quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O dia em que Verdi derrotou Berlusconi

Recebi o texto abaixo e o vídeo que o acompanha de uma querida amiga, Wania, a quem agradeço mais esse momento de gratíssima emoção.

No último 12 de março, Silvio Berlusconi teve que enfrentar a realidade. A Itália festejava o 150° aniversário de sua unificação e, entre as muitas comemorações da importante data, uma se deu na Ópera de Roma, com a apresentação da obra "Nabuco", de Giuseppe Verdi, dirigida pelo maestro Ricardo Muti.


A ópera Nabuco foi escrita por Giuseppe Verdi no final do século XIX, quando a Itália ainda estava sob o domínio da dinastia dos Habsburgos (a quem combateu até a sua unificação). Por isso o coro “Vá pensiero” apesar de se referir aos judeus escravizados na Babilônia, se tornou, vamos dizer assim, o grito de guerra que simboliza a busca pela liberdade do povo italiano. Essa relação entre o que se canta na ópera e o sentimento de liberdade, o clamor por justiça e o patriotismo italiano persiste até os dias de hoje.

Antes da apresentação, Gianni Alemanno, prefeito de Roma, subiu ao cenário para pronunciar um discurso denunciando os cortes no orçamento federal dirigido à cultura que haviam sido feitos pelo governo, do qual o próprio Alemanno é membro e velho amigo de Berlusconi. Esta intervenção política em um momento cultural dos mais simbólicos para a Itália produziria um efeito inesperado, ao qual Berlusconi, em pessoa, foi obrigado a assistir.


Segundo relatado por Muti, "... A princípio houve uma grande salva de palmas pelo público. Logo começamos com a ópera. Tudo correu muito bem até que chegamos ao famoso canto Va Pensiero. Imediatamente, senti que a atmosfera no público ia se tornando mais e mais tensa. Existem coisas que não se consegue descrever, mas as sentimos.

Era o silêncio profundo que se fazia sentir! Mas, no momento em que o público percebeu que começávamos os primeiros acordes de Va Pensiero, o silêncio se transformou em verdadeiro fervor. Podia-se sentir a reação visceral dos presentes ante o lamento dos escravos que cantavam 'Oh pátria minha, tão bela e perdida ...'. Assim que o coro chegou ao fim, pudemos ouvir vários pedidos de bis. Começaram os gritos de 'Viva Itália' e 'Viva Verdi'. As pessoas nas galerias jogavam pequenos papéis escritos com mensagens patrióticas".



Apenas uma única vez Muti havia aceito fazer um bis de Va Pensiero, em uma apresentação no La Scala de Milão em 1986, já que a peça exige que seja executada do princípio ao fim, sem interrupções. "Eu não pensava em fazer apenas um bis", disse o maestro, "teria que haver uma intenção especial para fazê-lo", contou. Então, em um gesto teatral, Muti se voltou ao público -- e a Berlusconi -- e disse: "Logo que cessaram os gritos de bis, vocês começaram a gritar 'Longa Vida à Itália'. Sim, estou de acordo com isso: Larga Vida à Itália. Mas, já não tenho trinta anos e vivi minha vida. Rodei o mundo e, hoje, tenho vergonha do que acontece em meu país. Por isso, vou aceitar seus pedidos para apresentar Va Pensiero novamente. Não só pela alegria patriótica que sinto neste momento, mas sim porque enquanto dirigia o coro que cantou 'Ah, meu país belo e perdido' pensei que, se continuarmos assim, vamos matar a cultura sobre a qual erguemos a história da Itália. E, nesse caso, nossa pátria também estaria bela e perdida".


"Já que aqui reina um clima italiano, verdadeiramente italiano, e que frequentemente eu Muti (faz um trocadilho com mudo) tenho falado aos surdos durante tantos anos, gostaria agora que fizéssemos uma exceção, na nossa própria casa, o teatro da capital, com um coro que cantou magnificamente e uma orquestra que o acompanhou muitíssimo bem -- proponho, pois, se quiserem unir-se a nós, que cantemos todos juntos".


Assim, o maestro convidou o público a cantar junto com o coro dos escravos. Muti continua sua narrativa: "Vi grupos de gente levantar-se. Toda a Ópera de Roma se levantou. E o coro também. Foi um momento mágico! Essa noite não foi apenas mais uma representação de Nabuco, mas também uma declaração no teatro da capital italiana para chamar a atenção dos políticos".

Aqui está o vídeo que registrou esse belo momento repleto de emoção:



  http://www.youtube.com/embed/G_gmtO6JnRs





País menos religioso do mundo, Estônia mantém o desinteresse pela religião dos tempos soviéticos

Vinte anos após o colapso da União Soviética, a Estônia, uma das antigas repúblicas do regime comunista, mantém praticamente intacto um traço marcante dos anos em que era dirigida por Moscou - o desinteresse pela religião. Uma pesquisa do Instituto Gallup, de 2009, indica que os estonianos são o povo menos religioso do mundo, pelo menos estatisticamente. Apenas 16% da população considera que a religião desempenha um papel importante em suas vidas (contra 99% dos habitantes de Bangladesh, os mais religiosos).

O repórter Tom Esslemont, da BBC, foi ao país báltico conhecer a espiritualidade dos seus habitantes.

A princípio, as ruas da cidade litorânea da capital estoniana Tallinn podem até dar ao visitante uma sensação distinta: cúpulas fazem parte da paisagem, sinos tocam aos domingos e hinos religiosos são ouvidos nas catedrais. Uma olhada mais atenta, no entanto, revela a realidade da espiritualidade estoniana. Cerca de 70 dos fiéis que participavam do culto dominical da Igreja Luterana de Tallinn eram turistas holandeses. Apenas 15 eram estonianos. O pastor Arho Tuhkru não vê a baixa frequência como um problema: "As pessoas creem, mas não querem se ligar a uma igreja. Por aqui não temos a tradição de uma família inteira vir à igreja", disse.

Embora a Igreja Luterana seja a maior denominação religiosa da Estônia, ela representa apenas 13% da população do país.

A falta de interesse pela religião começa já nas escolas, onde os alunos aprendem que o Cristianismo foi imposto no país pelos invasores germânicos e dinamarqueses. Ringo Ringvee, especialista em religião, diz que a Estônia "é uma sociedade secular onde a identidade religiosa e nacional não se cruzam".

A língua também cumpriu um papel determinante na rejeição de muitos estonianos à religião, segundo Ringvee. "Os luteranos falavam alemão. Os russos ortodoxos chegaram no século 19 e até o século 20 continuavam falando russo", disse. Com a fundação da Igreja Ordoxa Estoniana, em 1920, o culto passou a ser na língua local (com o ramo estoniano fiel ao patriarca de Constantinopla, e não ao de Moscou).

Nos anos 1940, a União Soviética anexou o país báltico. Até o fim do regime comunista, em 1991, a religião foi desincentivada pelo Estado. Diferentemente de outros países, que experimentaram um reavivamento religioso após a desintegração soviética, a Estônia continuou pouco crente. Mas o desapego às igrejas tradicionais não significa que os estonianos não acreditem em nada.

A 300 km de Tallinn, no meio da floresta, um grupo de fiéis cultuam as forças da natureza. Durante um festival religioso, os seguidores cantam e dançam ao redor de uma grande fogueira. Tradições como essa estão arraigadas na sociedade local, onde mais de 50% dos estonianos dizem que acreditam em alguma força espiritual, mesmo que não consigam definí-la.

Posição geográfica da Estônia -- a "Latvia" do mapa é a Letônia (Mapa: Google).

Dilma deve reduzir burocracia para combater corrupção, diz o "Financial Times"

É sempre interessante e útil observar como o olho estrangeiro nos vê -- o artigo abaixo, do prestigioso jornal Financial Times, é mais um bom exemplo disso.

O combate à corrupção no Brasil não depende apenas da troca de funcionários envolvidos em acusações, como vem fazendo a presidente Dilma Rousseff, mas requer também um combate à burocracia que dá margem à corrupção, na avaliação de editorial publicado nesta quarta-feira pelo diário econômico britânico Financial Times.

O jornal observa que Dilma teve "três meses desconfortavelmente atribulados" com a perda de três de seus ministros em meio a denúncias de corrupção e afirma que a postura inflexível da presidente sobre a corrupção é "um abandono bem-vindo da atitude permissiva que caracterizou a política brasileira por muito tempo". O editorial avalia ainda que a atitude de Dilma é também "mais um sinal de que ela está imprimindo a sua própria autoridade sobre o governo que herdou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva".

O Financial Times cita uma estimativa da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) de que a corrupção custa ao país cerca de 2% do PIB e diz que "para o Brasil atingir seu potencial econômico, a corrupção precisa ser combatida com vigor". 

O jornal comenta que Dilma tem vários fatores a seu favor no combate à corrupção. "Seus índices de aprovação são bons. Sua maioria no Congresso é suficientemente grande para sobreviver à deserção de partidos menores. E talvez o mais importante, o milagre econômico brasileiro criou uma crescente e ruidosa classe média para quem o combate à corrupção é uma questão importante. Ela não deve desanimar", diz. [A argumentação do jornal falha na questão da "maioria" de Dilma no Congresso -- é difícil aceitar que um jornal tão bem informado desconheça o baixo perfil ético e político de nossos congressistas, e as manobras de chantagem explícita a que essa "maioria" já submeteu a presidente para obrigá-la a satisfazer seus interesses, que via de regra não têm nada a ver com os interesses do país. Cabe ainda citar que Dilma já começa a ceder a esses interesses escusos.]

Para o FT, no entanto, Dilma "precisa mais do que novos funcionários". "Ela precisa também combater a burocracia excessiva que simplesmente alimenta a corrupção. Uma reforma tributária mais vigorosa seria um bom lugar para começar", afirma o texto. O editorial cita uma estimativa do Banco Mundial de que as empresas brasileiras gastam 2.600 horas anuais para formular suas declarações de impostos e observa que "enquanto o cumprimento das leis empresariais no Brasil for tão complicado, funcionários corruptos serão sempre capazes de fazer um dinheiro rápido em troca de favores".

Para o jornal, além de ajudar no combate à corrupção, uma reforma tributária teria também o efeito de melhorar a competitividade da economia brasileira e poderia ajudar a evitar os efeitos negativos de uma possível queda nas cotações das commodities. "A sra. Rousseff sabe disso e, como muitos de seus antecessores, vem propondo uma reforma geral do sistema tributário. Ao contrário deles, ela precisa cumprir a promessa", conclui o editorial.
Dilma perdeu três ministros por denúncias de corrupção nos últimos três meses (Foto: Reuters).

Câmara de Deputados, fábrica e abrigo de marginais

É muito difícil deixar de usar pelo menos um palavrão para manifestar indignação contra a vergonhosa, escandalosa e absurda decisão de ontem da Câmara dos Deputados de negar a cassação do mandato de Jacqueline Roriz. Em um ato de contravenção explícita, a deputada foi filmada recebendo propina, mas pela ótica boçal de 265 deputados isso não justifica sua cassação porque a contravenção se deu antes que tivesse sido eleita. Ou seja, na visão abjeta e amoral dessa quadrilha de 265 marginais, um indivíduo pode tranquilamente estuprar, assassinar, assaltar, ou o que seja -- se não for condenado pela justiça, mesmo que esteja respondendo a processo, e se eleger deputado ele estará blindado enquanto deputado for!

A Câmara dos Deputados consolida-se assim como o maior valhacouto de marginais do país, no sentido mais amplo e irrestrito dessa expressão. Além de marginais, aqueles 265 deputados são uns covardes, que não têm coragem e hombridade para votar a descoberto e se escondem atrás do biombo imundo, vil e sórdido do anonimato para no fundo se autodefender -- porque, não há a menor dúvida, todos elem têm vida pregressa emporcalhada e não podem abrir um precedente de cassação que pode atingí-los mais cedo ou mais tarde. A instituição do voto secreto no Congresso é coisa de pusilânimes, de gente corajosa apenas da boca p'ra fora e na execução de todos os crimes possíveis e imagináveis contra a ética, os bons costumes e o erário público, mas incapaz de um ato de hombridade e caráter como o simples, porém grandioso, ato de votar abertamente, olhando de frente seus pares e a nação.

Os 265 marginais da Câmara que preferiram proteger a bandoleira Jacqueline Roriz não tiveram também o destemor de se mostrar para seus eleitores, temendo que as urnas possam puní-los numa próxima eleição. Hoje, ouvi pelo rádio do carro um jornalista chamando a Câmara de prostíbulo, e acho que ele está certo, apesar da injustiça que isso representa para os prostíbulos e suas ocupantes -- elas pelo menos não usam máscaras para se esconder quando exercem sua profissão.

O gesto de ontem foi mais um tiro mortal contra a Lei da Ficha Limpa, porque a Câmara está criando e ampliando uma corja de contraventores imunes ao braço da Lei, enquanto tiverem seus diplomazinhos de deputados. A Câmara se enxovalhou de uma vez e, novamente, nos cobriu de vergonha.

Cientistas querem produzir pílulas de proteção solar a partir de corais

Cientistas esperam utilizar o sistema de defesa natural dos corais contra os nocivos raios ultravioleta do Sol (UV) para produzir uma pílula de proteção solar para consumo humano.

Uma equipe da universidade King's College, de Londres, visitou a Grande Barreira de Corais da Austrália para desvendar os processos genéticos e bioquímicos por trás do dom inato destes animais. Ao estudar algumas amostras da espécie ameaçada de coral Acropora, os cientistas acreditam poder reproduzir em laboratório os principais componentes responsáveis pela proteção solar. Testes com pele humana devem começar em breve.

Antes de criar uma versão em forma de comprimido, a equipe, liderada pelo professor Paul Long, pretende testar uma loção contendo os mesmos componentes encontrados no coral. Para fazer isso, os pesquisadores vão copiar o código genético usado pelos corais para criar os componentes e colocá-los, em laboratório, dentro de bactérias que podem se reproduzir rapidamente, a fim de proporcionar uma produção em grande escala. "Nós não poderíamos e não quereríamos usar o coral em si, já que ele é uma espécie ameaçada", disse Paul Long.

Segundo o professor, se sabe há algum tempo que os corais e algumas algas podem proteger-se dos raios UV em climas tropicais ao produzir seus próprios filtros solares, mas, até agora, eles não sabiam como isto ocorria. "O que nós descobrimos é que as algas que existem dentro dos corais produzem um componente que acreditamos ser transportado para o coral, que então o transforma em um protetor solar, tanto para benefício próprio quanto da alga", afirma Long. "Isto não só os protege dos danos dos raios UV, mas notamos que os peixes que se alimentam do coral também se beneficiam dessa proteção solar, então isto é claramente passado na cadeia alimentar."  Isto pode ocasionar, em algum momento, que as pessoas possam desenvolver uma proteção solar interior para sua pele e seus olhos ao tomar um comprimido contendo esses componentes.

Mas, por enquanto, a equipe de Long está concentrando seus esforços em uma loção. "Assim que nós recriarmos os componentes, poderemos colocá-los em uma loção e testá-la em pedaços de pele descartados depois de cirurgias plásticas", diz Long. "Nós não saberemos quanta proteção solar (a loção) poderá dar até que estejamos realizando testes", afirma. "Mas há a necessidade de melhores protetores solares."

Outro objetivo de longo prazo do estudo, financiado pelo Conselho de Pesquisa em Ciências Biotecnológicas e Biológicas britânico, é observar se os processos também podem ser usados para desenvolver a agricultura sustentável nos países em desenvolvimento. Os componentes naturais de proteção solar encontrados nos corais podem ser usados para produzir lavouras tolerantes aos raios UV, capazes de suportar a violência do Sol em climas tropicais.

Equipe quer reproduzir proteção solar natural dos corais (Foto: Albert Kok/Wikimedia Commons).


A Suiça não é mais o paraíso da segurança

A Suiça não é mais o país mais seguro do mundo, sua taxa de criminalidade tem aumentado de maneira constante desde 2004 e já se alinha em grande escala à do conjunto da Europa, segundo um estudo universitário publicado ontem em Berna. Os arrombamentos estão em alta, assim como a violência e as ameaças, o que não impede porém a população de confiar na polícia, segundo esse estudo realizado pelo instituto de criminologia da Universidade de Zurique, por solicitação das polícias cantonais do país.

Para o professor Martin Killias, supervisor do estudo, o mito da "Suiça como o país mais seguro do mundo" caducou. O estudo se baseou numa pesquisa feita com uma amostra de 2.000 pessoas, durante um período de cinco anos (de 2006 a 2010).

Em termos de arrobamentos, de agressões e de ameaças, a Suiça atingiu a média europeia, enquanto que em 1988 ela ostentava a taxa de criminalidade mais baixa da Europa.

Em 2004, data da última pesquisa desse tipo, 5,1% das pessoas interrogadas declararam terem sido vítimas de um arrombamento no período de tempo analisado. Hoje, elas são 7,1%.

Esse aumento deve ser relacionado à criminalidade com quadrilhas organizadas. Cada vez mais, quadrilhas estrangeiras escolhem a Suiça como alvo. Isto não é por acaso, segundo o professor, que comentou que "se fosse membro de uma quadrilha de Lyon (França), escolheria sem hesitar Genebra como alvo". Isso porque, em nenhum outro lugar, a lei e os procedimentos penais são tão pouco repressivos como na Suiça, comentou o mesmo professor, observando que um ladrão tem muito poucas chances de receber prisão preventiva se for interpelado.

O direito penal foi reformado há alguns anos na Suiça, com o objetivo de descongestionar as prisões.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cientistas brasileiros transformam células da pele em neurônios para estudar esquizofrenia

Uma pesquisa inédita no mundo, coordenada pelo Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, conseguiu reprogramar células da pele de pacientes esquizofrênicos e transformá-las em neurônios. Esses neurônios foram usados para identificar características bioquímicas da esquizofrenia. E, num passo adiante, os pesquisadores puderam consertar as falhas nos neurônios, fazendo com que trabalhassem como os de uma pessoa sem a doença.

Feito exclusivamente com tecnologia nacional, o trabalho uniu cientistas da UFRJ, UFRGS, USP e Instituto Nacional do Câncer (Inca), e foi aceito para publicação pela revista "Cell Transplantation". Sua primeira apresentação será esta manhã, na Academia Brasileira de Ciências.

Liderada pelo neurocientista Stevens Rehen, coordenador do Laboratório Nacional de Células-Tronco (LaNCE/UFRJ), a equipe isolou células da pele de 11 pacientes esquizofrênicos. Nesta primeira etapa, os cientistas trabalharam com o material extraído de uma mulher de meia idade. Em dois meses, as células foram isoladas e multiplicadas em laboratório. Depois, foram reprogramadas com o uso de vírus que carregavam genes específicos de células embrionárias. Sua conversão em neurônios, após mais 40 dias, permitiu identificar uma anormalidade no metabolismo das células.


"Não há qualquer diferença nas células da pele de esquizofrênicos e de não-portadores do transtorno" - ressalta Rehen. - Mas houve uma alteração bioquímica no estágio inicial do desenvolvimento do sistema nervoso, durante a transformação da célula embrionária em neurônio. Constatamos que este material, nos pacientes com esquizofrenia, consome duas vezes mais oxigênio do que uma pessoa saudável".
 
Segundo o neurocientista, a mudança no metabolismo não aumentou a ocorrência de morte celular. Ainda assim, pode ter alterado a produção de proteínas e o processo de envelhecimento das células, além da troca de informações entre elas. Estas falhas foram remediadas na última etapa do estudo, quando os pesquisadores usaram ácido valproico, uma substância usada no tratamento de portadores de transtornos mentais. Foi a primeira vez no mundo em que se reverteu, no laboratório, marcas bioquímicas de neurônios humanos com esquizofrenia. As células produzidas em laboratório podem ser multiplicadas em quantidades praticamente infinitas. A placa em que são colhidas tem 384 espaços - cada um deles pode gerar uma colônia. E esta placa pode ser usada dezenas de vezes.

"Poderemos testar centenas de tratamentos para o transtorno mental ao mesmo tempo - explica Rehen. - Os neurônios que vêm da pele vão acelerar o processo de identificação desses medicamentos. Vamos conversar com os psiquiatras do nosso grupo de pesquisadores para identificar que remédios, e em que dosagem, terão prioridade". É, de acordo com ele, o início de uma medicina personalizada - afinal, alguns pacientes usam vários remédios até encontrar um que reduza seus surtos psicóticos. E o melhor: tudo será feito em laboratório, sem que a pessoa sirva como cobaia. 

A conversão em neurônios das células de pele de outros dez pessoas com a doença já está em andamento. A partir deste estudo, Rehen quer criar um banco de células-tronco reprogramadas de pacientes com desordens mentais. - O caminho para a cura de doenças mentais passa pela análise das células vivas. "Não devemos limitar o estudo aos tecidos de pacientes mortos, como era feito até agora - assinala Rehen. - Nossa ideia é formar este banco de células e torná-lo disponível a quem quiser estudar". 

Este é apenas o segundo trabalho no mundo que mostra alterações nas células de esquizofrênicos. Uma grande vantagem do estudo, segundo Rehen, é ter a etapa inicial com células da pele, que podem ser obtidas com facilidade. Os dados obtidos sobre o transtorno mental a partir deste método peculiar casam com outros indicadores, já corroborados pela literatura médica.

Uma em cada cem pessoas do mundo sofre de esquizofrenia, um transtorno psiquiátrico crônico, grave e incurável, normalmente iniciado na adolescência ou no início da vida adulta. No Brasil, a doença acomete 1,9 milhão de pacientes - quase o triplo dos portadores de HIV (630 mil) - e provoca um gasto público anual superior a R$ 25 milhões.






Hackers roubam dados de usuários de sites da Google por meio de certificado fraudulento

Hackers utilizaram um certificado de segurança forjado para roubar dados e senhas de usuários de todos os sites da Google. O ataque foi primeiro relatado por internautas iranianos e acabou sendo confirmado por especialistas de segurança do Kasperky Lab.

O ataque é conhecido como "man-in-the-middle". Os criminosos, ainda não identificados, direcionavam os usuários para falsos sites da Google, sobretudo o Gmail. Os hackers apresentavam um falso certificado SSL - protocolo usado para proteger e autenticar tráfego de internet sensível a ataques, como transações comerciais e acesso a e-mails. Dessa forma, o internauta era induzido a digitar sua senha no site malicioso acreditando tratar-se de um site seguro.

Mas o certificado foi emitido para os hackers, em 10 de julho, por meio de uma autoridade emissora autêntica, a holandesa DigiNotar. Ou seja, os criminosos podem ter recolhido senhas de usuários de sites da Google por quase dois meses. Em post em seu blog de segurança, a Google disse que usuários de Chrome não foram afetados porque o navegador é capaz de detectar o certificado fraudulento. Mesmo assim, disse que vai desabilitar os certificados do DigiNotar durante as investigações. A empresa também informou que a Mozilla (do Firefox) e a Microsoft (do Internet Explorer) tomaram medidas no mesmo sentido.

O primeiro usuário a identificar o problema foi um iraniano, que desconfia que o ataque tenha sido arquitetado pelo governo do país para espionar os cidadãos. Ele notou que havia algo errado porque o navegador Chrome emitiu um alerta quando ele tentava acessar o Gmail.








Violência migrou do Sudeste para o Nordeste do Brasil, diz "New York Times"

O mapa da violência no Brasil se reconfigurou. Regiões tradicionalmente violentas no país, como o Sudeste, onde o Rio de Janeiro e São Paulo são palcos de tiroteios e sequestros, deram lugar ao Nordeste, segundo reportagem do "New York Times" desta terça-feira. De acordo com uma pesquisa feita pelo cientista político José Maria Nóbrega, professor da Universidade Federal de Campina Grande (PB), nos últimos dez anos o índice de assassinatos no Nordeste dobrou. No mesmo período, o número de homicídios caiu 47% no Sudeste.

A reportagem aponta o boom econômico no Brasil como o principal fator para a migração do tráfico para outras partes do país, uma vez que os "traficantes buscam novos mercados". Ainda segundo o jornal americano, o aumento do poder aquisitivo da população até então carente tem estimulado o tráfico, resultando em conflitos entre facções rivais.

O "New York Times" também fala sobre a devastadora chegada do crack em Salvador, particularmente na comunidade Nova Constituinte, na periferia da cidade. E traz dados que mostram que a explosão de violência na última década se concentra na Bahia e em Alagoas. De acordo com a reportagem, entre 1999 e 2008, a taxa de assassinatos no estado baiano cresceu 430%. O jornal americano ainda chama a atenção para o fato de que Salvador é uma das cidades que vão receber os jogos da Copa do Mundo, em 2014, o que torna o alto índice de violência ainda mais preocupante, como mostram relatos de agentes de viagens sobre a repercussão dos crimes na Bahia.

Em entrevista ao NYT, o governador da Bahia, Jaques Wagner, minimizou as preocupações com os jogos, lembrando que todo ano o Carnaval no estado recebe mais de um milhão de turistas, cuja segurança é garantida por 22 mil policiais.








Alta de tablets faz LG diminuir investimento em telas planas

A fabricante de telas planas LG Display reduzirá em 25% seu investimento no ano que vem, já que a demanda crescente por aparelhos móveis como o iPad e smartphones Android está prejudicando as vendas de painéis para televisores, sua principal fonte de renda.

Sofrendo de excesso de capacidade há mais de um ano, as perspectivas para o setor de telas de cristal líquido (LCD) se agravaram, prejudicando a Samsung Electronics e a LG Display, que juntas respondem por metade do mercado mundial. O corte anunciado pela LG Display, a primeira grande empresa de tecnologia a revelar cortes pesados em planos de investimento em 2012, reduzirá o capital investido pela empresa ao seu total mais baixo em quatro anos.

Os fabricantes de televisores estão lutando contra a demanda fraca, o que forçou a Sony a reduzir sua exposição nos segmentos de painéis para televisores, como a Samsung e a Sharp. Enquanto isso, a Philips Electronics está promovendo a cisão de sua deficitária divisão de TVs. “Os fabricantes de telas LCD terão planos de investimento conservadores em 2012, e a LG deve cortar os gastos ainda mais, dada a baixa visibilidade causada pela baixa demanda, especialmente na Europa e Estados Unidos”, disse John Soh, analista da Shinhan Investment & Securities, nesta segunda-feira, 29. “A LG deve divulgar prejuízos mais altos para o trimestre atual e a perspectiva para os próximos nove meses é pavorosa devido à demanda fraca por computadores e TVs”, acrescentou.

A baixa demanda por computadores e televisores é a grande preocupação para os fabricantes de painéis LCD, já que os dois produtos respondem por cerca de 90% do consumo de painéis de telas planas de grande porte. Os rivais de menor porte da LG Display, como a AU Optronics e Chimei Innolux, de Taiwan, já reduziram seu investimento este ano.

A LG Display é grande fornecedora de painéis para iPads e iPhones e vem aumentando firmemente as vendas de painéis para tablets e leitores eletrônicos, para compensar a demanda fraca por telas para TVs e monitores de computadores.

Este mês, informação da imprensa afirmou que a LG Electronics, segunda maior fabricante de televisores do mundo, cortou sua meta de vendas de TVs deste ano em 20%, juntado-se à Sony na expectativa de um movimento mais fraco por causa das incertezas econômicas globais. Os preços de televisores LCD com telas de 40 a 42 polegadas acumula queda de mais de 10% até agora neste ano.

Amazon pode vender até 5 milhões de tablets

A Amazon pode vender até cinco milhões de tablets no quarto trimestre, o que faria da maior varejista da internet a principal competidora da Apple no segmento, afirmou a empresa de pesquisa Forrester Research nesta segunda-feira, 29.

A Amazon.com precisa dar a seu tablet um preço “significativamente” inferior aos das concorrentes e ter em estoque aparelhos suficientes para atender a demanda. Caso a companhia consiga resolver esses problemas, pode vender “facilmente” de três a cinco milhões de unidades nos últimos três meses de 2011, previu Sarah Rotman Epps, da Forrester.

A Apple vendeu pelo menos 30 milhões de iPads desde o lançamento do produto em abril de 2010. Produtos de rivais como Samsung, Research in Motion e Motorola Mobility não representaram ainda um real desafio ao produto. Neste mês a HP anunciou que não irá mais comercializar seu TouchPad após as vendas do aparelho definharem.

“Até o momento, a Apple enfrentou muitos pretensos competidores, mas nenhum ganhou participação de mercado relevante”, escreveu Epps. “A Amazon tem o potencial de ganhar uma fatia das vendas rapidamente, além de estar disposta a vender hardware abaixo do preço, como fez com o Kindle. Isso faz com que ela seja um competidor desagradável (para a Apple)”.

Um problema para concorrentes do iPad tem sido o pequeno número de softwares personalizados em comparação com o produto da Apple –estimado pela própria empresa em 100 mil aplicativos– notou a Forrester. “Se o tablet da Amazon, baseado no sistema operacional Android (do Google) vender milhões (de unidades), o Android vai parecer mais atraente para desenvolvedores que tiveram como postura esperar para ver o resultado”, relatou Epps.

Mulheres preferem e-reader, homens são adeptos do tablet

Uma pesquisa conduzida pela Nielsen nos Estados Unidos revelou que há mais mulheres donas de e-reader (leitores eletrônicos) do que homens. No segundo trimestre de 2011, o estudo verificou que 61% dos donos de e-reader eram do sexo feminino – porcentagem que era de 46% no terceiro trimestre de 2010.

Já na categoria smartphones não há prevalência de gênero. Metade dos usuários é do grupo masculino e a outra metade do feminino. A pesquisa considera apenas o território norte-americano, o que sugere que a Amazon é a principal fonte de compra das mulheres e a Apple, a dos homens. Ambas as empresas são líderes, respectivamente, nos mercados de e-reader e tablet (Kindle e iPad).

Tablet da Amazon
O mercado espera a chegada do primeiro tablet da Amazon para outubro deste ano; e analistas acreditam que já no quarto trimestre de 2011 serão vendidas entre 3 milhões e 5 milhões de unidades. Será que, com essa novidade, o gráfico abaixo vai mudar?


Metade dos jovens entre 13 e 15 anos já comprou cigarro, diz pesquisa

 Essa pesquisa vem, mais uma vez, comprovar que no Brasil não há fiscalização do poder público e predomina a ganância dos comerciantes na venda de cigarros para menores de idade.

Metade dos adolescentes com idades entre 13 e 15 anos já comprou cigarro, apesar de o País dispor de lei federal que proíbe a venda do produto para menores de idade. Entre as meninas, o porcentual é um pouco maior: 52,6% ante 48,1% para os meninos. Em algumas capitais, o índice de jovens que nunca foi impedido de comprar cigarros ficou muito acima da média - em Maceió, chegou a 96,7%; em Fortaleza, a 89,9%; e em Salvador, a 88,9%.

Os dados fazem parte do livro A Situação do Tabagismo no Brasil, que o Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou ontem, Dia Nacional de Combate ao Fumo. O material reúne dados de pesquisas do Sistema Internacional de Vigilância do Tabagismo da Organização Mundial da Saúde realizadas no Brasil entre 2002 e 2009. 

Liz Almeida, gerente da Divisão de Epidemiologia do Inca, lembra que as leis existem e são claras - proíbem a venda de cigarros para adolescentes, até mesmo a comercialização por unidades. Ela afirma que os órgãos competentes não dão conta de fiscalizar todos os bares, padarias, bancas de jornal. "Acho que não cabe uma ação coercitiva. Mas cabe a nós, cidadãos, chegar até o dono do estabelecimento e falar sobre os motivos da proibição, lembrar que, para o jovem, desenvolver essa dependência significará o surgimento precoce de doenças cardiovasculares, respiratórias e câncer, que vão tirar a vida dele mais cedo do que deveria", afirmou a gerente do Inca.

Para a organização não governamental Aliança de Controle ao Tabagismo (ACT), é preciso restringir ainda mais o acesso ao cigarro. "Há uma exposição excessiva das embalagens. Elas estão ao lado de balas, chocolates, um tipo de produto atrativo para crianças ainda menores. É preciso diminuir a exposição do cigarro", disse a diretora executiva Paula Johns.  A associação lançou ontem a campanha Limite Tabaco, que pede mais restrições para a exibição do cigarro. "Não se trata de proibir a venda, mas o cigarro tem de ser comercializado com responsabilidade. Um produto que mata um em cada dois consumidores precisa ser regulado."

O levantamento feito pelo Inca mostra que 77,9% dos fumantes começaram com menos de 20 anos. E a baixa escolaridade está ligada ao início precoce do hábito. "Quanto menor a escolaridade, maior a quantidade de jovens que fuma mais precocemente. Quanto maior a escolaridade, mais tarde as pessoas começam a usar o tabaco", afirma Liz. Entre pessoas com menos de um ano de escolaridade, 40% delas começaram a fumar antes dos 15 anos. Na outra ponta, aquelas que têm mais de 11 anos de estudo, apenas 12,9% fumaram antes dos 15.

A pesquisa revela que a proporção de mulheres que começou a fumar antes dos 15 anos é superior à dos homens - 21,9% para elas e 18% para eles. Em algumas capitais, a diferença é ainda maior. Em Porto Alegre, por exemplo, 52,6% das meninas disseram já ter fumado pelo menos uma vez, contra 38% dos meninos. Em Curitiba, 46,9% das meninas disseram ter experimentado cigarro, ante 35,7% dos meninos. Em São Paulo, a diferença foi de 38% para elas e 29,7% para eles. No Rio, 36,5% das jovens fumaram ao menos uma vez, e, entre os meninos, o índice foi de 29,5%.

"As pesquisas mostram que não adianta apenas a escola abordar o assunto. Isso não funciona se os adolescentes chegarem em casa e encontrarem os pais fumando, se nos outros ambientes que eles frequentam as pessoas fumam. Isso parece muito contraditório. As experiências bem-sucedidas, no mundo, são aquelas em que as ações foram coordenadas para todos os ambientes", ressalta Liz. 

"Não se trata de proibir a venda, mas o cigarro tem de ser comercializado com responsabilidade. Um produto que mata um a cada dois consumidores(que o utiliza) precisa ser regulado", diz Paula Johns, diretora executiva da aliança de controle ao tabagismo.
Clique na imagem para ampliá-la (Fonte: O Estado de S. Paulo).

Governo reduzirá tribuno de usina para elevar oferta de etanol

A política do governo em relação ao etanol combustível continua sendo feita na base da administração por espasmo ou por arroto, confirmando postagens anteriores que fiz. A decisão agora é reduzir a tributação das usinas para aumentar a oferta de etanol no mercado -- como não planeja, o governo toma decisões pontuais beneficiando esse ou aquele setor da economia. Usineiro tem fama de sempre tirar proveito do governo -- ganha um doce quem adivinhar o que acontecerá com a produção do etanol, mesmo com essa colher de chá do Planalto, se o preço do açúcar estiver melhor cotado no mercado. Sem esquecer que também não é impossível que falte açúcar por causa da produção do etanol ...

O governo irá reduzir a tributação das usinas de cana-de-açúcar produtoras de etanol. O objetivo é estimular a produção do combustível é atrair mais investidores e, dessa forma, evitar que o combustível falte no país. Segundo o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, haverá uma diminuição de PIS/Cofins para essas empresas.

Bertone também informou que o governo irá usar recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiar o tratamento e a renovação de canaviais. Segundo ele, esse financiamento será dado aos produtores com taxas de juros mais baixas.  De acordo com o secretário, essa decisão foi tomada para dar mais segurança energética ao país. "O principal motivo dessa redução é a segurança energética. Essas são medidas que proporcionem aos investidores uma melhor atração. Para que o país possa se beneficiar desse produto", explicou.

"O Ministério da Fazenda está preparando essas medidas e devem ser anunciadas em breve. Envolvem medidas de cunho fiscal, como o PIS/Cofins. Financiamento para renovação e tratamento dos canaviais detidos pelas usinas. Serão recursos do BNDES e a taxa de juros será diferenciada", afirmou Bertone. "Queremos aumentar o volume de financiamento, a taxas de juros mais adequadas, de modo que os canaviais possam ser renovados na sua plenitude", declarou.

Ontem, o governo anunciou a redução de 25% para 20% do teor de álcool anidro misturado à gasolina vendida nos postos do país. A medida foi tomada para tentar evitar a falta de etanol no mercado --o preço do combustível tem aumentado muito nas últimas semanas. Além disso, a produção de cana-de-açúcar no país deve ter queda de 5,6% na safra 2011/212, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Agricultura.  Essa medida ocorre após a ampliação da importação dos produtos dos EUA. No mesmo sentido, em abril o governo já havia decidido alterar o intervalo percentual de álcool anidro que era permitido adicionar à gasolina. Por meio de medida provisória, foi estabelecido o piso de 18% e o máximo de 25% de adição, regra que alterou o intervalo de 20% a 25% em vigor até então. Com isso, se achar necessário, o governo poderá reduzir ainda mais, para até 18%, o percentual de álcool na gasolina.

Com o aumento do preço do álcool combustível (hidratado), o consumidor que tem carro flex migrou para a gasolina. A maior demanda pelo derivado de petróleo exigiu volume maior de anidro, cujo preço disparou.  O governo prevê que o menor percentual de anidro reduza seu preço e, por consequência, o da gasolina.


Astrônomo brasileiro acha estrelas com massa de 80 "sóis"

Um astrônomo brasileiro radicado no Chile e sua equipe da Universidade de La Serena descobriram duas estrelas novas, muito maciças, brilhantes e aparentemente isoladas na Via Láctea. Essas características fazem desses objetos (batizados de WR20aa e WR20c) astros extremamente raros na galáxia.
Os astrônomos estimam que as estrelas tenham até 2 milhões de anos (jovens, em termos astronômicos).

Além disso, as estrelas podem ter, cada uma, pelo menos 80 vezes a massa do nosso Sol --o que também é não é muito comum encontrar. "A galáxia pode conter vários bilhões de estrelas, mas a maioria tem massa pequena", diz o físico e astrônomo Alexandre Roman Lopes, coordenador do trabalho.

O que os cientistas não esperavam era encontrar essa dupla de estrelas isolada na galáxia. Como esse tipo de estrela vive pouco (alguns milhões de anos), em geral elas não têm tempo de se distanciar de onde se formaram. Isso resulta em aglomerados de estrelas na galáxia, próximos à sua "fábrica". Essas "fábricas" funcionam no interior de enormes aglomerados de gás e poeira onde, sob efeito da força gravitacional, acontece a concepção estelar. Por estarem muito longe do local de origem, a dupla é candidata a "runaway", ou seja, objetos estelares que viajam a uma grande velocidade e se distanciam cada vez mais de onde nasceram.

Os pesquisadores acreditam que a dupla tenha sido ejetada de um superaglomerado de estrelas de altíssima massa chamado Westerlund 2, que fica na direção da constelação de Carina, a cerca de 26 mil anos-luz do Sol.  No centro desse aglomerado, existe um grupo compacto de estrelas muito brilhantes onde são observadas nuvens de gás remanescente do seu processo de formação. Eles descobriram que uma linha imaginária conectando as duas estrelas "cruza" o aglomerado exatamente na sua parte central. Isso significa que elas devem ter saído de onde está o "berçário" dos objetos de grande massa. "Estudos de dinâmica estelar preveem que estrelas de massa muito grande não convivem bem entre si. Algumas sempre acabam expulsas pelas companheiras", explica.

O trabalho, que tem apoio do Observatório Las Campanas e do ESO (Observatório Europeu do Sul), estará na "MNRAS" ("Monthly Notices of the Royal Astronomical Society") do mês de setembro. 

O estudo das estrelas supermaciças, além de contribuir para a compreensão da formação estelar, pode ajudar a explicar a origem da vida. Essas estrelas produzem, no seu interior, oxigênio, carbono e nitrogênio, e no fim da sua evolução, até ferro. "Os elementos mais complexos necessários à vida são produzidos por estrelas maciças. De certo modo, somos filhos desse tipo de estrela", diz Lopes.
Clique na imagem para aumentá-la (Fonte: Folha de S.Paulo).

Estação espacial pode ter que ser evacuada no final de novembro se foguetes russos não decolarem, diz a NASA

Astronautas podem ter que tomar a medida sem precedentes de, temporariamente, abandonar a Estação Espacial Internacional (EEI), se o acidente da semana passada com o foguete russo impedir que astronautas voem para lá neste outono.

Até que os especialistas identifiquem o que aconteceu de errado com o essencial foguete Soyuz russo, não há como lançar qualquer astronauta de novo antes que os astronautas que hoje ocupam a EEI tenham que deixá-la em meados de novembro. Essa situação inquietante e perturbadora surge poucas semanas depois do fim dos voos dos ônibus espaciais da NASA.

"Temos inúmeras opções",  assegurou ontem o chefe do programa espacial da NASA, Mike Suffredini, a jornalistas. "Estaremos focados na segurança da tripulação, como fazemos sempre".  [Me pergunto: há, realmente, "inúmeras" opções, se não houver foguete russo confiável? Fora tirar um ônibus espacial  da aposentadoria, que outro recurso resta à NASA?].

Abandonar a estação espacial, mesmo que por um curto período, será um último recurso desagradável para as cinco agências espaciais que passaram décadas trabalhando nesse projeto. Viajando a 27.700 km/h, a EEI completa 15,77 órbitas por dia e é o resultado do trabalho conjunto da Agência Espacial Canadense (CSA/ASC), da Agência Espacial Europeia (ESA), da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA), da Agência Espacial Federal Russa (Rokosmos) e da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA (NASA). Astronautas têm vivido a bordo da EEI desde 2000, e o objeto é mantê-la operando até 2020.

Suffredini disse que controladores de voo podem manter uma estação espacial deserta operando indefinidamente, desde que todos os seus principais sistemas estejam operando adequadamente. O risco da estação cresce, no entanto, se não houver ninguém nela para reparar falhas de equipamentos. Atualmente há seis cosmonautas de três países vivendo na EEI. Três devem deixá-la no mês que vem; os outros três devem fazê-lo em meados de novembro. Eles não podem ficar nem um pouco mais, por causa de restrições da espaçonave e de aterrisagem.

O lançamento da próxima tripulação em 22 de setembro -- a primeira a voar depois da era dos ônibus espaciais -- já foi adiado por tempo indefinido. A nave russa Soyuz tem sido por dois anos o único meio de transportar residentes de tempo integral da EEI para cima e para baixo. A cápsula fica estacionada na EEI até que alguém a pilote de volta para casa.

Para manter a EEI com uma equipe completa de seis astronautas durante o máximo de tempo possível, o americano e os dois russos que deveriam retornar à Terra em 8 de setembro terão que permanecer a bordo pelo menos por uma semana a mais. No tocante a suprimentos, disse Suffredini, a estação está bem estocada e pode manter-se até o próximo verão. No último voo dos ônibus espaciais, a nave Atlantis levou no mês passado suprimentos para um ano de operação da EEI. A espaçonave russa não tripulada destruída na quarta-feira levava 3 toneladas de suprimentos.

Por ora, as operações em órbita estão normais, observou Suffredini, e a semana extra na EEI para metade da tripulação significará trabalho de pesquisa adicional. 

A Soyuz tem sido extremamente confiável por décadas -- essa foi a primeira falha em 44 transportes russos de suprimentos para a EEI. Mesmo com um retrospecto tão bom, muita gente dentro e fora da NASA ficou preocupada com a retirada dos ônibus espaciais antes que um substituto estivesse pronto para levar astronautas.

Autoridades espaciais russas montaram uma equipe de investigação, e até que ela apresente a causa do acidente e um plano de reparos, os programas de lançamento e aterrisagem permanecem sob questão. Nenhum dos escombros da espaçonave foi ainda recuperado; eles caíram em uma área remota e coberta de florestas da Sibéria. O terceiro estágio do foguete não funcionou direito -- aparentemente, um perda súbita de pressão foi observada entre o motor do foguete e a turbo-bomba.
A Estação Espacial Internacional (Foto: Google).

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ex-WikiLeaks destruiu documentos secretos

Daniel Domscheit-Berg, ex-membro do WikiLeaks que se desentendeu com a organização no auge da crise do Cablegate e fundou o Openleaks, afirmou ao jornal alemão Der Spiegel que destruiu mais de 3.500 documentos destinados à organização no ano passado. Os arquivos estiveram com o Wikileaks durante todo o ano de 2010, mas Domscheit-Berg os levou ao sair do grupo e teria se desfeito deles depois de uma negociação frustrada de devolução.

No sábado, um texto postado no fórum WL Central e atribuído a Julian Assange criticou fortemente Domscheit-Berg por supostamente manter relações próximas com agências de inteligência e autoridades policiais. Nesta segunda-feira, 29, a conta oficial do Wikileaks seguiu criticando o ex-membro no Twitter:
“Muitos nomes estão na lista do processo que o WikiLeaks está sofrendo nos EUA. JA [Julian Assange], ROP [Rop Gonggrijp] e até BJ [Birgitta Jónsdóttir]. Mas DDB [Daniel Domscheit-Berg] nunca é citado. Por quê?”

Ele disse que destruiu os arquivos para evitar que as fontes fossem reveladas. Entre os documentos destruídos estaria a lista do governo norte-americano de supostos terroristas proibidos de descer de avião nos Estados Unidos e um arquivo com informações sobre mais de vinte organizações de extrema direita.

Ex-membro da organização alemã Chaos Computer Club (CCC), Domscheit-Berg foi expulso do hacker club por sabotar o projeto do WikiLeaks e usar o nome do CCC por motivos pessoais – conseguir publicidade para o Openleaks. Na época, o porta-voz Andy Müller-Maguhn expressou dúvidas sobre a integridade e os objetivos do ativista.
O ex-membro do grupo, Daniel Domscheit-Berg, fala sobre seu livro "Inside WikiLeaks"(Foto: Thomas Peters/Reuters). 

Governo vai reduzir para 20% percentual de álcool na gasolina

No dia 28/7 fiz uma postagem com o título "Etanol brasileiro: um pepino, um abacaxi, ou ambos?". A notícia abaixo só faz confirmar o título e o texto da postagem.

O governo vai reduzir de 25% para 20% a proporção da mistura de álcool anidro na gasolina a partir de 1º de outubro. A informação foi dada nesta segunda-feira, 29, pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, depois de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff. "Nós temos que garantir o abastecimento olhando para este ano e olhando para o próximo ano também porque verificamos que a safra do próximo ano não será muito melhor do que a atual. Então temos que tomar providência desde logo", justificou Lobão.

O novo porcentual da mistura de álcool na gasolina valerá por tempo "indeterminado", segundo o ministro. "Depois calibraremos, verificando a resolução, no momento em que acharmos que há segurança para suspendermos", afirmou. Além dessa medida de "segurança" contra desabastecimento do mercado e de preços altos, Lobão ressaltou que medidas complementares já anunciadas, como o financiamento da estocagem também serão adotadas. Segundo o ministro, os parâmetros das linhas de financiamento com "favorecimento" estão em fase e considerações finais do ministro da Fazenda, Guido Mantega. A previsão, segundo Lobão, é de que as medidas sejam anunciadas nos próximos dias. Também participaram da reunião Mantega, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, e a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Na última sexta-feira, o ministro minimizou a quebra da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul e os impactos das perdas nas lavouras para a produção de etanol. Mesmo com uma redução de entre 50 milhões e 70 milhões de toneladas de matéria prima entre as safras 2010/2011 e 2011/2012 - o correspondente a toda produção do Nordeste, ou ainda da Tailândia, terceiro produtor mundial de cana - o ministro classificou a perda como "pequena" e "conjuntural".

No dia 27 de julho, o governo federal anunciou que havia adiado por 30 dias a decisão de reduzir a mistura do etanol na gasolina. Na época, Lobão havia dito "não há desabastecimento de etanol e, muito menos, de gasolina" que exigisse uma alteração neste momento.

Dilma aprova reajuste de IR mas veta dedução extra de doméstico

A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei lei 12.469, que altera os valores da tabela do Imposto de Renda, informa o "Diário Oficial" da União desta segunda-feira. Dilma vetou, no entanto, a possibilidade de o empregador deduzir montantes pagos para plano de saúde privados de empregados domésticos.

O texto afirma que o desconto configuraria "benefício fiscal" e poderia distorcer o princípio da capacidade contributiva.

O texto altera as faixas de isenção e contribuição de acordo com o rendimento, conforme anunciadas há alguns meses. Com a correção da tabela do IR em 4,5%, a faixa de isenção passou para R$ 1.566,61 neste ano (era de R$ 1.499,15 no ano passado).  A lei estabelece ainda uma política de reajustes até 2014. Em 2012, a isenção será para ganhos até R$ 1.637,11; em 2013, até R$ 1.710,78; em 2014, até R$ 1.787,77.

Tabela Progressiva para o cálculo mensal do Imposto de Renda de Pessoa Física para o exercício de 2012, ano-calendário de 2011
Base de cálculo mensal, em R$ Alíquota, em% Parcela a deduzir do imposto, em R$
Até 1.566,61 zero zero
De 1.566,62 até 2.347,85 7,5% 117,49
De 2.347,86 até 3.130,51 15% 293,58
De 3.130,52 até 3.911,63 22,50% 528,37
Acima de 3.911,63 27,50% 723,95

Esse reajuste aprovado por Dilma é totalmente insatisfatório, e continua a penalizar o contribuinte com uma correção completamente desfocada da nossa realidade econômica dos últimos anos -- é bom lembrar, por exemplo, que as centrais sindicais reivindicaram uma correção acima de 6%.

Banco Central Europeu apela a governos para manterem suas promessas para resolver a crise

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, apelou hoje aos governos da zona do euro para que cumpram suas promessas para resolver a crise da dívida, em um contexto marcado por incertezas "particularmente altas". "É essencial o cumprimento total e em tempo hábil das decisões tomadas por ocasião da reunião de cúpula de 21 de julho", afirmou Trichet durante uma audiência no parlamento europeu em Bruxelas, enquanto as garantias exigidas pela Finlândia principalmente para ajudar à Grécia fazem crer que as negociações vão ser mais demoradas que o previsto.

"A determinação dos outros países da zona do euro (excetuando a Grécia) de honrar plenamente seu compromisso soberano -- tudo fazer para estar à altura de sua qualificação para a emissão de dívida pública (Nota da Redação) -- é um fator essencial para voltar a uma situação de finanças sadias e para contribuir a que se tenham condições de mercado estáveis", acrescentou ele.

Trichet reconheceu no entanto que as perspectivas econômicas para a zona do euro são sombrias, com um crescimento modesto num contexto de grandes incertezas.

Espera-se, não obstante, uma inflação que deve permanecer acima de 2% nos próximos meses, ou seja acima do patamar que inquieta o BCE, preocupado em conter a alta dos preços.

O BCE está em processo de avaliar os "riscos" que essa situação representa para o aumento dos preços a médio prazo, enquanto os mercados não contam doravante com um novo aumento das taxas do BCE em 2011.
Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu(Foto: Michael Probst/AP).

Triplice Fronteira gerou atrito com EUA, apontam telegramas

Nas semanas seguintes aos atentados de 11 de setembro de 2001, o Brasil reagiu, em uma reunião cercada de sigilo, à posição norte-americana de apontar a região da Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai) como um foco de grupos terroristas. É o que revelam os telegramas confidenciais inéditos produzidos pelo Itamaraty e liberados à consulta após um pedido da Folha de S. Paulo.

O recado ao governo de George W. Bush foi dado pelo então ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), vinculado à Presidência, general Alberto Mendes Cardoso. Ele se reuniu em Washington com funcionários da CIA, a agência central de inteligência dos EUA, e com o embaixador Francis Taylor, então coordenador de contraterrorismo do Departamento de Estado.  No encontro, Cardoso ressaltou "a necessidade de não 'satanizar' a região da Tríplice Fronteira, acusando-a, sem indícios, de ser uma área de terrorismo".

Dias depois, Cardoso disse ao Itamaraty que boicotaria seminário apoiado pelos EUA no Paraguai para discutir a "prevenção do terrorismo e do crime organizado".  Um telegrama confidencial enviado pelo Itamaraty à embaixada brasileira em Washington diz que Cardoso afirmou aos norte-americanos que "não se deveria perder tempo com encontros de viés acadêmico". O Itamaraty encampou a visão de Cardoso e desautorizou seu corpo diplomático a tomar "decisões" durante o seminário, liberando apenas "intercâmbio de ideias e de pontos de vista".

Outros telegramas recém-liberados reafirmam o incômodo do Brasil com as acusações sobre a fronteira. 

Os documentos mostram que, em 5 de outubro de 2001, o embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa, "manifestou preocupação" a Steven Monblatt, vice-coordenador para contraterrorismo do Departamento de Estado, sobre "repetidas declarações" do governo dos EUA sobre a fronteira. Dias antes, Monblatt havia dito à Folha ver "elos" do terrorismo na região. Na conversa com Barbosa, Monblatt disse que a América Latina era uma "região de apoio" para os terroristas. Barbosa deixou registrado: "[Monblatt] não apresentou qualquer elemento de informação para respaldar sua afirmação".

No mesmo mês, Barbosa contou em telegrama que tentou se encontrar com autoridades do FBI (equivalente à Polícia Federal brasileira) para explicitar a posição brasileira, mas o FBI recusou a audiência. O argumento apresentado foi que o FBI não recebia "embaixadores estrangeiros", o que era incorreto, segundo Barbosa. "Ao chegar [a Washington], no âmbito das visitas que fiz a diversos órgãos da Administração [dos EUA], fui muito bem recebido no FBI."
Dez anos depois, Barbosa disse à Folha que as acusações dos EUA sobre a Tríplice Fronteira continuam sem qualquer fundamento. "Eles nunca nos apresentaram provas do que diziam."

À parte essa área de atrito, as relações entre Brasil e EUA se estreitaram nos dias posteriores ao 11 de Setembro. Logo após o atentado, o Brasil evocou, em votação na OEA (Organização dos Estados Americanos), o tratado militar Tiar, que age como mecanismo de autodefesa coletiva dos países da região em caso de ataque externo. Nas conversas que Barbosa manteve naqueles dias, autoridades norte-americanas elogiaram a medida brasileira, qualificando o país como "um verdadeiro amigo".
General Alberto Mendes Cardoso (Foto: Google).

Embaixador Rubens Barbosa (Foto: Google).

11 de setembro: cinco teorias de conspiração

O 11 de setembro de 2001 deixou marcas indeléveis no povo e na história dos EUA, e até alimenta controvérsias e teorias às vezes mirabolantes.

Dez anos depois dos ataques de 11 de setembro no Estados Unidos, diversas teorias conspiratórias continuam populares. De um modo geral, as formulações se concentram em torno de supostas "perguntas não respondidas" pelos relatórios sobre o incidente e sugerem que o governo americano pode ter planejado os ataques juntamente com o exército. Conheça as cinco teorias conspiratórias mais proeminentes que circulam em comunidades online.

1. Falha ao interceptar os aviões sequestrados

 A pergunta: Por que a força aérea mais poderosa do mundo não conseguiu interceptar nenhum dos quatro aviões sequestrados?

 O que os teóricos da conspiração dizem: O vice-presidente dos Estados Unidos na época, Dick Cheney, teria dado ordens para que o Exército não tentasse recuperar os aviões das mãos dos sequestradores.

O que os relatórios oficiais dizem: Este foi um sequestro múltiplo incomum, com violência a bordo, e no qual o transponder, que transmite a localização exata do avião, foi desligado ou alterado.

Um exercício militar de rotina também estava acontecendo no mesmo dia do comando da defesa aérea americana e teria havido confusão e falta de comunicação entre o controle de tráfego aéreo civil (FAA) e o Exército. O equipamento do Exército também estava obsoleto e foi planejado para procurar sobre o oceano por ameaças na Guerra Fria, segundo oficiais.

2. A queda das Torres Gêmeas

 A pergunta: Por que as Torres Gêmeas caíram tão rapidamente e dentro da própria área que ocupavam, após incêndios em poucos andares que duraram somente uma ou duas horas? 

O que os teóricos da conspiração dizem: As Torres Gêmeas foram destruídas por demolições controladas. 

 As teorias se referem ao desmoronamento rápido dos prédios (que durou cerca de 10 segundos) e aos incêndios relativamente curtos (56 minutos no World Trade Center 2 e 102 minutos no World Trade Center 1). Além disso, haveria relatos de pessoas que teriam ouvido sons de explosões antes da queda e objetos sendo arremessados violentamente para fora de janelas nos andares inferiores.

O que os relatórios oficiais dizem: Um inquérito extenso feito pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia concluiu que os aviões romperam e danificaram colunas de suporte do edifício e deslocaram materiais à prova de fogo. 

Cerca de 39 mil litros de combustível de avião foram espalhados por diversos andares, dando início a incêndios generalizados. As temperaturas de até mil graus Celsius fizeram com que o piso dos andares cedesse e as colunas se curvassem, provocando os sons de "explosões". O peso dos pisos de cada andar criou um peso muito maior do que as colunas dos edifícios foram projetadas para sustentar. Objetos foram expulsos pelas janelas dos andares inferiores na medida em que os andares de cima desmoronavam. Além disso, as demolições controladas são sempre iniciadas dos andares de baixo até os de cima, ao contrário do desmoronamento das Torres. Nenhuma evidência de explosivos foi encontrada nos edifícios, apesar das buscas. E tampouco há evidência de rompimento proposital de quaisquer colunas ou paredes, o que é feito rotineiramente em uma demolição controlada.

3. O ataque no Pentágono

A pergunta: Como um piloto amador pode ter feito uma manobra complicada em um avião comercial e lançado o avião sobre o quartel-general das forças armadas mais poderosas do mundo - 78 minutos depois do primeiro relato de um possível sequestro - e não ter deixado nenhum vestígio? 

O que os teóricos da conspiração dizem: Não foi um Boeing 757 comercial que atingiu o edifício, mas sim um míssil, um pequeno caça ou um avião não tripulado.

 No entanto, depois que evidências comprovaram que o voo número 77 da American Airlines realmente atingiu o Pentágono, o foco desta teoria mudou para a discussão sobre a dificuldade de executar a manobra de aproximação. Pessoas que acreditam na conspiração dizem que o avião estava sob o controle do Pentágono, e não da Al-Qaeda.

O que os relatórios oficiais dizem: Destroços do avião, incluindo as caixas pretas, foram encontrados no local do acidente e catalogados pelo FBI. 

Apesar de algumas filmagens iniciais do acidente não mostrarem os destroços, ainda há vídeos e fotografias que mostram as evidências do trajeto que o avião fez durante o choque com o edifício, como postes quebrados, segundo oficiais. Os restos da tripulação e dos passageiros do voo foram encontrados e identificados pelo DNA. Testemunhas também viram o avião atingir o Pentágono.

4. O quarto avião - Voo 93 da United Airlines

A pergunta: Por que a queda do quarto avião sequestrado, em Shanksville, na Pensilvânia, foi tão pequena e por que os destroços do avião não foram vistos?  

O que os teóricos da conspiração dizem: O voo 93 da United Airlines foi derrubado por um míssil e se desintegrou em pleno ar, espalhando os destroços sobre uma área extensa. 

O que os relatórios oficiais dizem: Há fotografias claras que mostram os destroços do avião e o gravador de voz da cabine do piloto, que foi recuperado, mostrou que houve uma revolta dos passageiros e que os sequestradores derrubaram o avião deliberadamente.

Teorias iniciais de que os destroços haviam sido espalhados por quilômetros de distância do local principal da queda se provaram falsas. Na verdade, o vento jogou alguns destroços leves como papéis e materiais de isolamento por cerca de dois quilômetros.

Outra teoria foi baseada em uma frase do médico-legista local, Wally Miller, que foi citada incorretamente. Ele disse que parou de ser um médico-legista cerca de 20 minutos depois de chegar ao local porque não havia corpos. Mas ele também disse que percebeu rapidamente que o que aconteceu foi um acidente de avião e que seria preciso organizar um grande funeral para as vítimas.

O exército diz ainda que nunca deu ordens para que a força aérea derrubasse o avião comercial.

5. O colapso do edifício 7 do World Trade Center

 A pergunta: Como é possível que um arranha-céu que não foi atingido por um avião tenha desmoronado tão rapidamente e simetricamente, quando nenhum outro prédio revestido de aço caiu por causa de incêndios?

O que os teóricos da conspiração dizem: O edifício 7 do World Trade Center foi destruído por uma demolição controlada usando explosivos e materiais inflamáveis. 

O foco da teoria inicialmente era uma frase dita pelo dono do prédio, Larry Silverstein, em uma entrevista de TV. Ele falava sobre a retirada dos bombeiros do edifício, mas a expressão que utilizou fez com que sua fala fosse interpretada como uma alusão ao momento em que os explosivos foram detonados.

Agora o foco mudou para a velocidade do colapso do edifício, que esteve próxima à velocidade de queda livre durante 2,25 segundos. Argumenta-se que somente explosivos poderiam fazer com que o prédio desmoronasse tão rapidamente. Alguns cientistas , que são céticos quanto ao relato oficial, examinaram quatro amostras de poeira do Marco Zero e dizem ter encontrado material termítico, que reage violentamente em contato com o calor. Eles dizem ainda que toneladas de materiais explosivos foram colocados dentro não só do WTC7, mas também das Torres Gêmeas.

O que os relatórios oficiais dizem: Uma investigação de três anos feita pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia concluiu que o prédio desmoronou por causa de incêndios incontroláveis, que foram causados pelo colapso da torre norte e que queimaram o prédio por sete horas. 

Os encanamentos que levavam água até o irrigador de emergência foram rompidos. Não foram encontradas evidências de cargas explosivas e não há registro da série de explosões que seriam esperadas no caso de uma demolição controlada. Também haveria uma explicação para o "material termítico" que os cientistas encontraram na poeira - é só um tipo de tinta básica.

Calcula-se que 1,2 milhão de toneladas de materiais de construção foram pulverizadas no World Trade Center e a maioria dos minerais que estavam nos materiais estão presentes na poeira. Uma amostra mais extensa da poeira não achou evidências de explosivos, de acordo com um relatório do Instituto de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos e com outro relatório, produzido pela empresa de inovação científica RJ Lee.
Teorias conspiratórias questionam o ataque de 11 de setembro de 2001 nos EUA (Foto: AP).


Cinco novos arranha-céus estão sendo construídos no local do World Trade Center (Foto: AP).

O avião comercial executou uma manobra complexa antes de atingir o Pentágono (Foto: Getty Images).

Oúltimo avião sequestrado durante o ataque caiu na Pennsilvânia, matando 44 pessoas (Foto: AP).

O edifício 7, destruído por incêndios, abrigava escritórios da CIA e do serviço secreto americano (Foto: AP).

 

 


Estudo vincula consumo de chocolate a redução de 30% em doenças cardíacas

O consumo de chocolate em grandes quantidades pode estar associado a uma redução de um terço nos riscos de desenvolvimento de certas doenças cardíacas, segundo um estudo britânico. O estudo, publicado na revista científica British Medical Journal, confirma resultados de investigações anteriores sobre o assunto que, de maneira geral, encontraram evidências de um possível vínculo entre o consumo de chocolate e a saúde do coração. Os autores enfatizam, no entanto, que é preciso fazer mais testes para saber se o chocolate realmente causa essa redução ou se ela poderia ser explicada por algum outro fator.

A equipe da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, apresentou seu trabalho no congresso da European Society of Cardiology, nesta segunda-feira, em Paris.

Vários estudos recentes indicam que comer chocolate teria uma influência positiva sobre a saúde humana devido às propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias do alimento. Segundo esses estudos, o chocolate teria o poder de reduzir a pressão sanguínea e melhorar a sensibilidade do organismo à insulina (o que ajudaria a evitar a diabetes). Entretanto, ainda não está claro de que forma o chocolate afetaria o coração.

Em uma tentativa de esclarecer a questão, o pesquisador Oscar Franco e seus colegas da Universidade de Cambridge fizeram uma revisão em grande escala de sete estudos sobre o assunto envolvendo cem mil pessoas, com e sem problemas no coração. Os especialistas estavam particularmente interessados em avaliar os efeitos do consumo de chocolate sobre ataques cardíacos e acidentes vasculares (ou derrames).

Em cada estudo, a equipe comparou o grupo de participantes que comia a maior quantidade de chocolate ao resultado do grupo que comia a menor quantidade do alimento. Para evitar distorções, a equipe levou em conta diferenças de metodologia e qualidade dos estudos. Cinco estudos encontraram uma associação positiva entre índices mais altos de consumo de chocolate e um menor risco de problemas cardiovasculares. "Os índices mais altos de consumo de chocolate foram associados a uma redução de 37% em doenças cardiovasculares e uma redução de 29% na incidência de derrames em comparação aos índices mais baixos (de consumo)", os autores escreveram.

Não foram encontradas evidências significativas de redução em casos de falência cardíaca. Os estudos não especificaram se o chocolate ingerido era meio-amargo ou ao leite. Entre os alimentos consumidos pelos participantes estavam barras de chocolate, bebidas, biscoitos e sobremesas contendo chocolate.

Segundo a equipe britânica, as conclusões do estudo precisam ser interpretadas com cautela, porque o chocolate vendido comercialmente é altamente calórico (contendo cerca de 500 calorias por cada cem gramas) e sua ingestão em grandes quantidades poderia resultar em ganho de peso, o que aumentaria os riscos de diabetes e doenças cardíacas. Entretanto, os especialistas recomendam que, dados os benefícios do chocolate para a saúde, iniciativas para reduzir a quantidade de gordura e açúcar nos produtos deveriam ser exploradas.
Chocolate teria propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias (Foto: BBC Brasil).

Porque os alemães ricos têm que pagar mais imposto

Toda vez que se fala em reforma fiscal, aqui ou nos EUA, ou mesmo alhures, a questão da tributação dos ricos e das grandes fortunas vem à tona e aí ninguém mais se entende, ou finge não se entender. O lobby contra é forte, surgem aqueles que dizem que isso é paliativo, quantitativamente insuficiente para resolver os problemas de caixa de qualquer país, e a coisa basicamente não anda. Sarkozy acaba de criar esse imposto e a França não veio abaixo. Nos EUA, Obama foi derrotado pelos republicanos e alguns democratas quando tentou fazer isso. Recentemente, recebeu um apoio indireto do bilionário americano Warren Buffet que há pouco deu cifras reais ao problema, quando reclamou da injustiça de ele ter uma taxação de 17% enquanto sua recepcionista paga 30% -- justiça se faça, Buffet tem protestado contra essa injustiça fiscal há anos.

Acho que a discussão é bagunçada de propósito. Para mim, o problema é até muito mais ético e de justiça, do que quantitativo -- o exemplo citado por Buffet é típica e inequivocamente indecoroso e absurdo. É simplesmente indefensável  ter-se um rico pagando proporcionalmente menos imposto que um cidadão menos abastado que ele. Vejamos agora um artigo sobre isso, com o título desta postagem, de autoria de Jacok Augstein e publicado na prestigiosa Spiegel Online de 26 deste mês.  O autor pode às vezes ser considerado extremado, mas acho que diz um bocado de verdades.

A Alemanha é a terra da desigualdade. O gap entre ricos e pobres aumentou, e cortar serviços públicos para equilibrar o orçamento só fará piorar a situação. Se somos sérios sobre salvar a democracia na Alemanha, temos que elevar os impostos para os ricos.

Uma crise é um momento decisivo. Em medicina, quando uma doença atinge seu ponto mais crítico o futuro do paciente depende de uma questão de equilíbrio entre forças contrárias. O médico faz o que pode, e então espera para ver se a crise resulta numa recuperação ou na morte.

Os recentes tumultos em Londres mostram como será a morte de nossa sociedade. Estamos ameaçados por uma instabilidade social, que pode nos levar ao colapso e à anarquia sociais -- a uma espécie de Somália privada. Para evitar isso, será necessário um esforço sério dos poderosos. Nosso sistema exige uma mudança completa de rumo. Uma política de desigualdades nos levou a essa crise. Se seguirmos nessa estrada, isso será nossa derrocada.

É hora de usar a crise como uma oportunidade para mudanças. Em outras palavras, é hora de aumentar impostos.

A Alemanha é uma terra de desigualdades. Isto não é um dogma da esquerda, mas um fato elementar. Nosso sistema leva a uma "redistribuição de riqueza do pobre para o rico". Esta foi a conclusão recente de Paul Kirchof, um conservador que é professor de direito e um especialista em impostos que Angela Merkel quis uma vez nomear como ministro de finanças. Se nosso sistema precisa sobreviver no longo prazo, algo tem que mudar.

Deixe-me descrever a situação atual em poucas figuras. As 5.000 famílias de melhor renda na Alemanha aumentaram sua participação na renda total nacional em cerca de 50% desde meados dos anos 1990. No mesmo período, a renda real de todos os alemães permaneceu praticamente a mesma por esse espaço de tempo. A participação líquida dos salários -- isto é, a parcela da renda nacional devida aos salários -- era de cerca de 44% na Alemanha Ocidental até os anos 1980. Dez anos mais tarde, era de apenas um pouco acima de 38%. Agora, é de cerca de 35%. No mesmo período, a porção de receita devida a lucros aumentou continuamente.

Estão ocorrendo redistribuições enormes. Este é um fato conhecido já há algum tempo, mas a maioria de nós fica apenas sentada e observando o que ocorre. Por que? Porque a ideologia da privatização, do governo menor e do neoliberalismo tem confundido e enevoado as mentes de uma geração.

Mas a ideologia começa agora a mostrar rachaduras. Escrevendo recentemente na edição de domingo do jornal conservador peso-pesado Frankfurter Allgemeine Zeitung, o proeminente jornalista alemão Frank Schirrmacher argumentou que uma década de políticas econômicas baseadas em mercados financeiros frouxamente regulados tem provado ser a maneira "mais exitosa" de tornar novamente popular a crítica da esquerda relativa ao capitalismo de livre mercado, crítica essa que tinha caído em desprestígio.

Não foi a força dos argumentos da esquerda que venceu e subjugou o capitalismo. O capitalismo cresceu por tanto tempo, que alcançou o ponto de se tornar incompatível com a democracia. Vivemos em um sistema em que poucos lucram, mas a maioria não. Mas, numa democracia, a maioria ainda é necessária nas eleições de poucos em poucos anos. Dela se espera que dê seus votos -- e depois fique quieta. Em retribuição ao seu serviço, o Estado distribui benefícios (cada vez menores) do erário público. Mas, de onde deve vir o dinheiro, se os ricos e as corporações pagam impostos cada vez menores e guardam seu dinheiro para si mesmos, enquanto os pobres não pagam impostos porque não têm dinheiro?

Resposta: dívida. Dívida pública é o preço pago pelos países para permitir que os ricos fiquem cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres. Esse sistema chegou agora ao fim de sua jornada.

Uma estratégia de mimar os ricos e apaziguar os pobres não pode funcionar mais. A única escolha agora é aumentar impostos ou cortar gastos.

Mas, se o governo cortar gastos a desigualdade aumentará. Quer se trate de instalações públicas como escolas, piscinas, bibliotecas ou hospitais, os ricos não se importam se elas estão em boas condições, mas cada um dos demais cidadãos se importa. A fúria popular aumentará. Podemos imaginar para onde isso poderia levar a Alemanha -- para a extrema direita. Se o governo cortar gastos, não reformará o sistema em direção a mais democracia. Em vez disso, o empurrará para o totalitarismo.

Se quisermos salvar nossa sociedade, só há uma saída: aumentar impostos. A faixa de imposto mais alta na Alemanha é mais baixa do que nunca. No passado, 53 e 56 por cento eram níveis normais -- agora, a faixa máxima de imposto de renda é de 42%. O rico que tirar proveito de todas as brechas da tributação paga apenas um pouco acima de 30%. Isto é uma doidice. O Estado não pode mais se dar ao luxo de ter que cumprir com seus compromissos sem o dinheiro de seus cidadãoa mais ricos. O professor de economia de Berlim Giacomo Corneo pediu uma faixa de tributação de 66% para os maiores ganhadores do país. Ele tem razão.
Um corretor de ações bebe champagne na Bolsa de Frankfurt. Os ricos da Alemanha precisam pagar mais (Foto: AP).

domingo, 28 de agosto de 2011

Cresce dependência do Brasil em relação à China, diz banco

O jornal Valor Econômico publicou no dia 25 um interessante mas muito preocupante artigo (assinado por Assis Moreira e Arícia Martins) com o título acima, disponível só para assinantes ou leitores do jornal. Diz o artigo que, em nota enviada aos clientes, o banco Nomura, em Nova Iorque, avalia que o Brasil está ajustando "passivamente" sua economia a demandas da China, numa forma crescente de dependência.  "Vemos a dependência se aprofundar. Para o melhor ou o pior, o futuro econômico do Brasil será mais e mais em função de decisões tomadas em Pequim".

A relação econômica bilateral, avaliam os economistas da instituição, está sendo marcada por uma parceria do tipo Norte-Sul ( rico e pobre) entre duas economias em desenvolvimento. O relatório destaca que o Brasil se torna mais dependente das exportações de commodities para o mercado chinês. Ao mesmo tempo, companhias brasileiras estão cada vez mais dependentes de componentes baratos produzidos na China.

O mercado chinês absorveu 15,2% das vendas externas brasileiras em 2010, contra 2% em 2000, segundo estudo divulgado em abril pelo Banco Central. A autoridade monetária ressalta que o saldo comercial da balança voltou a ser "amplamente favorável" ao Brasil a partir de 2009, ano em que o país asiático passou a ser o principal parceiro comercial do Brasil, destronando os EUA. Em 2010, o Brasil exportou US$ 30,8 bilhões à China e importou US$ 25,6 bilhões, o que resultou em superávit de US$ 5,2 bilhões, praticamente igual ao registrado em 2009.

As exportações brasileiras à China se concentram em matérias primas. Em 2001, 63% dos embarques brasileiros eram representados por produtos básicos. No ano passado, o número cresceu para 84%. Em 2010, os chineses absorveram 46,1% das exportações brasileiras de minério de ferro, 64,6% das de soja, e 24,9% do petróleo.

Na prática, a relação Brasil-China replica a relação de dependência experimentada pelo Brasil com os EUA no período pós-Segunda Guerra Mundial, escrevem os analistas Tony Volpon e George Lei, do Nomura. O banco constata que que, com a eleição de Dilma Rousseff, a natureza do debate envolvendo a política econômica no país mudou e mais atenção tem sido dada aos perigos da desindustrialização e da excessiva valorização do real. No entanto, estima que o governo Dilma "não desenvolveu alternativa coerente para sua crescente dependendência em relação à China".

Analistas consultados pelo Valor Econômico concordam em parte com o Nomura. Segundo um deles, a dependência existe no setor de commodities, mas a exportação total do país tem outros destinos relevantes além do mercado chinês.

Caso o país asiático diminua a taxa de crescimento, como reflexo das turbulências externas, o superávit comercial brasileiro seria atingido com a queda do volume de importações chinesas, assim como do preço das commodities, influenciados pela forte demanda da China, projetam os economistas. A única saída para diminuir a dependência chinesa seria fortalecer a indústria nacional e aumentar as exportações de manufaturados.

"Se a relação Brasil-China não é igual à relação Brasil-EUA no passado, uma hora será", prevê Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores, que vê como "óbvia" a redução do crescimento chinês nos próximos anos. Em um primeiro momento, diz, o impacto seria relativamente pequeno, mas no prazo de um ano e meio a dois anos, a exportação brasileira seria prejudicada e a atividade interna teria desaceleração mais forte.

Para Welber Barral, sócio da Barral M Jorge Consultores, a dependência do Brasil em relação à China só é verdadeira no mercado de commodities, mas não se estende a toda a pauta de exportações. Segundo ele, apesar de a China ser no momento o principal parceiro comercial do Brasil, não hás como comparar a relação Brasil-China com a Brasil-EUA há dez anos atrás. "A China não chega a ter um percentual tão grande das exportações brasileiras. Os EUA, ao contrário, já chegaram a ter 26% das vendas externas do Brasil", observa ele. Barral ressalta, no entanto, que o país sai perdendo com a pouca diversificação das exportações destinadas aos chineses. "O Brassil é muito dependente da China em algumas commodities. Isso não é bom para o país".

Relatório do departamento de relações internacionais e comércio exterior (Derex) da Fiesp mostra que o predomínio de produtos básicos na pauta exportadora brasileira à China se aprofundou em 2011. De janeiro a julho, enquanto as commodities representaram 88% do valor exportado à China, 96% das importações procedentes do país asiático foram de manufaturados. O superávit total do Brasil com a China atingiu US$ 16,2 bilhões em sete meses, mas a balança de manufaturados acumula déficit de US$ 16,2 bilhões de janeiro a julho, com previsão de encerrar o ano com US$ 32 bilhões.

O setor de commodities, nota o Derex, tem receita garantida pelo aumento de preços, já que, em volume, as exportações de minérios tiveram crescimento pouco expressivo entre janeiro e julho (13%), enquanto as de soja caíram 5% e a de óleos brutlos de petróleo, 14%. No mesmo período, as importações brasileiras de manufaturados chineses aumentaram 34% em quantidade embarcada e 33% em valores absolutos.