segunda-feira, 31 de outubro de 2011

China e Índia: estudo contempla conflito entre gigantes asiáticos

Há inúmeras razões pelas quais China e Índia não irão à guerra entre si. Os dois gigantes asiáticos esperam alcançar 100 bilhões de dólares anuais em comércio bilateral, por volta de 2015.

Paz e estabilidade são as palavras-chaves para a ascensão de ambos os países no cenário mundial. No entanto, tensões entre os dois vizinhos parecem inevitáveis: eles se miram através de uma fronteira de quase 4.000 km de extensão fortemente militarizada, e estão cada vez mais competindo entre si numa renhida disputa por recursos naturais mundo afora. Os receios da Índia com relação a projetos chineses ao longo da orla do Oceano Índico encontraram recentemente seu equivalente na ira chinesa com relação aos crescentes interesses da Índia no mar do sul da China, uma região marítima que os chineses polemicamente proclamam como sendo território de sua exclusiva esfera de influência. Apesar do senso de otimismo e ambição que move esses dois países, que juntos abarcam quase um terço da humanidade, o legado da breve guerra sino-indiana de 1962 -- um golpe humilhante para a Índia -- ainda está latente quase cinco décadas depois.

E [isso] ainda está vivo nas páginas de um recente relatório de ação política emitido pelo Institute for Defence Studies and Analyses (IDSA) em Nova Delhi, uma usina de ideias (think tank) independente associada ao ministério de Defesa da Índia [então, que "independência" é essa?!]"A Consideration of Sino-Indian Conflict" ("Uma Reflexão sobre o Conflito Sino-Indiano", em tradução livre) dificilmente pode ser visto como um texto linha-dura -- ele advoga a política de "evitar guerra" -- mas, ao verbalizar alguns cenários concretos de como seria um conflito entre os dois países ele revela a palpável falta de confiança da parte de estrategistas tanto em Nova Delhi como em Beijing. O relatório aplaude os esforços indianos de longo prazo, em curso, para fortalecer as defesas ao longo da fronteira com a China, mas alerta que Beijing pode ainda agir:

   "No futuro, a Índia pode ser objeto da atenção hegemônica da China. Como a Índia estará então melhor preparada, a China pode alternativamente desejar retardar agora esse progresso da Índia com uma guerra preventiva. Isto significa que estar preparado agora é tão essencial como a preparação para o futuro. Uma [derrota] agora terá custos políticos, internamente e externamente, tão severos quanto aqueles de 1962; pois, agora como então, a Índia ainda contempla desempenhar um papel de nível global".

Enquanto uma parcela razoável da atenção recente da mídia tem estado focada na probabilidade de enfrentamentos sino-indianos no mar, o relatório do IDSA mantém seu campo de interesse ao longo da tradicional e glacial fronteira terrestre no Himalaia, que em linguagem informal é referida como a LAC  (sigla inglesa para Line of Actual Control -- que pode ser livremente traduzida como Linha de Real/Efetivo Controle, em uma das possíveis traduções). Desde a guerra de 1962, China e Índia têm ainda que resolver disputas antigas sobre vastas extensões de terra ao longo dessa linha. Essas disputas vieram novamente à tona de maneira notória em anos recentes, com a China fazendo ruídos sem precedentes, para grande alarme de Nova Delhi, sobre suas históricas reivindicações sobre a totalidade do estado indiano de Arunachal Pradesh, que os chineses consideram como "Tibete Sul". Os chineses até censuraram o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh por ter a audácia de visitar esse estado indiano durante as eleições locais de 2009.

Não surpreendentemente, é nesse remoto canto do planeta que muitos suspeitam que se possa iniciar uma guerra, particularmente em torno da histórica cidade monastério tibetana de Tawang. A Índia reforçou sua posição em Arunachal, com mais tropas, novas defesas com mísseis, e algumas das melhores armas de ataque de sua força aérea, os novos caças russos Su-30. Depois passar décadas mantendo seu exército voltado para oeste, contra a perene ameaça do Paquistão, a Índia está tacitamente realinhando suas forças militares para leste, para enfrentar o desafio de longo prazo da China.

O relatório [do IDSA] especula que a China poderia fazer uma captura territorial específica, "por exemplo, uma tentativa de tomar Tawang".  Mais a oeste, ao longo da LAC, outro ponto crítico é Kashimir. A China controla uma área de território predominantemente desabitada, conhecida como Aksai Chin, que conquistou durante a guerra de 1962. A imprensa indiana publica frequentemente histórias alarmistas sobre incursões chinesas a partir de Aksai Chin e de outros locais, e exagerando a escala dos investimentos chineses em infraestrutura no seu lado da fronteira, em forte contraste com a aparente letargia dos planejadores indianos. Parte do que alimenta a ansiedade em Nova Delhi, como observa o relatório, é a ameaça de uma ação coordenada entre China e Paquistão -- uma aliança forjada em grande parte em anos de mútua antipatia em relação à Índia. Em um cenário discutível, o Paquistão, com suas próprias forças ou com apoio de terroristas ou insurgentes,  "faria movimentos diversionários" através de locais marcados com sangue como o glaciar de Siachen ou Kargil, sítio da última guerra indo-paquistanesa em 1999, enquanto uma ofensiva chinesa ataca mais a leste ao longo da fronteira.

É claro que esse tipo de manobras de jogo de tabuleiro tem pouco valor na geopolítica de hoje. Ação direta e provocativa não se encaixa em nenhum dos atores atuantes na região, particularmente quando há o fantasma do poderio americano -- uma curiosa ausência no relatório do IDSA -- pairando nas imediações. De modo intrigante, o relatório parece rejeitar a noção de que China e Índia poderiam enfrentar-se em locais considerados por terceiros como áreas de tensão óbvias para uma rivalidade  -- ele diz que o reinado himalaio do Butão [pequeno reino fechado, encravado entre China e Índia] seria provavelmente tratado como uma "Suiça" neutra, enquanto que ao Nepal, um país de 40 milhões de habitantes que recebe apoio tanto de Beijing quanto de Nova Delhi, da-se uma certa garantia de que nenhum de seus vizinhos grandes arriscaria violar sua soberania no caso de uma guerra.

Além disso, o IDSA parece descartar a hipótese de cada lado encorajar ou deslocar terceiros em lutas mais clandestinas de um contra o outro.  As inquietas regiões fronteiriças em ambos os lados da LAC abrigam populações minoritárias ressentidas e algumas facções de insurgentes. Índia e China -- ao contrário do Paquistão -- têm poucos precedentes em instigar grupos de militantes, e estrategistas em ambos os lados teriam zelo em não alimentar chamas de rebelião que ninguém consegue extinguir.

No entanto, o que parece alimentar as tensões militares sino-indianas -- e sombrias profecias de conflito -- são precisamente esses sentimentos de vulnerabilidade. As incertezas apresentadas pelo surpreendente crescimento econômico de ambos os países, a falta de uma comunicação e de confiança claras entre Beijing e Nova Delhi, e o forte nacionalismo subjacente à opinião pública tanto da Índia quanto da China poderiam desestabilizar esse inquieto status quo hoje existente. Gerenciar isso tudo é uma tarefa para pessoas confusas em Nova Delhi e Beijing. Mas, não fiquem surpresos se surgirem mais relatórios como esse, traçando linhas sobre o campo de batalha. 



























































































































































Empresas brasileiras crescem no exterior mas se envolvem em polêmicas

Empresas brasileiras começam a vivenciar no exterior problemas que antes só ouvíamos falar de empresas estrangeiras, como mostra a reportagem a seguir, da BBC Brasil.

As empreiteiras brasileiras aumentaram fortemente sua presença em países da América Latina nos últimos dez anos, graças a financiamentos públicos. No entanto, vários projetos dessas empreiteiras são ou foram cercados de polêmicas, sendo contestados por grupos locais e movimentos sociais. -- Vejam também postagem anterior sobre isso.

O caso mais recente ocorreu na Bolívia. Na última segunda-feira, o presidente Evo Morales promulgou uma lei que transforma em "zona intocável" a reserva indígena de Tipnis (Território Indígena Parque Nacional Isidoro Sécure), no centro do país, onde a empreiteira OAS construía uma rodovia. A obra de cerca de 300 quilômetros, com um custo aproximado de US$ 420 milhões (R$ 727 milhões), motivou protestos por parte dos indígenas, que promoveram uma caminhada de mais de dois meses até a capital, La Paz, a fim de pressionar Morales a desistir do projeto.

Somente na América Latina, as cinco maiores empreiteiras brasileiras - Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa - realizam atualmente obras em pelo menos 16 países, fora o Brasil. Com a ajuda do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), essas empresas expandiram suas operações fora do país nos últimos dez anos, conquistando mercados principalmente na América Latina e na África. Entre 2001 e 2010, o desembolso de financiamentos do banco para obras de empreiteiras brasileiras no exterior teve uma alta superior a 560%, saltando de US$ 194,5 milhões, dez anos atrás, para US$ 1,3 bilhão no ano passado. Entre janeiro e julho deste ano, os desembolsos foram de US$ 776 milhões.

Além da rodovia na Bolívia, as questões mais controversas envolvendo empreiteiras brasileiras na América Latina estão ligadas a construções de usinas hidrelétricas em territórios indígenas e em zonas com grande área florestal nativa. Um exemplo é a usina de Inambari, no Peru, cuja construção deveria ter sido efetuada em uma área de floresta pela brasileira OAS, como parte de um projeto de integração energética entre os dois países. Após anos de protestos de integrantes da comunidade local, o governo peruano anunciou em junho deste ano a cassação da licença provisória para as obras, que estão suspensas.

Pelo menos outros dois projetos de hidrelétricas construídas com capital brasileiro no Peru são alvo de protestos: as usinas de Pakitzapango, no rio Ene, e Tambo 40, no rio Tambo, que ainda estão em fase de estudos. Integrantes da tribo Asháninka alegam que as obras seriam uma ameaça à vida dos cerca de 10 mil indígenas que vivem na região.

Já no Equador, a construção de outra hidrelétrica gerou um episódio de tensão diplomática. Em 2008, o presidente equatoriano, Rafael Correa, embargou os bens da empreiteira brasileira Odebrecht, que construiu a usina de San Francisco, e impediu a saída de funcionários da empresa do país. O Equador exigiu o pagamento de uma indenização por parte da Odebrecht devido a supostas falhas no funcionamento da hidrelétrica, além de entrar com uma ação internacional para suspender o pagamento da dívida de US$ 243 milhões contraída com o BNDES para a construção da usina. O episódio levou o governo brasileiro a chamar seu embaixador em Quito para consultas.

Na Nicarágua, houve protestos envolvendo as obras da hidrelétrica de Tumarín, sob encargo da empreiteira brasileira Queiroz Galvão. Em 2010, camponeses chegaram a invadir as instalações da empresa, em protesto contra os valores das indenizações propostas pela empresa. No entanto, os ressarcimentos já foram pagos e as obras foram iniciadas no início deste mês.

Para a pesquisadora e cientista política Ana Saggioro Garcia, a ação de empreiteiras no exterior está ligada a políticas públicas brasileiras, já que é o Estado, por meio de financiamentos como os do BNDES, que viabiliza a participação das empresas em obras no exterior. Garcia afirma que este tipo de aliança tende a agravar eventuais conflitos. "É uma aliança entre empresa e Estado para a realização de um dado projeto, em um marco de um projeto de desenvolvimento específico, contra as populações locais que vivem e trabalham no território", disse a pesquisadora à BBC Brasil. "É um embate entre atores desiguais". -- [A eventual presença de estatais brasileiras no exterior, como Eletrobras e Petrobras (mais no caso da primeira), tende a agravar o problema, como vivenciei mais de uma vez enquanto estive na Eletrobras. Por conveniência e esperteza, no mais das vezes, esses países insistem em ver a participação da estatal como direito ou razão para aplicar conceitos de serviço público aos empreendimentos e seus contratos, o que só gera dor de cabeça. Contribuem para isso atitudes absolutamente irresponsáveis do Itamaraty, como no caso do Tratado de Itaipu com o Paraguai -- assunto a que dediquei várias postagens --, que geram o conceito de que tratado ou contrato envolvendo estatal brasileiro é rascunho, que pode ser alterado a qualquer momento com um mínimo de pressão governamental].

Na opinião de Garcia, existe uma diferença entre obras como as de usinas hidrelétricas e estradas e a instalação de indústrias brasileiras no exterior, por exemplo. "As obras mexem com território, com lugar de vida. Existe uma vida naqueles locais que precisa ser transformada", diz. No caso boliviano, a pesquisadora vê Evo Morales como um presidente que, desde que chegou ao poder, sempre defendeu um projeto voltado para o campo e para as pequenas comunidades, mas que, devido a questões políticas internas, se viu obrigado a aliar-se ao Brasil e, segundo ela, ceder a um projeto mais voltado ao desenvolvimento.

Já o professor de Relações Internacionais da FGV-RJ Maurício Santoro afirma que a maioria das obras realizadas por empresas brasileiras no exterior não resulta em conflitos ou crises políticas e diplomáticas. Segundo ele, isto afeta uma minoria de empreendimentos envolvendo regiões sensíveis, como a Amazônia ou territórios indígenas. "Esse é um problema que ocorre também com grandes obras realizadas no Brasil, como [as usinas] de Belo Monte e Jirau", afirma.

Embora considere legítimos os interesses do governo em promover empresas brasileiras e realizar investimentos no exterior, o especialista acredita que o governo do Brasil precisa tomar mais cuidado com empreendimentos que tenham o potencial de gerar disputas. Santoro afirma, por exemplo, que o BNDES deve ser mais cuidadoso para avaliar as dimensões sociais e ambientais das obras às quais financia. Além disso, ele vê a necessidade de o Brasil assinar com outros países Acordos de Promoção e Proteção de Investimento (mecanismos conhecidos como APPIs) para evitar conflitos como os da Bolívia. - [Concordo inteiramente com essa opinião, e para isso é indispensável uma estreitíssima cooperação entre BNDES e Itamaraty, e subsidiariamente as empreiteiras.] 

Procurada pela reportagem da BBC Brasil, a empreiteira OAS não se manifestou a respeito da construção da rodovia na Bolívia.

Dia D, de Drummond

Para o Instituto Moreira Salles (IMS), não existe nenhuma pedra no caminho. Afinal, hoje, dia do aniversário de Carlos Drummond de Andrade (nasceu em 1902), foi transformado pela entidade que cuida do precioso acervo do poeta no Dia D - Dia Drummond, que passa a figurar no calendário cultural do País.

O IMS preparou uma programação diversificada, que se espalha por diversas capitais brasileiras. Um dos destaques será a exibição do filme Consideração do Poema, produzido pelo IMS justamente para a data, no qual nomes importantes da cultura brasileira leem poemas de Drummond, entre eles Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Hatoum, Fernanda Torres, Adriana Calcanhotto, Cacá Diegues, Antonio Cícero, Paulo Henriques Brito e Marília Pêra.

Para comemorar a data, o Estadão preprarou um documentário fotográfico com poemas recitados por Paulo Autran, além de crônicas publicadas pelo poeta no Jornal da Tarde na década de 1980.

[Drummond é uma fígura ímpar da nossa literatura, capaz de voos inimagináveis se nos fiarmos apenas em seu físico mirrado e em sua formação humana. Já em junho de 2010 fiz postagem sobre ele -- quem ainda não o leu não sabe o que está perdendo.]

Carlos Drummond de Andrade (Foto: AE).

Unesco reconhece o Estado palestino como membro pleno

A Conferência Geral da Unesco aprovou nesta segunda-feira, 31, a admissão da Autoridade Palestina (AP) como membro de pleno direito do órgão. A votação, realizada em Paris, contou 107 votos a favor, 14 contra e 49 abstenções, tendo como resultado a adesão do Estado palestino à entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Vários países latino-americanos, entre eles o Brasil, e potências emergentes, como China e Índia, se posicionaram de forma favorável ao ingresso do Estado palestino à Unesco - braço da ONU voltado para a Educação, Ciência e Cultura. Contrários ao ingresso estão nações como Estados Unidos, Alemanha e Canadá.

A Unesco é a primeira agência da ONU a reconhecer o Estado palestino. Em setembro, o presidente da AP, Mahmoud Abbas, levou o pedido de adesão ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que entregou o documento ao Conselho de Segurança - órgão máximo do organismo internacional que ainda avalia o processo. O ingresso é uma vitória dos palestinos e pode pressionar os membros do Conselho de Segurança na decisão sobre o reconhecimento do Estado palestino, o objetivo maior da empreitada da AP nas Nações Unidas.

Diplomatas palestinos garantem que não deverão limitar à Unesco sua ofensiva diplomática. Nas próximas semanas, eles prometem solicitar a adesão palestina a entidades como a Organização Mundial de Propriedade Intelectual, a Unctad, a Organização da ONU para o Desenvolvimento Industrial, a Organização Mundial da Saúde e a União Internacional de Telecomunicações, todas em Genebra, além do Tribunal Penal Internacional.

Os Estados Unidos, que se opõem abertamente à empreitada, ameaçaram cortar as doações à Unesco caso o Estado palestino fosse reconhecido. Washington, membro permanente e com poder de veto no Conselho de Segurança, promete barrar a adesão. [Os EUA mantêm assim sua coerência esdrúxula, como eternos reféns do lobby judeu em questões de Oriente Médio e, particularmente, da Palestina. O ingresso dos palestinos na Unesco é, a meu ver, um passo correto e justo na caminhada que se afigura árdua até à criação do Estado palestino. Sobre a posição do Conselho de Segurança da ONU em relação a isso, vejam minha postagem recente.]

domingo, 30 de outubro de 2011

Bachar Al-Assad desafia a comunidade internacional

Na esteira da Primavera Árabe, o principal desafio agora para o Ocidente é a Síria, que desde março vem esmagando a ferro e fogo as manifestações contra o governo. Sua posição extremamente estratégica (ver mapa no final da postagem) complica extraordinariamente qualquer intervenção armada no país, ao estilo Líbia ou algo que o valha.

O presidente sírio preveniu as potências estrangeiras, especialmente as ocidentais, que um provável "sismo" sacudiria o Oriente Próximo no caso de uma intervenção na Síria.  Em uma entrevista ao Sunday Telegraph, Assad, que enfrenta uma insurreição há sete meses, afirma que seu país "é completamente diferente do Egito, da Tunísia, ou do Iêmen". - "A história é diferente, e a política é diferente", acrescenta Assad, que aplica aos seus oponentes uma repressão sangrenta condenada pela ONU, pela Liga Árabe, e pelos governos ocidentais.

O chefe de Estado sírio observa que os países ocidentais "querem fazer aumentar a pressão", mas lembra que a Síria é "de agora em diante um elemento central na região. Existe uma linha de fratura, e se vocês jogarem com a Terra correm o risco de provocar um terremoto", afirma ele. "Querem ver um novo Afeganistão, ou mesmo uma dezena de Afeganistões? A Síria não hesitará em incendiar toda a região. Se a ideia é dividir a Síria, isso resultará em dividir toda a região"

Essa declaração surge na véspera de um encontro entre os ministros da Liga Árabe e dirigentes sírios em Doha, capital do Qatar, para tentar estabelecer um diálogo entre o governo de Damasco e os opositores. Quando da reunião prevista para hoje, domingo, os representantes sírios deverão levar a resposta de Damasco às demandas formuladas pelos ministros da Liga Árabe numa reunião realizada na quarta-feira em Damasco com Assad.

Segundo o influente diário kuaitiano Al-Qabas, a Liga advertiu que seria inevitável uma intervenção estrangeira se fracassasse a mediação para deter a violência. Citando fontes árabes bem informadas, o Al-Qabas afirma que "se uma solução árabe fracassar ... a Síria deverá contar com uma intervenção estrangeira e um embargo econômico".  A delegação da Liga Árabe pediu ao presidente Assad que se engaje em um calendário preciso de reformas, que aceite uma reunião de representantes do regime com a oposição, no estrangeiro, e a cessação da violência, diz o jornal.

Várias manifestações ocorreram hoje, domingo, na Síria em resposta ao apelo lançado pelo militantes pró-democracia por uma mobilização para exigir o congelamento da adesão da Síria à Liga Árabe. "As milícias do presidente Assad nos matam há oito meses. Nos matam e nos esmagam sob os obuses. E vocês, os árabes, presos a discursos, o que fazem?", escreveram os militantes na página "Syrian Revolution 2011" do Facebook, apelando à mobilização sob o slogan "Congelar a adesão. Cessem seu apoio aos assassinos".

Segundo as estimativas da ONU, cerca de 3.000 pessoas -- das quais 200 são crianças -- morreram desde o início do levante popular no mês de março. As autoridades sírias afirmam que os distúrbios são obra de grupos armados, que mataram 1.100 soldados e policiais.

As violências aumentaram nos últimos dias. Segundo a oposição, as forças de segurança sírias mataram pelo menos 50 civis no curso das últimas 48 horas, enquanto que desertores mataram pelo menos 30 soldados nos enfrentamentos ocorridos ontem (sábado) em Homs e na província de Ilib no norte do país.

Bachar Al-Assad reconhece que seu governo cometeu inúmeros erros no início da insurreição, mas estima que a partir de agora a situação está em vias de melhorar: "Seis dias após o começo das manifestações dei início a reformas. Quando começamos a anunciar as reformas, os problemas começaram a decrescer. A onda começa a refluir. As pessoas começam a apoiar o governo".

Manifestação em favor de Bachar Al-Assad, no centro de Damasco, em 26 de outubro. Desde o início da insurreição em março, o governo sírio organiza contramanifestações em seu apoio (Foto: Reuters/Khaled Al-Hariri). 

A posição extremamente estratégica da Síria dificulta enormemente uma intervenção armada estrangeira no país (Foto: Google).

A lição que os palestinos aprenderam na ONU

 Com o título "You were expecting statehood?" ("Vocês esperavam tornar-se um Estado?", em tradução livre), a revista Newsweek de 03/10 publicou um interessante artigo de Niall Ferguson sobre o pedido da Palestina para ser aceita como membro pleno da ONU, que revela certos detalhes dos bastidores da criação da ONU que nem sempre estão facilmente disponíveis na mídia (no site da revista o artigo está com data de 25/9).

O pleito do líder palestino Mahmoud Abbas para que a Palestina fosse reconhecida e aceita como membro pleno da ONU já estava liquidado, sem chance, quando Abbas chegou a Nova Iorque. Então, por que preocupar-se até mesmo em levantar esse tema? A resposta: agregar apoio internacional ao pedido palestino. No entanto, outros povos derrotados sofreram muito mais do que eles [palestinos]. Basta apenas lembrar como -- e a que preço -- a própria ONU começou.

Nascida na nevoenta e agradável cidade de S. Francisco, a ONU foi concebida no balneário ucraniano de Yalta. Embora aninhada entre as colinas verdes da Crimeia e lambida pelas ondas preguiçosas do Mar Negro, a cidade estava severamente marcada com cicatrizes da guerra em fevereiro de 1945 -- Winston Churchill a havia apelidado de "a Riviera de Hades". - [Hades, filho de Cronos (Saturno, na mitologia romana) e Reia, era o senhor das profundezas da Terra e dos seres das sombras, do inferno]. Seu diabólico senhor era o déspota Joseph Stalin, que foi o anfitrião de Churchill e do combalido presidente americano Franklin Roosevelt.

Dos Três Grandes, como Sergei Plokhy mostra em seu instigante estudo Yalta: The Price of Peace (Yalta: O Preço da Paz), apenas Roosevelt acreditava realmente no sonho de um parlamento mundial, [isto me soa como bairrismo; o autor é diretor adjunto do Centro Peter Jacyk para Pesquisa Histórica Ucraniana no Instituto Canadense de Estudos Ucranianos, da Universidade de Alberta] -- e mesmo ele sabia que a ONU teria que dar às grandes potências um peso maior do que havia sido dado por sua desastrada predecessora, a Liga das Nações. Assim, foi Roosevelt quem propôs um Conselho de Segurança (CS) no qual os vencedores da guerra -- mais França e China -- teriam representação permanente e poder de veto. -- [Fica, assim, identificado o pai do CS, uma instituição talvez compreensível e aceitável na época, mas hoje uma verdadeira aberração. A inclusão da China no rol das grandes potências, há 56 anos atrás, foi um belo exercício de futurologia].

Churchill e Stalin foram realistas. Viram o mundo pós-guerra em termos de "esferas de influência". Embora perfeitamente capaz desse realismo na prática, Roosevelt ansiava ainda por um mundo ideal de paz baseado na segurança coletiva. No entanto, Churchill relutava fortemente em aceitar que a esfera de influência de Stalin incluísse a Polônia. Seu antecessor havia concordado com a destruição da Tchecoslováquia em Munique, mas tinha ido à guerra quando Hitler (e Stalin) dividiram a Polônia entre eles [alemães e soviéticos]. Era Yalta a Munique da Polônia?

"Não podemos concordar", resmungou Churchill, "que a Polônia seja um simples estado fantoche da Rússia, em que as pessoas que não concordam com Stalin sejam eliminadas". Mas, foi nisso exatamente que a Polônia pós-guerra se tornou.

Assombrosos 19% da população polonesa de antes da guerra foram mortos como consequência da Segunda Guerra Mundial, incluindo uma expressiva proporção da grande população judia do país. Yalta infligiu à Polônia um castigo adicional. O país não apenas encolheu, mas foi deslocado para o oeste de modo que Stalin pudesse manter seus ganhos decorrentes do pacto nazi-soviético de 1939. E a Polônia tornou-se um estado vassalo dos soviéticos pelo meio século seguinte.

Após Yalta, jogadores de xadrez inventaram uma variante de seu jogo para três jogadores, usando um tabuleiro de seis lados. Como na conferência, no jogo "Yalta" dois jogadores podem unir forças contra o terceiro, mas todas essas alianças são temporárias. -- Resumidamente, Churchill conseguiu ter Roosevelt do seu lado com relação à Polônia, mas os americanos importavam-se mais em lograr que Stalin concordasse em juntar-se à ONU -- a Polônia foi um peão a ser sacrificado.

Tendo conseguido o que queria, Roosevelt deixou logo Yalta. Seu destino? O Oriente Médio, que ele pretendia juntar ... à esfera de influência americana. Os compromissos conflitantes que assumiu nessa viagem -- com árabes e judeus -- têm desde então atormentado a política externa dos EUA. Perguntado por Roosevelt se era um sionista, Stalin respondeu elusivamente que "em princípio sim, mas reconhecia a dificuldade [disso]".

Aquela "dificuldade" persiste, no sentido de que um Estado judeu poderia ser criado apenas às custas de não-judeus vivendo na Palestina. Os árabes resistiram à criação de Israel, mas foram derrotados. E assim continua. Uma viagem a Yalta permite um salutar lembrete de que, ao longo da história, aqueles que perdem uma guerra geralmente perdem terra também e, algumas vezes, junto com ela a soberania. Em comparação com o que os poloneses sofreram no século passado, os palestinos escaparam de maneira branda. [Esta me parece uma afirmativa lamentável e perfeitamente dispensável, embora retrate uma dura realidade].

Os palestinos acabarão conseguindo ter seu próprio Estado. Mas, não até que os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU estejam convencidos de que eles não abusarão dos privilégios de ser um Estado. Goste-se ou não, foi assim que a ONU foi pensada para funcionar quando os Três Grandes a conceberam na Riviera do Inferno.

Mahmoud Abbas (Foto: Andrew Burton).

Niall Ferguson, autor do artigo traduzido acima, é professor de História na universidade de Harvard (Foto:site biográfico citado).

sábado, 29 de outubro de 2011

Unindo o mundo pela música

Playing for Change (Tocando para Mudar, em tradução livre) é um movimento multimídia criado para inspirar, unir, e trazer paz para o mundo através da música. A ideia para esse projeto nasceu do sentimento comum de que a música tem o poder de romper fronteiras e superar as distâncias entre pessoas. Não importa se as pessoas têm origem e formação geográficas, políticas, econômicas, espirituais ou ideológicas diferentes, a música tem o poder universal de transcender a tudo isso e unir todas essas pessoas como uma única raça humana.

O linguajar acima, com eventuais e possíveis falhas de tradução, foi reproduzido por mim a partir do site formal desse movimento. Pode soar meio pomposo e carola, mas o fato é que a bolação e o resultado são, a meu ver, geniais. Equipados com aparelhagem de gravação adaptada às condições técnicas disponíveis em diferentes pontos do planeta, os responsáveis por esse projeto saíram pelo mundo afora gravando uma mesma música. Depois editaram o resultado, gerando um caleidoscópio étnico-musical maravilhoso, provando e comprovando o poder fantástico da música pasra unir pessoas de quaisquer raças ou credos. O projeto todo está disponível no YouTube. Resolvi começar a série -- pois pretendo fazer outras postagens com este tema -- com a música "Stand by Me", um clássico de Ben E. King/Jerry Leiber/Mike Stoller com dezenas de gravaçoes mundo afora.


Trânsito mata mais de 40 mil no Brasil e bate recorde

Os acidentes de trânsito deixaram 40.610 mortos no país em 2010, média de 111 por dia e uma alta de 8% sobre o ano anterior, informa Alencar Izidoro. É o maior número em 15 anos, segundo o Ministério da Saúde. -- [O trânsito no Brasil mata mais que as guerras do Iraque, Afeganistão e Líbia juntas, o problema cresce a cada ano e o governo mostra-se absolutamente incapaz e incompetente para resolvê-lo ou reduzí-lo drasticamente. Não me lembro de um presidente, governador e prefeito sequer que tenha manifestado publicamente preocupação com isso!]

Pelas estatísticas recém-compiladas pelo governo federal, 111 pessoas morreram por dia em acidentes em 2010, 8% mais que no ano anterior. Em dois dias, é suficiente para superar a quantidade de vítimas da queda do Airbus da TAM em 2007, maior tragédia da aviação brasileira.

As internações hospitalares de vítimas do trânsito também subiram -- 15% -- , beirando 146 mil no ano.

A escalada de mortes havia sido interrompida em 2009, primeiro ano completo após a Lei Seca, quando houve queda inédita na década. No ano seguinte, a quantidade superou patamares anteriores. "Há uma verdadeira epidemia de lesões e mortes no trânsito", diz Alexandre Padilha, ministro da Saúde. A pasta atribui a elevação principalmente ao aumento (12%, em 2010) da frota de motos. Pelo segundo ano, as mortes de motociclistas superaram inclusive as de pedestres, sendo líder entre todos os tipos de vítimas cujos detalhes são conhecidos.

O ministério também diz que, ao longo dos anos, houve "melhoria estatística" -- de casos que antes eram subnotificados. Porém, diz Padilha, só isso não justificaria as 3.016 mortes a mais de 2010 em relação ao ano anterior.

O balanço do ministério foi apresentado no Rio, no 18° Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, realizado pela Associação Nacional de Transportes Públicos. Técnicos incluem, entre as explicações para a alta do número de vítimas, um provável relaxamento da Lei Seca.

O ministro reconhece que '"há evidências de que é preciso intensificar" esse  controle, porque a embriaguez é uma das principais causas de acidentes. Mas alega ser uma atribuição dos Estados.  - [É impressionante e revoltante a frequência com que esse jogo de empurra é utilizado pelos governos, principalmente federal e estaduais, quando o assunto é chato de resolver e, como no caso, esbarra no mais das vezes no tipo relapso de Justiça que temos no país e na corrupção que livra a cara de assassinos do volante. Sob qualquer ângulo, porém, é impossível livrar o governo federal de culpa nesse cartório.].

Especialistas também elencam ações sob a responsabilidade do governo federal. Em 2009, por exemplo, uma lei sancionada pelo presidente Lula  regulamentou a profissão de mototaxista. A medida foi criticada por boa parte dos técnicos, pela avaliação de que estimularia esse tipo de transporte. O governo também é criticado por incentivos à produção e venda de motos, e pelo congelamento da arrecadação com multas de trânsito (que deveria ser investida em prevenção de acidentes).

Lula é diagnosticado com câncer na laringe

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi diagnosticado com tumor na laringe, segundo boletim médico divulgado na manhã deste sábado pelo Hospital Sírio-Libanês. Lula terá de fazer tratamento com sessões de quimioterapia. A doença foi confirmada após avaliação multidisciplinar.
Ainda segundo boletim, Lula passa bem e deverá realizar o tratamento em caráter ambulatorial. A equipe médica que o acompanha é formada por Roberto Kalil, Paulo Hoff, Artur Katz, Luiz Paulo Kowalski, Giberto Castro e Rubens V. de Brito Neto.

A descoberta da doença foi anunciada dois dias depois de Lula comemorar seu aniversário de 66 anos na cobertura de sua casa. Ele deu uma festa com bolo, pizzas, e a presença de ministros e políticos.

O presidente do Instituto Cidadania, Paulo Okamoto, um dos amigos mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse neste sábado que Lula vinha reclamando além do comum de uma rouquidão. - A gente vinha percebendo que a rouquidão dele (Lula) vinha aumentando, e ele mesmo estava reclamando disso - disse Okamoto. Ainda segundo o assessor, no entanto, a notícia de que Lula foi diagnosticado com tumor na laringe surpreendeu familiares e amigos.

O diretor do Departamento de Oncologia do Sírio, o médico Paulo Hoff, confirmou ao GLOBO que Lula está com câncer. - "Rouquidão é o sintoma típico desse tipo de tumor" - disse ele, confirmando que Lula não tem sentido dores na garganta nos últimos dias. Hoff disse ainda que Lula está no hospital na manhã deste sábado, onde passou por exames. Ele não deve ficar internado, segundo Hoff. - O tratamento começa nos próximos dias" - disse o médico, explicando que o tratamento em caráter ambulatorial, como informado no boletim, poderá ser feito na própria casa do ex-presidente.

Lula recebeu o diagnóstico neste sábado, no próprio Sírio Libanês.

O ator José de Abreu, amigo de Lula, contou no microblog Twitter que a doença foi descoberta na sexta-feira, quando o ex-presidente levou a mulher, Marisa Letícia Lula da Silva, para tratar uma dor de cabeça. Lula aproveitou para fazer um check-up e foi localizado um nódulo na garganta.

Abaixo, a íntegra do boletim do Hospital Sírio-Libanês:

"O ex-Presidente da República, Sr. Luís Inácio Lula da Silva realizou exames no dia de hoje no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, tendo sido diagnosticado um tumor localizado de laringe. Após avaliação multidisciplinar, foi definido tratamento inicial com quimioterapia, que será iniciado nos próximos dias. O paciente encontra-se bem e deverá realizar o tratamento em caráter ambulatorial. A equipe médica que assiste o Ex-Presidente é coordenada pelos Profs. Drs. Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz, Luiz Paulo Kowalski, Gilberto Castro e Rubens V. de Brito Neto".


Ex-presidente passará por quimioterapia (Foto: Arquivo/AE).









Serviço de streaming Rdio chega ao Brasil

O texto abaixo é de autoria de Tatiana de Mello Dias e foi publicado no blogue Link do jornal O Estado de S. Paulo em 26/10/11.

O Rdio, serviço de streaming criado no ano passado pelos mesmos fundadores do Kazaa e Skype, será lançado na próxima segunda-feira, 31, no Brasil. Quem traz a ferramenta para o País é a Oi, que quer valorizar seus smartphones e planos de internet com pacotes especiais para o acesso às 12 milhões de músicas do catálogo do Rdio. O nome brasileiro é “OiRdio”.

“A gente acredita que é um conteúdo diferenciado, que tem tudo a ver com o nosso posicionamento de convergência porque estará disponível em casa e no celular”, explica Roberto Guenzburger, diretor de Produtos de Mobilidade da Oi. “É um serviço que aproveita essa tendência da cauda longa, de ter um acervo monstruoso de músicas. Tem um potencial grande, e é um serviço que pode gerar fidelização”, diz Guenzburger.

O Rdio foi criado em 2010. Ele é um site de streaming simples e funcional – um player do lado esquerdo mostra o que está sendo tocado. É possível navegar pelo conteúdo dos artistas, discos, ou de usuários específicos, que atuam como formadores de opinião. O conteúdo pode ser organizado em playlists, ou ‘rádios’, de artistas ou desses usuários. O catálogo, segundo Guenzburger, é basicamente feito de músicas de grandes gravadoras de fora do País. “Todas as grandes estão lá”, explica. A Oi também está negociando com gravadoras, editoras e autores brasileiros para ‘disponibilizar conteúdo local’. Hoje há cerca de 12 milhões de músicas no acervo.

O Link navegou pelo conteúdo e encontrou uma boa diversidade de artistas e discos – mesmo entre os brasileiros. Há lacunas em música alternativa e discos mais obscuros de artistas conhecidos, mas o acervo é extenso. A funcionalidade de seguir ‘formadores de opinião’ ajuda os novatos a se localizarem na rede.

Aplicativo

A Oi quer focar o serviço em sua versão mobile. O aplicativo OiRdio sincroniza as músicas para o celular – assim é possível acessá-las mesmo offline. A funcionalidade é fundamental em um país em que o 3G é lento e falho, como o Brasil. Problemas na rede poderiam significar o fracasso de um serviço de streaming por celular, por isso a solução foi inovadora. O app estará disponível para iPhone, Android, Blackberry e Symbian. “É possível que a gente tenha pacotes com outros serviços”, diz Guenzburger. “O preço tem muito a ver com o custo. O valor percebido nas pesquisas é alto, o cliente está disposto a pagar por isso”, acredita o executivo.

O Rdio não é exclusivo para os clientes da Oi, mas haverá promoções para fidelizá-los. São dois planos de assinatura: só web (R$ 9) e web e celular (R$ 15). O serviço será lançado na próxima terça-feira, 1, e é possível experimentá-lo gratuitamente por uma semana. Conheça: http://www.oirdio.com.br

Foto: Blogue Link (O Estado de S. Paulo)
Foto: Blogue Link (O Estado de S. Paulo)

Blogger será integrado ao G+

 O texto abaixo é da autoria de Tatiana de Mello Dias e foi publicado em 26/10/11 no blogue Link do jornal o Estado de S. Paulo.


O Google está aos poucos estendendo as ferramentas do Plus, sua rede social, a todos os seus produtos. Primeiro foi o Reader; agora é o Blogger.

A empresa anunciou que a popular plataforma de criação de blogs será integrada ao G+ em breve. O começo da integração é simples: os perfis no Blogger serão substituídos pelo perfil dentro do G+.  Para o Google, o Plus é “mais do que uma rede social”. Seria, na verdade, “o plano do Google para levar informação social para tudo o que é feito na web, de compras à buscas, e-mails e além”, disseram funcionários do Google ao VentureBeat.

Não há detalhes sobre a integração das duas ferramentas – o que dá para esperar é que o Blogger ganhe as ferramentas sociais do G+, como compartilhar conteúdo em círculos e marcar o que é relevante com um “+1″. 

Assim que o Google lançou o G+, surgiram rumores que tanto o Blogger quanto o Picasa migrariam para a nova rede social. Seria o óbvio: o G+ reúne características para substituir as duas plataformas, tanto para fazer e compartilhar posts quanto para montar galerias de fotos.
A empresa também planeja lançar o Google Music, serviço de streaming de músicas, totalmente atrelado ao Plus. O lançamento deve ocorrer em duas semanas.





Sony compra Sony Ericsson para competir

A Sony anunciou nesta quinta, 27, que comprará a joint-venture em celulares Sony Ericsson por 1,05 bilhão de euros (R$ 2,55 bilhões), em meio à tentativa da companhia de se equiparar a Apple e Samsung no mercado de smartphones e tablets.

A compra da parte sueca da parceria dá à Sony o direito sobre determinadas patentes da Ericsson e condições de integrar a produção da joint-venture com sua própria gama de produtos e conteúdos. “Poderemos nos mover rapidamente e fazer uma oferta mais abrangente de smartphones, laptops, tablets e televisores que se conectam entre si e abrem um novo mundo de entretenimento online”, disse o presidente de conselho e presidente-executivo da companhia, Howard Stringer.

Até agora, os tablets e outros produtos da Sony eram mantidos separados dos celulares criados e vendidos pela Sony Ericsson. “A Sony quer fazer o mesmo que a Apple e atender a demanda dos usuários unindo vários aparelhos com interfaces e sistemas operacionais similares”, disse o analista Nobuo Kurahashi, da Mizuho Investors’ Securities, em Tóquio.

Usuários processam RIM por falhas no Blackberry

Consumidores nos Estados Unidos e no Canadá abriram processos contra a Research in Motion por uma paralisação que se prolongou por dias nos serviços dos aparelhos BlackBerry, em um problema de escala global ocorrido no começo do mês. A queda geral do sistema deixou milhões de usuários do BlackBerry frustrados e desprovidos de acesso a e-mails, mensagens instantâneas e navegação online, em cinco continentes.

Os co-presidentes executivos da RIM pediram desculpas aos milhões de usuários do BlackBerry pela paralisação de quatro dias que maculou a imagem da empresa e retardou seus esforços para recuperar o terreno perdido para a Apple e outros rivais no ramo de smartphones.

O processo nos Estados Unidos, protocolado em um tribunal federal de Santa Ana, Estado da Califórnia, foi apresentado em nome de todos os proprietários de BlackBerry com contratos ativos de e-mail, Internet e mensagens que tenham sofrido interrupções de serviço. Nele, a RIM é acusada de violação de contrato, negligência e enriquecimento indevido.

O processo canadense, aberto na quarta-feira junto ao tribunal superior de Quebec, representa os proprietários canadenses de BlackBerry que tinham contratos ativos no momento da paralisação. A petição alega que a RIM não restituiu os prejuízos que os usuários sofreram com a paralisação dos serviços e que “precisa assumir plena responsabilidade por esses danos”.

Mensagens encaminhadas à RIM solicitando comentários não foram respondidas imediatamente.

O processo dos Estados Unidos foi aberto por Eric Mitchell, morador de Sherman Oaks, Califórnia. Embora ele não tenha contrato direto com a RIM, ele pagou pelo uso dos serviços exclusivos do BlackBerry como parte de seu contrato com a operadora de telefonia móvel Sprint, de acordo com a queixa. Isso faz com que tenha um “contrato implícito” com a RIM, o processo alega, acrescentando que com a paralisação, entre 11 e 14 de outubro, Mitchell “pagou por um serviço que não recebeu”.

Os queixosos buscam desde compensação em dinheiro pelos serviços pagos à companhia até honorários de advogados e outras despesas legais. O processo norte-americano estima que a RIM fature pelo menos 3,4 milhões de dólares por dia no país em receita de serviços, coletados através de operadoras como Sprint e Verizon. O tamanho de uma ação judicial nos EUA incluiria 2,4 milhões de pessoas apenas na Califórnia, segundo os autos da queixa protocolada.

EUA querem banda larga universal

Todos os norte-americanos terão acesso a internet banda larga e telefone até o final da década, de acordo com novas regras adotadas por órgãos reguladores dos Estados Unidos. As regras reformarão um sistema ineficiente, afetado por acusações de fraudes relativas a tarifas telefônicas, e devem resultar na economia de 2,2 bilhões de dólares repassados a consumidores, estimou a Federal Communications Commission (FCC).

A FCC votou com unanimidade nesta quinta-feira para modernizar seu programa de serviço universal, com o objetivo de ajudar os 18 milhões de norte-americanos que não têm acesso à banda larga onde vivem e trabalham. As novas regras repassarão cerca de 4,5 bilhões de dólares em dinheiro público, gastos anualmente para subsidiar o serviço de telefone para famílias rurais, para serviços de Internet de alta velocidade em locais rurais e regiões onde a prestação de serviço é mais cara.

O terreno desafiador, as longas distâncias em relação a redes existentes e baixa densidade populacional estão entre os fatores que criam lacunas de infraestrutura na rede de distribuição, pois provedores de banda larga consideram estas áreas não rentáveis. A construção de infraestrutura de banda larga para as áreas não atendidas pode começar no início de 2012 com o plano, levando a Internet de alta velocidade a centenas de milhares de moradias no médio prazo.

Microsoft apresenta sua visão de futuro

A Microsoft apresentou nesta quinta, 27, um vídeo com sua visão sobre o futuro tecnológico em um prazo de cinco a dez anos, quando qualquer objeto cotidiano poderá funcionar como uma tela tátil. Trata-se de uma produção de pouco mais de seis minutos intitulada “Productivity Future Vision”, que foi baseada em “ideias de tecnologia real”, segundo disse Kurt DelBene, presidente da divisão Microsoft Office, no blog da empresa.

Os criadores do Windows consideram razoável pensar que nos próximos anos os óculos poderão servir para traduzir mensagens para o idioma de seu proprietário ou que os vidros dos táxis poderão indicar o lugar de destino quando estivesse à vista. A Microsoft acredita que os atuais tablets e smartphones evoluirão para telas dobráveis e dispositivos do tamanho de um cartão de crédito e serão mais uma ferramenta de gestão que interage com o entorno que um meio de comunicação.

Nessa visão, a Microsoft inclui mesas e geladeiras “inteligentes” e uma transformação nas formas de trabalhar nos escritórios, onde a tecnologia permitirá métodos mais dinâmicos de cooperação entre os empregados. “Criamos estes vídeos para ajudar a contar a história que vemos do que está acontecendo na tecnologia e como isso impactará em nossas vidas no futuro. Algumas capacidades, como reconhecimento de voz, colaboração em tempo real e visualização de dados já existem hoje em dia”, disse DelBene.

Outros usos e ferramentas estudados ainda não estão disponíveis em “produtos específicos”, comentou DelBene, mas ressaltou que estão sendo “pesquisadas e desenvolvidas” pela Microsoft e por outras empresas.

Anatel reduz tarifas de ligação para celular

As chamadas de telefones fixos para celulares e entre celulares de operadoras diferentes devem ficar 25% mais baratas em três anos. -- [Por que os prazos determinados pelo governo para enquadramento de concessionárias em modernizações tecnológicas e/ou em medidas e procedimentos para baratear custos para os usuários/assinantes são tão longos? Perguntinha inocente, né?...]

A queda nos preços é consequência de decisão inédita da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que aprovou um regulamento que determina a redução gradativa da tarifa de interconexão, uma espécie de pedágio que as empresas pagam pelo uso das redes das operadoras de telefonia móvel.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que antecipou à Agência Estado as medidas antes do anúncio oficial da Anatel, disse que o valor da tarifa, que atualmente é de R$ 0,42, cairá para R$ 0,30 no período. As operadoras deixarão de arrecadar até R$ 4 bilhões com a redução gradual da tarifa. As empresas que mais perderão receita são aquelas que recebem chamadas de telefones fixos. “Acho que as empresas não vão ter queda de receita. Como as ligações vão ficar mais baratas, as pessoas vão falar mais e as empresas vão receber mais”, ressaltou Bernardo.

O ministro lembrou que, na França, a tarifa de interconexão é de apenas 0,02 euro, o que representaria cerca de R$ 0,05 no Brasil. Bernardo ponderou, porém, que uma redução drástica nesses moldes não poderia ser feita no mercado brasileiro para não inviabilizar o negócio das empresas. Por essa razão, a queda no preço da interconexão ocorrerá de forma gradativa. -- [O conceito de "gradativo" do governo está sempre ligado à velocidade da lesma ...].

Depois dos três anos de vigência do regulamento, a tendência é que a tarifa de interconexão continue caindo. Isso porque, segundo o ministro, será implantado pela Anatel um modelo que apurará o custo real que as empresas têm pelo uso das redes. Como a tarifa de interconexão – conhecida tecnicamente como VU-M – só incide sobre chamadas de voz, Bernardo acredita que as empresas vão estimular o uso de serviços de dados, sobretudo internet. Outra tendência, segundo o ministro, é que percam um pouco de força as promoções das operadoras voltadas somente para chamadas dentro da própria rede.

Maximiliano Martinhão, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, disse que a redução da tarifa de interconexão é um “golaço” para os consumidores. Ele explicou que a queda nos preços da tarifa são obrigatórias somente para as ligações de telefone fixo – que é um serviço prestado em regime público – para celular, mas a redução deve ocorrer na mesma escala nas ligações entre celulares.

GoogleTV mostra suas armas

O Google está fazendo outro esforço para levar sua astúcia na Internet para aparelhos de televisão, na esperança de entrar em um mercado vasto e novo apesar da fraca reação dos consumidores à primeira tentativa. A companhia de buscas na Web anunciou uma renovada versão do Google TV nesta sexta-feira, 28, trazendo novas funcionalidades que visam tornar o produto mais fácil de usar e mais atraente para os consumidores.

A versão 2.0 do Google TV fornece novas ferramentas para recomendação de filmes, programas de TV e vídeos on-line, e torna mais fácil para desenvolvedores de software criar novas aplicações para a tela de televisão. “Há muita sede de usar internet na sala de estar”, disse o vice-presidente de gerenciamento de produtos Mario Queiroz, que está liderando o projeto Google TV.

Mas em um sinal dos muitos desafios frustrados do Google para conquistar as salas de estar, bem como as tentativas de outras empresas de tecnologia, como a Apple, Queiroz descreveu a Google TV como uma “aposta de longo prazo". “Eu não sei o mês exato em que isso vai decolar”, disse ele à Reuters durante uma demonstração do novo produto na sede do Google na Califórnia, semana passada. “Eu acho que tem havido um grande progresso em relação ao ano passado e no ano que vem haverá muito mais progresso".

A Google TV, que atualmente vem embutida em alguns modelos de televisores da Sony e de produtos da Logitech International, permite aos consumidores acessar vídeos on-line e sites em suas TVs, bem como se divertir com aplicativos, como games. O Google não revela quantos usuários tem para o Google TV, que foi lançado com grande alarde no ano passado. Mas alguns analistas dizem que a versão 1.0 do produto tem sido um fracasso. “A fogueira que eles estavam tentando acender nem sequer gerou faísca”, disse o analista James McQuivey, da Forrester Research.

O preço de 299 dólares para o Google TV mais barato era muito alto, disse McQuivey. A Logitech, desde então, reduziu o preço para 100 dólares. E o fato de muitas das redes de televisão, talvez sentindo uma ameaça do Google, terem bloqueado seus programas no Google TV criou confusão entre os consumidores, disse ele. Mas a TV é um segmento muito atrativo para o Google ignorar, concordam analistas, especialmente para uma companhia que gerou 96 por cento de suas receitas em 2010 de publicidade –e, segundo a empresa de pesquisas IDC, o segmento publicitário televisivo deve ficar próximo a 70 bilhões de dólares nos EUA apenas neste ano.

Eric Schmidt, CEO do Google, apresentando o GoogleTV (Foto: Reuters).

Polônia reabre investigação sobre guardas de campos de concentração nazistas

A Polônia anunciou na quinta-feira que está reabrindo sua investigação sobre crimes de guerra em Auschwitz e outros campos de morte nazistas. Objetivo: rastrear e processar quaisquer nazistas vivos que trabalharam nesses campos, antes que o tempo se esgote.

A agência Associated Press (AP) informa que as primeiras investigações polonesas sobre crimes de guerra nazistas foram abertas nos anos 1960 e 70, mas foram suspensas nos anos 1980 antes que quaisquer condenações fossem feitas, como consequência "do isolamento do país atrás da Cortina de Ferro".

Ainda assim, quaisquer novas condenações que resultem da reabertura das investigações não serão as primeiras na Polônia desde 1980: o mais recente processo de crime de guerra do país se deu em 2001, quando um guarda foi sentenciado a 8 anos de prisão por ter trabalho em Chelmno, um campo de morte. Como menciona a AP, a Polônia na realidade tem hoje o maior número de casos abertos, embora poucos tenham sido submetidos a processo.

A nova onda de investigações foi provocada pelo caso do ex-guarda de Sobibor, o ucraniano John Demjanjuck, de 91 anos, que foi extraditado dos EUA em 2009. Uma corte alemã considerou-o culpado em maio passado por mais de 28.000 casos de co-autoria de assassinato -- autoridades dizem que essa condenação e a sentença de 5 anos abriram caminho para processos adicionais, porque foi a primeira vez que puderam condenar alguém em um caso da era nazista sem evidência direta de que a pessoa participou de um assassinato específico.

Como consequência, a Alemanha reabriu centenas de casos que estavam em suspenso, envolvendo guardas de campos de morte, e a Polônia agora seguiu seu exemplo. Um artigo da revista virtual Slate, escrito depois da condenação de Demjanjuck, observa que há "provavelmente centenas" de criminosos ainda vivos e soltos.

A AP entrevistou Efraim Zuroff, um "destacado caçador internacional de nazistas", sobre as novas investigações. Enquanto dizia saudar quaisquer novas condenações, Zuroff é cético quanto à organização Institute of National Remembrance (Instituto da Memória Nacional, em tradução livre), dirigida pelo estado, encarregada de realizar as investigações. Ele disse que a organização polonesa "se sobressai na abertura de investigações", mas não em "processar criminosos nazistas".

John Demjanjuck emerge de uma corte em Munique em 12/5/2011, depois que um juiz sentenciou-o a 5 anos de prisão por acusações relativas a 28.000 casos de co-autoria de assassinato (Foto: Johannes Simon/Getty Images).

John Demjanjuck (Foto: Slate).

BC do Brasil pode ter trocado meta de inflação por crescimento, diz "Economist"

Os recentes e seguidos cortes na taxa de juros no Brasil podem estar sinalizando uma mudança nas prioridades do governo e a perda de independência do Banco Central, segundo a revista britânica The Economist.

Na edição que chegou às bancas nesta sexta-feira, a revista ressalta o papel que o Banco Central vinha tendo no combate à inflação no país, que "em boa parte do século passado era tão importante na vida dos brasileiros como o futebol".
A revista conta que o país conseguiu controlar a inflação a partir do Plano Real em 1994 e quando, em 1999, o Banco Central "ganhou independência operacional para fixar taxas de juros de acordo com a meta da inflação".

Mas os recentes cortes na taxa Selic (agora em 12%), que contrariam o curso normalmente adotado pelo banco, de manter as taxas altas para conter a inflação, causaram surpresa e lavaram a revista a questionar se o banco teria perdido sua independência e mudado de meta, trocando o combate à inflação pelo estímulo ao crescimento. "Estaria o governo da presidente Dilma Rousseff, no poder desde janeiro, dando prioridade a outras metas, como sustentar o crescimento e prevenir a sobrevalorização da moeda, em vez de manter a inflação baixa?", diz a revista.

A Economist cita os argumentos do banco justificando o último corte nos juros, de que o salto da inflação é resultado do crescimento acelerado do último ano e da alta das tarifas de ônibus e do etanol. Menciona também a versão do governo de que a desaceleração da economia mundial e a provável queda no preço das commodities deverá puxar a inflação para baixo, abrindo espaço para a queda nos juros.

"Os críticos do governo, porém, argumentam que ao começar a cortar (os juros) tão cedo e de forma tão agressiva, enquanto a inflação ainda está três pontos acima da meta, o banco mina sua credibilidade duramente conquistada. Como resultado, as expectativas de inflação para os anos seguintes têm aumentado".

A revista lembra que outros bancos centrais, como o Fed americano, têm mandato com o objetivo duplo de combater a inflação e também promover o crescimento. "Mas quando o assunto é inflação, o Brasil ainda é como um 'alcoólatra em recuperação', que depende da ajuda do Banco Central para se manter na linha".

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Avanços da ciência, aqui e lá fora (78)

 Os sinais do eletroencefalograma são filtrados temporal e espacialmente para produzir os componentes individuais do movimento 3D (Imagem: Doud et al/PLoS).
Não é apenas o homem que é "desenhado" pelo seu DNA, mas também o DNA é alterado pela forma de vida do homem (Foto: McGill University).

Para especialistas, acordo dá fôlego à Grécia mas não resolve problema da dívida

A redução pela metade da dívida grega em poder dos bancos, como prevê o acordo firmado por líderes europeus, dará novo fôlego à Grécia, mas não irá resolver a situação econômica do país, avaliam especialistas ouvidos pela BBC Brasil.  Para os analistas, as medidas de austeridade fiscal adotadas pelo governo grego – como reduções de salários, demissões de funcionários públicos e aumento de impostos – impedem a retomada do crescimento econômico do país, tornando mais difícil a saída efetiva da crise.

A dívida total da Grécia é de 350 bilhões de euros. Desse montante, a parte detida por bancos e fundos de investimento privados é de 200 bilhões de euros. Segundo o acordo obtido por líderes europeus na madrugada desta quinta-feira, esses credores privados aceitaram cortar em 50% o montante da dívida em seu poder, o que representa 100 bilhões de euros.

"O corte alivia em parte a situação da Grécia porque diminui os encargos com os juros da dívida", disse à BBC Brasil o economista Elie Cohen, diretor do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França. "Não digo que isso não adianta nada, mas o corte não vai resolver os problemas da Grécia, que enfrenta uma forte recessão e adotou medidas que deprimem ainda mais a atividade econômica", afirma Cohen. Segundo ele, a Grécia é "insolvente" e a situação atual não permite relançar a economia do país. "A redução da atividade provocada pelos planos de rigor torna mais difícil sair da crise", diz ele.

O acordo firmado por líderes europeus prevê que a dívida grega passe dos atuais 160% do PIB para 120% do PIB em 2020. "Mesmo se o governo grego cumprir suas promessas, realizar as reformas e privatizações e conseguir aumentar a arrecadação de impostos, o país ainda terá uma dívida de 120% do PIB em 2020. Isso é insustentável", afirma Cohen. Ele lembra que esse percentual corresponde também à dívida atual da Itália em relação ao PIB, que é de 120%.

Já o presidente francês, Nicolas Sarkozy, declarou em um discurso na TV, na noite desta quinta-feira, que o fato de a dívida grega atingir 120% do PIB em 2020 é algo "aceitável". "Os europeus deram um pequeno balão de oxigênio para a Grécia, mas o país ainda vai ficar em apneia alguns anos", diz Eric Heyer, diretor do departamento de análises do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas. "Para sair dessa espiral, a Grécia vai precisar adotar pacotes de austeridade alucinantes. Não é possível imaginar que um país como a Grécia possa absorver seus déficits no momento em que há uma grave recessão", afirma.

Para Heyer, se houvesse crescimento no restante da zona do euro, poderia haver uma saída mais rápida da crise grega. "Mas todos os países europeus, com exceção da Alemanha, da Áustria e da Holanda, terão de lançar novos planos de rigor. Não haverá crescimento na Europa, mas sim uma recessão quase generalizada", afirma Heyer.

Segundo Cohen, a única saída para a situação na Europa seria que a Alemanha aceitasse arcar com os custos da crise, o que o país não aceita.

O cientista político Eric Toussaint, diretor do Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, afirma que a Grécia é "incapaz" de enfrentar a crise da dívida e também diz que a recessão, que diminui as receitas fiscais, vai continuar devido às medidas de austeridade. Toussaint diz que no caso da moratória argentina, em 2001, o país fez o contrário: aumentou os salários e criou programas sociais de renda para estimular o crescimento econômico, o que permitiu uma saída mais rápida da crise, afirma.

O ajuste rigoroso das contas gregas retarda a recuperação do país, segundo analistas (Foto: Getty).



Falta de água é o maior entrave para alimentar população crescente, diz Graziano

A necessidade de aumentar a produção agrícola para alimentar a crescente população mundial pressionará os recursos naturais, principalmente a água, segundo José Graziano, que em 2012 assumirá a direção geral da FAO (agência da ONU para agricultura e segurança alimentar). Segundo previsão da FAO, até 2050, a produção mundial de alimentos terá de crescer 70% para dar conta do aumento populacional.

"A água se tornou o maior entrave à expansão da produção (de comida), especialmente em algumas áreas como a região andina, na América do Sul, e os países da África Subsaariana", diz à BBC Brasil Graziano, atualmente diretor da FAO para a América Latina e ex-ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome no governo Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi o responsável pela implementação do Programa Fome Zero. Graziano diz que, apesar da pressão sobre os recursos naturais, é possível pôr fim à fome no mundo por meio de quatro ações principais: a aplicação de tecnologias modernas na lavoura (muitas já disponíveis), a criação de uma rede de proteção social para populações mais vulneráveis, a recuperação de produtos locais e mudanças nos padrões de consumo em países ricos. "Se pudéssemos mudar o padrão de consumo em países desenvolvidos, haveria comida para todos", diz ele. "Nós desperdiçamos muita comida hoje, não só na produção, mas também no transporte e no consumo".

Segundo Graziano, enquanto a comida é mal aproveitada em nações ricas, cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome em países emergentes. "Precisamos assegurar que esse bilhão de pessoas sejam alimentados, que tenham bons empregos, bons salários e, se não pudermos dar-lhes empregos, encontrar uma forma de proteção social para eles".

Graziano afirma que programas de transferência de renda, como o Bolsa Família no Brasil, hoje atendem cerca de 120 milhões de pessoas na América Latina, ajudando a combater os índices de fome na região. Ele defende ampliar essas ações para outros países afetados pela falta de alimentos, especialmente na África. Outra ação que Graziano advoga é recuperar produtos agrícolas típicos de cada região. Segundo ele, por não serem commodities, esses produtos não são afetados por variações bruscas de preços, o que favorece consumidores e produtores. Além disso, geram um ciclo de produção e consumo local, barateando a comida.

"O que é caro nos alimentos é o transporte, a produção de alimentos é muito barata. Se conseguirmos diversificar, fazer uma regionalização e melhor distribuição de alimentos e consumo, os preços serão muito mais baixos", diz ele.

Na entrevista à BBC Brasil, Graziano também aborda outros dois temas que têm permeado discussões recentes sobre a produção de alimentos: a suposta competição entre a produção de comida e a de bicombustíveis, e os riscos que o aumento da produção agrícola impõem à preservação ambiental. Ele afirma que, em duas das três maiores regiões produtoras de biocombustíveis do globo (Estados Unidos e Europa), houve incremento em alguns preços de alimentos por causa da competição com biocombustíveis. No Brasil, porém, ele afirma que a produção de etanol a partir da cana de açúcar não teve qualquer impacto nos alimentos, já que a produção cresceu principalmente em terras improdutivas e por meio da modernização de técnicas agrícolas. [Graziano, pelo visto, mantém o estilo lulo-petista de dizer meias-verdades ou mentiras inteiras -- é sabido e notório que, no Brasil, o etanol e o açúcar disputam mercados coincidentes aqui e lá fora, e já temos registrado queda na produção de açúcar quando o preço do etanol fica mais favorável. Vejam minha postagem anterior sobre isso -- "Etanol brasileiro: um pepino, um abacaxi, ou ambos?"].

Graziano também diz não ver conflitos em conciliar a preservação ambiental à necessidade de ampliar a produção agrícola. "A intensificação da produção com modernas tecnologias, menor uso de fertilizantes e defensivos pode beneficiar muito o meio ambiente", diz. "O avanço da tecnologia nessa direção permiria terminar com essa falsa dicotonomia entre ecologistas e agricultores".

Graziano foi eleito diretor-geral da FAO, órgão da ONU responsável por políticas de alimentação (Foto: AP).

A terrível, injustificável e inaceitável crise de alimentação que castiga principalmente as crianças africanas (Foto: Google).

O de sempre nos negócios: altos dirigentes ganham 49% de aumento, mas os trabalhadores ...

Os dirigentes das maiores empresas inglesas foram ontem acusados de "porcos gananciosos da elite", por terem embolsado um aumento de 49% no ano passado enquanto, na média, os trabalhadores não conseguiram sequer acompanhar a inflação.

Os sindicatos ficaram furiosos após a publicação dos números, que mostraram como os honorários dos diretores cresceram no ano fiscal passado, graças a salários crescentes, bônus e, em especial, o inchaço do valor dos planos de longo prazo de participação acionária (share plans) dos diretores.  ["Share plan" (SP), ou "Share Incentive Plan" (SIP), é um programa de participação acionária implantado no Reino Unido em 2000 para incentivar a contratação e a retenção de empregados numa empresa -- equivale ao programa de participação nos lucros adotado por inúmeras empresas no Brasil, inclusive na área estatal].

As estatísticas, compiladas pelo Incomes Data Services (Serviços de Dados de Receitas, em tradução livre) (IDS), fornecem um instantâneo anual da remuneração de executivos, conforme informado nos relatórios mais recentes das empresas para seus acionistas, e mostram que os principais executivos das 100 maiores empresas listadas pela FTSE [organização independente, de propriedade conjunta do jornal Financial Times e da Bolsa de Londres] ganharam uma média de 3.855.172 de libras esterlinas (cerca de 10.525.000 reais) no ano passado. Isto representa um aumento médio de 43% e, incluindo-se outros diretores, os ganhos totais tiveram um aumento de 49%.

De acordo com o relatório emitido pelo IDS, desses 100 executivos aquele com maiores ganhos no ano passado foi Michael Davis, do conglomerado de mineração Xstrata, que embolsou 18,4 milhões de libras esterlinas (cerca de 50 milhões de reais). Steve Tatton, editor do relatório, disse que os grandes aumentos exemplificam o valor crescente dos SIPs de longo prazo que foram acumulados ao longo do tempo. "A economia britânica pode estar lutando para voltar aos níveis de produção pré-recessão, mas o mesmo não se pode dizer da remuneração dos 100 diretores da FTSE. Os generosos pacotes de remuneração que os 100 diretores da FTSE agora recebem indicam uma marcante melhora nas fortunas dos diretores", disse ele.

A fúria dos sindicatos só fez aumentar, depois que um segundo relatório do IDS, divulgado também ontem, mostrou que o aumento médio dos trabalhadores do setor privado neste verão foi de apenas 2,6% -- metade do valor mais recente da inflação anual. "Esse é outro brilhante exemplo de como se comportam os gananciosos porcos da elite que dirigem nossas empresas", disse Paul Kenny, secretário-geral do sindicato GMB, que recentemente publicou uma pesquisa sobre 294 ocupações, cobrindo 90% dos trabalhadores britânicos, que mostrou que eles têm sofrido perdas de padrão de vida de até 20% em alguns setores.

[Esse tipo de relatórios sobre salários de altos executivos e empregados deveriam ser frequentes e transparentes também no Brasil].

Pacote agiliza licenciamento ambiental e reduz custo de obras

Um conjunto de sete portarias publicadas na edição de hoje do Diário Oficial vai reduzir o custo dos empreendedores com compensação de impacto de grandes obras. O licenciamento ambiental não poderá mais impor condicionantes à liberação de empreendimentos que não tenham relação direta com o impacto da obra. Um exemplo citado pela cúpula da área ambiental do governo foi a exigência de tratamento dentário a populações quilombolas próximas à passagem de uma rodovia, exigida em licença recente.

"Ficam afastadas as condicionantes que não têm nada a ver com os impactos dos empreendimentos", disse o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Curt Trennepohl, sobre um dos pontos do pacote que agilizará o processo de licenciamento, principalmente das linhas de transmissão, rodovias, portos e do setor de petróleo e gás.


  O governo prevê que, nos próximos 10 anos, crescerá a demanda pelo licenciamento ambiental de empreendimentos no país. Serão mais 31,5 mil megawatts de novas hidrelétricas, 32 mil quilômetros de linhas de transmissão, 16 mil quilômetros de rodovias e 32 mil quilômetros de ferrovias já previstos, além do licenciamento da exploração de petróleo no pré-sal.

"As portarias vão acelerar o licenciamento, sem perder a qualidade. A agilização virá de um processo mais eficiente", insistiu Trennepohl, que resiste a expressões como "facilitar", "apressar" ou mesmo "flexibilizar" as regras de avaliação do impacto de empreendimentos de infraestrutura. São sete as portarias publicadas hoje.


Um dos mecanismos que ajudará nas novas licenças é o limite de pedidos de complementação de estudos de impacto ambiental. A partir de amanhã, o órgão ambiental federal só poderá pedir informações complementares uma única vez, e os empreendedores deverão responder aos pedidos de uma única vez. Se a resposta não for considerada suficiente para esclarecer dúvidas, a licença será recusada.
 Um ajuste importante é o estabelecimento de prazo de 60 dias para órgãos como a Fundação Nacional do Índio (Funai) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) se manifestarem sobre os estudos de impacto ambiental. "Na prática, não se fazia valer nenhum prazo até aqui", observou Trennepohl.


Consultorias - Outra novidade é a possibilidade de o Ibama validar informações contidas num determinado estudo para que outros empreendimentos não precisem repetir estudos. "Quem não vai gostar são as consultorias", disse Marília Marreco, assessora da ministra do Meio Ambiente.
 Na área de petróleo e gás e no licenciamento de linhas de transmissão, as portarias estabelecerão procedimentos  diferentes  por potencial de impacto. Nem todos os empreendimentos de linhas de transmissão, por exemplo, exigirão estudos de impacto ambiental. O licenciamento de poços de petróleo será feito por blocos. [Muito estranha e suspeita essa diferenciação com relação às linhas de transmissão (LT) -- que tipo de LT ficará isento de estudo ambiental, quem definirá os critérios para isso e como isso será feito?].
  
Antes de 1983 - O pacote de portarias também prevê a regularização de empreendimentos anteriores a 1983, ano da regulamentação da lei com regras para o licenciamento ambiental. O país tem 55 mil quilômetros de rodovias não licenciadas e mais 40 portos em funcionamento sem autorização prévia, segundo dados do Ibama.
 A regularização facilitará obras de melhoramento das rodovias e nos portos. O mecanismo não alcançará o asfaltamento de estradas como a Transamazônica e a polêmica BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus.
 

Dirigente da Comissão Europeia diz que a Espanha não se deu mal com a recapitalização bancária

A banca espanhola divulgou ontem uma mensagem dupla: cumprirá com as novas exigências de capitalização, mas, ao mesmo tempo, considera o ajuste injusto para a Espanha. -- [Ver postagem anterior sobre a Espanha nesse tema].

Hoje, o comissário europeu para Competição, o espanhol Joaquín Almunia, observou que as decisões da Autoridade Bancária Europeia (EBA, em inglês) sobre os novos requisitos de capitalização do setor na Europa "não vão contra ninguém", senão "a favor de todos os bancos".

O setor financeiro espanhol criticou o fato da EBA não permitir a contabilização das provisões genéricas e dos bônus conversíveis. Mas Almunia chamou a atenção sobre como as entidades espanholas "dizem que não vão ter problemas para cumprir", ainda que, ao mesmo tempo, apresentem suas queixas. "Tendo a acreditar mais nas entidades que dizem que vão cumprir com as exigências, do que nesses dirigentes que dizem coisas como que a Espanha perdeu a batalha de Trafalgar", disse ele com ironia em seu discurso no VII Congresso de Dirigentes, organizado em Bilbao pela Confederação Espanhola de Dirigentes Executivos (CEDE). "Não perdemos nada, todos ganhamos com o acordo", enfatizou.

Ainda assim, manifestou seu desejo de que os novos critérios de capitalização exigidos pela EBA sejam transitórios e que se retorne ao estipulado em Basileia III.

Amunia considerou o acordo desta semana em Bruxelas um "ponto de inflexão", não um "ponto final", já que "o próprio acordo diz que ainda faltam decisões, para uma maior governança [econômica europeia] e apoio político ao euro".  Na realidade, o comissário europeu advertiu que "se levarão anos para colocar todas as economias em situação de estabilidade de dívida pública".

"A melhor saída para esta crise é seguir avançando na integração europeia", disse ele, uma ideia que vem sendo repetida na política europeia desde que começou a crise do euro, mas sem trazer a reboque decisões de fundo. "O euro é uma decisão política", reforçou Almunia. Para ele, a Europa deve acelerar sua tomada de decisões para se adaptar ao ritmo do mercado.

Joaquín Almunia, vice-presidente da Comissão Europeia e seu comissário para Competição (Foto: Comissão Europeia).

VANT dos EUA baseado na Etiópia torna-se operacional

De acordo com autoridades militares dos EUA, a Força Aérea Americana (FAA) tem, secretamente, realizado voos de VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados) Reaper em missões de contraterrorismo, a partir de um remoto aeroporto civil no sul da Etiópia, como parte de um esforço de guerra liderado pelos EUA, que se expande rapidamente, contra um ramo da Al-Qeda no leste da África. [Acho uma delícia esses anúncios oficiais de missões "secretas" -- me fazem lembrar a piada da beleza do uniforme da polícia secreta portuguesa ...].

A FAA tem investido milhões de dólares na melhoria e modernização de um aeroporto em Arba Minch, Etiópia, onde construiu um pequeno anexo para abrigar uma esquadrilha de VANTs que podem ser equipados com mísseis Hellfie e bombas guiadas por satélites. Os Reapers iniciaram suas missões de voos no início deste ano, sobre a vizinha Somália, onde os EUA e seus aliados na região têm tido como alvo o al-Shabab, um grupo militante islâmico ligado à al-Qeda.

Consciente do desastre de 1993 na operação Black Hawk Down, em que dois helicópteros militares americanos foram abatidos e 18 americanos mortos na capital somaliana de Mogadicio, a administração Obama tem evitado deslocar tropas para esse país. Como consequência, os EUA têm se apoiado em ataques mortíferos de VANTs, uma presença crescente da CIA em Mogadicio, e em missões em pequena escala realizadas por Foças Especiais americanas.  Além disso, os EUA têm aumentado o financiamento e o treinamento de forças de manutenção da paz africanas na Somalia, que lutam contra o al-Shabab.

O Washington Post informou no mês passado que o governo Obama está construindo uma constelação de bases secretas de VANTs na Península Arábica e no Chifre da África, incluindo uma na Etiópia. No entanto, a localização da base etíope e o fato de que ela se tornou operacional este ano não haviam ainda sido divulgados anteriormente. Algumas bases na região têm sido usadas na realização de missões contra o ramo da al-Qeda no Iêmen.

Vejam postagem anterior sobre o uso de VANTs na Somália.

As ilhas Seychelles (no Oceano Índico ocidental), onde os EUA haviam estacionado temporariamente VANTs MQ-9 sob a autoridade operacional do Comando Africano americano, abrigam agora uma base na qual uma pequena esquadrilha de VANTs "caçadores-matadores" retomou suas operações em setembro (Foto: Comando Africano dos EUA/Major Eric Hillard).

Militantes do al-Shabab, alvo dos EUA e seus aliados no leste da África (Foto: The Washington Post).

Localização da nova base de VANTs na Etiópia (Mapa: The Washington Post).

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Origens do mecenato e do mercado da arte

O exemplar deste mês de outubro da Revista da Cultura, que é publicada e distribuída pela excelente Livraria Cultura -- que, finalmente, já tem uma loja no Rio (no Fashion Mall) e deverá abrir em breve uma mega outra na Senador Dantas -- publicou um curto mas interessante artigo com o título desta postagem, inserido no artigo Novos Mecenas.

O termo mecenato foi atribuído em alusão ao romano Caio Mecenas (68 a.C - 8 a.C), conselheiro do imperador Otávio Augusto (herdeiro adotivo de Júlio César), que protegeu e sustentou um círculo de intelectuais e poetas, incluindo Horácio e Virgílio, e transformou-se em modelo para vários governos.

A prática se popularizou no período renascentista, que vivenciava um momento de pujança econômica com o surgimento da burguesia. Michelangelo, Rafael, Caravaggio, Bernini, Rembrandt, entre outros artistas, beneficiaram-se do sistema de mecenato. Nesse período, a arte visual era utilizada para o ensino dos fiéis -- que eram, em grande parcela, analfabetos. Por outro lado, a burguesia -- como grupo menos tradicional -- buscou a promoção social através da arte e forneceu apoio financeiro aos artistas e pensadores. Entre os mecenas estavam papas, bispos, políticos e colecionadores de arte.

De acordo com o crítico Simon Schama, autor de O Poder da Arte (2010), uma das questões mais importantes abordadas pelo Concílio de Trento, em sua parte final em 1561-1563, foi o papel da pintura sacra como inspiração para os fiéis adorarem, venerarem e obedecerem. "Instintiva e intelectualmente, os padres da Igreja sabiam que, como a vasta maioria dos europeus era analfabeta, as imagens constituíam a maneira mais poderosa de instruir as massas e preservar sua lealdade".

Ao banir as imagens das igrejas, por julgar que infringiam o segundo mandamento, a Reforma protestante operara uma revolução no mundo das artes. O tradicional patrocínio dos príncipes e nobres cedia lugar ao primeiro mercado de arte popular. E foi Rembrandt que aproveitou o bom momento, apresentando-se na história como um empresário e investidor, além de pintor. [Isto contradiz o início do artigo, que diz que ele foi um dos beneficiários do mecenato].

De acordo com a historiadora Svetlana Alpers, autora de O Projeto Rembrandt - o ateliê e o mercado (2010, o pintor constituiu a si mesmo como uma marca distinta, capaz de ser negociada como mercadoria. "Na condição de mestre do seu ateliê, afirmou sua liberdade individual e soube livrar-se da dependência de mecenas e patrocinadores. Rembrandt não foi apenas um homem de ateliê, também foi um homem de mercado. O valor é uma construção social ou humana, produzida num sistema num sistema de relações ativado pelos desejos humanos", disse ela.

A noção de valor na arte -- seja atribuída pelos mecenas, seja pelo mercado -- tem uma longa e complexa história. Mas, para isso, basta lembrar de uma frase do pintor italiano Gian Lorenzo Bernini (1598-1680): "Quem nunca ousa quebrar as regras, nunca as supera".

Rembrandt, autorretrato (Foto: Google). Ele soube livrar-se da dependência de mecenas.