domingo, 26 de janeiro de 2014

O Brasil sem maquiagem que o mundo vê através do nosso absurdo sistema carcerário

Nesta era da informação em tempo real é pateticamente ridículo o esforço do governo Dilma NPS (Nosso Pinóquio de Saias) em querer vender para o mundo uma imagem absolutamente cor-de-rosa do Brasil. Estamos pelados no palco há bastante tempo, especialmente na última década. As acrobacias da ex-guerrilheira em Davos (por exemplo) para tentar esconder nossas mazelas, particularmente ampliadas em seu governo, têm sido bizarras -- e com o DNA escrachado da mentira que caracteriza Dilma NPS. 

A única coisa que nos salva hoje é a nossa exuberante Natureza, quando não arrasada pelo homo brasiliensis (vide Baía da Guanabara) -- o brasiliensis vale tanto para brasileiro quanto para brasiliense (leia-se "do Palácio do Planalto"). Estamos péssimos no filme mundo afora em termos de economia lato sensu, de direitos humanos, de excessiva ingerência estatal na economia, de segurança jurídica nos compromissos governamentais, de burocracia, de bem-estar social (saúde, transporte, saneamento básico, segurança pública), de cumprimento de compromissos (vide organização da Copa do Mundo), de transparência e de apego à verdade (tivemos até agora dois petistas visceralmente mentirosos no governo). Para piorar esse quadro, explodiu para o país e o mundo a situação medieval de nossas prisões retratada nas barbáries da penitenciária de Pedrinhas (MA) e do Presídio Central de Porto Alegre.

Os grandes organismos internacionais de proteção aos direitos humanos já nos têm na alça de mira há anos e se manifestaram sobre nosso selvagem sistema carcerário: a Human Rights Watch, a Anistia Internacional e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, para citar apenas três deles.  

O Centro Internacional para Estudos Penitenciários (ICPS, na sigla inglesa), que trabalha em parceria com a Universidade de Essex, do Reino Unido, tem em seu site dados e informações sobre a situação das prisões brasileiras, com estudos próprios e de terceiros. Ele revela, por exemplo, que a nossa população carcerária pulou de 233.859 (dez°/2011) para 548.003 (dez°/2012), um aumento  de 134,33%. Nesse mesmo intervalo, a população do país passou de cerca de 170 milhões para cerca de 194 milhões, uma variação de 14,12% -- ou seja, botamos na cadeia quase dez vezes mais brasileiros que os que botamos no mundo. Somos um país gerador de marginais -- ressaltando que nessas estatísticas não consta a marginália que se abriga em todas as esferas de governo e políticas do país, e que burla a justiça e a polícia. Essa excrescência nos sai extremamente caro -- econômica, financeira e socialmente falando. E de imagem lá fora, com todos os seus efeitos nocivos ao país.

A mesma estatística do ICPS informa que a capacidade oficial do sistema penitenciário brasileiro em dezembro de 2012 era de 318.739 detentos -- fechamos pois esse ano com uma superpopulação carcerária de 71,93%. Só governos e autoridades irresponsáveis ficam cegos a essa bomba-relógio, e depois fazem cara mongoloide de espanto -- tipo Roseana Sarney -- ou vão demagógica e irresponsavelmente para o twitter -- tipo Dilma NPS -- quando Pedrinhas e Presídio Central de Porto Alegre explodem em violência. Inclua-se nessa irresponsabilidade a apatia suicida da sociedade brasileira.

O relatório sobre práticas de direitos humanos de 2012 do Birô de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado dos EUA relativo ao Brasil é para nos deixar profundamente envergonhados.

No rastro das barbaridades ocorridas em Pedrinhas, a mídia internacional botou a lupa de aumento máximo sobre nossas prisões e desancou o país. A mídia estrangeira mostra um país absurdamente violento e assustadoramente omisso quanto a direitos humanos. Não adianta esse disfarce idiota de bom menino do governo, isso não engana mais ninguém. Eis alguns exemplos da visão internacional:



Vídeo mostra a violência no presídio de Pedrinhas; um cadáver é arremessado do telhado da prisão pelos presos rebelados - YouTube

☛ Caos nas prisões, vítimas de policiais e agressões a gays -- esse foi o Brasil em 2013 --El País, 21/01/2014

Prisões no Brasil: bem-vindos à Idade Média - The Economist, 18/01/2014

O Brasil surpreendido pela barbárie carcerária - Le Figaro, 12/01/2014

Prisioneiros filmam cadáveres decapitados de rivais - Die Welt, 08/01/2014

Vídeo violento e sangrento focaliza o caos de prisões brasileiras - The Wall Street 
Journal, 07/01/2014

Guerra de quadrilhas no presídio de Pedrinhas no Brasil mata 59 em 2013 - BBC News Latin America & Caribbean, 28/12/2013

A crescente população carcerária brasileira pode demandar a privatização de prisões - International Business Times, 24/12/2013 -- (ver postagem sobre esse tipo de experiência na África do Sul)

 

Um comentário:

  1. Já que o texto ficou meio capenga, apesar de não poder haver outra interpretação, vou melhorá-lo: a TAXA de crescimento da população carcerária de 2001 a 2012 é que foi quase 10 vezes maior que a correspondente taxa de crescimento da população do país no mesmo período. Desculpem-me se não fui claro no texto.

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