sábado, 14 de junho de 2014

Tratamento com ácaro diminui risco de crianças desenvolverem alergia

[O artigo abaixo trata de um assunto que é recorrente na criação de filhos, que é a questão de expô-los ou não quando bebês ao meio ambiente e, em particular, à poeira. Sempre fui da opinião de que em geral excesso de proteção, nesse particular, acaba predispondo as crianças a certos problemas de saúde por falta de autoimunidade. O texto abaixo foi publicado em 12/6 no site do Globo e em 13/6  na versão impressa do jornal. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]


Ácaros podem servir para diminuir a incidência de alergia em crianças entre 6 e 18 meses - (Foto: Divulgação/Fonte: O Globo).

Expor os bebês a poeira e ácaros pode reduzir significativamente o risco de desenvolver alergias, incluindo asma quando ficam mais velhos. Esta é a conclusão de um grupo de pesquisadores biomédicos da Universidade de Southampton após recrutarem 111 crianças com histórico de alergia nos pais e darem gotas orais com extrato de ácaros para metade do grupo e placebo para outra parte.

O tratamento foi dado duas vezes por dias durante os seis primeiros meses de vida até os 18 meses. A exposição ao alérgeno, encontrado frequentemente em travesseiro, colchões e tapetes, reduziu a incidência de alergia em 63%. "Estes resultados são extremamente excitantes, mostramos como um tratamento simples e seguro pode reduzir o risco da criança desenvolver a alergia", afirmou Hasan Arshad, consultor de alergia em Southampton.

No Reino Unido, uma em cada quatro crianças possui uma doença alérgica que começa ainda na infância e se prolonga por toda a vida.

Os resultados foram apresentados na Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica em Copenhague. O grupo que utilizou placebo apresentou o resultado esperado, com 25, 5% desenvolveram alergia a ácaro.

[O texto integral do artigo citado e resumidamente traduzido acima está disponível no site da Universidade de Southampton. No artigo, o Prof. Hasan Arshad diz: "Esses resultados são extremamente excitantes, pois mostramos que um tratamento simples e seguro --  extrato de ácaro por via oral -- administrado a crianças de alto risco reduz o desenvolvimento precoce de alergia". 

"Embora ácaros sejam uma causa importante para asma e alergia, o uso do mesmo alérgeno sob a forma de extrato oral -- conhecido como imunoterapia -- pode reduzir a reação do organismo não apenas a ácaros mas também a outros alérgenos importantes.  Como consequência, acreditamos que haja uma forte possibilidade de que isso agora possa levar à prevenção de asma, eczema e de outras doenças alérgicas", disse o professor.

O Prof. Hasan Arshad, chefe de alergia e imunologia clínica na Universidade de Southampton, disse que estudos anteriores realizados por sua equipe mostraram que cerca de 25% de todas as crianças de alto risco têm evidência de uma alergia aos 18 meses, e apresentam alto risco de ter asma mais tarde na vida.

Os resultados, apresentados em 11 de junho de 2014 em um congresso da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica em Copenhague, mostraram que no grupo tratado com placebo encontrou-se o esperado -- 25,5% desenvolveram alergia a ácaros e outros alérgenos -- mas o grupo de tratamento com extrato oral de ácaro observou que isso ocorreu em apenas 9,4% dos casos.

O Prof. Graham Roberts, consultor em alergia e medicina pediátricas, acrescentou: "A redução de alergias em idade tenra deve levar a uma redução no desenvolvimento de asma mais tarde na infância. Ainda necessitamos mostrar que a asma pode ser prevenida mas, tendo reduzido o nível de reação a esse alérgeno, há uma grande probabilidade de que não veremos o desenvolvimento de asma nessas crianças". 

O Prof. Arshad, que é também diretor do Centro de Pesquisas David Hide para Asma e  Alergia na Ilha de Wight, disse que sua equipe acompanharia agora crianças de três e cinco anos de idade, e se cogita da criação de um grande centro multiestudos em futuro próximo. 

O estudo foi financiado pela Unidade de Pesquisa Biomédica Respiratória NIHR Southampton e contou com suporte da ALK-Abello.]

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