quarta-feira, 30 de abril de 2014

O NPA continua o mesmo mentiroso e moleque de sempre, dentro e fora do país

[Há pessoas, como o NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula) que nascem, crescem e morrem sem adquirir e procurar absorver o mínimo de ética e apego à verdade. Mentem descarada e deslavadamente, com a maior naturalidade, porque prezam e cultivam a mentira e o engodo -- o cinismo e o descaramento são seu habitat, o útero em que se sentem à vontade. Com a mentira e a desfaçatez vêm naturalmente a corrupção e a esgarçadura dos valores morais, e disso o NPA entende como ninguém neste país -- afinal, seu governo deu início a um ciclo de corrupção na administração pública e nas empresas estatais como jamais visto na história da República. Sua proeza mais recente como moleque e pilantra-mor da política brasileira ocorreu em recente entrevista à televisão portuguesa, em que fez afirmações sobre o mensalão e seu julgamento pelo STF que só poderiam sair da boca de um inescrupuloso como ele. Vejamos a reprodução de sua fala aos portugueses, em diferentes órgãos da mídia brasileira.]

Congresso em Foco -- O ex-presidente Lula afirmou que os petistas presos no mensalão não são da sua confiança. O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por corrupção e outros crimes grandes figuras do PT como o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e os ex-deputados José Genoino e João Paulo Cunha. Lula afirmou que o julgamento será “recontado” e que ele “teve praticamente 80% de decisão política e 20% jurídica”. Em entrevista à rede de televisão portuguesa RTP, levada ao ar neste domingo (27), o ex-presidente interrompeu a jornalista Cristina Esteves quando ela questionou-o sobre pessoas de sua confiança que foram presas. “Não se trata de gente da minha confiança. Tem companheiros do PT presos, eu indiquei seis pessoas da Suprema Corte que julgaram e acho que cada um cumpre com seu papel”, afirmou Lula. “Não houve mensalão".

Merval Pereira (O Globo) -- Na estranha entrevista que deu em Portugal disse que o julgamento do mensalão foi 80% político, numa peculiar dosimetria que já foi classificada pelo ministro Marco Aurélio Mello de “coisa de doido”. Não haveria grandes novidades nessa fala, a não ser a medição do que foi política e do que foi jurídico na opinião de Lula, mas o ex-presidente mostrou mesmo o desencontro de seus pensamentos quando, confrontado com o fato de que as pessoas condenadas eram líderes do PT, disse ao entrevistador que eram pessoas que não mereciam a sua confiança. Não é possível deixar de ser solidário a José Dirceu, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e José Genoino neste momento em que, mais uma vez, Lula tenta tirar o corpo fora dos malfeitos em que seu partido vem se metendo.

O Estado de S. Paulo -- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista exibida na noite de sábado, 26, pela Radio e Televisão de Portugal (RTP) que o julgamento do mensalão teve "80% de decisão política e 20% de decisão jurídica". Foi a primeira avaliação direta do petista sobre a sentença que levou à prisão ex-dirigentes do PT. Sobre os condenados, Lula afirmou: "Não se trata de gente da minha confiança".

Folha de S. Paulo -- A entrevista de Luiz Inácio Lula da Silva à Rádio e Televisão de Portugal (RTP) que foi ao ar no sábado não é a primeira oportunidade em que escolhe solo estrangeiro para dar declarações temerárias sobre o mensalão. Neste caso, o ex-presidente preferiu atacar as instituições, ao contrário do que fez quando ocupava a Presidência. (...) Em Lisboa, Lula fez algo muito mais grave: pôs sob suspeição o próprio Supremo Tribunal Federal. O ex-presidente disse à jornalista Cristina Esteves, da RTP, que não iria examinar decisões da Suprema Corte e fez exatamente o oposto, ao declarar que a decisão fora 80% política e 20% jurídica. Foi além: tudo não teria passado de um massacre para destruir o PT; a história do mensalão, com o tempo, deverá ser recontada.

A afoiteza, a enumeração fantasiosa de conquistas de governos petistas e o espantalho da conspiração das elites são característicos da única retórica que Lula demonstra conhecer – a de palanque. A incongruência de dirigir-se nesse tom a ouvidos portugueses sugere que o petista em realidade pretendeu enviar mensagens algo cifradas ao Brasil, que correligionários entenderão como ordem para "ir para cima" dos adversários. Em outras palavras, Lula parece bem mais disposto a se tornar candidato do que semanas atrás.

(...) "Troço de doido", reagiu o ministro do STF Marco Aurélio Mello, um dos poucos, ao lado de Gilmar Mendes e de Joaquim Barbosa, a se pronunciar sobre a contabilidade luliana. Não é loucura. Temeridade, por certo, jactância, mas cometidas com método e cálculo, zero de desvario.

Lula mostrou-se como o que é, 100% político. E, no contexto de crescente descrédito e perda de popularidade da presidente que fez eleger, 80% cabo eleitoral do PT e 20% pré-candidato –proporção que não hesitará em virar a seu favor caso confie em eventual vitória.




terça-feira, 29 de abril de 2014

Publicamente o governo Dilma NPS continua enganando a população quanto ao risco de racionamento, mas nos bastidores o ONS já defende um corte imediato no abastecimento

[Todos os indícios apontam para um racionamento de energia elétrica inevitável no país, a menos que ocorra um desses milagres capazes de transformar Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias) e o NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula) em santos em menos de 24h, barrando a velocidade com que o Vaticano transformou dois papas recentes em santos. O inferno astral do setor elétrico cresce inexoravelmente, arrastando consigo o país. A reportagem abaixo, de Daniel Rittner, foi publicada hoje (29/4) no jornal Valor Econômico.]

Diante do esvaziamento dos reservatórios, técnicos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) têm defendido nos bastidores um corte imediato de 3 mil a 4 mil megawatts (MW) médios no abastecimento de energia do país. O montante equivale a cerca de 4% a 6% da carga diária de eletricidade do sistema interligado nacional. Para o ONS, que já levou recomendação nesse sentido à presidente Dilma Rousseff, isso seria capaz de elevar em oito a dez pontos percentuais o nível dos reservatórios ao término do período seco (fim de novembro).

Há duas formas, na visão dos técnicos, de fazer esse corte sem que haja racionamento. Uma é conversar com indústrias eletrointensivas e negociar a redução voluntária do consumo. Outra é iniciar uma campanha publicitária, voltada a consumidores residenciais, de economia de energia. A primeira opção teria impacto negativo na produção industrial; a segunda pode causar desgaste político. O benefício de uma ou outra é atenuar as chances de um racionamento mais severo em 2015, caso a próxima temporada de chuvas não seja abundante, repetindo a hidrologia desfavorável de 2014.

Seria exagero dizer que o governo está rachado sobre o assunto. Mas não é errado, segundo o Valor apurou, afirmar que o ONS tem adotado postura mais forte e sugerido restrições imediatas ao consumo. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), embora se atendo ao papel de regulador e evitando interferências em questões operacionais, compartilha dessa visão. O Ministério de Minas e Energia e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) seriam mais resistentes à ideia. Todos foram procurados pela reportagem e não quiseram se pronunciar.
O ONS traçou quatro cenários de hidrologia para simular as condições de armazenamento nas represas do Sudeste e Centro-Oeste, regiões que constituem a principal "caixa d'água" do país, ao término de novembro - quando recomeça a temporada de chuvas. No pior cenário, mesmo com as usinas térmicas ligadas a plena carga, os reservatórios podem chegar a 15,7% da capacidade total. Adotar medidas imediatas de restrição ao consumo pode elevar esse armazenamento em até dez pontos. Hoje, o nível dos reservatórios no Sudeste/Centro-Oeste está em 38,1% - índice mais baixo para o mês de abril desde o racionamento de 2001.



A saúde pública no governo da madame que quer se reeleger

[Em postagem recente, apresentei o resultado de pesquisa sobre serviços de saúde em 48 países pelo Bloomber, portal americano especializado em economia. Mantendo a tradição nos 11 anos de governo petista em matéria de desempenho merreca, o Brasil ficou em último lugar também nesse quesito.  Hoje, 29/4, o jornalista José Casado mostra em sua coluna no Globo -- reproduzida a seguir -- mais algumas facetas da desastrosa administração do governo Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias) também nessa área vital para a população brasileira. Aliás, a incompetência da madame é geral e irrestrita, atinge todos os setores e hierarquias de seu governo -- parece que ela só se dá bem no trato com o netinho. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]

Um exame da Saúde

José Casado -- O Globo, 29/4/2014

Enquanto o governo fechava 12 leitos hospitalares por dia no Sistema Único de Saúde, um a cada duas horas, o setor privado abria nove por dia, um a cada duas horas e meia

A percepção de que a Saúde é o maior problema brasileiro está estampada em todas as recentes pesquisas de opinião. Em dezembro o Ibope confirmou a impressão coletiva ao entrevistar 15.414 eleitores em 727 municípios: 58% criticaram a política de saúde pública — a taxa de reprovação foi recorde no Rio Grande do Norte (73%), Distrito Federal (72%), Mato Grosso do Sul e Pará (70%). No Palácio do Planalto, porém, prevalece uma visão diferente.
Sete em cada dez brasileiros dependem integralmente da rede pública de serviços de saúde, que perdeu 11.576 leitos hospitalares no período entre janeiro de 2011 e agosto do ano passado. Ou seja, o governo Dilma Rousseff passou os primeiros 30 dos seus 48 meses de mandato desativando 12 leitos hospitalares por dia — em média, um a cada duas horas. “Houve uma redução da quantidade de todas as especialidades de leitos de internação, com exceção dos leitos localizados em hospitais-dia”, atesta o Tribunal de Contas da União.
Enquanto isso, o setor privado recebeu estímulos para aumentar o número de leitos disponíveis a quem tem dinheiro para pagar um plano de saúde, com direito à internação hospitalar. Foram criadas 8.349 vagas nesse período, destinadas às pessoas que não dependem do SUS (um em cada quatro brasileiros). Na média, foram abertos nove novos leitos particulares por dia — um a cada duas horas e meia.
Técnicos do Tribunal de Contas passaram os últimos 12 meses examinando o financiamento e o desempenho do Sistema Único de Saúde. Visitaram 116 hospitais com 27.614 leitos (8% do total disponível no SUS), e em todo o país entrevistaram gestores, representantes do Judiciário e dos conselhos profissionais. O relatório recém-concluído tem 200 páginas com um inédito diagnóstico dos serviços do SUS. Sua leitura conduz a uma conclusão: falta governo na saúde pública.
Em 67% dos estados a quantidade de leitos para a massa dependente da rede pública (2,29 para cada mil habitantes) é inferior ao mínimo recomendado pelo próprio governo (2,5 por mil).

A superlotação virou parte da paisagem. Do Rio Grande do Sul ao Amapá, os técnicos do TCU encontraram corredores de hospitais atulhados de pacientes em macas. Contaram mais de 2.700 leitos interditados em 116 hospitais por falta de enfermeiros e de serviços de apoio. Anotaram: “Gestores de 85 unidades hospitalares (73% do total) afirmaram que a estrutura física dessas unidades não era adequada ao atendimento” — projeto arquitetônico ruim e estruturas antigas que impedem instalação de equipamentos comprados.

A desorganização começa na compra de medicamentos. Entre os 50 mais adquiridos no país, 43 têm preços acima da média internacional. Avança com a leniência na cobrança das dívidas privadas acumuladas com o SUS: de cada R$ 100 que o setor público gasta com clientes dos planos de saúde, o governo só consegue receber R$ 2,4. E vai ao desperdício de dinheiro em projetos como o do Cartão SUS. Gastou-se R$ 255 milhões nos últimos dez anos, parte em “pagamentos estranhos”. Restou um cadastro de endereços de usuários.
Para candidatos que queiram entender a angústia e a esperança dos eleitores no resgate do sistema público de saúde, o estudo do TCU pode ser um bom começo. Está na rede do tribunal, sob o título “Fiscsaúde”.


[Quem quiser acessar o FiscSaúde do TCU e conhecer em números e em VG (Verdadeira Grandeza) a calamidade da gestão do governo Dilma NPS também na saúde pública é só clicar aqui.]

P'ra não dizer que não falei das flores (do Brasil) (II)

Todas as fotos a seguir são do Google (clique na imagem quando quiser ampliá-la). Ver postagem anterior.












Orquídeas



Violeta



Bastão-do-Imperador ou Gengibre-tocha



Margarida



 O Quipá, flor nordestina também conhecida como palmatória



Narciso amarelo















Azaleias












Campânula ou sininho







Dedaleira



Embira de sapo





Flor de paineira












Crisântemo








segunda-feira, 28 de abril de 2014

As lambanças homéricas de Dilma NPS no setor energético, por ação e omissão, às nossas custas (II)

[Ver postagem anterior. Do alto de sua burrice hiperbólica e pétrea, de sua absoluta falta de autocrítica, de sua ignorante prepotência e de sua visceral ojeriza ao diálogo, Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias) não vem deixando pedra sobre pedra no setor energético. Na área elétrica, ela desmantelou o setor operativa e financeiramente, acabou com a Eletrobras, acabou com o planejamento do setor, atropelou contratos e instaurou a insegurança jurídica entre os investidores, acabou por deformar profundamente o mercado e a estrutura tarifária (ambos já com defeitos de nascença), estimulou a gastança criando um mentiroso e irresponsável abatimento tarifário por decreto e deixou inteiramente de lado o estímulo ao uso eficiente da energia elétrica. As fontes alternativas de energia, especialmente a eólica, foram absolutamente ignoradas ou irresponsavelmente deixadas ociosas. Na área do petróleo, sua perversa obsessão foi destruir a Petrobras. Enquanto não surgiu o mar de lama na empresa -- concebido, executado e estimulado pelos petistas e peemedebistas que dela se apossaram por indicação, apoio e a vista grossa do NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula) e dela mesma Dilma NPS -- nossa Dama de Ferrugem sufocou a Petrobras com a manipulação dos preços dos combustíveis para controle fajuto da inflação. Depois se viu que a atuação da madame era mais destruidora do que parecia, quando aflorou seu comportamento irresponsável na autorização da compra da refinaria de Pasadena (EUA), que já está custando à empresa R$ 1,93 bilhão. O mar de corrupção e lama na empresa só faz crescer, e agora surgem denúncias sobre a aquisição de outra refinaria no exterior, desta vez em Okinawa, no Japão, conforme reportagem de André Borges e Fábio Brandt, reproduzida a seguir, publicada em 28/4 pelo jornal Valor Econômico. Pelo visto, o grande negócio no mercado internacional é vender refinarias  para a Petrobras -- de preferência, as que forem mais problemáticas e enroladas. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.] 

Petrobras ignorou restrições da refinaria de Okinawa

André Borges e Fábio Brandt -- Valor Econômico, 28/4/2014

A aquisição da refinaria americana de Pasadena não foi o único negócio polêmico feito pela Petrobras em sua incursão internacional. A compra da refinaria de Okinawa, no Japão, em 2007, um ano após a negociação de Pasadena, também é dona de um histórico de resultados frustrados e, principalmente, de promessas de produção que hoje, como admite a estatal, não tinham como serem cumpridas, por conta de restrições técnicas e imposições ambientais feitas pelo próprio governo japonês.

A Petrobras comprou uma fatia de 87,5% na refinaria japonesa Nansei Sekiyu Kabushiki Kaisha (NSS), localizada na ilha de Okinawa, ao custo de US$ 52 milhões. A transação foi fechada com a Tonen General Sekiyu, uma subsidiária da ExxonMobil. A refinaria - como informou à época da aquisição e sustentou até hoje - teria capacidade de produção de 100 mil barris por dia, a mesma capacidade de Pasadena, do Texas. Era essa capacidade de refino que, teoricamente, justificava os investimentos da Petrobras na região. Em abril de 2008, a estatal, então presidida por José Sergio Gabrielli, chegou a anunciar que a planta estava produzindo 35 mil barris por dia, mas que iria "aumentar gradativamente a produção até a carga máxima, visando, além do mercado japonês, chegar a Cingapura, Vietnã e Malásia, entre outros".

O fato é que, por restrições ambientais e técnicas da refinaria e regras de segurança impostas pelo Japão, a Petrobras já sabia que Okinawa não tinha como atingir a capacidade de 100 mil barris. Essa condição limitada, nunca declarada pela estatal, acaba de ser reconhecida pela Petrobras. Questionada sobre o assunto, a companhia informou ao Valor que, "apesar da capacidade nominal da refinaria ser de 100 mil barris por dia (bpd), o processamento máximo é de 53 mil bpd, em obediência aos limites definidos por lei local relacionada a impactos ambientais".

O histórico da carga efetivamente processada pela refinaria desde que a Petrobras entrou na operação confirma essas limitações. Em 2009, a produção de Okinawa foi de apenas 45 mil barris por dia. Em 2010, esse volume caiu para 41 mil barris. Nos três anos seguintes, registrou resultados de 47,5 mil, 50 mil e 39 mil bpd, respectivamente.

Apesar de sempre ter divulgado a informação de que havia adquirido uma refinaria com capacidade de refinar 100 mil barris por dia - conforme pode ser constatado em todos os relatórios anuais publicados pela estatal desde a aquisição - a Petrobras afirmou, por meio de nota, que "a valoração para compra desta refinaria" teria se baseado no processamento máximo de 50 mil barris por dia. O Valor procurou o Palácio do Planalto, que não quis comentar o assunto.

A negociação de Okinawa passou pelo crivo dos mesmos executivos e conselheiros que aprovaram a compra de Pasadena: Gabrielli era o presidente da estatal, enquanto Dilma Rousseff, à época na Casa Civil, respondia pela presidência do Conselho de Administração da Petrobras. Nestor Cerveró, acusado pela presidente Dilma e por Graça Foster, atual presidente da empresa, de ter omitido cláusulas importantes no negócio de Pasadena, também respondia pela diretoria internacional. A diretoria executiva contava ainda com Graça Foster na divisão de gás e energia e, à frente da diretoria de abastecimento, o ex-executivo Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal na operação que investiga lavagem de dinheiro na estatal.

Assim como ocorreu em Pasadena, o contrato de Okinawa continha a cláusula "put option", que prevê regras de saída de um sócio de um negócio. A sócia da Petrobras na refinaria, a trading Sumitomo, que tinha 12,5% da operação, exerceu a cláusula put, assim como fez a belga Astra Oil em Pasadena. Em abril de 2010, a Petrobras adquiriu a participação da Sumitomo na refinaria. A transação foi concluída em outubro daquele ano pelo custo de US$ 29 milhões, valor que, até agora, não tinha sido revelado pela estatal.

Depois de gastar US$ 81 milhões em Okinawa, a Petrobras ainda investiu mais US$ 111 milhões na planta. Foram gastos, portanto, pelo menos US$ 192 milhões em operação que nunca realizou aquilo que prometia a compra da refinaria: a ampliação da capacidade até 100 mil barris por dia.


Em 2010, a estatal chegou a contratar plano de readequação de Okinawa que ajudaria a refinaria a se preparar para o processamento do petróleo pesado extraído no Brasil. O projeto seria executado pela Odebrecht. Pelo contrato, seriam desembolsados mais US$ 91,3 milhões na refinaria. O plano acabou abortado em 2012 pela presidente da Petrobras, Graça Foster, que decidiu excluir o Japão do contrato com a construtora.
As ambições da Petrobras previam a popularização do etanol na Ásia. Em 2009, a estatal chegou a iniciar a produção da gasolina com 3% de etanol no Japão, em parceria com a Japan Alcohol Trading. O plano não prosperou.
A Petrobras já teve oportunidade de se desfazer de Okinawa, intenção que chegou a tornar pública, mas acabou decidindo por permanecer com a operação. Além da refinaria, Okinawa possui terminal de tancagem de petróleo e derivados com capacidade de armazenamento de 9,6 milhões de barris, três píeres com potencial para receber navios de produtos de até 97 mil toneladas e monoboia para navios de até 280 mil toneladas.
Em março do ano passado, reportagem do Valor revelou que a Petrobras tinha recebido uma proposta de US$ 650 milhões pela venda da refinaria. O interessado era uma companhia de Cingapura. A oferta incluía US$ 80 milhões pela refinaria e US$ 570 milhões pelo estoque de produtos. A Petrobras não fechou negócio. As intenções de se desfazer do negócio, no entanto, permanecem. A Petrobras informou que a refinaria não é mais considerada "ativo estratégico" e que analisa "alternativas".
[Da história de Pasadena e, agora, de Okinawa, sobressaem pelo menos três evidências inequívocas com relação à Petrobras: i) os enormes danos causados à empresa pelo aparelhamento político que o PT fez dela, loteando-a com o PMDB e indicando gente na melhor das hipóteses incompetente para gerí-la, como essa figuraça chamada José Sérgio Gabrielli, cria e pau mandado do NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula); - ii) com essa história até então inédita da compra da refinaria de Okinawa, fica patente de uma vez por todas que a incompetência e a irresponsabilidade de Dilma NPS são muito mais abrangentes do que se pensava -- manter essa madame como presidente de Conselho de Administração e deixá-la decidir, com seu autoritarismo e burrice exorbitantes, qualquer compra acima de R$ 5,00 é suicídio financeiro; - iii) a imagem de gestora séria e competente de Graça Foster sai um tanto arranhada com essa história de Okinawa.]






























As lambanças homéricas de Dilma NPS no setor energético, por ação e omissão, às nossas custas (I)

[Quem consultar os marcadores "energia",  "setor elétrico", "indústria petrolífera", "Petrobras" e "petróleo" na aba direita do blogue encontrará uma sequência interminável de incríveis lambanças e malfeitos de Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias) no setor energético, levando ao caos o país e as empresas -- estatais e privadas -- desse setor vital para a economia do país. Por enquanto, estão rindo de orelha a orelha as empresas de geração térmica, que estão faturando horrores, mas não sem qualquer preocupação. Há térmicas gerando direto, sem pausa para manutenção, desde novembro de 2013 -- se essas térmicas começarem a dar problemas por conta disso, a manada toda do setor elétrico, a madame que a conduz e o país irão solenemente para o brejo. A reportagem abaixo, a primeira de uma sequência de duas, é de Leandra Peres e foi publicada em 28/4 pelo jornal Valor Econômico. Ver postagens anteriores, uma de 17/4 e a outra de 13/4.]

Novo socorro a elétricas complica quadro fiscal

Leandra Peres -- Valor Econômico, 28/5/2014

O Tesouro Nacional poderá ser obrigado a fazer novos aportes de recursos ao setor elétrico a partir de maio, complicando ainda mais o cenário fiscal de 2014 e o cumprimento da meta de superávit de 1,9% do PIB. A conta a ser paga dependerá do resultado do leilão de energia que o governo fará nesta semana, mas a expectativa é que oscile entre R$ 5 bilhões e R$ 9 bilhões até dezembro, segundo fontes do governo. Esses recursos não estão previstos no Orçamento e se somarão aos R$ 13 bilhões que o Tesouro Nacional já se comprometeu a gastar esse ano.

O empréstimo de R$ 11,2 bilhões que o governo capitaneou para socorrer as distribuidoras de energia elétrica é suficiente para pagar as despesas até abril. A partir de maio, será preciso buscar outra fonte de recursos, já que o governo não pretende recorrer a novos financiamentos.

Não há decisão tomada sobre o uso de recursos fiscais, mas a brecha para que o Tesouro faça novos aportes às distribuidoras já está aberta. O decreto presidencial que disciplinou o empréstimo fechado na semana passada e uma resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriram a possibilidade de o Tesouro repassar recursos às distribuidoras para pagar pela energia mais cara gerada pelas usinas térmicas. O artigo primeiro da resolução da Aneel diz que os custos das térmicas entre fevereiro e dezembro de 2014 poderão ser pagos "total ou parcialmente por repasses da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) a partir de aportes da União". Até o decreto, o Tesouro não tinha autorização para compensar esses gastos.
A participação do Tesouro e o consequente efeito fiscal serão diretamente proporcionais ao resultado do leilão de energia que será realizado nesta semana. Atualmente, as distribuidoras estão comprando no mercado de curto prazo 3,5 mil MW para atender seus clientes a um custo de R$ 822,83 MW/h. Para o leilão, o governo fixou o custo da energia entre R$ 262 e R$ 271 e o prazo dos contratos será de cinco anos. Se as distribuidoras conseguirem contratar todos os 3,5 mil MW que precisam para atender a demanda, o tamanho do problema fiscal será bastante reduzido. Esse cenário, no entanto, não é considerado possível nem mesmo no governo.
O mais provável é que as distribuidoras continuem comprando parte da energia que precisam para atender os consumidores ao preço do mercado de curto prazo e precisem de reforço do seu caixa. A expectativa do governo é que o saldo varie entre R$ 5 bilhões e R$ 9 bilhões e possa ser absorvido com medidas pontuais de aumentos de receita, conforme já anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.
O Tesouro Nacional não poderá contar com os R$ 13 bilhões já previstos para gastos em 2014, caso a decisão seja pelo socorro vindo do caixa federal. Esses recursos, assim como os R$ 4 bilhões prometidos no início de março, já foram contabilizados pela Aneel e serviram para reduzir os reajustes de tarifas esse ano. Portanto, apesar de ainda não terem sido efetivamente desembolsados, esses recursos já estão comprometidos com outra destinação e não poderão ser destinados às distribuidoras.
Em 2013, o Tesouro Nacional desembolsou R$ 9,8 bilhões para socorrer as distribuidoras. A falta de chuvas desde 2012 vem obrigando o governo a acionar as usinas térmicas para compensar a queda no volume de água dos reservatórios das hidrelétricas. A energia gerada por essas usinas, no entanto, é muito mais cara que a hidrelétrica, o que faz com que o preço no mercado de curto prazo suba. Além disso, a decisão da Cemig, Copel e Cesp em 2012 de não renovar antecipadamente suas concessões de geração, deixou as distribuidoras sem contratos de fornecimento de longo prazo para atender seus consumidores, obrigando a compra da energia no mercado de curto prazo, o que também exacerbou o desequilíbrio econômico dessas empresas. O governo também resolveu intervir com recursos do Tesouro por motivos políticos: depois de anunciar uma redução de 20% nas tarifas de energia elétrica, o governo não queria perder o discurso e usou os recursos do Tesouro para evitar reajustes tarifários.











Um herói desconhecido da indústria aeronáutica brasileira

[Graças a uma reportagem do jornal Valor Econômico publicada em 22/4 e reproduzida a seguir pode-se conhecer Joseph Kóvacs, um húngaro naturalizado brasileiro de vital importância para a indústria aeronáutica brasileira.]

A inabalável paixão pelos aviões é o que mantém vivo o talento do engenheiro Joseph Kovács para novos desafios no mundo aeronáutico. Sua mais nova criação, o avião monomotor T-Xc, pioneiro por ter a estrutura totalmente em fibra de carbono, coloca a indústria nacional novamente nos trilhos da aviação geral.

Húngaro naturalizado brasileiro, Kovács ficou mundialmente conhecido pelo desenvolvimento das aeronaves T-25 Universal, usada há mais de 40 anos no treinamento de cadetes da Força Aérea Brasileira (FAB) e do bem sucedido T-27 Tucano, que teve mais de 630 unidades exportadas para 14 forças aéreas.


Joseph Kovács revolucionou o projeto de aeronaves da categoria do Tucano ao propor um avião treinador a turbina - (Foto: Valor Econômico).

Carreira reconhecida - Joseph Kóvacs nasceu em Mezotúr, na Hungria, em 19 de março de 1926 (clique na imagem para ampliá-la) - (Fonte: Valor Econômico).

As limitações que a idade impôs para voar, há sete anos, não afetaram sua disposição para o trabalho e para os projetos de novos aviões. Hoje com 88 anos, Kovács dirige seu próprio carro, meio de transporte que utiliza para chegar ao trabalho na Novaer, onde atua há cinco anos como consultor para novos desenvolvimentos e investe seu tempo nos detalhes finais para o primeiro voo da aeronave T-Xc, no fim de maio, sob o comando do filho mais novo.
A prática do voo a vela (seu esporte favorito) ao longo de mais de 40 anos, associada com patinação, ginástica olímpica, barra paralela e leitura são os segredos da boa saúde física e mental de um dos gênios da construção aeronáutica brasileira.
As eventuais falhas de memória não afetaram em nada a sua competência para projetos complexos e uma prova disso é vê-lo cantando em húngaro os princípios da lei de sustentação hidrostática de Arquimedes, que aprendeu ainda menino no colégio.
A bem sucedida trajetória de Kovács na aviação começou quando ele desembarcou no Brasil em 1948, aos 23 anos de idade, logo depois de terminar o curso de engenharia mecânica, onde se graduou como melhor aluno da então Escola Técnica Superior do Reinado Húngaro. Nessa época do pós guerra, o Brasil ainda nem sonhava em ter uma Embraer, mas estava livre para construir a sua indústria aeronáutica. "A primeira coisa que se tira de um perdedor de guerra é a aviação. Na Hungria não podíamos voar nem em planador", lembra.
Kóvacs, em português quase sem sotaque, faz questão de dizer que não se encaixa entre os demais grupos de imigrantes da Hungria, que deixaram o país por conta da situação econômica miserável e a falta de emprego na época. "Sou imigrante de aviação", define este entusiasta da aviação, que ao longo de 65 anos como piloto privado, acumulou 4.500 horas de voo.
No Brasil, o engenheiro logo foi selecionado pela comissão brasileira que convocava mão de obra vinda da Europa e procurava jovens qualificados como ele. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) foi seu primeiro emprego. "Ali dei início aos projetos de planadores e de aviões pequenos e também pude dar continuidade ao meu passatempo preferido, que era voar planadores em um campo de aviação em Butantã", conta.
Quando soube da iniciativa do surgimento do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), no começo da década de 50, mudou-se para São José dos Campos, onde passou a fazer parte do grupo liderado pelo pioneiro da aviação alemã, Hendrich Focke, empenhado no desenvolvimento do Convertiplano, o primeiro avião com decolagem e pouso vertical do mundo. O projeto, concebido para ser o mais avançado do mundo em sua categoria, não foi adiante por falta de recursos. Na unidade da Construtora Aeronáutica Neiva, hoje empresa do grupo Embraer em Botucatu, Kovács passou a fazer parte da divisão de projetos da empresa em São José dos Campos.
Com 57 aviões e planadores no currículo, todas ideias originais, ainda que nem todas produzidas em série, Kovács revolucionou o projeto de aeronaves da categoria do Tucano, ao propor um treinador a turbina, já que os anteriores eram equipados com motor a pistão. A ideia desse tipo de avião, segundo Kovács, surgiu durante o desenvolvimento do T-25, no começo da década de 60, antes mesmo da Embraer ser inaugurada. "Na época, ninguém acreditava nesse tipo de avião. Foram necessários 16 anos para convencer as pessoas de que o treinador turboélice tinha futuro", conta.
O Tucano também foi o primeiro treinador básico turboélice a utilizar assentos ejetáveis configurados em tandem (um assento atrás do outro), além da hélice funcionar com uma única manete, facilitando a operação e tornando a pilotagem similar a de um avião a jato.
Embora o Tucano tenha tido mais sucesso comercial, é do projeto do T-25 do qual Kovács tem as melhores lembranças. "Esse foi o mais especial da minha carreira. Por ser um projeto menor, participei mais ativamente de todos os detalhes do desenvolvimento", comenta. O T-25, conta o engenheiro, também trouxe inovações para os aviões de treinamento primário usados no Brasil, já que os modelos em operação na época, como o T-6, não faziam voo invertido. Por ser um avião extremamente robusto, afirma o engenheiro, o T-25 continua em operação até os dias de hoje.

O modelo também chegou a ser usado na Esquadrilha da Fumaça até a chegada do Tucano. "Os tanques de combustível do T-25 foram concebidos em chapa de alumínio maleável, o que garantiu maior resistência a rupturas em caso de acidentes". Nos testes estáticos feitos para verificar a resistência do material, o dispositivo de suporte para o teste quebrou antes da peça, que não se rompeu e sofreu uma carga 50% acima do mínimo exigido.
Para seus projetos pessoais, como os aviões acrobáticos K-51 e o K-55, Kovács utiliza um galpão no Aeroclube de São José dos Campos. "O K-51 tem uma asa mais avançada e moderna que o Tucano", diz. O desempenho excepcional da asa chamou a atenção do visionário engenheiro aeronáutico Luiz Paulo Junqueira, fundador da Novaer, falecido em 2010. O novíssimo T-Xc, produzido pela empresa, herdou o perfil aerodinâmico do K-51. Assim como seu antecessor, o T-Xc usa perfis laminares em fibra de carbono, tecnologia que aumenta a potência e a eficiência do motor, pois elimina qualquer tipo de rugosidade e imperfeição na superfície (asa) do avião.
O trabalho artesanal, feito com peças em madeira e material composto na asa, tem o apoio dos dois filhos de Kovács, Otávio e André, que seguiram a carreira do pai, de engenheiro mecânico e piloto de avião. O mais novo, segundo Kovács, é piloto internacional de companhia aérea, já trabalhou na Embraer e possui curso de piloto de provas feito na França. O do meio está hoje na Embraer. O mais velho, conta, morreu em um acidente aéreo, em 1978, depois de um voo de instrução no Aeroclube de Baurú. "Desde então tive que aprender a andar de muletas", diz de forma metafórica para referir-se a uma das raras experiências ruins que teve em sua vida. A outra foi quando ficou na mira de um fuzil pelas mãos de um soldado russo embriagado, no natal de 1944, em Budapest.
Seu próximo projeto, segundo Kovács, será o lançamento de sua autobiografia, livro que já conta com 426 páginas. Grande parte das informações são tiradas das milhares de anotações por escrito que registrava diariamente durante as ocorrências mais relevantes do seu trabalho na Neiva e na Embraer, ao longo de 31 anos. Para todos os novos desafios, feitos com tecnologias do século 21, Kovács não abandona sua calculadora HP60.






























domingo, 27 de abril de 2014

Examinem a lista abaixo e concluam se essa madame, Dilma NPS, merece se reeleger

Em doses nada homeopáticas, aí vai um retrato incompleto de um governo incompetente, burro e opaco -- e a responsável por essa coisa ainda tem o desplante de se candidatar à reeleição!  



  • Economistas preveem que inflação de 2014 supere meta do governo -- Economistas do mercado financeiro previram pela primeira vez que inflação oficial do Brasil vá fechar 2014 acima do teto da meta do Banco Central. A estimativa deles é que o IPCA fique em 6,51%. A meta é de 4,5% com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
  • Governo deixa R$ 44 bilhões de fora das contas do PAC 2 -- No balanço da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) apresentado nesta terça-feira, o governo considerou concluídas 82,3% das obras previstas para esta fase do programa, que se encerra em 2014, mas deixou de fora do cálculo grandes obras. Não entraram na conta, por exemplo, a Refinaria Abreu Lima, a Ferrovia Nova Transnordestina e o Arco Rodoviário Metropolitano do Rio, que somam R$ 44 bilhões e estão atrasadas. 

  • Obras do PAC 2 estão paradas há um ano -- Por causa disso, moradores do morro Pavão-Pavãozinho, no Rio, convivem com esgoto a céu aberto. Isso enfraquece o trabalho da UPP local.  É bom lembrar que a mãe do PAC é justamente Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias), segundo definição do NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula) o responsável direto por esse monstrengo idiota em nossas vidas. E Dilma NPS ainda tem a cara de pau de anunciar o PAC 3 e dizer que concluirá obras "se tiver segundo mandato".
  • Governo prepara medidas na área de crédito para socorrer as montadoras -- Virou uma brincadeira besta, uma chantagem explícita: é só as vendas caírem e, de imediato, as montadoras demitem operários (não importam as perspectivas) e Dilma NPS logo as pega no colo e oferece-lhes as tetas do governo. A indústria automobilística brasileira virou um setor privilegiado pelo governo, altamente lucrativo e de baixo risco.

sábado, 26 de abril de 2014

Tome vacina antitetânica, coloque uma roupa de astronauta e leia a reportagem da revista Época sobre a corrupção petista e peemedebista na Petrobras

[A reportagem é longa, mas precisa ser lida porque é impressionante e revoltante. Tem-se a visão do sistema político de extrema corrupção que se implantou no país desde que o PT assumiu o poder há 11 anos pelas mãos do NPA (Nosso Pinóquio Acrobata, Lula). A reportagem, reproduzida a seguir, foi publicada em 17/4. O que estiver entre colchetes e em itálico é de minha responsabilidade.]


A presidente Dilma Rousseff em Suape, Pernambuco, de uniforme da Petrobras. Ela batizou o petroleiro Dragão do Mar (Foto: João Carlos Mazella/Fotoarena)

Na manhã da segunda-feira, dias após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter convocado os petistas a defender a Petrobras das mais graves acusações de corrupção na história, a presidente Dilma Rousseff trocou o discreto tailleur preto da Presidência pela clássica jaqueta laranja da estatal. Deixou a labuta no Planalto para fazer campanha no Porto de Suape, em Pernambuco. Numa cerimônia montada às pressas para lançar ao oceano o navio Dragão do Mar, Dilma defendeu incisivamente a Petrobras. “Não ouvirei calada a campanha negativa dos que, por proveito político, não hesitam em ferir a imagem desta empresa que nosso povo construiu com tanto suor e lágrimas”, disse, zangada. “Nada, nem ninguém, conseguirá destruir (a Petrobras). Com o apoio de todas as pessoas, a Petrobras resistiu bravamente às tentativas de desvirtuá-la, reduzi-la e privatizá-la".

A jaqueta laranja que Dilma ostentava ao discursar já deu orgulho aos brasileiros. Quem não teria orgulho da maior empresa do Brasil, a 13ª produtora de petróleo do mundo e líder inconteste na exploração de óleo em alto-mar? Hoje, é a mesma jaqueta de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras preso pela Polícia Federal (PF), acusado de comandar um dos mais vastos esquemas de corrupção já descobertos na estatal, um sujeito mantido no cargo por um consórcio entre PT, PP e PMDB, com o aval de Lula, que o chamava de “Paulinho”. A mesma jaqueta de Nestor Cerveró, o ex-diretor internacional da Petrobras que, indicado por PT e PMDB, é agora acusado de ser o artífice do desastre conhecido como “operação Pasadena”, em que a estatal desembolsou US$ 1,2 bilhão por uma refinaria nos Estados Unidos comprada um ano antes por US$ 42 milhões.

A jaqueta laranja não é mais a mesma. Nem a autoridade política de Dilma, após ficar claro que ela avalizara a compra da refinaria Pasadena em 2006. Somente agora, tantos anos depois, ela se disse enganada pela diretoria da Petrobras, acusada de não ter explicado corretamente os termos do negócio. Como fica a imagem de gestora competente, marca de Dilma, assim como a jaqueta laranja é a marca da competência da Petrobras? A combinação das duas imagens pareceu fora do lugar. Tudo ali estava fora do lugar. O navio Dragão do Mar fora construído pelo Estaleiro Atlântico Sul, uma sociedade entre as empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, ambas suspeitas de pagar propina para conseguir contratos na Petrobras, segundo a PF investiga na Operação Lava Jato.

Nos últimos dias, Maria das Graças Foster, presidente da Petrobras, eNestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional, foram ao Congresso Nacional falar sobre o caso da refinaria Pasadena. Eles divergiram. Para Graça Foster, “o negócio originalmente concebido tornou-se um investimento de baixo retorno sobre o capital investido.” Para Cerveró, “foi um bom negócio, sem dúvida”. É útil relembrar a cronologia da transação. Em 2004, a empresa belga Astra comprou o controle acionário da refinaria Pasadena, no Texas, por US$ 42,5 milhões. A Astra pagou dívidas antigas, fez investimentos e vendeu 50% da refinaria à Petrobras por US$ 360 milhões. Havia no contrato uma cláusula segundo a qual, em caso de divergência entre os sócios, a empresa divergente deveria comprar a parte do outro. Tal divergência ocorreu em 2008, e a Astra fez uma proposta para vender a refinaria à Petrobras. A Petrobras decidiu não pagar e entrar na Justiça. Perdeu – e foi obrigada a pagar uma indenização de US$ 639 milhões.



O prejuízo, já grande, poderia ter parado por aí. Bastava à Petrobras ter feito um acordo com a Astra. De acordo com documentos inéditos obtidos por ÉPOCA, a Astra estava disposta a negociar. Em vez disso, a Petrobras preferiu entrar na Justiça outra vez. Perdeu de novo – e o prejuízo para o acionista subiu a US$ 1,2 bilhão. [Clique nas imagens abaixo para ampliá-las.]


Como um mau negócio se tornou um negócio ainda pior

Até julho de 2009, o negócio de Pasadena era apenas ruim para a Petrobras. Depois, se tornou desastroso – quando não suspeito, tamanha a sequência de más decisões tomadas no curso de muitos anos. Até ali, havia um prejuízo de US$ 639 milhões com uma refinaria que para nada servia, a não ser enriquecer advogados contratados para defender a Petrobras na Justiça americana. E enriquecer também ex-fun­cionários da Petrobras que foram trabalhar na Astra. Somente os advogados contratados pela Petrobras já haviam cobrado US$ 3,9 milhões em honorários. Mesmo perdendo.

A Astra, segundo executivos ouvidos por ÉPOCA, já estava satisfeita com a indenização. Havia outros processos na Justiça americana sobre o mesmo caso, mas a Astra, de acordo com executivos ligados a ela, estava disposta a fazer um acordo para encerrar o assunto. Não interessava extrair, nos tribunais, todo o dinheiro possível da Petrobras. Como uma trading, a Astra pretendia fazer mais dinheiro vendendo petróleo, nos anos seguintes, à própria Petrobras. E a manutenção de um longo e desgastante litígio contra a Petrobras, um dos gigantes do petróleo mundial, também afetava as outras relações comerciais da Astra, com empresas no mundo todo. Segundo esses executivos, a Astra não apenas poderia aceitar fazer um acordo. Ela queria fazer um acordo.

Se a Astra queria encerrar o assunto, quem poderia sair ganhando caso a Petrobras continuasse brigando nos tribunais? E, ainda por cima, brigando com poucas chances de se livrar do prejuízo de US$ 639 milhões – mas com chances razoáveis de aumentar substancialmente esse valor? Sem dúvida, os advogados contratados para prolongar essa briga. Quanto mais tempo e mais processos, mais honorários milionários para eles. Não parece fortuito, portanto, que a decisão de prolongar a disputa judicial tenha partido, na Petrobras, de um grupo de advogados. Ao menos oficialmente.

No dia 9 de julho de 2009, segundo documentos internos da Petrobras, o chefe do Jurídico Internacional, o advogado Carlos Borromeu, defendeu, perante a diretoria da empresa, que a Petrobras continuasse brigando com a Astra nos tribunais americanos. O departamento jurídico da Petrobras, como acontece na maioria das empresas, tem tal peso que raramente uma decisão é tomada em desacordo com a opinião dos advogados. Tem peso também, por óbvio, para escolher que advogados serão contratados para ajudar nos processos. Na Petrobras, os advogados reportam-se diretamente ao presidente – suas carreiras dependem dele. Naquele momento, o presidente era o petista José Sérgio Gabrielli, aquele que aprovara, anos antes, a compra da refinaria. E que, até hoje, defende o negócio.

Naquele dia de julho, Borromeu deveria estar em baixa. Fazia pouco tempo que uma corte arbitral dos Estados Unidos decidira que a Petrobras deveria pagar à Astra a indenização de US$ 639 milhões. Borromeu, sem se abalar pelo prejuízo que ele e seu departamento não haviam conseguido evitar na Justiça, disse aos diretores que a postura da Astra era “belicosa”. Disse também que a estratégia mais inteligente consistia em “prosseguir litigando” com os belgas. Por quê?

Segundo os cálculos apresentados por Borromeu à diretoria, a que ÉPOCA também teve acesso, eram mínimas as chances – 30%, para ser exato – de que a Astra aceitasse um acordo. Borromeu não explicou como chegara a esse percen­tual. Em contrapartida, argumentou, havia uma chance de 50% de que a Petrobras estancasse os prejuízos se continuasse nos tribunais. Logo, a decisão mais sensata era “prosseguir litigando”.

Para diretores que estavam na reunião, e altos executivos da Petrobras que entendiam do caso, os percentuais não faziam sentido. Estavam, na mais benigna das hipóteses, invertidos. O mais provável era que a Astra topasse um acordo. E, diante do tamanho do prejuízo que a derrota final da Petrobras nos tribunais americanos significaria, era preciso articular esse acordo. Gabrielli estava inflexível – não se sabe se por convicção pessoal, se por influência dos advogados ou se por ordens superiores. Como presidente, tinha poder para decidir que “sugestão de encaminhamento” seria feita ao Conselho de Administração, presidido por Dilma. Gabrielli comprou o argumento de Borromeu.

Procurado por ÉPOCA, Gabrielli afirma que “a disputa judicial buscava o melhor resultado para a Petrobras”. “As diferenças entre os sócios eram sobre procedimentos operacionais e o tamanho do investimento a realizar”, diz ele. “Buscamos explicitar as diferenças entre a disputa arbitral sobre essas questões e a judicial, que era o exercício do ‘put option’.” Pasadena foi um bom negócio? Gabrielli afirma que a resposta é “sim” para o momento da compra, mas não teria sido sob o cenário de 2008 a 2012. “Vale lembrar que a refinaria está em operação todos esses anos e, devido à disponibilidade de petróleo leve e barato no Texas, especificamente no campo de Eagle Ford, atualmente é lucrativa, ainda que a Petrobras não tenha realizado os investimentos para capacitá-la a processar petróleo pesado”, diz. Ele sustenta que as cláusulas omitidas do Conselho de Administração – a “put option” (sobre a opção de venda) e “marlim” (referente ao petróleo brasileiro) – não são as responsáveis por transformar um bom negócio no momento da compra, em 2006, em aparente mau negócio no cenário que vai de 2008 a 2012. “Nesse período, o mundo mudou, descobrimos o pré-sal e o planejamento estratégico da Petrobras acompanhou as mudanças”, diz. Quanto à cláusula “marlim”, que garantiria a rentabilidade de 6,9% à sócia da Petrobras no caso de duplicação da capacidade de refino, ela é inócua. “Como não houve o investimento previsto – e essa é a razão da disputa judicial com a Astra –, ela não é válida. Isso foi reconhecido pela Justiça americana".

Na época da reunião da diretoria, Cerveró não era mais diretor internacional da Petrobras. Pelos bons serviços prestados ao PT e ao senador Renan Calheiros, que também o apadrinhava, fora realocado para a Diretoria Financeira da BR Distribuidora, uma das principais subsidiárias da estatal. Em depoimento ao Senado nos últimos dias, Graça Foster deu a entender que Cerveró fora rebaixado em virtude do mico Pasadena. Nem tanto. É como se Cerveró deixasse de dirigir uma Ferrari para pilotar um Jaguar – e com o mesmo combustível BR. A Ferrari agora estava nas mãos de Jorge Zelada, apadrinhado pela bancada do PMDB na Câmara. Era ele que, ao lado de Paulo Roberto Costa, pilotava o bólido mais veloz da Petrobras, tinha de dar explicações e resolver o problemaço que se tornara Pasadena. Ambos discordavam do cavalo de pau proposto pelo jurídico da Petrobras – e aprovado por Gabrielli.







Os técnicos abaixo deles, também. Nos relatórios internos obtidos por ÉPOCA, eles criticam o resultado da reunião e a posição de Gabrielli.  Parte desse material já foi publicado por ÉPOCA – mas a íntegra dos documentos agora revelados detalha os bastidores que levaram a Petrobras a ter ainda mais prejuízo com Pasadena. “Após a explanação (do advogado), resolveu a Diretoria apresentar ao Conselho a sugestão de não negociar-se com a Astra e sim prosseguir com a ação na Corte”, escreveram os executivos da área de Abastecimento. “A razão que fez com que a Diretoria optasse pelo prosseguimento da ação ao invés do acordo deveu-se principalmente pela alegada ‘prepotência’ com que a Astra vem se colocando frente à Petrobras e, segundo colocado na Diretoria, nunca ter havido de parte da Astra uma manifestação de desejar o acordo".

Eles preferiam o acordo. E tinham argumentos, não apenas legais, para isso. Um deles: “O fato de pessoa altamente credenciada da Astra e membro do seu Board ter procurado uma aproximação para início de entendimentos com a Petrobras”. Em seguida, deixando de lado a dita prepotência dos executivos da Astra, os técnicos afirmaram o óbvio: o acordo significava menos prejuízo num negócio que, use-se lá qual fórmula matemática, já era um mico. “Caso no litígio a Petrobras perca, o custo total irá para cima de US$ 1 bilhão, acrescidos de honorários de sucumbência. Vale lembrar que a Petrobras já perdeu na arbitragem, e a possibilidade de perder na Corte é preocupante”, escreveram.

Diante desse cenário, o que propuseram os executivos? “A ministra Dilma deverá ser procurada para ser informada de que a Astra está procurando entendimentos, inicialmente por canais informais. (…) Com isto, a ministra Dilma deveria, na reunião do Conselho da próxima sexta-feira, comunicar que estão havendo (sic) movimentos de aproximação da Astra com relação a Petrobras e, com isto, o Conselho daria um prazo para que se consumasse o acordo – ou, aí sim, a partir deste prazo não restaria outra alternativa senão prosseguir na Corte".

Os técnicos foram ignorados, os advogados prevaleceram, e o Conselho presidido por Dilma tomou, mais uma vez e no mesmo caso, uma decisão que, sob a luz do presente, revela-se profundamente danosa aos cofres – e à imagem – da Petrobras. Pode-se argumentar que Dilma e o Conselho de Administração foram, como no começo do caso Pasadena, mal assessorados. Que não tinham acesso às informações necessárias para tomar a melhor decisão possível em favor da Petrobras.

Outros executivos talvez tivessem prestado atenção aos apelos dos técnicos para levar a sério as abordagens informais da Astra. Mesmo depois que o Conselho presidido por Dilma resolveu levar a briga judicial até às últimas consequências, executivos da Astra prosseguiam buscando formas de encerrar o caso – o oposto do que asseguravam, meses antes, os advogados da Petrobras. Tamanho era o desejo dos belgas de pôr fim à disputa judicial que Mike Winget, presidente da Astra nos Estados Unidos, e Kari Burke, diretora da empresa, vieram ao Brasil diversas vezes, em busca de contatos políticos que resolvessem o caso definitivamente.

Segundo empresários e lobistas que mantiveram contato com eles, os diretores da Astra queriam duas coisas: que a Petrobras pagasse os US$ 639 milhões e que as duas empresas voltassem a fazer negócios. Para conseguir, a Astra, de acordo com esses relatos, estava disposta a pagar até US$ 70 milhões à pessoa certa – à pessoa que resolvesse o caso. Procuraram o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, e um assessor informal dele, Carlos Mattos.

Como revelou ÉPOCA, Fernando Baiano é parceiro de negócios de Paulo Roberto. Baiano não conseguiu resolver. Procuraram outros lobistas, que também não resolveram. Nas conversas com esses lobistas e empresários, os dois executivos da Astra diziam que haviam contratado um advogado ligado ao ex-mi­nistro José Dirceu para resolver o assunto. Não declinavam o nome do advogado, o método empregado por ele para “resolver”, nem o andamento das tratativas. Para convencer a Petrobras a encerrar o caso, os executivos conseguiram até que o senador americano Ted Kennedy enviasse uma carta à presidência da Petrobras, apelando para a boa relação entre os dois países.

A intensa movimentação dos executivos demonstra que a Astra não estava interessada em faturar os US$ 1,2 bilhão pagos pela Petrobras. Queriam mais – mas em negócios. Ao fim, quem mais ganhou com tudo isso, além dos belgas, foram os advogados contratados pela Petrobras.

Paulo Roberto tenta morder uma fatia do bolo argentino

Os maus negócios – e negócios suspeitos – da Petrobras se espalham pelo mundo. ÉPOCA revelou em março do ano passado que a Petrobras tinha um acordo secreto com o bilionário argentino Cristóbal López, amigo da presidente Cristina Kirchner, para vender metade de suas operações na Argentina. Pelo acordo, a Indalo, empresa de López, pagaria US$ 900 milhões para tornar-se dona de 33% das ações da Pesa, como é chamada a subsidiária da Petrobras, cotada nas Bolsas de Buenos Aires e Nova York. O valor pelo qual a Petrobras se dispunha a repassar o negócio, onde havia despejado bilhões de dólares em investimentos nos últimos anos, era questionado internamente por técnicos. Havia concorrentes dispostos a pagar mais. Após a publicação da reportagem de ÉPOCA, a operação foi abortada pela Petrobras. [Ver postagem anterior.]

Descobre-se, agora, que o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa – que está preso – estava envolvido na empreitada. Entre os documentos apreendidos pela PF na casa dele, a que ÉPOCA teve acesso, há uma carta em espanhol datada de 23 de janeiro de 2012, assinada por López e endereçada a José Sérgio Gabrielli, que já se despedia do cargo de presidente da Petrobras (leia abaixo). Nela, López narra um encontro com Paulo Roberto ocorrido seis dias antes, em que foram tratados “temas de interesse comum às duas companhias”, e sugere que fosse iniciada uma negociação exclusiva com a Petrobras. A proposta de López era fundir suas operações no país às da Petrobras e chegar a um valor que permitisse a seu grupo “obter a maioria do capital” da nova companhia criada.


As negociações seguiram. Como mostrou ÉPOCA, em novembro de 2012, López enviou outra carta ao comando da estatal, desta vez a Graça Foster, que assumira a presidência em fevereiro daquele ano. Ele fazia uma nova proposta, desta vez mais tímida: ficar com 25% das ações da Petrobras na Pesa. Àquela altura, Paulo Roberto já estava fora da Petrobras. Dedicava-se intensamente a duas tarefas: garantir o pagamento das “comissões” que ainda lhes eram devidas pelas fornecedoras da Petrobras – e intermediar novos negócios na Petrobras e na Transpetro, conforme está fartamente documentado em suas anotações, a que ÉPOCA teve acesso. Paulo Roberto tentava intermediar a operação do amigo de Cristina Kirchner com a ajuda de um dos maiores lobistas da Petrobras.

Com a publicação da reportagem de ÉPOCA, o negócio deu errado. Mas por que, em primeiro lugar, Paulo Roberto estivera com López? A resposta está em uma cláusula pétrea da política brasileira. As operações da Petrobras na Argentina eram comandadas por apadrinhados do PMDB. As relações dessa turma do PMDB com López haviam começado três anos antes, com a venda para ele da refinaria de San Lorenzo, que pertencia à Petrobras. Como revelou ÉPOCA em agosto do ano passado, com base em documentos e na confissão do lobista João Augusto Henriques, operador do PMDB na Petrobras, os intermediários envolvidos nesses negócios – todos com o aval do PMDB – são suspeitos de cobrar propina de US$ 10 milhões para o “partido”. O PMDB, portanto, estava de bem com López. E, se o PMDB estava de bem com ele, Paulo Roberto, indicado pelo partido, também tinha a oportunidade de estar. E tentou agarrá-la. Agora, o caso é investigado pela PF.




O homem que anotava

Paulo Roberto, a julgar pelo modo como preenchia seus pequenos cadernos moleskine com nomes, datas, valores, era uma máquina de fazer negócios. Nos moleskines apreendidos pela PF, a que ÉPOCA teve acesso, não há espaço em branco. Sobra garrancho e cifrão para todo lado. Enten­de-se por que os políticos que o apoiavam temem que esse material seja revelado. As anotações referem-se, sobretudo, ao ano de 2012, após ele ser demitido do cargo de diretor de abastecimento. Era uma demissão esperada, cobrada havia muito a Lula por Dilma. Não é à toa que Paulo Roberto tivera, meses antes, o encontro em Buenos Aires com López. Era hora de pensar no futuro.

Nas anotações, aparecem indícios de que Paulo Roberto viajou para Londres e para Paris em junho de 2012, em busca de oportunidades de negócios envolvendo a Transpetro, presidida desde o começo do governo Lula pelo ex-deputado Sérgio Machado, apadrinhado por Renan, com ajuda do senador Romero Jucá, ambos do PMDB. O mesmo Machado que, na condição de presidente da Transpetro, vestiu a jaqueta laranja da Petrobras e, ao lado de Dilma, lançou o navio Dragão do Mar na última segunda. Há muitas referências ao nome dele nas anotações, registrando reuniões ou percentuais (como 5%), ao lado de contratos e nomes de empreiteiras com negócios na Transpetro. A PF as investiga.

Segundo os registros, Paulo Roberto aproveitou a viagem à Europa e passou em Genebra, de maneira a cuidar de sua fortuna pessoal. Além das quatro contas secretas já reveladas por ÉPOCA, os cadernos registram a existência de outras três – uma no banco PKB; outra no HSBC, ao que tudo indica em Dubai; e uma terceira gerida pelo Pictet, um banco da Suíça especializado na administração dos bens de ricaços. As demais contas recebiam, segundo os documentos apreendidos pela PF, dinheiro de comissão de multinacionais do petróleo, como Glencore ou Trafigura. Eram controladas pelos dois genros de Paulo Roberto: Humberto Mesquita e Márcio Lewkowicz. Uma delas, segundo um dos suspeitos de integrar o esquema, recebia comissão de empreiteiras com contratos na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), a obra mais cara da Petrobras, com um custo estimado em R$ 31 bilhões. Era tocada por Paulo Roberto.

Ao lado de Machado, outro nome que aparece muito nas anotações é o empresário Mário Garnero, dono do grupo Brasilinvest, criado em 1975 e atualmente um dos principais bancos de negócios do Brasil, com patrimônio líquido superior a US$ 1,3 bilhão. O Brasilinvest administra um portfólio de projetos de cerca de US$ 6 bilhões. Tem atuação internacional significativa, com parceiros em mais de 20 países. Em agosto de 2012, o Brasilinvest criou uma divisão de Petróleo e Gás e a colocou, num primeiro momento, sob o comando de Paulo Roberto. Um dos investimentos anunciados pela Brasilinvest para o setor foi no Paraguai. No caderno de anotações de Paulo Roberto, há citações a Garnero. Uma delas parece ser a divisão societária da Brasilinvest Oil, Gas & Biofuel: “BOB – 50% MG – 50% PRC”. A sociedade com Garnero foi confirmada por dois amigos de Paulo Roberto. Garnero tinha o dinheiro; Paulo Roberto, o conhecimento e os contatos para fazer negócios na Petrobras.
Estabelecia-se, ali, a união, embora fugaz, de dois dos mais poderosos navegadores do rio em que se misturam as águas da política às do dinheiro. Garnero tem boas relações com o governo petista e com José Dirceu. Relações que se estreitaram por causa de Cuba. Buscando negócios no ramo hoteleiro da ilha, ele foi apresentado pelo ex-deputado Walter Feldman (PSDB-SP) a Luiz Gaspar, empresário brasileiro radicado em Cuba. Isso foi em 2001. Mais de 30 anos antes, Gaspar dera abrigo ao então exilado Dirceu, que deixara o Brasil rumo ao exílio. Gaspar, o amigo em comum, aproximou Garnero de Dirceu na campanha de Lula, em 2002. Dois anos depois, Garnero e a Brasilinvest se associaram à Casaforma, de Gaspar, e à estatal cubana Gran Caribe, para investir US$ 114 milhões na construção de dois complexos hoteleiros em Cuba.

Aparecem outros negócios no exterior nos registros de Paulo Roberto. Conforme descobriu ÉPOCA, a PF suspeita que uma empresa americana, a Sargeant Marine, tenha pagado propina numa das contas de Paulo Roberto na Suíça. O nome da empresa está numa planilha elaborada por Mesquita, genro de Paulo Roberto. Foi apreendida no escritório dele. Nela, a Sargeant Marine aparece como depositante de uma conta com saldo de US$ 192 mil, em razão de venda de asfalto para a Petrobras – área então comandada por Paulo Roberto.

A Transpetro informou, por meio de nota, que o presidente Machado se reuniu com Paulo Roberto “a pedido do ex-diretor da Petrobras, que na ocasião prestava consultoria para instituições e empresas ligadas a diversos setores da indústria do petróleo”. “As proposições receberam o mesmo tratamento de qualquer proposta apresentada à Transpetro. A conclusão foi que não atendiam aos interesses da companhia e, portanto, não tiveram prosseguimento”, diz a nota. A Transpetro acrescentou ainda que “o empresário Mário Garnero e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa procuraram o presidente da Transpetro para prospectar a viabilidade de implantação de um estaleiro de reparo no Brasil. Após reuniões preliminares, não houve manifestação, por parte dos empresários, para o prosseguimento do projeto”. Por fim, a nota informa que Machado “já foi deputado federal, senador e tem relacionamento de longa data com os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, assim como com diversas lideranças do meio político brasileiro”.

O empresário Mário Garnero, do grupo Brasilinvest, afirmou que “após a saída de Paulo Roberto Costa da Petrobras, por sua experiência na diretoria da empresa, este foi naturalmente um dos primeiros nomes de executivos que nos foi indicado para comandar o setor do petróleo e gás que o Brasilinvest pretendia desenvolver”. “Conhecemos Paulo Roberto Costa há alguns anos em reuniões para prospecção de negócios quando este ainda trabalhava na Petrobras”, diz ele. Segundo Garnero, nenhum negócio deu fruto, uma vez que Paulo Roberto montou à época uma consultoria pessoal que poderia concorrer com o negócio da Brasilinvest, razão pela qual a Brasilinvest terminou a relação. Ele informou que não tem negócios com a Petrobras, com o ex-ministro Dirceu ou em Cuba, embora tenha estudado implantar um hotel lá. “José Dirceu era ministro na época, mas não desempenhou qualquer papel relevante na negociação, visto que se tratava de uma questão estritamente comercial”, diz ele.

A parceria com Garnero pode ter dado errado, mas Paulo Roberto tinha outras em vista. Uma das principais envolvia o empresário Laércio Pereira, ex-dono da Petrosul, uma distribuidora de combustíveis de São Paulo. O nome de Laércio aparece nas anotações de Paulo Roberto, sempre associado a grandes perspectivas de negócios na área de distribuição de combustíveis. As anotações revelam até que ambos voavam juntos em jatinhos. A parceria faz sentido. Em 2007, quando era diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto concedeu à Petrosul um crédito milionário, sem garantias, para que a Petrosul pudesse vender produtos à estatal. Segundo executivos envolvidos na transação, o negócio foi intermediado pelo advogado Milton Milréu, ligado a Dirceu. A Petrosul deu calote na Petrobras, que entrou com duas ações na Justiça do Rio, em 2008. Ela cobra R$ 100 milhões da Petrosul. Até hoje não recebeu 1 centavo.

ÉPOCA não localizou os proprietários da Petrosul. Milréu afirmou não ter intermediado negócios da Petrosul com a Petrobras nem com suas subsidiárias. Disse, no entanto, ter sido contactado pela Petrosul para trabalhar em processos envolvendo dívidas da companhia com o governo federal. “Não aceitei o trabalho”, disse. Nos anos 1980, Milréu apareceu numa investigação da PF sobre fraudes na Previdência Social. Ele aparecia como mandante de grampos em telefones de servidores do governo federal e até do então vice-governador de São Paulo Orestes Quércia. Ainda de acordo com as investigações, Milréu intermediava o pagamento de propina a juízes que atuavam em casos de seu interesse.




As planilhas do doleiro

Entre o material apreendido pela PF com Paulo Roberto e o doleiro Alberto Youssef, constam mais planilhas com indícios de pagamento de propina a mais empreiteiras. As principais estavam em poder de Youssef. Essas planilhas mostram valores recebidos pela MO Consultoria e pela GFD Investimentos, as duas empresas de fachada de Youssef que recebiam valores de empreiteiras com contratos na Petrobras. Os valores são contados como “repasses” ou “comissão”. A PF suspeita que se refiram a propina.

Até agora, pesavam suspeitas contra 13 empreiteiras. Nas planilhas inéditas apreendidas com Youssef, aparecem registros atribuídos a propina de duas novas empreiteiras: Jaraguá Equipamentos Industriais e o consórcio Conest, formado pela Odebrecht e pela OAS. A Jaraguá Equipamentos Industriais tem negócios com a Petrobras desde a década de 1960. Mais recentemente, ela fechou pelo menos três contratos com a estatal. Dois deles, em novembro de 2010, no valor de R$ 200 milhões, para trabalhar nas obras e montagem da Refinaria Abreu e Lima. Quatro meses depois, um terceiro, num consórcio com a Egesa, no valor de R$ 337 milhões, para atuar no Comperj. Antes de fechar esses negócios, a Jaraguá tratou de abastecer os caixas de campanha de cinco políticos do PP, como ÉPOCA revelou em março. Em um só dia, doou R$ 1,1 milhão para candidatos do PP – R$ 500 mil para o ex-ministro Mário Negromonte e R$ 500 mil para João Pizzolatti, ambos ex-líderes do PP na Câmara.

No material apreendido pela PF, a Jaraguá aparece em dois momentos: numa planilha de dinheiro recebido na conta da MO, repassando R$ 1,94 milhão em dois depósitos em 2011; e, noutra tabela recolhida com o doleiro, pagando “repasses” e “comissão”, num total de R$ 1,66 milhão para a GFD, entre março e julho de 2012.

Nessa segunda planilha, aparece também o Conest, consórcio formado por Odebrecht e OAS. Em dezembro de 2009, quando a Petrobras assinou cinco contratos para, finalmente, erguer a Refinaria Abreu e Lima, o Conest ficou responsável por executar dois dos maiores negócios do empreendimento. Do total de R$ 8,9 bilhões anunciados, o Conest obteve R$ 4,67 bilhões para construir oito unidades de destilação e purificação de petróleo. Esses cinco contratos de Abreu e Lima são alvo de processos no Tribunal de Contas da União. Em auditoria em 2010, ele apontou indícios de superfaturamento no total de R$ 1,32 bilhão, dos quais R$ 485 milhões estavam nos contratos com o Conest. No material obtido por ÉPOCA, na planilha do doleiro Youssef, o Conest aparece como “cliente” que pagou uma “comissão” de R$ 184.245,92, no dia 18 de julho de 2012, para a GFD.

Nos documentos apreendidos pela PF, há uma correspondência entre as contabilidades de Paulo Roberto e Youssef. A PF também encontrou parte da contabilidade de Paulo Roberto. No dia 20 de dezembro de 2012, a tabela de Youssef registra um valor de 1 milhão recebido da “CNCC” e classificado como “comissão”. No dia seguinte, uma das planilhas de Paulo Roberto registra como “entrada” R$ 260 mil e US$ 50 mil. No dia 15 de março de 2013, outra coincidência. Youssef registra um pagamento de R$ 373 mil a título de “comissão” recebida da CNCC e, no mesmo dia, Paulo Roberto registra como “entrada” R$ 100 mil.

Há três semanas, a empreiteira Sanko-Sider informou ter contratado as empresas de Youssef para trabalhos técnicos e de representação comercial. Negou irregularidades. Agora, adicionou uma informação: contratou a Costa Global, de Paulo Roberto, em janeiro de 2013, contrato desfeito três meses depois “por inexistência de resultados”. “Na época, não havia nada que o desabonasse”, afirmou.

A Jaraguá afirma que os depósitos para a MO, de Youssef, referem-se a um contrato para realizar consultoria comercial em meio à licitação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O Consórcio CNCC (Camargo Corrêa e CNEC) informou, em nota, que “não tem nenhum relacionamento comercial com as empresas citadas e desconhece anotações feitas por terceiros”. A Odebrecht, que faz parte do Consórcio Conest, afirma que nem o consórcio nem a Odebrecht transferiram dinheiro para a GFD Investimentos, empresa de Youssef. Diz também que seus dirigentes não mantêm relacionamento com o doleiro. Ainda afirma que suas doações para campanhas eleitorais respeitam “rigorosamente os limites e condições impostos pela legislação eleitoral”. A OAS, outra empresa que integra o Consórcio Conest, não respondeu às questões de ÉPOCA até o fechamento desta edição. A Galvão Engenharia também não. A Petrobras e a BR Distribuidora informaram que não se manifestariam.