barclays, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Royal Bank of Canada e Credit Suisse atuaram conjuntamente como bookrunners [pessoas físicas ou jurídicas responsáveis pela primeira emissão de bônus ou ações (= primeira vez em que são vendidos) e por manter um registro de suas vendas].



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Diretor-Geral do Google no Brasil é preso pela Polícia Federal

O diretor-geral do Google Brasil, Fábio José Silva Coelho, foi preso por policiais federais na tarde desta quarta-feira, 26, em São Paulo, em cumprimento a uma ordem judicial expedida pelo juiz Amaury da Silva Kuklinski, do TRE de Mato Grosso do Sul. Kuklinski determinou a prisão sob o argumento de que o Google não tirou do ar vídeos postados no YouTube contra o candidato a prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP). A empresa alega que a responsabilidade pelo teor do vídeo é dos usuários, e por isso não poderia cumprir a determinação da Justiça Eleitoral.

O diretor do Google já foi ouvido na sede da Polícia Federal, na Lapa, zona oeste de São Paulo. Ele pode ser liberado ainda nesta quarta, se houver relaxamento do pedido de prisão. Veja abaixo a nota enviada pela PF:

"O mandado judicial trata do crime de desobediência previsto no Código Eleitoral (artigo 347), com pena de até um ano de detenção, um crime de menor potencial ofensivo.

Por se tratar de um crime de menor potencial ofensivo, apesar de trazido para a Polícia Federal, ele não permanecerá preso. Será lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência, com a oitiva do conduzido e sua liberação após a assinatura do compromisso de comparecer perante a Justiça. Esse procedimento está previsto na lei 9.099/95 e vale para todos os crimes de menor potencial ofensivo".

Procurado, o Google informou que ainda não se manifestaria sobre o caso. Na semana passada, o TRE havia negado o pedido de liminar que tentava barrar a retirada dos vídeos. Na ocasião, a empresa afirmou que iria recorrer da decisão por entender que não é responsável pelo conteúdo postado no YouTube. O Tribunal Regional da Paraíba (TRE-PB) suspendeu no final de semana de 15/16 de setembro a ordem de prisão preferida pelo juiz eleitoral de Campina Grande (PB), Ruy Jander, que havia pedido a prisão de Edmundo Luiz Pinto Balthazar, diretor geral do Google no Brasil. O juiz havia pedido a prisão do executivo por entender que a empresa praticou desobediência ao não cumprir uma ordem judicial. Em nota o Google, afirma que pediu Habeas Corpus e que o TRE reconheceu que o Google não é o autor intelectual do vídeo.

A notícia da prisão repercutiu hoje no site da CNN .

As cidades mais poluídas do mundo

A OMS - Organização Mundial da Saúde, em seu último relatório sobre a qualidade do ar publicado em setembro de 2011, adota uma posição vigilante contra os perigos enfrentados pelos habitantes de certas cidades. Pela compilação de dados de 1.100 cidades em 91 países, essa organização pôde estabelecer uma classificação das cidades onde se respira pior. As classificadas como mais poluídas são cidades iranianas, mongóis, indianas e paquistanesas. Longe de serem as maiores aglomerações do mundo, Ashwaz, Oulan Bator ou Sanadaj são, não obstante, aquelas nas quais as partículas PM10 estão mais presentes [PM10 = partículas de 10 micrômetros ou menos, que podem penetrar nos pulmões e podem entrar na corrente sanguínea, provocar doença cardíaca, câncer de pulmão, asma e infecções respiratórias agudas].

A OMS estima que, anualmente, mais de 2 milhões de pessoas morrem por respirarem partículas finas presentes em ar poluído, tanto em ambientes internos como externos. O padrão de referência da OMS de qualidade do ar para PM10 é de 20 microgramas por metro cúbico (20 μg/m³) como média anual, mas os dados liberados mostram que esse PM10 médio para algumas cidades chega a 300 μg/m³.

A classificação aqui abordada refere-se exclusivamente à poluição do ar, desconsiderando outros tipos de poluição como a da água, a visual, e a provocada por dejetos. Os dados compilados referem-se ao período de 2003 a 2010, a maior parte deles referindo-se no entanto a 2008 e 2009.

Para seus estudos, a OMS serviu-se de dados referentes às cidades mas não incluiu as zonas que não são representativas de perigo ou risco para os habitantes. Assim, os cruzamentos de rodovias, embora preocupantes quanto à presença de partículas finas no ar, não entraram no estudo quando não estão localizados dentro das cidades. O mesmo aconteceu com relação aos distritos industriais localizados fora das cidades.

Poluição do ar externo em cidades

PM10 médio anual em cidades, por região
Segundo a base de dados de 2003 a 2010

Legendas (clique na imagem para ampliá-la): Afr - África subsaariana; - Amr - Américas; - Emr - Mediterrâneo oriental; - Eur - Europa; - Sear - Sudeste da Ásia; - Wpr - Pacífico ocidental; - hi - alta renda; - LMI - renda média e baixa; - PM10 - matéria em partícula finas de 10 microns ou menos.

 Mapa mundi da exposição a partículas finas com diâmetro aerodinâmico de 10 μm ou menos (PM10) em 1081 cidades, no período 2003-2010 - (Fonte: OMS - clique na imagem para ampliá-la)

As 10 cidades mais poluídas do mundo (PM10 médio anual) - Fonte: OMS

1. Ahwaz (Irã) -- (372 μg/m³)
2. Oulan-Bator (Mongólia) -- (279 μg/m³)
3. Sanandaj (Irã) -- (254 μg/m³)
4 ex-aequo. Ludhiana (Índia) -- (251 μg/m³)
4 ex-aequo. Quetta (Paquistão) -- (251 g/m³)
6. Kermanshah (Iran) -- (229 μg/m³)
7. Peshawar (Paquistão) -- (219 μg/m³)
8. Gaborone (Botswana) -- (216 μg/m³)
9.Yasouj (Irã) -- (215 μg/m³)
10. Kampur (Índia) -- (209 μg/m³)

As 10 cidades/regiões mais poluídas do Brasil (PM10 médio anual) - Fonte: OMS

1.Região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro -- (68 μg/m³)
2.Cubatão (SP) -- (48 μg/m³)
3.Região de Campinas (SP) -- (39 μg/m³)
4.Região metropolitana da cidade de S. Paulo -- (38 μg/m³)
5.Região metropolitana de Curitiba -- (29 μg/m³)
6.Médio Paraíba -- (28 μg/m³)
7.Outra região do Estado de S. Paulo não claramente identificada -- (28 μg/m³)
8.Outra região do Estado de S. Paulo não claramente identificada -- (28 μg/m³)
9.Outra região do Estado de S. Paulo não claramente identificada -- (27 μg/m³)
10.Outra região do Estado de S. Paulo não claramente identificada -- (26 μg/m³)

[Na lista acima, surpreendem o nível de poluição do Grande Rio:quase o dobro da Grande S. Paulo (quase o dobro) e maior que a de Cubatão (!), e a presença de Curitiba na lista. A forte presença industrial do Estado de S. Paulo certamente explica sua múltipla participação na lista.] 

A diferença de metodologia de amostragem das redes de monitoramento da qualidade do ar explica, segundo técnicos do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea), o resultado de relatório sobre poluição do ar, divulgado hoje (26) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no que se refere às cidades do Rio e de São Paulo.

Em termos de classificação mundial, pela OMS, temos:
  • 144º. Região Metropolitana do Rio de Janeiro: 64 microgramas/m³
  • 204º. Região de Cubatão: 48 microgramas/m³
  • 267º. Região de Campinas: 39 microgramas/m³
  • 268º. Região Metropolitana de São Paulo: 38 microgramas/m³
  • 360º. Região Metropolitana de Curitiba: 29 microgramas/m³

Dentre os países avaliados, o Brasil ocupa o 44º lugar no ranking dos países mais poluídos e o 6º lugar na lista dos nove países da América do Sul avaliados, ficando na frente de Uruguai, Argentina e Equador. A média anual de partículas em suspensão no Brasil é de cerca de 40µg/m3, enquanto que o limite tolerável de poluição indicado pela OMS é de 20µg/m3. A Mongólia aparece como o país mais poluído (279µg/m3), enquanto que a Estônia apresenta o ar mais limpo (11µg/m3). Os EUA estão em 82º lugar, empatados com Mônaco e Luxemburgo, e a China em 15º lugar.

As 10 cidades mais poluídas da Europa (PM10 médio anual) - Fonte: OMS

1. Plovdiv (Bulgária) -- (70 μg/m³)
2. Sofia (Bulgária) -- (68 μg/m³)
3. Cracovie (Polônia) -- (64 μg/m³)
4. Pleven (Bulgária) -- (57 μg/m³)
5. Tessalônica (Grécia) -- (56 μg/m³)
6. ex-aequo. Rybnyk (Polônia) -- (56 μg/m³)
6. ex-aequo. Iasi (Romênia) -- (56 μg/m³)
8. Nicósia (Chipre) -- (53 μg/m³)
9.ex-aequo. Nowy Sacz (Polônia) -- (53 μg/m³)
9.ex-aequo. Timisoara (Romênia) -- (53 μg/m³)

Impressiona o nível de poluição do leste europeu -- Sofia, por exemplo, com menos de 1,5 milhão de habitantes tem o mesmo nível de poluição que o grande Rio, com uma população mais de 4 vezes maior. Uma explicação para essa poluição nesses países, vários deles ex-membros da União Soviética, reside em seus sistemas industriais obsoletos.

Nível de poluição das principais capitais europeias, segundo a OMS

Paris - (38 μg/m³) -- Londres - (29 μg/m³) -- Berlim - (26 μg/m³) -- Amsterdam - (24 μg/m³) -- Madri - (26 μg/m³) -- Lisboa - (30 μg/m³) -- Roma - (35 μg/m³) -- Berna - (24 μg/m³) -- Viena - (25 μg/m³) -- Bruxelas - (28 μg/m³) -- Praga - (27 μg/m³) -- Budapeste - (29 μg/m³) -- Varsóvia - (32 μg/m³) -- Estocolmo - (28 μg/m³) -- Copenhague - (26 μg/m³) -- Oslo - (22 μg/m³) -- Helsinque - (20 μg/m³).

Nível de poluição das demais capitais sul-americanas, segundo a OMS

Buenos Aires - (38 μg/m³) -- Montevidéu - (39 μg/m³) -- Assunção - (não consta da lista da OMS!) -- La Paz - (também não consta da lista da OMS, mas em Santa Cruz de la Sierra o nível de poluição é de 83 μg/m³) -- Lima - (78 μg/m³) -- Santiago - (71 μg/m³) -- Quito - (34 μg/m³) -- Bogotá - (77 μg/m³) -- Caracas - (37 μg/m³). As capitais da Guiana, do Suriname e da Guiana Francesa não constam da lista da OMS.








terça-feira, 25 de setembro de 2012

Vendas de tablets no Brasil batem recorde

Somente no segundo trimestre de 2012 foram comercializadas 606 mil unidades de tablets no Brasil, um recorde de vendas, segundo estudo da IDC Brasil. A previsão é de que até o fim do ano o número chegue à marca de 2,6 milhões de aparelhos e que até 2013 sejam vendidos 5,4 milhões.

De acordo com o estudo, na comparação com o ano passado, o crescimento é de 275%. O analista de mercado da IDC Brasil, Attila Belavary acrescenta que o recorde foi impulsionado pela grande quantidade de dispositivos com preços inferiores a R$ 1 mil introduzidos no mercado.  "O sucesso da categoria atraiu novos fabricantes, principalmente originados da China e com uma especificação técnica limitada", declara o analista, explicando que o preço é o principal responsável pelo aumento das vendas nos tablets com tamanhos de tela menores e sem a conectividade 3G. Segundo Attila, nos tablets mais baratos, o adicional do 3G é mais perceptível ao consumidor que acaba optando pelo dispositivo apenas com Wi-Fi.

Com o recorde de vendas, o Brasil saltou da 17ª posição, que ocupava no segundo trimestre de 2011 no ranking mundial, para a 11ª no mesmo período de 2012, muito por causa da popularização dos dispositivos.

Na comparação com os EUA, feita pela IDC, atualmente no Brasil são vendidos quatro notebooks para cada tablet, enquanto nos EUA, as vendas entre os dois aparelhos já são equiparadas. Mas segundo Attila, a tendência é que as pessoas prefiram os tablets para tarefas voltadas ao consumo de conteúdo, como navegação na internet ou acesso a vídeos, livros e músicas, o que fará com que eles tenham que dividir seu tempo entre vários tipos de dispositivos, não ficando mais restritos apenas aos desktops. "O maior impacto será na extensão do tempo de vida dos computadores, que serão menos utilizados para tarefas de consumo e mais utilizados em tarefas para criação de conteúdo dentro do seu ambiente de produtividade", afirma o analista.






Renoir e sua genialidade

Uma pintura comprada por alguns dólares em um mercado de pulgas nos Estados Unidos acabou por se tornar um grande negócio. Especialistas em arte acham que se trata de uma obra do mestre francês, Pierre-Auguste Renoir.

A pintura foi comprada por 50 dólares  por uma mulher, na Virgínia (EUA), como parte de um lote que incluiu uma boneca e uma vaca de plástico.  Ela levou a obra para uma casa de leilões local (Potomack), onde um especialista identificou-a como uma pintura de Renoir (Paysage Bords de Seine), pintada por volta de 1879. Os leiloeiros esperam vender por cerca de cem mil dólares no final deste mês.

O quadro "Paysage Bords de Seine", atribuído a Renoir,  comprado em um mercado de pulgas nos EUA.

Renoir (1841-1919) foi um dos principais pintores do Impressionismo, movimento artístico cujo nome deriva do famoso quadro Impression, soleil levant  (Impressão, sol nascente) de Claude Monet, que pertence ao acervo do Museu Marmottan, de Paris.

Impression, soleil levant - Claude Monet (1872) - (Foto: Wikipedia).

Reproduzo a seguir alguns quadros de Renoir:

Praça de S. Marcos, Veneza (1881) - Instituto de Artes de Minneapolis (Minnesota, EUA)

No Terraço (1881) - Instituto de Arte de Chicago, Coleção Sr. e Sra. Lewis Larned (EUA)

Irène Cahen d'Anvers (A pequena Irene) (1879) - Coleção E.G. Buhrle, Zurique (Suiça)

Jeanne Samary com um vestido decotado (1877) - Museu Pushkin (Moscou)

O pintor Le Coeur caçando na floresta de Fontainebleau (1866) - MASP (S. Paulo)

Buquê de flores da primavera (1866)

O pescador (1874) - Coleção privada

 Garota com ramos de flores (1888) - MASP (S. Paulo)

Remadores em Chatou (1879)

Casal no barco (Aline Charigot e Renoir) (cerca de 1881) - Museu de Belas Artes (Boston, EUA)

O Sena em Asnieres (1879) - The National Gallery, Londres

A mãe de Renoir (1860)

Mulher arrumando seu chapéu (cerca de 1890) - High Museum of Art (Atlanta, EUA)

Menina do chapéu dourado (1884)

Mulher com sombrinha no jardim (1873)

Baile no Moulinde la Galette (1876) - Museu d'Orsay (Paris)

La Grenouillère - Museu Nacional (Estocolmo)





segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cientistas criam mosquito que não transmite o vírus da dengue

Cientistas criaram em laboratório um tipo de mosquito Aedes aegypti que não transmite o vírus da dengue. O resultado da pesquisa, liderada pela Universidade de Monash, na Austrália, e feita em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, está sendo apresentado no 18.º Congresso Internacional de Medicina Tropical, no Rio de Janeiro. Segundo a OMS, a incidência da dengue cresceu 30 vezes nos últimos 50 anos -- de 50 a 100 milhões de infecções ocorrem anualmente, endemicamente, em mais de 100 países, colocando em risco quase a metade da população mundial.

Os pesquisadores introduziram no Aedes aegypti a bactéria Wolbachia, presente em 70% dos insetos do mundo. Essa bactéria atua como uma espécie de vacina para o mosquito e bloqueia a multiplicação do vírus dentro do inseto. Dessa forma, o mosquito não transmite mais a dengue. A colônia de Aedes aegypti com Wolbachia é criada em laboratório. Depois, os insetos são liberados na natureza. Livres, eles se reproduzem com mosquitos locais e a bactéria é transmitida de mãe para filho pelos ovos.

Wolbachia pipientis é uma bactéria intracelular que foi observada pela primeira vez há 70 anos. Estudos recentes demonstraram que ela pode existir em mais de 70% de todos os insetos, incluindo borboletas e mosquitos, como o Culex, o comum ‘pernilongo’. Apesar desta ampla gama de hospedeiros, a Wolbachia não é capaz de infectar vertebrados, incluindo os humanos.

Wolbachia pipientis - (Foto: O Globo).

Além de bloquear a transmissão do vírus da dengue, a bactéria também tem efeito sobre a capacidade de reprodução. As fêmeas com Wolbachi sempre geram filhotes com a bactéria - independente da situação do macho. No entanto, os óvulos fertilizados das fêmeas sem Wolbachia, que se acasalam com machos que tenham a bactéria, morrem.  Por conta disso, mesmo que uma pequena população de insetos com a bactéria seja introduzida na natureza, rapidamente esse tipo de mosquito se torna maioria. Foi o que aconteceu nas localidades de Yorkeys Knob e Gordonvale, em Cairns, na Austrália. Apenas cinco semanas depois da liberação dos mosquitos com a bactéria, em janeiro de 2011, a presença de insetos com Wolbachia alcançou 100% em Yorkeys Knob e 90% em Gordonvale.

Os especialistas se referem ao estudo como "potencial tecnologia autossustentável", uma vez que a transmissão da bactéria é garantida no processo reprodutivo do mosquito, dispensando os custos de soltura continuada no ambiente.  No Brasil, o projeto está na primeira fase. Os cientistas estão fazendo, em laboratório, a manutenção de colônias dos mosquitos com Wolbachia e o cruzamento com Aedes aegypti de populações brasileiras.


O projeto "Eliminar a Dengue: Desafio Brasil" conta com financiamento da Fiocruz, Ministério da Saúde (Secretaria de Vigilância em Saúde - SVS e Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos - DECIT/SCTIE) e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (CNPq).


Mecanismo de atuação da Wolbachia - (Fonte: O Globo - Arte: Mariana Castro e Leonardo de Morais| Edição: Viviane Nogueira) - Clique na imagem para ampliá-la.

Pousos de alto risco da Trip -- mais uma prova da incompetência e da irresponabilidade da Anac

[A notícia abaixo, publicada no jornal O Estado de S. Paulo ("Estadão") do dia 21/9,  é mais um caso em que atividades que põem em risco a segurança e até a vida de cidadãos só são descobertas por denúncias anônimas -- o Estado, a quem cabem a obrigação e a responsabilidade de cuidar disso, descumpre o que é de seu mister ou é omisso em suas funções.]

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) abriu um processo administrativo contra a Trip Linhas Aéreas para investigar o uso de um procedimento de pouso não autorizado, considerado de "alto risco" pelo órgão. A companhia aérea confirmou que foi notificada sobre a questão nesta quinta-feira e orientou seus pilotos a não utilizarem mais o procedimento. "A empresa Trip recorrentemente realiza procedimentos de aproximação não aprovados em sua especificação operativa", disse relatório de fiscalização da Anac de 27 de agosto, obtido pelo Estadão.

A Anac recebeu denúncia anônima sobre o uso pela Trip de uma técnica de pouso chamada RNAV Approach. A técnica usa instrumentos de precisão, como GPS, e permite à empresa voar a alturas mais baixas antes de pousar, segundo o professor do curso de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS, Ênio Dexheimer. Com isso, a empresa tem condições de pousar mesmo com visibilidade baixa, evitando sobrevoar até que as condições melhorem ou ter de se dirigir a outro aeroporto - o que aumentaria o custo [filosofia da Trip: poupar gastos, que se danem a segurança e as vidas de passageiros e tripulantes].

O uso da técnica requer a certificação da empresa e do avião, o que a Trip não possui. E, mesmo com o certificado, as companhias só podem pousar em aeroportos onde o procedimento é autorizado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). "Como resultado do processo, a empresa poderá ser autuada, sujeitando-se à imposição de sanções administrativas", disse a Anac, em comunicado ao Estado. Se confirmadas as irregularidades, as sanções poderão ir de multas à suspensão dos voos da empresa. 

A fiscalização da Anac flagrou o uso do procedimento em pelo menos três voos da Trip em agosto, nos aeroportos de Juiz de Fora (MG) e nos catarinenses Criciúma e Joinville, segundo o documento de 27 de agosto. Outro relatório, de 4 de setembro, diz que a Anac encontrou anotações de pilotos da Trip que definem alturas mínimas para o pouso com a técnica de aproximação por instrumentos em 15 aeroportos onde o procedimento não é autorizado pelo Decea.

Segundo quatro especialistas consultados pelo Estado, o uso da técnica sem certificação compromete a segurança. "É uma infração grave do regulamento do setor aéreo", disse o comandante Carlos Camacho, diretor de segurança de voos do Sindicato Nacional dos Aeronautas. "Só o Decea pode criar o procedimento. Nenhum piloto pode fazer isso. O risco é errar na precisão e atingir um obstáculo, por exemplo".

A Trip disse que sua operação é segura. "O procedimento RNAV Approach é uma técnica moderna e muito segura", disse o presidente da Trip, José Mario Caprioli. Ele admitiu que a empresa vinha utilizando a técnica, mas o procedimento foi suspenso na quarta-feira após determinação da Anac.

Anac recomenda afastamento de diretores da Trip

As investigações da operação da Trip podem resultar na intervenção da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na empresa e no afastamento de membros da diretoria. A recomendação está em relatório de fiscalização da empresa, datado de 27 de agosto, e obtido pela reportagem. "Face ao risco envolvido nas operações da empresa Trip Linhas Aéreas, recomenda-se a substituição do diretor de Operações (Fernando Paes Barros) e também do diretor de Segurança Operacional, Rafael Cohen", diz o documento. 

O relatório, assinado por três agentes da Anac, também recomenda a "intervenção da Anac na área operacional da empresa" e o encaminhamento do processo ao Ministério Público Federal, pois "os fatos também se enquadram no rol dos ilícitos penais". A Anac informou que o processo ainda está em curso e a empresa tem direito a se defender. As recomendações dos fiscais poderão ou não ser adotadas no fim da investigação, que ainda não tem uma data definida. A Anac abriu processo administrativo contra a Trip Linhas Aéreas para investigar o uso de um procedimento de pouso não autorizado, considerado de "alto risco" pelo órgão.

[O que se depreende dessa história é mais uma falha absurda e inadmissível da Anac, engrossando o currículo de ineficiência e incompetência dela em particular, e das agências regulatórias em geral. Foi preciso uma denúncia anônima para a Anac se dar conta de uma infração de alto risco -- como a própria Anac a classifica -- que a Trip vinha cometendo "recorrentemente". A Anac nos deve as seguintes explicações, pelo menos: - a) quantas vezes significa esse"recorrentemente" e há quanto tempo isso vem acontecendo?; - b) por que a Anac não detetou antes essa infração de alto risco da Trip, e só tomou dela conhecimento após uma denúncia anônima?; - c) dado o número significativo de aeroportos em  que a infração foi cometida (15), como se explica essa falha da Anac? Nenhum desses aeroportos possui torre de controle de voos ou algo equivalente? Esses agentes locais  não são obrigados a reportar a ninguém esse tipo de falha da Trip?!

Pelo visto, fica evidente que, se depender da Anac, nossa segurança em voos, pousos e decolagens está entregue às baratas ou a uma bendita denúncia anônima, porque para as empresas aéreas (para a Trip, pelo menos) somos meros cifrões.]

sábado, 22 de setembro de 2012

Dilma tem se revelado mais equilibrista do que estadista

[Nem sempre concordo com o senador Cristovam Buarque, principalmente depois que foi ministro da Educação no primeiro governo de Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata, mas o artigo dele no Globo de hoje me pareceu mais uma boa descrição do perfil governista de nossa ex-guerrilheira e ex-quase Dama de Ferro, Dª Dilma Rousseff.]

Dilma erra

Cristovam Buarque - O Globo (22/9/2012)

Com 27 pacotes ou minipacotes econômicos, a presidenta Dilma tem agido como equilibrista na crise econômica do presente, não como estadista para fazer o Brasil estar em sintonia com a economia global do futuro.

Os pacotes são corretas ações pontuais, com a redução de custos de produção, aumento da venda por redução de impostos, e associação com o capital privado para superar a obsolescência da infraestrutura, mas pouco ou nada tem sido feito para transformar o Brasil em uma nação inovadora.

Ser equilibrista no curto prazo é reduzir o Custo Brasil por meio de isenções fiscais ou desonerações na folha de pagamento.

Ser estadista é construir uma economia com alta competitividade, graças à inovação científica e tecnológica.

Equilibrista é aumentar a taxa de crescimento do PIB, estadista é mudar o PIB. Os pacotes editados desde 2011 podem recuperar parte do espaço perdido no “made in Brasil”, mas não darão o salto para o “created in Brazil”.

Vender mais carros no meio da crise mundial é um ato de equilibrista, de estadista seria criar centros de pesquisa e de produção voltados para o transporte de massas. Seria fazer a revolução na Educação Básica, aliada a uma grande Refundação do Sistema Universitário Brasileiro, em colaboração com o setor privado e por meio da criação de um Sistema Nacional do Conhecimento e da Inovação, que permita ao Brasil passar a concorrer em condições de igualdade com os países líderes em Ciência e Tecnologia.

Ser equilibrista é conseguir recursos para aumentar o número de famílias com Bolsa Família; ser estadista é criar as bases para que todas as famílias tenham condições de obter suas próprias rendas, sem necessidade de bolsas, graças a um modelo econômico intrinsecamente distributivo e a uma educação de qualidade para todos.

Há meses arrastamos um debate sobre o Código Florestal tentando atender agronegócio e conservacionistas, sem um gesto estadista de mudança de rumo em direção a um novo modelo econômico com desenvolvimento sustentável.

Explorar o Pré-Sal é trabalho de um gestor equilibrista, de estadista seria preparar o Brasil para a economia pós-petróleo.

Ser equilibrista é construir viadutos para mais carros, ser estadista é reorganizar as cidades, a fim de torná-las pacíficas, humanizadas.

Com seus pacotes, a presidenta Dilma tem acertado como equilibrista, olhando onde colocar os pés em uma corda bamba suspensa. A qualquer momento, se um vento do Norte balançar a corda, o equilíbrio se desfaz, como se desfez em tantos países nos últimos anos.

Mas ela erra como estadista por não estar acenando e liderando o país para uma inflexão histórica no longo prazo: transformar o Brasil em uma sociedade moderna e com competitividade científica e tecnológica, com um modelo de crescimento estruturalmente distributivo e em equilíbrio com o meio ambiente.

O Brasil elegeu a Dilma esperando uma estadista para o futuro, mas ela está errando ao optar por ser apenas a equilibrista do presente.