quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Revista britânica destaca "renascimento cultural" do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro está deixando para trás os estereótipos de "carnaval, crime e caipirinha" e vive um renascimento cultural, na avaliação da última edição da revista Time Out - London, dedicada à programação cultural da capital britânica. 

Em um artigo de turismo que ocupa três páginas da revista, o editor da versão carioca da publicação, Doug Gray, afirma que a antiga capital brasileira ainda tem "o sol, as praias e os biquínis", mas que "as profundidades até aqui escondidas do Rio de Janeiro estão aparecendo". "O crime está em queda, muitos dos morros agora são lugares a serem explorados e, não mais preparados para serem os primos pobres e despreocupados de São Paulo, os cariocas estão ansiosos por algo mais substantivo do que músicas sobre o amor ensolarado", diz.

Para Gray, o Rio de Janeiro passa por "uma mudança cultural sísmica".

Apesar disso, a revista afirma que "felizmente, algumas das tradições que moldaram a cidade também estão sendo protegidas, com alguns remanescentes da bela arquitetura colonial ganhando proteção legal e um a um retornando à sua glória passada como centros culturais, bares e restaurantes".  Entre os destinos turísticos destacados pela Time Out estão o mercado do Saara, o Teatro Municipal, a catedral metropolitana, no centro, além da floresta da Tijuca e o parque Catacumba.

 Para a revista londrina, morros cariocas são agora "lugares a serem explorados"- (Foto: Reuters).

Bancos centrais ao redor do mundo fazem ação coordenada para aliviar a tensão sobre o sistema financeiro mundial

Os principais bancos centrais do mundo iniciaram hoje uma ação coordenada para aliviar as tensões sobre o sistema financeiro mundial, dizendo que facilitarão a aquisição de dólar aos banco que o necessitarem. As bolsas e o euro subiram bruscamente como resposta a esse movimento.O Banco Central Europeu (BCE), o Federal Reserve (Fed) dos EUA, o Banco da Inglaterra, e os bancos centrais de Canadá, Japão e Suiça estão todos envolvidos nessa iniciativa. [Olha o velho e bom dólar mostrando o seu valor ...
É estranhável -- ou não? -- a ausência da China nessa lista].

Como a crise da dívida da Europa se espalhou, o sistema financeiro global está dando sinais de estar entrando em outro aperto de crédito como o que se seguiu em 2008 ao colapso do banco de investimentos americano Lehman Brothers. A possibilidade de que um ou mais governos europeus possam entrar em default gerou receios de um choque no sistema financeiro global,  que causaria severas perdas para bancos, recessão nos EUA e na Europa, e a uma asfixia nos financiamentos.

"O objetivo de tais ações é aliviar as tensões nos mercados financeiros e, assim mitigar os efeitos de tais tensões no suprimento de crédito doméstico e de negócios, estimulando dessa maneira a atividade econômica", disseram os bancos em um comunicado conjunto.

Os bancos centrais concordaram em reduzir em meio por cento o custo de empréstimos temporários em dólar que oferecem aos bancos -- chamados liquidity swaps (trocas ou intercâmbios de liquidez, em tradução livre -- ou ainda swaps de liquidez). Essa nova taxa mais baixa será aplicada a todas as operações de bancos centrais que começarem na segunda-feira. 

Bancos não americanos necessitam de dólar para financiar suas operações nos EUA e para fazer empréstimos em dólares para empresas que necessitam da moeda americana. O dólar é a principal divisa internacional para as reservas de bancos centrais, e é largamente utilizado no comércio internacional.

"Obviamente, essas ações se destinam a aumentar a liquidez de dólar para bancos europeus, que estão lutando para atrair financiamento de curto prazo por causa das questões relativas à sua exposição a perdas com bônus da dívida soberana europeia", disse Paul Ashworth, economista-chefe americano da Capital Economics.  Ele explicou que essa ação de hoje não expõe o Fed à ajuda de bancos europeus enfermos. "Na realidade, é o BCE que faz empréstimos a esses bancos, portanto o Fed não sofrerá nenhuma perda se um banco europeu falir", acrescentou.

Os bancos centrais estão adotando também medidas para assegurar que os bancos possam ter dinheiro rápido em qualquer de suas moedas, se as condições de mercado garantirem [e quem é que define que essa garantia é confiável?!], através do estabelecimento de uma rede temporária de linhas de swap recíprocas. Neste exato momento não há necessidade de oferecer créditos não domésticos em outra moeda que não o dólar, dizem os bancos centrais, mas eles "consideram prudente" ter essa alternativa disponível o quanto antes.

As bolsas subiram logo após essas notícias. O DAX da Alemanha estava sendo negociado com alta de 4,7%, o CAC da França com mais 4,1%, e os Dow futuros em Nova Iorque estavam com ganho de 2,2%. O euro subiu 1,4% para US$ 1,35 e o petróleo subiu imediatamente US$ 1,45 para US$ 101,25.

Os temores de mais tumulto financeiro na Europa já tinham deixado alguns bancos europeus dependentes de empréstimo do banco central para financiamento de suas operações diárias. Outros bancos estão desconfiados e receosos de emprestar-lhes dinheiro, com medo de não serem pagos. Essas restrições no empréstimo interbancário podem atingir a economia de espectro mais amplo, por reduzir o dinheiro disponível para movimentar os negócios.

O rebaixamento feito ontem pela Standard & Poor's para as notas de seis bancos americanos se somou aos receios de que os infortúnios da Europa possam atingir o sistema financeiro global.




O Museu Britânico recebe como doação uma coleção completa de 100 gravuras de Picasso

A homenagem de um filho a seu pai falecido. Esse foi o motivo que levou Hamish Parker, um gestor de fundos da Bolsa de Londres, a adquirir por 1,16 milhão de euros (cerca de R$ 2,8 milhões) e doar ao Museu Britânico uma coleção completa de 100 gravuras de Picasso, conhecida como a Suite Vollard e considerada como uma das obras primas do gênero.  É que seu pai, Horace Parker, ao que parece era um grande admirador do museu londrino.

O Museu Britânico, que se converte no único museu britânico a possuir uma coleção completa do artista espanhol, exporá as gravuras, criadas entre 1930 e 1937, a partir do próximo verão. O curador de gravuras e desenhos da galeria, Stephen Coppel, explicou aos meios de comunicação que algumas das peças foram produzidas durante um "período crítico da vida de Picasso".

Muitas das obras retratam a musa do pintor, Marie-Therese Walter, de 17 anos, enquanto outras mostram detalhes de seu estudio. Ao referir-se às suas gravuras, Picasso falava de uma espécie de "diário visual" e de uma maneira de registrar as ideias que lhe ocorriam. A coleção deve seu nome ao comerciante de arte e editor Ambroise Vollard, que encomendou as gravuras a Picasso e, entre outras coisas, lhe deu em troca duas obras de Renoir e Cézanne.

Coppel relatou seu "assombro" ao receber um email de Parker, em que este lhe assegurava que a coleção de gravuras estaria à disposição do museu antes do final do ano. Assim, tal como prometeu o investidor, a exposição abrirá suas portas no próximo 3 de maio e durará até o 2 de setembro.

Fotografia cedida pelo Museu Britânico de "Um minotauro cego guiado por uma garota com uma pomba", uma das 100 gravuras de Picasso doadas ao museu - (Foto: Museu Britânico/EFE).

"Minotauro", outra das 100 gravuras de Picasso doadas ao Museu Britânico - (Foto: Google).

"Minotauro reclinado com mulher", gravura de Picasso doada ao Museu Britânico - (Foto: Google).

"Minotauro acariciando uma mulher adormecida", gravura de Picasso doada ao Museu Britânico - (Foto: Google).

"Mulher repousando", gravura de Picasso doada ao Museu Britânico - (Foto: Google).

"Fauno desvelando uma mulher", gravura de Picasso doada ao Museu Britânico - (Foto: Google).

Foguete brasileiro é lançado com sucesso na Suécia

A importante notícia abaixo me foi enviada pelo dileto amigo Levy, a quem agradeço a colaboração.

A Suécia lançou com sucesso nesta semana o foguete brasileiro VSB-30, projeto desenvolvido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). O VSB-30 V14 foi lançado com a carga útil TEXUS 48, contendo experimentos do Programa Microgravidade europeu. O lançamento ocorreu no domingo, às 7h30 (horário de Brasília), em Esrange (Suécia).

O foguete, fabricado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), atingiu altura maior do que o previsto e caiu com precisão no ponto de impacto. De acordo com o chefe da subdiretoria de espaço do IAE, Avandelino Santana Junior, isso demonstra a qualidade de projeto do foguete brasileiro, favorecida pelas ótimas condições atmosféricas que contribuíram para o sucesso do lançamento.

O VSB-30 é certificado pela Agência Espacial Europeia e pelo Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI). Foi o 12º lançamento do foguete de sondagem VSB-30, que faz parte da cooperação entre Brasil e Agência Espacial Alemã (DLR). Três lançamentos aconteceram no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e os demais em Esrange.

O site oficial de Esrange informa que o motor brasileiro VSB-30 tem sido usado no programa TEXUS desde 2005, e será utilizado para lançar o TEXUS 48 a cerca de 270 km de altitude.

O programa TEXUS fornece cerca de seis minutos de microgravidade. Teve início em 1977, e é executado no Centro Espacial Esrange conjuntamente pelo  DLR, o centro aeroespacial alemão, e a EADS Astrium [a EADS é uma empresa aeroespacial, envolvida também na Airbus, de propriedade dos governos francês e alemão, e do grupo multinacional Lagardère sediado na França].  A SSC, Corporação Espacial Sueca, é responsável pelas operações de lançamento.  As campanhas do TEXUS são às vezes financiadas pela ESA (Agêncial Espacial Europeia) ou, em conjunto, pela ESA e pelo DLR. 

O lançamento do VSB-30 ocorreu no domingo às 07h30 (horário de Brasília) em Esrange, Suécia - (Foto: Thilo Kranz/IEA/Agência Força Aérea/Divulgação).

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Brasil discute gestão da internet na ONU

O Brasil está negociando com a Organização das Nações Unidas (ONU) a democratização da gestão da internet, que atualmente está nas mãos de duas ou três entidades norte-americanas, informou nesta segunda-feira, 28, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Tovar da Silva Nunes. Segundo ele, esses países têm o controle dos endereçamentos da rede, da distribuição de números IP e de nomes de domínio (que definem como são chamadas as páginas de internet).

“Essa gestão dos fluxos de informação hoje está muito concentrada. Não é inclusivo, não é seguro, não é justo, nem desejável. A ideia é agregar novos atores. O domínio da internet está sob a égide do governo norte-americano. Há outros atores que agem lateralmente. A ideia é moderar essa gestão”, disse.

Tovar participou nesta manhã da apresentação oficial da campanha para a Rio+20, a conferência mundial sobre desenvolvimento sustentável promovida pela ONU. Dentre as propostas do país para o evento, o Brasil defendeu a criação de uma convenção global sobre acesso à informação. “Se a pessoa não tem informação, muito dificilmente ela será mobilizada a atuar para o desenvolvimento sustentável. A proposta será negociada em Nova York, mas também será objeto de negociação na própria Rio+20”, destacou o porta-voz.

Ele também ressaltou o esforço do governo brasileiro para diminuir a dependência da parte física, referente à infraestrutura que viabiliza o acesso à informação, inclusive a internet, em relação aos países mais desenvolvidos. “Os ministérios do Planejamento, das Comunicações, o Itamaraty, entre outros ministérios, vão se reunir no próximo dia 29, no âmbito da Unasul [União de Nações Sul-Americanas], para criarmos um anel [de fibra ótica] que sirva à América do Sul”, disse.

Segundo o porta-voz, está em estudo, pelo Brasil, uma interação entre a América do Sul e a África para sanar dependências físicas de comunicação.

Os Estados Unidos justificam o controle dos fluxos de informação virtuais por terem sido o país criador da internet, em um projeto do Pentágono, e por terem sido o principal financiador desse projeto.

Ver postagem anterior, com assunto correlato ao acima exposto.  Ver também esta postagem

Twitter compra empresa de segurança

O Twitter adquiriu uma startup que fabrica softwares para melhorar a segurança e as configurações de privacidade de smartphones e outros aparelhos móveis. Com a aquisição da Whisper Systems, o Twitter ganha tecnologia para fortalecer a segurança de seu serviço de microblogs e agrega à companhia um par de especialistas no campo de segurança online.

A Whysper Systems foi fundada no ano passado pelos especialistas em segurança Moxie Marlinspike e Stuart Anderson. O Twitter não revelou o valor envolvido na transação e se recusou a dar mais detalhes sobre o acordo além de um comunicado.

O Twitter, que possui mais de 100 milhões de usuários ativos, permite que as pessoas enviem mensagens curtas de 140 caracteres para grupos de seguidores.

A Whisper Systems oferece programas que embaralham dados, conversas de voz e mensagens de texto em aparelhos móveis com o sistema operacional Android, para que hackers não possam acessar os dados.



Turquia lança filtros para bloquear sites impróprios na internet

A Turquia acaba de iniciar um polêmico sistema de filtros na internet com o objetivo de restringir o acesso dos jovens a possíveis conteúdos impróprios, medida que é vista como um tipo de censura por alguns setores.

A principal polêmica deste projeto gira em torno do bloqueio ao acesso às redes sociais, já que a Turquia é o quinto país com mais número de usuários no Facebook – 90% de seus internautas possuem conta no site. Os usuários também reclamaram que o chamado “filtro familiar” acabou bloqueando algumas páginas sem necessidade, como as de Victoria’s Secrets, Calvin Klein e Durex, uma marca de preservativo. No entanto, o ministro do Transporte e Comunicação do país, Binali Yildirim, negou que o governo turco queira impor uma “censura” na internet, como criticaram algumas associações de internautas. ”O objetivo é proteger as crianças de conteúdos prejudiciais. A internet é uma grande bênção, porém, assim como os remédios, pode ter efeitos colaterais. Proteger as crianças é uma tarefa do Estado”, declarou o ministro.

A aplicação dos quatro filtros (familiar, infantil, nacional e padrão) despertou tantas críticas que só foram aplicados os dois primeiros e, mesmo assim, de forma voluntária, o que acabou sendo desinteressante para os usuários da internet. Segundo o Organismo de Tecnologias da Informação e Comunicação (BTK), desde o último dia 22 de novembro – dia em que os filtros entraram em vigor -, apenas 3 mil pedidos foram feitos, o que acaba comprovando a falta de sucesso da medida.

O sistema parece não ter agradado nem àqueles que concordaram com a instalação, já que os poucos usuários dos filtros reclamaram do bloqueio de páginas convencionais. As inúmeras reclamações que chegaram aos escritórios do BTK fizeram com que o organismo prometesse uma revisão de seus filtros. O professor Mutlu Binark, especialista em novas mídias, foi um dos mais críticos dessa nova medida. “Com este novo sistema de filtros, os indivíduos acabarão abrindo mão de sua capacidade de raciocinar e escolher livremente”, denunciou.

A Fundação Bianet, que chegou a exigir uma postura da justiça contra essa medida, lamentou que “o BTK assuma o papel de decidir o que é prejudicial para as crianças”. Alguns intelectuais consideram que o novo sistema possui uma relação com a influência do teólogo Fethullah Gülen, líder de uma organização islâmica, sobre o Governo.

Os internautas turcos são muito sensíveis a qualquer iniciativa que ponha limite no acesso à internet. Em 2007, o governo colocou em vigor uma lei conhecida como “Lei Censura”, uma norma que busca conter a pornografia infantil, os jogos de apostas e as drogas na rede. De acordo com o site Engelliweb, mais de 15 mil páginas estão bloqueadas atualmente na Turquia. Destas, a maioria tem conteúdo pornográfico, mas também há sites de grupos políticos esquerdistas e nacionalistas curdos.

iPhone entra em combustão em voo

Um iPhone soltou fumaça durante um voo na Austrália, aparentemente depois de entrar em combustão espontaneamente.

Em comunicado, a companhia aérea australiana Regional Express descreveu que o celular entrou “em combustão sozinho”, dizendo que um iPhone de um dos passageiros de repente ficou vermelho e soltou “uma quantidade significativa de fumaça densa” depois de um voo entre a cidade de Lismore e Sidney na sexta-feira, 25.

Uma fotografia enviada com o comunicado mostra a parte traseira do iPhone quebrada.

A companhia disse que um dos membros da tripulação conseguiu interromper a combustão e ninguém ficou ferido. A Regional Express relatou o incidente às autoridades da Austrália. A Apple disse que vai contribuir para qualquer investigação.

Telefone ficou com a parte traseira danificada - (Foto: Divulgação).

Uso do laptop pode comprometer qualidade do esperma

Era só o que faltava!...

Uma nova pesquisa, publicada no Fertility and Sterility, mostra que a qualidade do sêmen piora em contato com dispositivos como laptops conectados à rede Wi-Fi. -- O artigo em inglês foi publicado no dia 23 deste mês de novembro.

Para chegar à conclusão, pesquisadores usaram amostras de sêmen de 29 homens saudáveis e colocaram algumas gotas sob um laptop conectado à internet sem fio. Quatro horas após, em um quarto da amostra os espermatozoides deixaram de se mover. Na amostra usada como controle, colocada longe do computador, o índice foi 14%. Além disso, 9% da amostra teve danos no DNA, um número três vezes maior do que as amostras usadas como controle.

Segundo os autores, o culpado seria a radiação eletromagnética gerada durante a comunicação sem fio. "Nossos dados sugerem que o uso do laptop conectado à Internet via Wi-Fi e posicionado perto dos órgãos reprodutivos podem reduzir a qualidade do esperma", eles dizem. "Ainda não sabemos se esse efeito é induzido por todos os computadores conectados via Wi-Fi ou quais condições de uso aumentam o efeito."

Um teste feito com um computador ligado, mas não conectado via Wi-Fi, não detectou níveis significativos de radiação.

O resultado alimenta dúvidas levantadas em outras pesquisas. Uma equipe descobriu, por exemplo, que a radiação dos telefones celulares cria espermatozoides frágeis em laboratório. No ano passado, urologistas descreveram como o uso do laptop nos joelhos pode aumentar a temperatura nos testículos até níveis que não são saudáveis para os espermatozoides.

No entanto, especialistas têm dúvidas sobre os resultados. Robert Oates, presidente da Sociedade de Urologia e Reprodução, diz que os laptops não são uma ameaça significativa à saúde reprodutiva do homem. "Trata-se de um teste artificial. É interessante, mas não traz relevância biológica, diz. Até agora, nenhum estudo focou na influência do laptop na fertilidade ou taxas de gravidez", diz ele.


Débito da Vale com União pode chegar a R$ 25 bilhões

A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) informou hoje que o débito da Vale com a União pode chegar a R$ 25 bilhões com a decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Em nota oficial, divulgada após o fechamento do mercado, a PGFN explicou que a Fazenda Nacional garantiu, em julgamento realizado no último dia 22 de novembro, a manutenção de incidência de IRPJ e CSLL sobre lucros no exterior, em mandado de segurança impetrado pela companhia.

Segundo informações da Procuradoria-Regional na 2ª Região, que defendeu a União no caso, a decisão, válida apenas para a mineradora, acaba abrindo um precedente favorável à Fazenda Nacional. O caso está na Justiça há oito anos. Segue abaixo, a íntegra do comunicado:

"A Fazenda Nacional garantiu, em julgamento ocorrido no dia 22 de novembro último, dando continuidade à discussão judicial que tramita desde 2003, ante o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), a manutenção de incidência de IRPJ e CSLL sobre lucros no exterior, em mandado de segurança impetrado pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). O valor do débito da companhia junto à União pode chegar a R$ 25 bilhões.

Segundo informações da Procuradoria-Regional da Fazenda Nacional na 2ª Região, que defendeu a União no caso, a decisão somente incide para o processo da CVRD. Contudo, é um precedente favorável à Fazenda Nacional relativamente à constitucionalidade do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001; e, principalmente, da inaplicabilidade, para casos de tributação incidente sobre o lucro auferido por intermédio de controladas e coligadas sediadas no exterior, dos tratados internacionais para evitar a dupla tributação, tendo em vista que o sujeito passivo da obrigação tributária, no caso, é pessoa jurídica sediada no Brasil.

O TRF-2 afirmou, expressamente, que a norma brasileira, ao determinar a incidência do IRPJ e da CSLL sobre os lucros auferidos no exterior, não contraria nenhum tratado para evitar a dupla tributação firmado pelo Brasil. Além disso, o acórdão do tribunal determina que a multa de 75% sobre os valores constituídos é devida pela CVRD e, por fim, afirmou a não há existência de qualquer impedimento para que a União faça a cobrança dos créditos tributários devidos pela empresa".

Autoridades do Estado de Ohio (EUA) retiram criança de 8 anos e 100 kg da custódia materna

Eis um caso atípico e impressionante, pelo menos para nós brasileiros, da interferência do Estado no seio de uma família, a título de proteger a saúde de uma criança. 


Autoridades do Estado de Ohio (EUA) estão firmes em sua decisão de remover, no mês passado, uma criança de 8 anos de sua casa, porque consideraram como uma forma de negligência médica a incapacidade de sua mãe de controlar o aumento explosivo de seu peso, informa a agência Associated Press (AP).

Autoridades do Condado de Cuyahoga foram inicialmente alertadas para a situação em princípios de 2010, quando a mãe do garoto o levou a um hospital devido a problemas respiratórios. Ele foi diagnosticado com apneia do sono, que pode ser causada por excesso de peso, e recebeu um equipamento respiratório para dormir.

Com um peso ultrapassando os cerca de 100 kg, o garoto mais do que triplica os 30 kg que a tabela de crescimento do governo considera como um peso saudável para garotos de sua idade. Ele corre o risco de ter doenças como diabetes, doenças cardíacas, e hipertensão.

Depois de monitorar a família por mais de ano e meio, os responsáveis pelo caso consideraram que o garoto está sob perigo iminente. "Trabalhamos muito fortemente com essa família durante 20 meses antes de chegarmos a este ponto", disse à AP ontem a chefe da agência de serviços para crianças e familiares do condado, Patricia Rideout.

Enquanto isso, o jornal Cleveland Plain Dealer falou com a mãe do garoto, sem identificá-la para proteger a identidade da criança. "Estão tentando fazer parecer que sou inadequada, que não amo meu filho", disse ao jornal a mãe, que é professora primária. "É claro que eu o amo. É claro que quero que perca peso. É uma mudança de estilo de vida, e estão tentando fazer parecer que não estou me esforçando. É muito difícil, mas estou tentando".

Embora 2 milhões de crianças americanas sejam extremamente obesas, incluindo 12% dos garotos de Ohio da faixa etária do garoto envolvido nesse caso, o Plain Dealer observa que essa é a primeira vez de que se tem registro no Estado de uma criança ser retirada da guarda paterna ou materna por um problema relacionado estritamente com seu peso.

O garoto é um estudante destacado e participa das atividades escolares, diz o jornal, que informa também que a mãe o vê uma vez por semana, durante duas horas. Um juiz decidirá sobre o que é melhor para a criança, em uma audiência no mês que vem programada para o aniversário de 9 anos do garoto.

O Dr. Naim Alkhouri, chefe da clínica de metabolismo pediátrico do Hospital Clínico Infantil de Cleveland, disse à AP que é difícil determinar de quem é a culpa em um assunto complicado como a obesidade infantil. "Não são apenas os pais ou a criança", ele disse. "A obesidade é uma epidemia nos EUA. Como uma sociedade, somos todos responsáveis".

Facebook acerta pendência nos EUA e aceita pedir permissão a usuários antes de fazer mudanças que afetem sua privacidade

O Facebook fez um acordo com a Federal Trade Commission (FTC) [Comissão Federal de Comércio] dos EUA, após reclamação deste órgão de que o gigante da rede social enganou os consumidores, prometendo-lhes privacidade enquanto compartilhava e tornava mais públicos os dados dos usuários, informou a FTC.

A FTC disse em um informativo nesta terça-feira que o Facebook resolveu oito autos de violações de privacidade iniciados em dezembro de 2009. A empresa não sofrerá multas em dinheiro, mas concordou em alterar sua política de privacidade de modo a pedir primeiro a permissão dos usuários antes de mudar o modo pelo qual compartilha seus dados. O Facebook, com 700 milhões de usuários globais, passará também por auditorias periódicas de suas práticas de privacidade pelos próximos 20 anos.

"O Facebook está obrigado a manter as promessas de privacidade que faz para suas centenas de milhões de usuários", disse Jon Leibowitz, presidente da FTC. "Inovação no Facebook não tem que ser feita às custas da privacidade do consumidor. A atuação da FTC assegurará que isso não acontecerá".

O anúncio da FTC surge no momento em que o Facebook, dizem, está preparando  uma oferta pública de ações (IPO, em inglês) para o segundo trimestre do próximo ano. A investigação da agência federal sobre a questão da privacidade pesou nas perspectivas de negócios da companhia, na opinião de analistas, e o acordo abrirá o caminho para a oferta de ações.

A reclamação da FTC contra o Facebook originou-se de uma reclamação originalmente apresentada pelo Centro de Informação e Privacidade Eletrônicas (Electronic Privacy and Information Center) em dezembro de 2009, quando a empresa anunciou várias mudanças em seu site que tornavam públicas certas informações sobre o perfil dos usuários. Estes ficaram enfurecidos, e reclamaram no site e em outros serviços sociais de mídia de que não foram devidamente avisados sobre as mudanças na política [de privacidade], e que havia se tornado mais difícil e confuso esconder de estranhos suas informações. A FTC disse que considerou "injustas e enganosas" as ações do Facebook.

Membros do Congresso americano estão considerando promulgar novas leis sobre privacidade, dirigidas a proteger melhor os usuários quando fornecem mais dados online. Alguns legisladores dizem que a ação fiscalizadora e punitiva da FTC aumentou, mas uma nova legislação se faz necessária para assegurar que não ocorrerão futuras violações. "Essa ação contra o Facebook é apenas o primeiro passo para proteger a privacidade do consumidor", disse o senador Hohn "Jay" Rockefeller , democrata da Virginia do Oeste. "Basicamente, acredito ser necessária uma legislação que dê poderes aos consumidores para proteger sua informação pessoal de empresas que, subrepticiamente, coletam e utilizam essa informação pessoal para fins lucrativos".

[Concordo que é indispensável haver um arcabouço legal também na Internet para proteção lato sensu de seus usuários, mas não se pode deixar de reconhecer  que há um enorme número desses usuários que jogam seus dados pessoais em qualquer rede pessoal com a maior facilidade e sem o mínimo cuidado].

Em sete anos, o site de comunicação que começou como um projeto incubado em um dormitório escolar evoluiu para a maior rede social do mundo, bem a caminho de atingir sua meta de ter 1 bilhão de usuários - (Foto: The Washington Post).




Controladora da American Airlines pede concordata e CEO renuncia

A companhia controladora da American Airlines (AA) está buscando a proteção do Capítulo 11 da lei de falências americana (o equivalente à nossa concordata), para liquidar uma dívida enorme acumulada por anos de aumento do preço de combustível e de disputas trabalhistas.

A terceira maior empresa aérea americana anunciou também hoje que seu CEO, Gerard Arpey, renunciará. Será substituído por Thomas Horton, atual presidente da empresa. 

A empresa AMR Corp., sediada em Fort Woth, Texas, informou hoje que entrou com pedido voluntário de reestruturação econômico-financeira junto com sua filial regional AMR Eagle Holding Corp..  A AA disse que tomou essa iniciativa para reduzir seus custos e sua dívida, e manter-se competitiva. Ela continuará voando normalmente durante sua reorganização.

A American Airlines é a única das antigas empresas aéreas dos EUA que não havia ainda pedido concordata -- em 2005 a Delta pediu concordata.Ela foi criada em 1930, da fusão de mais de 80 pequenas empresas aéreas. Ela  transporta hoje cerca de 240.000 passageiros por dia e tem cerca de 78.000 empregados.

Diz a AA que as regras contratuais trabalhistas a forçaram a gastar pelo menos 600 milhões de dólares a mais do que as outras empresas aéreas. Isso é, parcialmente, um resultado do esforço da AMR para evitar a falência na década passada, enquanto empresas como a United e a Delta foram capazes de se livrarem contratos trabalhistas existentes depois de entrar em concordata.

Além dos altos custos trabalhistas, a American enfrentou também os custos ascendentes do combustível. O custo médio do galão (4,5 l) de combustível de aviação até agora, neste ano, é de US$ 3, contra US$ 1,92 em 2006.

A American perdeu US$ 162 milhões no terceiro trimestre deste ano, e tem perdido dinheiro em 14 dos 16 últimos trimestres.


Analistas haviam especulado sobre o pedido de concordata, quando as ações afundaram e a AMR lutava para fazer dinheiro enquanto suas concorrentes informavam lucros. Mais recentemente, a incapacidade da AMR de fechar um contrato com seus pilotos alimentou os boatos sobre a concordata.

A AMR, controladora da American Airlines e da Eagle Airlines, entrou com pedido de concordata nos EUA - (Foto: The Washington Post). 

Paquistão avisa EUA que relações não serão mais as mesmas após mortes em ataque da OTAN

O primeiro-ministro paquistanês advertiu nesta segunda-feira que as relações de seu país com os EUA não podem continuar como estão, depois que aviões da OTAN mataram 24 soldados paquistaneses no fim de semana. "Negócios como de costume não existirão mais", Yusuf Raza Gilani disse à CNN em uma entrevista. "Precisamos de algo muito maior para reparar meu país".

Os comentários de Gilani evidenciam como se tornaram tensas as relações EUA-Paquistão depois do incidente do fim de semana, que desgastou ainda mais as já atribuladas relações entre os dois países. O que já era uma desconfortável relação entre os dois, mudou para pior em meados deste ano depois que as autoridades americanas deixaram suas contrapartes paquistanesas sem conhecimento prévio do ataque que matou Osama Bin Laden.

Gilani disse que seu país continuará a cooperar com Washington apenas se o relacionamento for baseado em "respeito e interesses mútuos". Perguntado se hoje esse era o caso, o primeiro-ministro respondeu: "No momento, não", acrescentando: "Se não posso proteger a soberania de meu país, como podemos dizer que isso é respeito mútuo e interesse mútuo?".

Um ataque aéreo liderado pela OTAN na madrugada de sábado a um posto de controle na fronteira Paquistão-Afeganistão foi, na realidade, uma resposta a um ataque contra soldados afegãos que aparentemente se originou naquele posto, de acordo com o que autoridades afegãs disseram à agência Associated Press.  Falando sob condição de anonimato, essas autoridades disseram que soldados afegãos operando naquela região montanhosa ficaram sob fogo na madrugada de sábado, e solicitaram o ataque à Força Internacional de de Segurança. Os postos na área fronteiriça têm ocupantes mistos, entre soldados paquistaneses e militantes, o que poderia ter contribuído para a confusão em se saber quem na realidade estava atirando nos soldados afegãos.

As tensões, já em alto nível, poderiam tornar-se ainda piores se o grande número de caminhões de suprimento das forças de coalizão agora em espera na fronteira -- fechada no sábado por autoridades paquistanesas indignadas -- sofressem um ataque na perigosa área da fronteira.

A BBC informou que o ataque ocorreu às 2h da manhão no posto de controle de Salala, a cerca de 2,5 km da fronteira afegã, e alegadamente foi efetuado pela Força Internacional de Segurança liderada pela OTAN. Autoridades da OTAN disseram que estão realizando uma investigação detalhada do incidente.

O comandante da Força, Gen. John R. Allen, emitiu um comunicado, dizendo: "Minhas mais sinceras e profundas condolências pessoais se dirigem às famílias e entes queridos de quaisquer membros da Força Paquistanesa de Segurança que possam ter sido mortos ou feridos".

O referido ataque aéreo foi o mais violento e mortífero desse tipo nos 10 anos da guerra no Afeganistão.

O enterro de soldados paquistaneses mortos em ataque aéreo da OTAN na fronteira com o Afeganistão - (Foto: AFP/Getty Images).

Caminhões de suprimentos para as forças da OTAN  no Afeganistão estacionados no cruzamento da fronteira com o Paquistão em Torkham - (Foto: STR/AFP/Getty Images).

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Técnica de estimulação do cérebro "reverte" efeitos de Alzheimer


Até o presente, acreditava-se que o encolhimento do cérebro, a deterioração de suas funções e a perda de memória associados à condição eram irreversíveis.  A equipe da University of Toronto está usando uma técnica conhecida como Estimulação Cerebral Profunda, que envolve a aplicação de eletricidade em certas regiões do cérebro. Em dois pacientes, o processo esperado de deterioração da área do cérebro associada à memória não apenas foi revertido como também voltou a crescer.

As conclusões do estudo foram anunciadas durante uma conferência da Society for Neuroscience em Washington, nos Estados Unidos, em novembro, mas ainda não foram publicadas.  A Estimulação Cerebral Profunda vem sendo usada em milhares de pacientes com Mal de Parkinson e, mais recentemente, Síndrome de Tourette e depressão. No entanto, não se sabe ainda com precisão como a técnica funciona.

O procedimento é feito sob anestesia local. Um exame de ressonância magnética identifica o alvo dentro do cérebro. A cabeça é mantida em uma posição fixa, uma pequena região do cérebro é exposta e eletrodos são posicionados próximo à região do cérebro a ser estimulada. Os eletrodos são conectados a uma bateria que é implantada sob a pele, perto da clavícula.

Comentando o novo estudo, o professor John Stein, da University of Oxford, na Inglaterra, disse: "A maioria das pessoas diria que não sabemos por que isso funciona". A teoria de Stein é que, no Mal de Parkinson, células do cérebro ficam presas em um padrão de descargas elétricas seguidas por silêncios e, depois, novas descargas. A estimulação contínua e em alta frequência perturbaria esse ritmo, sugere o especialista. Ele admite, no entanto, que "nem todo mundo aceitaria essa descrição".

Sabe-se ainda menos sobre que papel a estimulação do cérebro poderia ter sobre o Mal de Alzheimer. No Mal de Alzheimer, a região do cérebro conhecida como hipocampo é uma das primeiras a encolher. Nela funciona o centro de memória, convertendo memória de curto prazo em memória de longo prazo. Danos a essa região produzem alguns dos primeiros sintomas do Mal de Alzheimer: perda de memória e desorientação. Nos estágios finais da condição, células morreram ou estão morrendo em todo o cérebro.

O estudo canadense envolveu seis pacientes com a condição. A estimulação foi aplicada ao fórnix, a parte do cérebro que leva mensagens ao hipocampo. O chefe do estudo, Andres Lozano, disse que o grau esperado de encolhimento do hipocampo em pacientes com Alzheimer é em média 5% ao ano. Após 12 meses de estimulação, um dos pacientes teve um aumento de 5% e, outro, 8%.

"Quão importantes são esses 8%? Imensamente importantes. Nunca vimos o hipocampo crescer em (pacientes com) Alzheimer em nenhuma circunstância", disse Lozano à BBC. "Foi uma descoberta incrível para nós". "Esta é a primeira vez que se demonstra que a estimulação do cérebro em um ser humano faz crescer uma área do seu cérebro". Em relação aos sintomas, o especialista disse: "Um dos pacientes está melhor após um ano de estimulação do que quando começou, então seu alzheimer foi revertido, digamos assim".

Lozano disse que experimentos feitos em animais demonstraram que esse tipo de estimulação pode criar mais células nervosas. Stein disse estar "muito animado" com os primeiros resultados, mas o fator crítico seria poder demonstrar "se suas memórias melhoraram".

Milhares de pacientes com Mal de Parkinson já foram tratados com Estimulação Cerebral Profunda.  A médica Marie Janson, da entidade beneficente britânica Alzheimer's Research UK, disse que seria significativo se o encolhimento do cérebro pudesse ser revertido. "Se você pudesse retardar o começo do Alzheimer por cinco anos, você cortaria pela metade o número de pessoas afetadas". Para testar se a técnica está realmente funcionando e se assegurar de que o resultado obtido não foi um simples acaso, a equipe canadense vai fazer uma pesquisa maior. "Uma palavra de cautela é apropriada, isto é apenas o princípio e um número muito pequeno de pacientes está envolvido".

Em abril, os pesquisadores pretendem inscrever cerca de 50 pacientes com grau médio de Alzheimer. Todos terão eletrodos implantados, mas apenas metade terá os aparelhos ligados. A equipe vai comparar os hipocampos dos dois grupos para verificar se existem diferenças. Eles estão estudando especificamente pacientes com graus leves de Alzheimer porque dos seis pacientes estudados, apenas os dois que tinham sintomas leves melhoraram.

Uma teoria que estão considerando é que após um certo grau de danos, pacientes atingem um ponto a partir do qual não existe retorno.

 Região do cérebro associada à memória foi estimulada com eletricidade e voltou a crescer - (Foto: BBC Brasil).





OCDE prevê crescimento de 3,4% no Brasil e recessão na Europa

A OCDE reduziu nesta segunda-feira as suas previsões para o crescimento global após advertir que a Grã-Bretanha e a zona do euro podem estar entrando em um período de recessão.

Segundo a organização, que representa os países considerados desenvolvidos, a Grã-Bretanha deve crescer apenas 0,02% no último trimestre deste ano e 0,14% o primeiro trimestre de 2012, enquanto a previsão para a zona do euro é de queda de 1% no último trimestre deste ano e de 0,4% no primeiro trimestre de 2012.

Segundo o relatório, o Brasil, que não faz parte da OCDE, deve crescer 3,4% neste ano e 3,2% no ano que vem - abaixo das previsões de crescimento da economia global, de 3,8% neste ano e 3,4% no ano que vem.

A organização advertiu ainda que um "evento negativo" na zona do euro (como a desintegração da moeda única) poderá provocar uma contração global.

Brics não ameaçam hegemonia dos EUA, diz "pai" do neoliberalismo

Dez anos após a criação do acrônimo Bric, os países do grupo não formam um bloco coeso e não são capazes de criar uma aliança para ameaçar a hegemonia dos Estados Unidos no mundo, na avaliação de um dos mais importantes teóricos das relações internacionais.

Joseph S. Nye Jr., atual professor emérito da escola de governo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, é o co-fundador da teoria do neoliberalismo e criador do conceito de "soft power", que define a capacidade de um país atingir seus objetivos por meio da influência de seus valores, cultura e política, em lugar do uso da força militar. Para ele, os países do grupo são capazes de rivalizar pontualmente com os Estados Unidos de maneira individual, como no caso da crescente influência brasileira sobre a América Latina, mas não representam um contraponto real aos americanos como um bloco, por conta das diferenças de interesses entre seus membros. "Se a questão é se eles podem criar uma aliança contra os Estados Unidos, um bloco coeso, a resposta é não", disse ele em entrevista à BBC Brasil.

O acrônimo Bric foi criado há dez anos pelo britânico Jim O’Neill, então economista-chefe do banco Goldman Sachs, incluindo Brasil, Rússia, Índia e China, os quatro gigantes com crescimento econômico acelerado. Posteriormente, o grupo foi institucionalizado pelos países, com a entrada posterior da África do Sul (o "s" acrescentado ao final do acrônimo), neste ano.

Nye, que foi secretário-assistente de Defesa no governo Bill Clinton, vê a Rússia como uma peça anômala no grupo, por ser "uma força em decadência, não emergente", e afirma que Brasil e Índia têm mais capacidade de exercer "soft power" do que a China, a maior economia e maior força militar do grupo, por serem países democráticos.

Para ele, os Brics não vão acabar, mas terão um papel limitado como "uma organização frouxa para coordenação diplomática ". -- Leia no artigo da BBC a íntegra a íntegra da entrevista telefônica De Nye. 

[Considero uma quimera despropositada achar-se que o Brics possa fazer, como bloco, qualquer sombra aos EUA no mundo -- para mim, trata-se de mais uma sopa de letras, com a única vantagem de ter poucos ingredientes. Basta olhar para qualquer mapa geopolítico para perceber que já as distâncias geográficas  entre os membros conspiram contra qualquer arremedo de unidade entre as partes desse grupo. Índia e China, os únicos vizinhos imediatos no Brics, têm luz própria -- especialmente a China  --,  não precisam nem um pouco dessa sigla para ter importância no cenário mundial, e ultimamente vivem se estranhando, como mostrado em outra postagem]. 

 Joseph Nye Jr é um dos mais importantes teóricos globais das relações internacionais -- (Foto: Getty Images). 

Criado por economista, o Brics vem se institucionalizando desde 2008 -- (Foto: ABr).



A agência Moody's adverte que as notas de todos os países europeus estão ameaçadas

O agravamento da crise da dívida na zona do euro ameaça as notas de solvência de todos os países europeus, advertiu ontem, 27/11, a agência americana de avaliação financeira Moody's.  Em um "comentário especial" sobre os países europeus, a agência indica que continua considerando que a zona do euro manterá sua unidade sem outra falha que a da Grécia, mas observa que mesmo esse "cenário 'positivo' traz consigo consequências muito negativas para as notas" dos Estados europeus.

A agência, que recentemente advertiu que a França poderia perder seu "A triplo", que lhe permite financiar-se com taxas vantajosas nos mercados, indica também claramente que nenhum país, mesmo aqueles considerados mais sólidos, como Holanda, Áustria, Finlândia, e mesmo a Alemanha, não está imune a um rebaixamento de sua nota.

"O agravamento ininterrupto da crise da dívida pública e dos bancos da zona do euro ameaça a qualidade do crédito de todos os países europeus", escreve a agência.  "Ainda que a zona do euro em seu conjunto possua uma força econômica e financeira enorme, a fraqueza de suas instituições continua a impedir a solução da crise e a pesar sobre as notas. Na ausência de medidas políticas que estabilizem a situação dos mercados a curto prazo, ou a estabilização desses mercados por qualquer outra razão, o risco do crédito [associado aos países europeus] continuará a aumentar".

O BCE atrai o sinal de alarme

Um "evento negativo maior" na zona do euro poderia ter consequências "devastadoras" para a economia mundial, e mergulharia na recessão o conjunto dos países ricos, incluindo aí os Estados Unidos e o Japão, adverte a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos). Essa é a razão pela qual "aqueles que decidem devem se preparar para o pior", e o Banco Central Europeu (BCE) deve intervir mais para bloquear a crise da dívida, avalia a Organização em suas previsões semestrais.

Outros planos de resgate?

Enquanto países como a Itália ou a Hungria têm cada vez mais dificuldade em se financiar com taxas viáveis nos mercados, a Moody's escreve que "o elã político para colocar em prática uma solução eficaz contra a crise poderia não ser encontrado senão após uma série de choques, o que poderia levar mais países a se verem privados de acesso aos mercados de financiamento por um período prolongado".  A agência faz aí referência a países como Irlanda, Grécia, Portugal, ou ainda a Hungria, que tiveram que se beneficiar de um ou mais planos de resgate financeiro da União Europeia (UE) ou do FMI.

Segundo a Moody's, outros países poderiam ter necessidade de apelar para esse tipo de solução, se a UE não conseguir encontrar rapidamente uma resposta adequada à crise,  e esses países veriam então, muito provavelmente,  suas notas rebaixadas para a de um investimento "especulativo". Tendo em vista os acontecimentos das últimas semanas, a Moody's indica dever considerar "a probabilidade de um cenário ainda mais negativo".  Segundo ela, "a probabilidade de défauts múltiplos [...] de Estados da zona do euro não é desprezível", e não cessa de aumentar na falta de uma solução para a crise.

Se essa hipótese se concretizar, isso aumentaria a probabilidade de um ou mais países deixarem a zona do euro, acrescenta a agência, para a qual esse cenário de "fragmentação do euro" teria "repercussões negativas para todos os países da zona do euro e da UE". Para a Moody's, a situação evolui permanentemente, e novos "choques" (novos planos de resgate ou alta das taxas com as quais os Estados se financiam) são "suscetíveis de levar a mudanças de notas caso a caso" para certos países, enquanto os políticos definem medidas [contra a crise].




A perigosa disputa entre China e Índia em torno do Mar do Sul da China

Foi considerado um novo nível de assertividade a atitude do normalmente tímido primeiro-ministro indiano Manmohan Singh em ter supostamente fitado nos olhos sua contraparte chinesa em uma reunião em Bali na semana passada, e defender o direito "comercial" de seu país de explorar óleo e gas no Mar do Sul da China.  Mas, foi também um sinal dos crescentes atritos entre Índia e China, e do que os especialistas vêem como um jogo perigoso entre as duas nações mais populosas do mundo.

Ameaçada pelos laços rapidamente crescentes entre a China e seus vizinhos do sul da Ásia, a Índia está cada vez mais tentando penetrar na esfera de influência da China, e as irritações mútuas estão começando a surgir. Ocorrendo logo após um acordo entre Índia e Vietnã para a exploração em conjunto de dois blocos no oceano logo ao largo das fortemente contestadas Ilhas Sptratly, a postura de Singh em Bali provocou uma gélida e imediata resposta do ministro do Exterior chinês.

"Não esperamos ver forças externas envolvidas na disputa no Mar do Sul da China, e não queremos ver companhias estrangeiras engajadas em atividades que irão minar a soberania, os direitos e os interesses da China", disse a jornalistas em Beijing o porta-voz do Ministério do Exterior.

O jornal do Partido Comunista chinês foi ainda mais contundente em um editorial no mês passado, acusando Índia e Vietnã de "tentativas imprudentes de confrontamento com a China" [o adjetivo "reckless", que teria sido usado no editorial para qualificar as tentativas, pode também ser traduzido como "irresponsável"], e alertando que a sociedade indiana estava despreparada para um "conflito violento" com a China sobre o assunto.

Uma 15ª rodada de conversações entre proeminentes diplomatas de ambos os lados, marcada originalmente para hoje, foi cancelada em cima da hora, com a mídia indiana responsabilizando por isso uma crescente "dissonância" depois do encontro em Bali. Mais especificamente, reportagens disseram que a China havia solicitado que o governo indiano evitasse que o Dalai Lama falasse em uma conferência budista internacional, a realizar-se esta semana na capital da Índia, uma condição que as autoridades de Nova Delhi se recusaram a aceitar.

Em um nível, a discordância reflete as sensibilidades da China em relação ao Mar do Sul da China, e sua resistência a uma interferência externa em sua disputa com praticamente cada país da região sobre o oceano potencialmente rico de recursos. Mas, representa também uma deterioração nas relações entre China e Índia nos últimos seis anos, e uma nova disputa estratégica na qual cada país tem estado cada vez mais ativo em um local antes considerado o "quintal" do vizinho.

Enquanto seus líderes insistem publicamente que há espaço para ambos países crescerem, especialistas e autoridades dizem que os pesos-pesados da Ásia estão se irritando mais e mais. "As marcas da presença de cada um estão se expandindo, mas a chinesa é muito mais rápida", disse C. Raja Mohan, do Center for Policy Research em Nova Delhi. "Vai haver superposição, vai haver atrito. O desafio é como administrar isso".

Até agora, os dois vizinhos não parecem estar administrando os atritos particularmente bem, e o sentimento nacionalista parece estar crescendo em ambos os países.

O primeiro-ministro indiano Manmohan Singh (à esquerda) e o presidente chinês Hu Jintao se saúdam antes de uma reunião do G-20 este mês - (Foto: Eric Feferberg/AFP/Getty Images).

Nasa recruta novos astronautas, e as exigências são altas

A Nasa está aceitando inscrições para seu novo grupo de astronautas, e as exigências para qualificação são duras.

Nem todos os níveis antes da graduação são aceitos, tem importância a qualidade do programa do curso, mestrado e doutorado pesam na balança, e é exigida experiência pós-acadêmica. Quem tiver problema com matemática e ciência nem precisa se inscrever.

A última vez que a Nasa escolheu um novo grupo de candidatos a astronautas foi em 2009, quando foram selecionados 9 candidatos de um total de 3.564 inscritos -- entre os aceitos estavam três mulheres.

A Nasa está aceitando inscrições até 27 de janeiro, quando então começarão as entrevistas e avaliações do grupo inicialmente escolhido -- a seleção final dos aprovados deverá ser anunciada em 2013. O treinamento de vários anos para os astronautas começará em agosto do ano que vem, e eles poderão envolver-se em trabalho na Estação Espacial Internacional e na exploração futura do espaço remoto.

O que, exatamente, é exigido para que alguém se torne um astronauta? O que deve estudar um possível astronauta? O artigo do The Washington Post citado no início desta postagem responde a essas perguntas, com material retirado do site da própria Nasa. A reportagem publica também uma minibiografia de cada um dos 9 selecionados em 2009.

Astronautas (da esquerda para a direita) Nicole Stott, Alvin Drew, Michael Barratt, piloto Eric Boe, Stephen Bowen, e comandante Steve Lindsay, se encaminham para a plataforma de lançamento do Centro Espacial Kennedy, no início deste ano, para o último voo do ônibus espacial Discovery - (Foto: Mark Wilson/Getty Images).

Zona do euro: rumo a um pacto de estabilidade limitado a certos países? (II)

Corrigindo uma afirmativa errônea que fiz na postagem anterior sobre o mesmo assunto, a Finlândia é o único país da União Europeia (UE) que cumpre a regra da própria UE, de ter o endividamento inferior a 60% do PIB. Palmas para os finlandeses.

domingo, 27 de novembro de 2011

Zona do euro: rumo a um pacto de estabilidade limitado a certos países?

Segundo informações do jornal alemão Welt am Sonntag (O Mundo no Domingo, edição dominical do diário Die Welt - O Mundo) neste domingo, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy projetam colocar em operação um novo pacto de estabilidade que seria limitado a alguns países da zona do euro.

De acordo com o jornal, que se apoia em fontes governamentais, os dois dirigentes desejam colocar em prática rapidamente um novo pacto exclusivo entre a França, Alemanha e certos países, sobre o modelo de acordo de Schengen sobre a circulação de pessoas que abarca atualmente 10 dos 27 países da União Europeia (UE). Paris e Berlim farão propostas nesse sentido no curso da semana, antes da cúpula europeia de 9 de dezembro, e desejam que Roma ali se associe, segundo as fontes. O pacto de estabilidade atual compromete os 17 países da zona do euro a limitar seus déficites orçamentários a 3% do PIB, e o endividamento a 60% do PIB. [Esse esboço de acordo entre franceses e alemães ocorre logo depois que ficaram explícitas e públicas suas divergências sobre o papel que o Banco Central Europeu-BCE deve desempenhar na solução da crise do euro. Essa regra de endividamento em relação ao PIB não é obedecida por nenhum dos países da UE, como mostra o quadro abaixo da revista The Economist:


Esse "Plano B" para a zona do euro, arquitetado por França e Alemanha caracteriza a meu ver de vez o racha dentro da UE e pode, também a meu ver, dar definitivamente à crise a cor política que vinha sendo escamoteada ao grande público].

Questionada neste domingo sobre esse assunto no Canal+, a ministra francesa do orçamento, Valérie Pécresse, não confirmou a informação, evocando no entanto um pacto para reforçar a disciplina orçamentária, com "sanções reais", mas que se aplicaria a todos os países da zona do euro. Por outro lado, o Eliseu rechaçou firmemente qualquer intenção de dar "poderes supranacionais" à Comissão europeia. "Quer-se ter a possibilidade de discutir meios de Bruxelas ter poderes mais intrusivos para supervisionar um país como a Grécia", destacou a presidência [francesa], fazendo ver que "mesmo a Alemanha não solicitava que se dessem mais poderes à Comissão".

Um porta-voz do governo alemão confirmou no sábado à Agência France Presse (AFP) a existência de discussões com a França, para um reforço econômico e monetário da UE por meio de uma mudança limitada dos tratados existentes. O presidente do Conselho europeu, o belga Herman Van Rompuy, foi oficialmente encarregado de fazer essa proposta.

Paris, Berlim e Roma chegaram na quinta-feira a um compromisso mínimo para reforçar a disciplina orçamentária na zona do euro, mas Nicolas Sarkozy não conseguiu convencer a Alemanha quanto a um ponto para ele importante: o papel do BCE face à crise.

Ora, a falta de uma solução radical agrava a cada dia um pouco mais a crise na zona do euro. Segundo o semanário alemão Der Spiegel (O Espelho), a sair amanhã, o efeito de alavancagem projetado para multiplicar os meios do Fundo de Segurança Financeira da Zona do Euro (FESF, em francês) será mais fraco do que o previsto, e o chefe desse organismo Klaus Rengling espera contar com meios de obter o triplo dos meios que restam.

Segundo o jornal, que não cita sua fonte, o efeito de alavancagem previa originalmente uma quadruplicação, inclusive uma quintuplicação dos fundos para alavancar 1 trilhão de euros. Em causa: a desistência de certos contribuintes, principalmente asiásticos, que queriam participar, reprovando estes últimos o fato do Fundo não dispor de meios próprios, explica o Der Spiegel. O FESF, criado pela zona do euro na primavera de 2010, está dotado de garantias dos Estados membros que lhe permitem emprestar até 400 bilhões de euros aos países mais fragilizados.

França e Alemanha arquitetam um "Plano B" para ajudar na solução da crise na zona do euro - (Foto: Fabrizio Bensch/Reuters).


Bebês nadam e dançam com os pais para dormir melhor; veja

Durante a gravidez não faltam opções para a mulher se exercitar. Hidroginástica, pilates, ioga. Mas, e depois do parto? Cada vez mais as novas mamães têm encontrado oportunidade de voltar a fazer atividade logo após o nascimento do filho e o melhor: com o bebê a tiracolo.

A fisioterapeuta Ana Karina Corrêa Freitas Salazar, 28, voltou a se mexer quatro meses após o parto. Rafael, hoje com nove meses, faz natação três vezes por semana e dança materna às quintas-feiras na Casa Moara, no Brooklin (zona sul de SP). Para a mãezona, o melhor de tudo é o vínculo que cada dia se fortalece mais com o seu bebê. "É uma hora de relaxar e ao mesmo tempo curtir bastante o neném", comenta.

Na Dança Materna, Ana Karina e as colegas de classe dançam com os pequenos acomodados em slings --espécie de canguru feito de pano-- que permite à mãe se movimentar livremente mesmo carregando o bebê. A empreendedora social Lais Fleury, 37, fez na semana passada uma aula experimental com a filha Alícia, seis meses, e aprovou. "O bacana que para o bebê tudo não passa de uma grande brincadeira que podemos fazer em casa também".

A professora da Dança Materna, Tatiana Tardioli, 34, conta que, além do vínculo com o bebê, a aula permite a ressocialização da mãe no pós-parto, além de melhorar dores nas costas e posturas na hora de carregar a criança. E os benefícios para as crianças também são visíveis. Além de gargalhadas durante a atividade, as mães contam que os bebês dormem e comem melhor nos dias de aula. 

Outra opção que cada dia tem ganhado mais adeptos é o baby ioga. A instrutora de ioga e doula Priscila Cavalcanti, 46, da BarrigaBoa, diz que a atividade pode ser iniciada após 30 dias do parto. A aula --com duração, em média, de 45 minutos-- pode ser individual ou em grupo. "Sempre temos que respeitar o tempo do bebê. Muitas vezes eles querem mamar, a mãe precisa trocar fralda. A aula é feita no tempo dele", explica. Priscila conta que todo o trabalho é voltado para relaxar o bebê e buscar o seu bem-estar. "O tempo todo a mãe faz contato visual com o filho, o que aumenta o vínculo. Na aula, a mãe faz massagens no bebê o que o auxilia a dormir melhor e até evitar as cólicas."

Natação

Uma opção que é mais comum nas academias da capital é a natação para bebês, mas nesta atividade os benefícios são voltados mais para a criança. Renata Saad Torres de Oliveira, 38, é professora de natação da Pool Sports, na Aclimação (zona sul), e diz que a idade para começar a atividade varia de acordo com o pediatra do bebê. "Alguns liberam após os quatro meses e outros somente após um ano", explica. Além de imersões, a aula ajuda a melhorar o tônus muscular e o sistema cardiorrespiratório da criança.

A bancária Débora Grilla Marra, 35, começou no mês passado a levar na natação a filha Giulia, 1 ano e seis meses, e já sentiu os benefícios. "Além de perder o medo da água, ela dorme bem melhor no dia de aula", conta a mãe. 

Para ver o vídeo em alta definição ou em dispositivos móveis, clique aqui

Diretor da Andrade Gutierrez é encontrado morto em Moçambique

O engenheiro Marcelo Elísio de Andrade, 57, superintendente do Grupo Andrade Gutierrez que atuava desde 2009 em Moçambique, na África, foi encontrado morto na manhã de sábado (26) na casa em que vivia na capital Maputo. A hipótese de assassinato está sendo investigada pela polícia moçambicana.

Em nota expedida neste domingo, o Grupo Andrade Gutierrez informou que a diretoria da empresa se encontra em Moçambique acompanhando de perto as investigações da polícia.  "O corpo do executivo será liberado ainda hoje, com previsão de chegar ao Brasil amanhã (segunda-feira). As famílias Andrade e Gutierrez lamentam profundamente a morte de Marcelo", diz a nota.

Segundo a imprensa moçambicana, a polícia criminal foi até a residência do executivo brasileiro, que fica próxima à praia da Costa do Sol, em Maputo, e informou que há indícios de que ele tenha sido assassinado.  Um funcionário da residência encontrou o corpo do diretor do grupo brasileiro caído no chão da cozinha.

Marcelo Andrade trabalhava na Zagope Construções e Engenharia S/A, empresa portuguesa adquirida pela Andrade Gutierrez em 1988. Em Moçambique, a construtora realiza obras no aeroporto de Nacala, no norte do país. 

Liga Árabe impõe sanções sem prededentes à Síria

Neste domingo a Liga Árabe aprovou esmagadoramente uma série de sanções econômicas contra o governo do presidente sírio Bashar al-Assad, incluindo o congelamento de bens  de figuras de destaque do governo, a proibição a altas altas autoridades sírias de visitarem nações árabes, e o fim de negócios com o banco central da Síria.

Essa decisão é a primeira dessa natureza, tomada por um organismo que frequentemente é considerado dividido e indeciso, e alguns de seus membros estão céticos. Líbano e Argélia se abstiveram de votar.

O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebari, disse ontem que o Iraque tem "reservas" com relação às sanções, e analistas duvidam que o Iraque as implemente. E o Líbano, cujo governo é dominado por grupos que apoiam Assad, incluindo o grupo militante político Hezbollah, também é improvável que aplique as sanções. Mas, as medidas anunciadas em uma entrevista com a imprensa no Cairo pelo ministro do Exterior do Qatar, Sheikh Hamad bin Jassim al-Thani, poderia não obstante ter um impacto significativo sobre o governo sírio e a comunidade de negócios, e representar uma postura de endurecimento dos países árabes contra Assad.

Interromper transações com o banco central sírio tornará o comércio internacional mais difícil, disse Chris Phillips, da Economist Intelligence Unit, assim como a proibição contra voos comerciais entre a Síria e países árabes, que poderá impactar a comunidade de negócios que tem se beneficiado das medidas de liberalização de Assad e tem até agora se mantido em grande medida em apoio ao governo. Phillips disse, entretanto, que é muito tênue a chance dessa comunidade de negócios juntar-se à crescente mas fragmentada comunidade de soldados desertores e de atiradores antigoverno para derrubar o regime. "Não está claro como as sanções poderão probocar uma mudança de regime", disse ele.

Dentro da Síria, ativistas antigoverno disseram que a ação da Liga Árabe é vem-vinda, mas alguns buscavam um envolvimento internacional maior,  conclamando o Conselho de Segurança da ONU a impor uma zona de restrição de voos sobre o país e a apoiar o grupo de desertores do exército e de dissidentes armados conhecido como o Exército Livre da Síria.

Hadi al-Abdullah, um ativista da cidade de Homs, disse que a violência estava piorando dia a dia, com confrontos sectários e choques entre forças de segurança e grupos armados antigoverno gerando vítimas diariamente. "Reivindicamos zonas militares de proteção nas fronteiras e o espaço aéreo fechado", ele disse. "Cada hora que passa é importante, estamos vendo nossos seres amados morrerem". 

Entretanto, como outros sírios, Abdullah mostrou preocupação de que a escassez de alimentos e de combustível, que já é muito grande especialmente para os mais pobres, possa piorar com sanções econômicas muito severas.

Ver postagem anterior sobre a reação até agora do presidente sírio Assad.

Escolas virtuais se multiplicam nos EUA, mas seu valor educacional é questionado por alguns

 O artigo que tentei resumir abaixo, um longo texto do The Washington Post, aborda um assunto interessante e polêmico que, acredito, não demorará muito a ensaiar seus primeiros passos por aqui: o do ensino virtual para crianças em suas próprias casas. É curioso observar que toda a argumentação apresentada contra tais escolas, nos EUA, resume-se à eficiência desse tipo de ensino e a razoabilidade ou não de seu custo, mas ninguém se preocupou com a perda de nível de socialização que esse tipo de educação acarreta para as crianças que o adotam.

Uma companhia da Virginia (EUA) que lidera um movimento nacional para substituir salas de aula por computadores -- em que crianças de até 5 anos podem aprender em casa às custas do contribuinte -- está enfrentando uma forte reação de críticos, que estão questionando seu financiamento, sua qualidade, e seus equívocos.

K12 Inc. of Herndon tornou-se o maior provedor no país de escolas virtuais de tempo integral, subvertendo o tradicional conceito americano de que aprendizado se faz na escola, onde os estudantes compartilham experiência. Nas escolas da K12, o aprendizado é basicamente solitário, com aulas dadas online para uma criança que progride na sua própria velocidade.

Concebida como uma maneira de ensinar a um pequeno segmento dos que têm a escola em casa, e de outros que necessitam de uma escolarização flexível, a educação virtual tem evoluído para tornar-se uma alternativa a escolas públicas tradicionais para uma faixa crescentemente mais ampla de estudantes -- altamente bem sucedidos, batalhadores, desligados [de escolas], pais de adolescentes, e vítimas de perseguição (bullying), entre eles.

"Para muitas crianças, a escola local não funciona", disse Ronald J. Packard, principal executivo e fundador da K12.  "E agora, a tecnologia nos permite dar uma opção a essas crianças. Trata-se de liberdade educacional". Packard e outros empreendedores da educação dizem que estão tirando proveito da tecnologia para fornecer educação de qualidade para qualquer criança, onde quer que ela esteja.

É uma proposta atraente, que tem angariado apoio de assembleias legislativas estaduais, inclusive na de Virginia.  Mas, em um dos mais aguerridos fronts de política pública, há um crescente coro de críticos, que argumenta que o aprendizado virtual de tempo integral não educa efetivamente as crianças.

"Crianças de jardins de infância aprendendo em frente a um monitor -- isto simplesmente está errado", disse Maryelen Calderwood, um membro eleito de um comitê escolar em Greenfield, Mass., que tentou sem êxito fazer com que a K12 parasse de contratar gente na sua comunidade para criar a primeira escola pública virtual da Nova Inglaterra no ano passado. "É absolutamente impressionante como as pessoas podem aceitar isso tão facilmente", disse ela.

Pessoas de ambos os lados concordam em que a estrutura que provê educação pública não está projetada para manejar com escolas virtuais. Como, por exemplo, você paga por uma escola que "flutua" no ciberespaço, quando as fórmulas de financiamento da educação têm suas raízes na geografia de impostos de propriedade? Como você supervisiona e controla a qualidade de uma educação virtual?

"Há um completo desencontro", disse Chester E. Finn Jr., presidente do Instituto Thomas B. Fordham [uma "usina de ideias" (think tank) conservadora], que atuou no comitê de administração da K12 até 2007. "Temos um edicício do século 19 tentando abrigar um sistema do século 21".

Apesar das divergências, as escolas virtuais de tempo integral estão proliferando. Nos últimos dois anos, mais de uma dúzia de estados aprovaram leis e removeram obstáculos para encorajar as escolas virtuais. E provedores de educação virtual têm defendido sua casa em sedes estaduais de governo pelo país afora.

A K12 contratou lobistas de Boise [capital do Estado de Idaho, no NO dos EUA] a Boston [capital do Estado de Massachusetts, no leste dos EUA], e apoiou políticos que apoiam a escolha de escola em geral e a educação virtual em particular. De 2004 a 2009, a K12 doou cerca de 500.000 dólares a políticos estaduais através do país, com 75% disso destinados aos republicanos, de acordo com o Instituto Nacional sobre Dinheiro em Política Estadual (National Institute on Money in State Politics).

Cerca de 250.000 estudantes estão matriculados em escolas virtuais de tempo integral em 30 Estados, de acordo com Susan Patrick, da Associação Internacional de Aprendizado Online da K12, uma associação de comércio. Embora isso seja apenas uma fração dos 50 milhões de crianças escolares do país, os números estão crescendo rapidamente, disse Patrick.

O negócio da K12 é promissor. No ano fiscal passado, ela ganhou 522 milhões de dólares, um aumento de 36% em relação ao ano anterior. Sua receita líquida, após uma série de aquisições, foi de 12,8 milhões de dólares. Packard ganhou 2,6 milhões de dólares em compensações totais.


Para Tyler Hirata, de 8 anos, ir para a escola significava acordar às 6 da manhã e montar num ônibus escolar. Agora, ele estica o sono até o meio da manhã e desce para o seu computador em sua casa em Dumfries, na Escócia. "É fantástico", diz Tyler, que estudava na escola do condado de Príncipe William e neste outono matriculou-se na Academia Virtual da Virginia -- uma instituição pública administrada pela K12 e aberta a qualquer estudante da comunidade britânica. Tyler diz que a melhor coisa de fazer o terceiro grau online é que lhe exige menos de três horas por dia. Sua mãe está entusiasmada com o fato de que ele, pela primeira vez, está lendo com desembaraço por iniciativa própria.

Professores monitoram o progresso do aluno, dão nota ao seu trabalho e respondem a perguntas por e-mail ou telefone.  Eles trabalham em casa, normalmente não são sindicalizados, e ganham até 35% menos que seus equivalentes em escolas notmais, de acordo com entrevistas com ex-professores da K12.

As escolas virtuais continuam a expandir-se, mas sua eficiência no entanto não é clara, cristalina. "Não temos evidência real, palpável, num sentido ou no outro", disse Tom Loveless, um especialista da Brookings Institution que atuou como um consultor remunerado da K12 nos primeiros anos desta. Uma análise feita em 2009 pelo Departamento de Educação dos EUA concluiu que não havia pesquisa suficiente para tirar conclusões sobre como o programa oferecido para estudantes dos ciclos elementar/primário e secundário das escolas virtuais é comparável com o das salas de aula.

Com base em avaliações largamente utilizadas para julgar as escolas públicas, tais como resultados de exames e taxas de graduação [finalização dos estudos] estaduais, as escolas virtuais -- geralmente administradas como as escolas fretadas -- tendem a ter um desempenho pior que as suas equivalentes de tijolo e argamassa. Na Academia Virtual do Colorado, que é administrada pela K12 e tem mais de 5.000 alunos, a chamada taxa de conclusão de estudos "on-time" foi de 12% em 2010 contra 72% no âmbito estadual. No mesmo ano, a mesma avaliação feita com a Academia Virtual de Ohio da K12 (com 9.000 alunos) resultou em 30% contra 78%, respectivamente.

Mesmo alguns apoiadores das escolas virtuais questionam se os operadores online estão cobrando adequada e razoavelmente dos contribuintes. "Elas não têm trabalho tentando cobrar tanto quanto as escolas de tijolo e argamassa, pelo menos ao longo do tempo", disse Finn, do Fordham Institute, que encomendou um estudo sobre o custo das escolas virtuais. "Uma vez que você tenha conseguido o material que usará para a matemática do quarto grau, por exemplo, você realmente não necessita fazer muito com ele -- e ele deveria ser mais barato".

As companhias de educação online dizem que não são diferentes das editoras de livros didáticos, e de outros ramos de negócios que lucram com as vendas para as escolas.

Gennifer Hirata,de 10 anos -- fotografada com sua mãe Michele -- e seu irmão Tyler Hirata, de 8, estão matriculados na Academia Virtual da Virginia, uma escola pública de tempo integral na qual os alunos têm todas as suas aulas online - (Foto: Dayna Smith/The Washington Post).


Pressão indígena faz Odebrecht desistir de hidrelétrica no Peru

Pressão indígena faz Odebrecht desistir de hidrelétrica no Peru

Por Fabio Murakawa | De São Paulo (Valor Econômico - 25/11/2011)

A pressão de comunidades indígenas levou a construtora brasileira Odebrecht a desistir da construção de uma usina hidrelétrica na Amazônia peruana. A obra alagaria uma área de cerca de 73 mil hectares de florestas, além de provocar o deslocamento de 14 mil pessoas, segundo dados fornecidos pelos nativos à imprensa local.

O caso se junta a outros conflitos envolvendo grandes obras de empreiteiras brasileiras e comunidades na América Latina. Recentemente, após meses de confronto com grupos nativos, o presidente da Bolívia, Evo Morales, cancelou o trecho de uma rodovia financiada pelo Brasil que cortaria um território indígena no centro do país. A obra, a cargo da brasileira OAS, tem um financiamento de US$ 332 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Na Nicarágua, uma hidrelétrica tocada pela construtora Queiroz Galvão foi alvo da ira de camponeses por causa do valor de indenizações. Em 2010, 400 produtores invadiram os escritórios do projeto em sinal de protesto.

O diretor da Odebrecht no Peru, Erlon Arfelli, comunicou a desistência em uma carta ao Ministério de Minas e Energia no fim de outubro, atribuindo o fato à "posição das comunidades nativas". "Frente a esse cenário, e sendo respeitosos com a opinião da população local, decidimos não continuar com os estudos complementares sobre a Central Hidrelétrica Tam40", disse.

A Odebrecht havia recebido em novembro de 2010 uma concessão temporária do governo peruano para a realizar "estudos de factibilidade" a respeito da usina, localizada na região de Junín, a 300 km a nordeste de Lima. A obra faz parte de um acordo firmado pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Alan García no ano passado e que prevê a construção de seis centrais elétricas em rios peruanos com potencial para gerar 6.000 MW. Além de ser alvo de ambientalistas por causa dos possíveis danos ambientais, o pacto tem sofrido críticas no Peru por supostamente ser mais vantajoso ao Brasil - que seria destino da maior parte da energia gerada nas usinas, além de exportar serviços e insumos de suas empreiteiras ao país vizinho, com financiamentos do BNDES. O acordo ainda precisa ser ratificado pelo Congresso peruano.

Em recente entrevista ao jornal peruano "La República", Ruth Buendía Mestoquiari, presidente da Associação de Comunidades Ashaninkas do Rio Ene (Care), mostrou-se preocupada com os transtornos "irreparáveis" que os deslocamentos causariam. "Nós temos títulos de propriedade, temos ranchos, terrenos, onde nos desenvolvemos culturalmente. É o mesmo que te tirarem da tua casa em Lima", disse ela.

Em meio à resistência dos indígenas e à repercussão negativa na mídia local, representantes da empresa estiveram recentemente na região reunidos com representantes das comunidades, a convite dos nativos. Após ouvir in loco críticas ao projeto, a construtora jogou a toalha e comunicou a desistência.

Na carta enviada ao governo, no entanto, Arfelli deixou uma porta aberta. "Ficamos à sua disposição, assim como de outras autoridades e representantes das comunidades nativas, para que, caso manifestem seu interesse no desenvolvimento sustentável desse projeto, avaliemos a eventual continuidade dos estudos."

Procurada pelo Valor, a empresa não quis se pronunciar nem confirmou dados sobre o projeto.
 

sábado, 26 de novembro de 2011

Um Airbus A340 da Air France voava sem uns trinta parafusos

Um Airbus A340 da Air France que acabava de ser revisado na China teve que ser impedido de voar em meados de novembro nos EUA, porque um mecânico constatou a falta de cerca de 30 parafusos, por uma razão ainda indeterminada que levou a Air France a abrir uma investigação.

"Recentemente, o avião matrícula F-GLZR retornou da China e voou durante alguns dias antes de ser impedido de voar; faltava nele um terço dos parafusos de um painel da carenagem", escreveram os pilotos no último boletim do sindicato Alter do qual a agência France Presse conseguiu uma cópia. O avião foi mantido no solo porque o painel começou a se soltar em voo.

Há vários anos a Air France subcontrata com a empresa Xiamen, da China, a manutenção de seus Boeing 747 e, a partir de agora, também a de seus A340. "E o resultado está sempre à altura das ambições da nossa empresa", ironizam os tripulantes.

O incidente, descoberto descoberto no dia 15 deste mês em Boston (EUA), cinco dias depois que o aparelho saiu da manutenção, acarretou a abertura de uma investigação que ainda está em curso, segundo um porta-voz da companhia. "Em nenhum momento a segurança dos voos foi posta em risco, e o avião não foi paralizado senão por algumas horas", declarou ele, querendo transmitir tranquilidade no momento em que a Air France se esforça para fazer esquecer o voo Rio-Paris que vitimou 228 pessoas em 2009 e que ainda prejudica sua imagem.

A parte do avião afetada, chamada "karman", está localizada na asa direita, "e não se situa em uma zona pressurizada", insistiu o porta-voz.  Um especialista da Airbus, construtora do avião, confirmou que não se trata de uma "peça estrutural". "Como não se trata de uma peça muito pesada, e tendo em conta sua localização, pode-se supor que -- dependendo de certas verificações -- se ela se soltasse seria arrastada pelo fluxo de ar", complementou o especialista. 

Reconhece-se, no entanto, que a trajetória de uma peça em voo é sempre incerta, e o risco de que perfure uma peça essencial não pode ser excluído.

"É o primeiro incidente desse tipo", disse o porta-voz da Air France, que destacou que o subcontratado chinês Taeco era "reconhecido internacionalmente e trabalha há quatro anos para a companhia". Taeco, que não comentou o incidente, é um dos líderes mundiais na manutenção de grandes aeronaves e trabalha principalmente para Lufthansa, British Airways, American Airlines, JAL e Emirates.

As grandes companhias que têm suas próprias filiais dedicadas à manutenção (Air France Industries KLM,  Lufthansa Technik, etc) recorrem à Taeco para reduzir seus custos.

Um Airbus A340 da Air France - (Foto: Google).

Sonho pode apagar memórias negativas

Qual a receita para apagar uma memória dolorosa? O tempo, claro -- incluindo o tempo gasto no sono e nos sonhos. É o que sugere uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA).

De acordo com os cientistas, os processos químicos cerebrais durante o sonho ajudam a filtrar as experiências emocionais negativas.  É na fase de sonhos do sono, conhecido como REM (sigla inglesa para "rapid eye movement", ou movimento rápido do olho), que o cérebro trabalha as experiências emocionais. Essa fase equivale a 20% de uma noite.

O estudo dos EUA contou com 34 jovens saudáveis, divididos em dois grupos. Metade viu 150 imagens "fortes" na parte da manhã e à noite -eles ficaram acordados entre as sessões. A outra metade dormiu uma noite entre as visualizações (veja infográfico acima). Os pesquisadores observaram que aqueles que dormiram entre as visualizações relataram uma reação emocional melhor às imagens. Além disso, exames de ressonância magnética dos participantes enquanto dormiam mostraram uma redução na atividade da amígdala (região cerebral que processa as emoções) no sono profundo.

REM

"Esse é o resultado mais interessante do trabalho. Não havia ainda uma relação comprovada entre sono REM e redução da atividade da amígdala", analisa o neurocientista Sidarta Ribeiro, da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Os resultados sinalizam a importância do sonhar. "O estágio do sonho é uma espécie de terapia durante a noite", explica Matthew Walker, principal autor do estudo que está na "Current Biology".

O trabalho também indica porque as pessoas com estresse pós-traumático, como veteranos de guerra, sofrem com pesadelos.  A "terapia noturna" não funciona direito em pessoas traumatizadas, pois o sono REM costuma ser interrompido recorrentemente. Ao dormir, a pessoa revive o trauma porque a emoção não foi devidamente arrancada da memória no sono.

Os pesquisadores também registraram a atividade do cérebro dos participantes enquanto eles dormiam, usando eletroencefalograma. Durante o sono REM, a atividade cerebral diminui. Isso indica que a queda de estresse no cérebro ajuda a processar as reações emocionais às experiências do dia. "Durante o sono REM há uma diminuição dos níveis de norepinefrina, um neurotransmissor associado ao estresse", explica Walker.

Os pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley têm trabalhado há algum tempo ligando o sono ao aprendizado, à memória e à regulação do humor. Mas ainda não há um consenso científico sobre a função do sonho na saúde das pessoas. Até a publicação de "A Interpretação dos Sonhos", de Sigmund Freud, concluída no final do século 19, os sonhos eram vistos como premonições ou eram relacionados a problemas digestivos. Freud lançou a ideia de que o sonho tinha uma ligação com o processamento inconsciente das emoções. "Hoje, fazemos trabalhos que têm a ver diretamente com o que Freud estudou, mas de maneira mais aprofundada", explica Ribeiro.

Infográfico: Folha de S. Paulo - Clique na imagem para ampliá-la.