quarta-feira, 29 de junho de 2011

Carne artificial para reduzir nossas emissões de gás de efeito estufa?

Produzir carne não mais pela criação de animais, mas pelo cultivo de células musculares de frango, de boi ou de porco em laboratório, como já se faz para fabricar cerveja ou iogurte -- há uma dezena de anos em que cientistas trabalham em experiências de carne artificial. O projeto, na realidade, deixa entrever como possível a perspectiva de nutrir uma população crescente, que consome sempre mais proteínas. Mas, sobretudo, essa produção permitiria reduzir consideravelmente as emissões de gás de efeito estufa que resultam da criação ao vivo. Essas são as conclusões de um novo estudo sobre o assunto conduzido pelas universidades de Oxford e de Amsterdam.

Segundo o relatório desse estudo, citado pelo jornal inglês The Guardian, a carne produzida in vitro reduziria em 96% a emissão de gases de efeito estufa resultante da criação ao vivo -- adicionalmente, sua produção exigiria entre 7 e 45% menos de energia que aquela demandada pela carne produzida de maneira convencional. Finalmente, a carne artificial não exigiria senão 1% das terras e 4% da água reservadas para o gado, sendo uma maneira eficaz de combater o desflorestamento, o uso exclusivo das terras e a alta rápida dos preços dos cereais, porque hoje, 70% das terras agrícolas são reservadas à criação de gado e à cultura de sua alimentação. E o consumo de carne não para de crescer -- em 25 anos, passou de 30 kg para 41,2 kg por habitante, segundo a FAO, órgão da ONU para a agricultura e a alimentação. E a FAO prevê ainda um aumento da produção mundial anual de 228 milhões para 463 milhões de toneladas de hoje até 2050, puxada pelo consumo de países emergentes como China e Índia.

De acordo com Hanna Tuomisto, pesquisadora que dirigiu o estudo da Universidade de Oxford, a cultura de células musculares está bem avançada e faltariam apenas financiamentos mais consistentes. Neste caso, as primeiras carnes artificiais poderiam ser introduzidas no mercado dentro de cinco anos, sob a forma de carpaccios. No entanto, faltariam ainda cinco anos adicionais antes de podermos ter "verdadeiros" pedaços de steaks produzidos in vitro pousados em nossos pratos.
Carne produzida artificialmente poderia minimizar as emissões associadas com a criação convencional do gado (Foto: Juan Mabromata/AFP/Getty Images).

Órgãos e agentes reguladores americanos não estão dando a devida atenção aos seios femininos

Um novo conjunto de relatórios divulgados nos EUA mostra que a política federal de testes de produtos químicos negligencia a saúde dos seios.

O último quarto de século ensinou à ciência algumas novidades sobre os seios. Por um lado, eles parecem estar surgindo mais cedo nas meninas, com possíveis consequência sobre o câncer de seio mais tarde. Por outro lado, o modo como crescem e se desenvolvem varia de mulher para mulher e, se as cobaias de laboratório servem como qualquer indício, a exposição normal a produtos químicos comerciais pode alterar esse processo. E esse seio humano é mais vulnerável do que se pensava. Dados de sobreviventes das bombas atômicas no Japão mostram que foram as adolescentes próximas às explosões, e não as mulheres adultas, que tiveram mais propensão de desenvolver câncer de mama anos mais tarde. Desde então, têm havido dados similares sobre garotas submetidas a raios-X e terapia de radiação médicos, assim como pesquisas mostrando que o pesticida DDT -- agora proibido, mas muito difundido nos anos 1950 e 1960 -- são associados com um risco maior de câncer de seio nas mulheres quando elas se expõem ao serem garotas.

Diante disso, é surpreendente que as agências federais (americanas) responsáveis pela saúde pública não levam em conta, rotineiramente, a exposição na infância quando testam se produtos químicos comerciais causam tumores mamários. Na realidade, em muitos testes com cobaias em laboratórios elas sequer se preocupam definitivamente em examinar a glândula mamária. O câncer de mama pode ser o responsável n° 1 pela morte de mulheres de meia-idade nos EUA mas, conforme um novo conjunto de relatórios deixa claro, os seios são um grande "ponto cego" na política federal de segurança em relação a produtos químicos. "Eles simplesmente jogam no lixo as glândulas mamárias", diz Ruthann Rudel, diretora de pesquisas no Instituto Silent Spring (sem fins lucrativos) e principal autora de um dos relatórios, que faz uma revisão sobre o que há de mais recente na ciência sobre desenvolvimento da glândula mamária e a exposição a produtos tóxicos.

Os relatórios, publicados na semana passada na revista Environmental Health Perspectives nasceram de um seminário de 2009 sobre avaliação de risco de glândula mamária, que envolveu cientistas de agências federais e internacionais, assim como de grupos independentes. Câncer de mama é exatamente uma das áreas negligenciadas pelas agências federais, como mostram os relatórios, juntamente com assuntos envolvendo lactação e a época de desenvolvimento dos seios na puberdade. "Poucos produtos químicos que chegam ao mercado são avaliados quanto a esses efeitos", diz a Dra. Ruthann e seus coautores.

Rejeitar esses testes é, no entanto, um grande erro. A glândula mamária -- a complexa estrutura de produção de leite do seio -- é particular e especialmente sensível a produtos químicos tóxicos, diz Suzanne Fenton, uma endocrinologista de reprodução vinculada ao Programa Nacional de Toxicologia dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e uma coautora da revisão científica. Tanto em roedores como nos humanos, ela começa a se desenvolver no feto, passa por um colossal surto de crescimento na puberdade, e não se desenvolve completamente a não ser até o final da gravidez. Durante esses períodos, suas células são particularmente vulneráveis a carcinógenos e outras substâncias que acarretam alteração de órgãos. Embora ratos e camundongos de laboratórios não sejam substitutos ou duplicatas perfeitos dos seres humanos, suas glândulas mamárias passam por padrões semelhantes de desenvolvimento sob influências hormonais semelhantes, diz a Dra. Fenton.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Astronautas deixam estação espacial para evitar choque com lixo

Os seis tripulantes da estação espacial internacional (ISS, na sigla em inglês) foram forçados nesta terça, 28, a deixar o local e seguirem para a espaçonave de resgate Soyuz, por causa de entulho espacial que se aproximava rapidamente, informou a agência russa Interfax. "O lixo espacial foi detectado muito tarde para uma manobra", explicou a agência, citando uma fonte não identificada do setor espacial russo.

"Os seis tripulantes da ISS receberam instruções para se transferir para os veículos da Soyuz", acrescentou a fonte. Um funcionário do controle espacial russo afirmou por telefone que esses incidentes já ocorreram antes e não representam uma emergência.  "Se isso for verdade, eles serão seguidos pelo procedimento normal para esvaziar a estação se necessário", afirmou uma porta-voz do controle da missão. "Esta não é uma operação de emergência. Eles têm instruções estabelecidas para isso", explicou. Não está ainda claro quando o lixo espacial deve se aproximar da estação, nem quando precisamente ele foi detectado. A tripulação é formada por três russos, dois norte-americanos e um japonês. Em março de 2009, três tripulantes tiveram de deixar por um curto período a estação espacial pelo mesmo motivo. As informações são da Dow Jones.

Segundo o jornal francês Le Monde, tratou-se de um falso alerta:  o lixo espacial que ameaçava a ISS passou a 250 m dela, e a tripulação pôde voltar para o seu interior.
 Em março de 2009, três tripulantes tiveram de deixar a nave espacial pelo mesmo motivo (Foto: NASA TV).

FMI escolhe a francesa Lagarde para dirigí-lo

O Fundo Monetário Internacional - FMI escolheu hoje a ministra das Finanças francesa Christine Lagarde para ser seu próximo diretor-geral, mantendo  o longo domínio europeu sobre seu mais alto posto e nomeando a primeira mulher para comandar uma entidade financeira global. Em um comunicado, o comitê executivo de 24 membros do Fundo informou que havia escolhido Lagarde "por consenso" em relação a Agustín Carstens, presidente do Banco Central do México. O mandato de 5 anos de Lagarde começará no dia 5 de julho.

Lagarde, de 55 anos, uma advogada bem conceituada por sua perspicácia política, assume uma instituição que está no centro das discussões da crise na Grécia. É preciso também "curar as feridas internas", disse ela em seu comunicado público ao comitê executivo, depois da prisão de seu antecessor Dominique Strauss-Khan por denúncia de crime sexual em Nova Iorque. O suspense que havia sobre a sucessão no FMI desapareceu quando os EUA anunciaram seu apoio a Lagarde nesta terça-feira.

Lagarde desempenhou, como representante do governo francês, um papel central na montagem da rodada inicial de planos para ajudar a Grécia. Agora, como chefe do FMI, ela estará renegociando boa parte dessa ajuda. O Fundo está desempenhando um papel cada vez mais vital na gestão da crise econômica mundial, com dezenas de bilhões de dólares em empréstimos pendentes e linhas de crédito de suporte disponíveis para manter países fora de problemas.

O governo mexicano, através de sua chancelaria, felicitou Lagarde por sua escolha e agradeceu as manifestações formais de apoio recebidas por Agustín Carstens, presidente do Banco Central mexicano e adversário de Lagarde na disputa pelo FMI. Na análise do resultado, o jornal mexicano El Universal menciona que, além do respaldo dos EUA e dos países europeus, Lagarde contou com o apoio de potências emergentes importantes como Brasil e China. Embora numeroso, o apoio recebido por Carstens não foi suficiente para elegê-lo -- votaram com ele México, Espanha, Cingapura, Canadá, Argentina, Colômbia, Belize, Bolívia, Honduras, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
Christine Lagarde, a nova comandante do FMI (Reuters/HO).

Eis o que os paraguaios fazem com o dinheiro de Itaipu

Seis empresas canadenses e um operador financeiro guatemalteco, em conivência com empregados paraguaios de Itaipu, aplicaram o maior golpe da história -- levaram 56 milhões de dólares da CAJUBI - Caja Paraguaya de Jubilaciones y Pensiones del Personal de la Itaipú Binacional (Caixa Paraguaia de Aposentadorias e Pensões do Pessoal da Itaipu Binacional). Detalhe: essa é uma instituição inteira e exclusivamente paraguaia, sobre a qual a administração brasileira de Itaipu não tem qualquer mínima gestão. Outro detalhe: o jornal (também) paraguaio La Nación fala em 104 milhões de dólares e não em "apenas" 56 milhões ...

Esse montante foi transferido entre 2005 e 2008 a seis empresas vinculadas a um mesmo grupo, cujo cabeça visível é Eduardo García Obregón, um gestor financeiro cujo único antecedente conhecido é o de uma fraude multimilionária cometida contra fundos de pensão em Tegucigalpa (Honduras) no final de 1998, denunciada pelo jornal El Periódico de Guatemala em dezembro de 2004.

O jornal paraguaio Última Hora afirma ter tido acesso a um relatório interno da CAJUBI no qual são detalhados os investimentos dessa entidade previdenciária sob a presidência de Victor Bogado Nuñez, sobrinho do ministro e atual presidente da Corte Suprema de Justiça do Paraguai Victor Manuel Nuñez e nomeado para o cargo pelo então diretor paraguaio de Itaipu e hoje senador do partido colorado, Victor Bernal. O relatório continha informações sobre os investimentos feitos pela CAJUBI no período entre junho de 2005 e novembro de 2008 em seis diferentes empresas, todas do Canadá.

O jornal La Nación informa que esses fatos foram denunciados por membros do Conselho de Administração (CA) daquela Caixa, e as perdas mencionadas são de 104 milhões de dólares. Para os conselheiros do CA da CAJUBI esse vínculo entre o presidente de então da Caixa e o ministro da Suprema Corte paraguaia poderia ser uma das razões pelas quais o processo de denúncia não avançou no Ministério Público do país. Outra razão para esse emperramento do processo seria o fato do presidente de então da CAJUBI ter sido nomeado por Victor Bernal, o atual senador colorado, que tem fortes influências no Poder Judiciário.

Essa história é mais um exemplo de como os paraguaios lidam com o dinheiro de Itaipu, até mesmo quando se trata da aposentadoria de empregados da binacional. Quem pesquisar detalhadamente os bastidores e entrelinhas da administração paraguaia de Itaipu poderá, quem sabe, encontrar outras histórias de gestão um tanto ou quanto heterodoxa da receita que o Paraguai usufrui de Itaipu. Quando se pensa que os paraguaios terão agora mais 320 milhões de dólares por ano dados de mão beijada pelo Brasil, por conta de uma safanagem montada por Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata, e pelo Itamaraty, e aprovada por Dilma Rousseff, é fácil imaginar a excitação que isso acarretará no lado paraguaio da binacional.
Aposentados paraguaios de Itaipu protestam frente à casa de Victor Bogado Nuñez, contra o desvio de 104 milhões de dólares de sua Caixa de Aposentadoria supostamente investidos no Canadá (Foto: ABC Digital).

Egípcios ficam irritados com tweeter de Mickey Mouse

O magnata egípcio das telecomunicações e cristão copta, Naguib Sawiris, um dos homens mais ricos de seu país, foi acusado de ridicularizar o Islã depois de tuitar cartuns de Mickey e Minnie Mouse usando as conservadoras roupas muçulmanas. Ele se desculpou por ter colocado novamente as imagens no Twitter há alguns dias atrás, dizendo que não tinha a intenção de ofender ninguém. Vários advogados islâmicos egípcios, no entanto, formalizaram queixas contra ele, e já há apelos para que se boicotem seus negócios.

Esse clamor de protesto surge em um momento de tensão entre os cristãos e os muçulmanos no Egito. Há também preocupações com a crescente influência dos ultraconservadores Salafistas no Egito, que se inspiram nas primeiras gerações de muçulmanos, que eram próximas de Maomé e de sua mensagem.

As imagens tuitadas mostram um Mickey Mouse barbado e com a tradicional túnica longa muçulmana, e Minnie Mouse veste um niqab -- um véu que cobre todo o corpo -- com apenas seus olhos aparecendo. Ela é identificada por suas orelhas grandes e a fita de cabelo cor de rosa que é sua marca registrada. Os cartuns já estavam circulando largamente online, mas quando Sawiris os repostou na semana passada ele recebeu imediatamente uma resposta irada de pessoas que se diziam ofendidas. Na sexta-feira ele tuitou: "Me desculpo com aqueles que não tomaram isso como uma piada. Pensei que se tratava apenas de uma figura divertida, não quiz ser desrespeitoso. Sinto muito".  Mas milhares de pessoas já haviam se juntado em grupos no Facebook e em outras mídias de comunicação para condená-lo.

As ações da empresa de telecomunicações de Sawiris, a Orascom -- o maior empregador privado do Egito -- já caíram na Bolsa em consequência dessa rixa e dos pedidos de boicote. O gabinete do procurador geral do país informou que um grupo de advogados muçulmanos salafistas havia apresentado queixa contra Sawiris por desacato religioso. "Como pode um homem como esse ridicularizar os muçulmanos, em um país à beira de uma discórdia sectária?", disse o clérigo muçulmano Mazen el-Serzawi em uma entrevista na televisão.

Sawiris, cujo pai é o homem mais rico do Egito, é um forte defensor do secularismo e tem se pronunciado contra o aumento da influência do islamismo no país, inclusive contra o crescente número de mulheres que usam véu cobrindo todo o rosto.
Naguib Sawiris é um líder secularista e recentemente formou um partido político (Foto: AP).
A cidade do Cairo tem visto confrontos violentos entre cristãos e muçulmanos em meses recentes (Foto: AP).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Multinacionais adotam estratégia para suprir falta de profissionais no Brasil, diz o The Wall Street Journal

A falta de profissionais qualificados para suprir as necessidades das empresas em meio ao atual boom econômico brasileiro vem levando companhias multinacionais a adotar medidas extraordinárias para conseguir contratar de acordo com suas necessidades, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira pelo diário americano The Wall Street Journal.

Segundo o jornal, para compensar a escassez de talentos muitas empresas “estão reforçando seus programas de estágios, gastando mais com treinamento e salários e trazendo trabalhadores de mercados em retração”. A reportagem afirma que gerentes e engenheiros que sabem falar inglês, além de profissionais com experiência em desenvolvimento de negócios, têm uma demanda particularmente forte. O jornal comenta que as empresas estrangeiras enfrentam no Brasil uma situação semelhante à que encontram na China, onde têm que competir com as companhias locais pela contratação de profissionais.

Segundo a reportagem, as universidades locais “foram pegas de surpresa com o boom econômico”. “Escolas privadas com fins lucrativos estão tentando preencher a lacuna, mas por ora muitas companhias multinacionais dizem que estão tendo que educar seus próprios empregados”, diz o jornal. Em outra reportagem publicada também na edição desta segunda-feira, o Wall Street Journal relata o crescimento das faculdades privadas, locais e internacionais, para suprir a demanda crescente no Brasil por educação superior, mesmo que paga. “A educação na maior economia da América Latina é um problema há muito tempo. De acordo com um estudo da ONU de 2009, o país produziu somente 428 universitários graduados para cada 100 mil habitantes”, diz o jornal.

A reportagem observa que as melhores universidades – estatais, que não cobram mensalidade, e de fundações sem fins lucrativos, que cobram mensalidades altas – são muitas vezes inatingíveis para os estudantes de baixa renda, que estudam no sistema público primário e secundário e são menos bem preparados para os testes de admissão nessas instituições. “As lacunas na educação pública, combinadas com a crescente demanda por profissionais qualificados, criaram uma oportunidade para instituições privadas recrutarem jovens aspirantes a profissionais que não conseguem entrar nas melhores faculdades, mas conseguem pagar para melhorar suas perspectivas de carreira”, relata o jornal.

A reportagem relata que o “excesso de demanda” por educação superior no Brasil já tem chamado a atenção de investidores estrangeiros, como a americana DeVry, do Estado do Illinois, que em 2009 pagou U$ 40,4 milhões para comprar 82,3% da universidade Fanor, do Ceará. A britânica Pearson, por sua vez, comprou no ano passado, por US$ 520,1 milhões, a SEB, provedora de educação básica e superior e também de métodos de ensino no Estado de São Paulo.

Permanece o mistério sobre a saúde de Hugo Chávez

Nos últimos 15 dias a rotina na Venezuela é sempre a mesma: circula em Caracas a notícia de que Hugo Chávez está agonizante, depois de ter sido submetido a uma operação de emergência em Havana no dia 10 de junho para curar-se de um "abscesso pélvico". Logo em seguida, aparece na televisão em cadeia nacional o vice-presidente ou algum ministro (são mais de 27, algo como o que temos no Brasil) e nega o boato, sem dar detalhes sobre a saúde do comandante mas abundante em comentários sobre sua boa índole revolucionária.

A informação mais detalhada sobre seu quadro clínico até agora foi dada pelo próprio Chávez, no dia 12, em uma ligação telefônica de um hospital não identificado em Havana transmitida diretamente pela cadeia de TV Telesur: "A operação foi um sucesso ... Foram feitas biópsias, estudos, microbiologia em laboratórios diferentes, não há ali nenhum sinal maligno. Era um abscesso, com a sorte de que não houve infecção" disse Chávez. Desde então, Caracas não forneceu mais dados clínicos sobre a patologia de Chávez, o que desencadeou uma onda de especulações.

Tanto Chávez como seus ministros depositaram toda sua confiança nos médicos cubanos para achar a cura da enfermidade. Os sacerdotes venezuelanos, os xamãs, os pastores que simpatizam com o chavismo, os ajudavam com rezas durante a "cerimônia ecumênica indígena pela saúde de Hugo Chávez" transmitida ontem pelo canal público de TV Venezolana de Televisión, no mesmo espaço em que cada domingo vai ao ar o programa Alô, presidente.
Chávez recebe a visita de Fidel e Raúl Castro no hospital, em imagem fornecida pelas autoridades cubanas no dia 17 de junho (Reuters).

A balela da campanha antifumo na China

Quando a China anunciou sua primeira proibição de fumar em público no mês passado os defensores da medida comemoraram, mas não confiaram em que isso acontece de imediato -- como muitas outras regulamentações chinesas contra o hábito de fumar, essa parecia insincera e por uma boa razão. Um mês depois, a proibição surtiu pouco ou nenhum efeito -- fuma-se ainda desenfreadamente nos espaços onde se aplica a proibição, tais como restaurantes, escolas e hospitais.

A razão pela qual a proibição de fumar não é levada a sério na China é muito simples: o mesmo governo que promete acabar com o uso do fumo é o proprietário e principal beneficiário dessa indústria de 93 bilhões de dólares. Como consequência, a China é o maior baluarte da indústria fumageira, e seu maior produtor e consumidor no mundo. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde, mais da metade dos homens chineses são fumantes, contra cerca de 20% nos EUA. E o cigarro contribui para quatro das cinco principais causas de mortes na China, com 1,2 milhão de fatalidades ligadas ao fumo por ano.

Em muitas maneiras, a luta da China contra o vício do fumo envolve um dilema que é chave para o governo: equilibrar a obsessão do governo com o crescimento e a aparência de preocupar-se com o interesse público. Até agora, o interesse público é o lado perdedor.

Senado aprova anistia para bombeiros baderneiros

Na semana passada a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovou projeto de lei do senador Lindberg Farias (PT-RJ), que concede anistia aos 439 bombeiros baderneiros que invadiram o quartel-general da corporação no início do mês e depredaram parte de suas instalações.

Essa anistia é um escárnio, um estímulo à baderna e à indisciplina. Um bando de senadores tão irresponsáveis quanto os bombeiros baderneiros dá carta branca à invasão e à depredação de bens públicos. O projeto agora vai à Câmara e, certamente, terá igualmente a bênção daquela casa, pois a irresponsabilidade demagógica grassa solta no nosso Congresso. Agora, vai ser impossível garantir que QG de bombeiro não é casa da mãe joana. -- Vejam postagem anterior sobre esse assunto.

A campanha da OTAN na Líbia se arrasta cansativa e indefinidamente

Quando a OTAN começou a despejar bombas na Líbia em março, o presidente Obama e outros líderes do Ocidente asseguraram a seus públicos cansados de guerras que a proteção de civis contra a repressão violenta de Muamar Gadhafi estaria terminada dentro de poucas semanas. A campanha militar na Líbia já se arrasta por quatro meses, a resistência de Gadhafi surpreende os líderes que se comprometeram a derrubá-lo, e já há pedidos para encerrar a intervenção militar mesmo com a OTAN solicitando mais tempo.

Com a campanha entrando no seu quarto mês, oficiais da OTAN insistem em que estão tendo êxito nela e que Gadhafi será a terceira baixa da Primavera Árabe. Mas, dizem, isso acontecerá apenas com um lento e firme avanço sobre a capital Trípoli, com as tropas federais perdendo seus suprimentos, e não com um gesto de pirotecnia que ponha Gadhafi instantaneamente fora de combate. "A corda está apertando em torno de seu pescoço e há poucos lugares pasra onde ele possa ir", disse o Gen. Charles Bouchard, o militar canadense que chefia as operações em seu QG em Nápoles (Itália). Não se pode esperar que quem está há 41 anos no poder saia ao primeiro sinal de pressão".

Já há sinais de que o apoio à campanha da Líbia está se esgarçando -- os deputados americanos recentemente negaram autoridade a Obama para fazer guerra à Líbia, e na Grã Bretanha um alto comandante disse na semana passada que se a campanha passar de setembro suas forças podem sucumbir ao estresse. Na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores demandou um imediato término das hostilidades. -- Ver outra postagem recente sobre OTAN e Líbia.
Com a sequência dos ataques aéreos da OTAN contra as forças leais a Gadhafi as forças rebeldes enfrentam batalhas difíceis na Líbia (Foto: The Washington Post).

Franceses abrem processo contra parque eólico por razões de saúde

Uma queixa apresentada no dia 17 de junho ao procurador da República de Cusset, uma cidade do departamento de Allier, no centro da França, por "colocar em perigo a vida de outrem" levantou pela primeira vez (no país, pelo menos) a questão do perigo que os geradores eólicos representam para a saúde humana. Baseando-se em um relatório de Nicole Lachat, uma bióloga suiça, a associação "O vento que atravessa a montanha" decidiu apontar os riscos das perturbações sonoras dos geradores eólicos, destacando sobretudo a questão dos infrassons por ele emitidos -- ruídos muito graves (baixos) para serem percebidos pelo ouvido humano, mas que teriam um impacto sobre a saúde humana.

De acordo com o relatório da cientista suiça, que analisou e sintetizou pela primeira vez várias pesquisas internacionais, quando entra em movimento um gerador eólico produz vários tipos de ruídos. Os primeiros são ligados à mecânica do sistema (roldanas, etc), especialmente da nacela; os outros estão ligados à aerodinâmica do processo e às irregularidades dos fluxos de ar em volta das hélices (ou pás) quando das mudanças de velocidade. Assim, quando o gerador eólico gira a uma velocidade elevada ele provoca turbulências em volta das pás, que geram zumbidos; enfim, a simples rotação das pás e suas passagens diante do poste ou mastro que as sustenta provocam a emissão de infrassons. Segundo a bióloga, além do aborrecimento e da irritabilidade de quem vive nas proximidades desses geradores, esses incômodos sonoros teriam influência sobre a qualidade do sono, a pressão arterial e a vigilância ou atenção -- sem esquecer, também, os zumbidos nos ouvidos e outras ofensas auditivas. Em suma, existiria uma "síndrome eólica".

Em uma pesquisa relativa ao impacto do tráfego terrestre e aéreo sobre o sono, a OMS (Organização Mundial da Saúde) já havia admitido que a exposição prolongada a essas fontes de ruídos se revelava nefasta para a saúde.

Implantados a partir de 2010, após uma licença de construção de 2007, em três comunas ou cidades do departamento de Allier, os oito geradores eólicos envolvidos na queixa penal têm 150 m de altura (incluindo as pás) e estão sempre em condições operativas. "Há uma segunda parte do projeto em estudo, mas decidimos bloqueá-la a partir desses novos elementos científicos", diz o presidente daassociação que apresentou a queixa. Ele denuncia mais precisamente a proximidade das habitações: "contrariamente ao que havia sido anunciado, algumas casas se situam a menos de 500 m dos geradores eólicos".

Para o advogado da associação, não se trata simplesmente de uma atitude militante de uma associação que, em princípio, seria contrária à geração eólica, mas de um dossiê relevante sobre saúde pública. "É hora de se abrir o debate. Fizemos a demanda orientados por um especialista que se apoiou no estudo recente da Dra. Lachat. Os poderes públicos devem abordar as instalações eólicas como um empreendimento industrial de risco. Isto é fundamental para os ribeirinhos dessas instalações. Não queremos lançar um debate estético sobre a influência dos geradores eólicos na paisagem. Desejamos dispor de informações sobre um risco sanitário ainda desconhecido".

Os reclamantes esperam que o procurador da República dê seguimento favorável à sua queixa, porque estudos suplementares trazem novos esclarecimentos sobre os riscos dos geradores eólicos para a saúde.

Dados da geração eólica na França: 5,5 GW instalados, cerca de 3.550 geradores eólicos, suprindo 1,9% do consumo da França em 2010.
Um parque eólico francês (Foto: Eolienne Enercon E70).
Um parque eólico residencial alemão em Dardesheim (Foto: Barbara Sax/AFP).
Um parque eólico no mar, ao largo da ilha de Borkum (Alemanha), abril de 2010 (Foto: David Hecker/AFP).

domingo, 26 de junho de 2011

Sarkozy critica as reclamações dos EUA sobre Líbia e OTAN

O presidente francês Nicolas Sarkozy atacou, na sexta-feira, o compromisso dos EUA com os esforços da OTAN na Líbia, afirmando que a Europa está arcando com a maior carga desses esforços, apesar das reclamações dos EUA em contrário. Seus comentários ocorreram no mesmo dia em que os deputados americanos quase cortaram os recursos financeiros para a guerra na Líbia (mas negaram autoridade a Obama para fazer essa guerra) e no final de uma semana de divisão política sobre o futuro dessa ação da OTAN, que está se prolongando por muito mais tempo do que muitos políticos esperavam.

Sarkozy disse que a França e a Grã-Bretanha são os principais contribuintes para o esforço de acabar com o regime de Gadhafi, e prometeu manter a pressão enquanto Gadhafi estiver no poder. Ele também condenou a noção de que há dúvida sobre o futuro da OTAN porque a Europa está relutante em destinar recursos para os seus militares, algo dito pelo Secretário de Estado americano (que irá deixar o cargo) Robert M. Gates em um discurso este mês. "Não sou da opinião de que o grosso do trabalho na Líbia esteja sendo feito pelos nossos amigos americanos", disse Sarkozy a jornalistas em um encontro da União Europeia em Bruxelas. "Temos que continuar até que Gadhafi saia", acrescentou. Com relação a Gates, Sarkozy disse que seus comentários sobre o poderio militar europeu -- ou a falta dele -- foram "injustos" e resultantes de "um pouco de mágoa".
O presidente francês Nicolas Sarkozy disse que a Europa está arcando com a maior parte do ônus do esforço militar na Líbia (Foto: Philippe Wojazer/Reuters).

Despesas "militares" anuais dos EUA com ar condicionado no Iraque e no Afeganistão: 20 bilhões de dólares!

Parece inacreditável: entre os gastos militares dos EUA no Iraque e no Afeganistão há uma continha anual de 20,2 bilhões de dólares com ar- condicionado! Isto é mais do que o orçamento da NASA e é mais do que a BP pagou pelos danos que causou durante o vazamento de óleo no Golfo. E é o que o G-8 prometeu para ajudar a promover novas democracias no Egito e na Tunísia.

"Quando se considera o custo de levar combustível para alguns dos lugares mais isolados do mundo -- (incluindo) escolta, comando e controle, apoio para evacuação médica -- quando você inclui toda essa infraestrutura, você chega a mais de 20 bilhões de dólares", disse Steve Anderson, um general-brigadeiro da reserva que serviu no Iraque como chefe de logística do Gen. David Patreaus.

Por que isso custa tanto? Para acionar um ar-condicionado em um posto avançado remoto, num lugar inteiramente rodeado por terra como o Afeganistão, cada galão (cerca de 4,5 l) de combustível tem que enviado de navio para Karachi, no Paquistão, depois levado por terra por 800 milhas (quase 1.300 km) em 18 dias até o Afeganistão, por estradas que algumas vezes são pouco mais do que "trilhas de cabrito melhoradas", diz Anderson, "e você tem ainda os riscos de deslocar esse combustível por cada milha do caminho". -- Anderson calcula que mais de 1.000 soldados morreram em comboios de combustível, que permanecem como alvos prioritários para ataques do inimigo. Tendas com ar condicionado num calor de quase 52°C consomem muito combustível. Anderson diz que fazendo essas estruturas mais eficientes os militares podem salvar vidas e dólares. Mesmo assim, esse valor de 20,2 bilhões de dólares levanta sérias questões sobre a guerra em curso no Afeganistão.

Os 30.000 soldados que Obama prometeu trazer de volta para casa no final do ano que vem foram mandados para o Afeganistão em 2009, a um custo de cerca de 30 bilhões de dólares, o que corresponde a cerca de 1 milhão de dólares por soldado. Mas, dizem os especialistas, a economia com a retirada dessas tropas não será de mesma monta. "O que a história nos diz é que não existe uma diminuição proporcional baseada no número de soldados, quando vocês os retira do cenário da guerra", diz Chris Hellman, um analista-senior de pesquisa no National Priorities Project (Projeto de Prioridades Nacionais). "No Afeganistão isso será particularmente verdadeiro, por se tratar de um ambiente muito difícil e rigoroso para se operar", acrescenta Chris.
 Aparelhos de ar-condicionado mantêm as tendas frescas em uma base militar americana no Iraque. Elas foram tratadas com espuma de poliuretano, para aumentar a eficiência energética (Foto: cortesia de Steve Anderson).
Uma tenda militar americana após o tratamento com espuma de poliuretano. Um teste em 2006 com essa espuma mostrou uma redução de 92% na energia consumida, diz o Gen-Brigadeiro da Reserva Steve Anderson (Foto: cortesia de Steve Anderson).

É alarmante como a diabete está se tornando comum no mundo, diz estudo

Quase 10 por cento dos adultos no mundo têm diabete, e a incidência da doença vem crescendo rapidamente. Como nos EUA e em outras nações ricas, a obesidade e o sedentarismo são as causas principais para isso em países em desenvolvimento como Índia, na América Latina, no Caribe e no Oriente Médio. Essas são as sérias e preocupantes conclusões de um estudo publicado ontem na revista Lancet (Bisturi), que traça as tendências nos testes de diabete e de açúcar no sangue em cerca de 200 países e regiões nas últimas três décadas.

Esses resultados preveem uma enorme carga de custos médicos e de incapacidade física no restante deste século, já que a diabete aumenta o risco de ataque do coração, falha renal, cegueira e algumas infecções. "Esse estudo confirma a suspeita de muitos de que a diabete tornou-se uma epidemia global", diz Frank Hu, um epidemiologista da Escola de Saúde Pública de Harvard que não esteve envolvido na pesquisa. "Isso tem o potencial de aniquilar os sistemas de saúde de muitos países, em especial os dos países em desenvolvimento".

No mundo todo, a incidência de diabete em homens acima de 25 anos aumentou de 8,3% em 1980 para 9,8% em 2008. Nas mulheres acima de 25 anos aumentou de 7,5% para 9,2% no mesmo período. "Esta será provavelmente uma das características predominantes da saúde global nas décadas vindouras", diz Majid Ezzati, um epidemiologista e bioestatístico no Imperial College London que liderou o estudo. "Há não apenas a magnitude do problema mas ainda o fato de que, diferentemente da pressão arterial alta e do colesterol alto, não temos na realidade bons tratamento para a diabete", acrescenta ele.

Há dois tipos de diabete, uma doença metabólica que faz com que o organismo seja incapaz de deslocar rápida ou adequadamente o açúcar da corrente sanguínea para os tecidos depois de uma refeição. O Tipo 1 é uma doença autoimunizante que aparece na infância e exige que uma pessoa tome doses de insulina para sobreviver. O Tipo 2 é responsável por 90% dos casos e geralmente surge depois dos 25 anos -- é controlado por insulina, pílulas e, em alguns casos, com redução de peso e exercícios.

A doença é muito mais comum nas ilhas do Pacífico sul -- Oceania -- onde uma explosão de obesidade grave, associada com uma propensão genética para a diabete, levou a incidência de diabete para 25% entre os homens e 32% entre as mulheres em alguns lugares. Os países do Golfo têm também uma taxa de incidência elevada, com a Arábia Saudita em 3° lugar, a Jordânia em 8° e o Kuwait em 10° em diabetes entre os homens em 2008.  Entre os países de alta renda, os EUA teve a mais acentuada elevação para homens nas três décadas passadas e a segunda mais elevada para mulheres (atrás da Espanha) no mesmo período. Em 2008, 12,6% dos homens americanos e 9,1% das mulheres americanas tinham a doença.

China e Índia, entretanto, serão os países responsáveis pela maior parcela do que irá acontecer nas próximas vária décadas vindouras. Juntas, respondem por 40% das pessoas que hoje têm diabete. Em contrapartida, 10% do total mundial vivem na Rússia e nos EUA. Barry M. Popkin, um professor de nutrição na Universidade da Carolina do Norte (EUA) que fez pesquisa na China, diz que o aumento da diabete neste país apenas começou, isto porque a diabete acompanha a inatividade e a obesidade, dois fatores que aumentaram durante a explosão econômica chinesa.
A diabete acompanha a obesidade e o sedentarismo, e ambos aumentaram durante a explosão econômica chinesa. Espera-se que haja um forte aumento de casos na China neste século (Foto ChinaFotoPress/Getty Images).

sábado, 25 de junho de 2011

A história secreta da homossexualidade nos EUA

A direita americana apresenta a homossexualidade como algo estranho à experiência americana, um intruso que inexplicavelmente deu uma de penetra na América em 1969 sob a forma de um travesti amotinado empunhando um salto alto como arma. Os pronunciamentos de Michele Bachmann, Rick Santorum ou Mit Romney (todos postulantes a candidato à presidência dos EUA) insistentemente sugerem que o veado não é coberto pela bandeira americana (em inglês esta afirmativa é feita com um trocadilho: the fag does not belong under the flag). Mas, há algo estranho aqui. Pois as pessoas que falam insistentemente em honrar a história americana construiram uma imagem histórica de seu país que só pode ser sustentada eliminando-se dela uma parte significativa da população, e tudo que essas pessoas trouxeram de contribuição para essa história.


Em seu novo livro, A Queer History of the United States (Uma História Homossexual dos Estados Unidos, em tradução livre), o crítico cultural Michael Bronski filma o passado através de 500 anos da vida americana, mostrando que havia gays e bissexuais em cada cena, construindo e reconstruindo a América. Eles figuravam entre alguns dos grandes ícones do país, de Emily Dickinson a Calamity Jane e, talvez, até Abraham Lincoln e Eleanor Roosevelt.

Os travestis amotinados da Pousada Stonewall (Stonewall Inn) só aparecem na página 210 de um livro de 250 páginas, que argumenta que as pessoas gays não estavam simplesmente presentes em cada estágio da história mas tinham uma missão histórica na América. [Stonewall Inn, ou simplesmente Stonewall, é um bar de Nova Iorque onde ocorreram os distúrbios ou motins de 1969, que são amplamente considerados os eventos isolados mais importantes que levaram ao movimento de liberação gay e à luta moderna pelos direitos de gays e lésbicas nos EUA]. Destinava-se a expor o puritanismo, a repreensão e a intolerância sexual.

As  limitadas mas robustas evidências produzidas por historiadores e apresentadas por Bronski insinuam que a homossexualidade era tratada como fato consumado pela maioria das tribos nativas americanas.  Nos registros das expedições de Lewis e Clark é observado por Nicholas Biddle que "entre os Mamitarees, se um jovem mostra qualquer sinal de feminilidade ou índole feminina ele é colocado entre as garotas ou mulheres jovens, é vestido como elas, cresce junto com elas e algumas vezes casa-se com um homem". -- Os europeus observavam isso com repugnância, como no caso de Jerry Fallwell com uma peruca empoada. No diário de 1775 de Pedro Font, um franciscano em uma viagem ao que é hoje a Califórnia, ele alerta que "o pecado da sodomia prevalece entre os Miamis mais do que em qualquer outra nação".

Houve repressão com extrema violência. Bronski observa que isso "fornece um padrão de como a corrente principal da cultura europeia trataria os GLBT através de boa parte da história dos EUA".

Desde o princípio, houve americanos que divergiam do puritanismo -- frequentemente da maneira a mais espalhafatosa. Em 1624, um grande grupo de pessoas liderado por um homem chamado Thomas Morton decidiu fundar uma cidade baseada em princípios muito diferentes, em uma área que hoje é Quincy, próxima de Boston. Deram à cidade o nome de Merrymount -- uma gíria popular na época para formas ilícitas de sexo -- e construiram um símbolo fálico de 80 pés (cerca de 24 m) no centro da cidade. Libertaram todos os escravos sob contrato que se juntaram a eles, fizeram amizade com as tribos nativas locais e começaram a casar-se com seus membros, alegando que muitos de seu grupo  eram heterossexuais cansados das restrições dos puritanos e abertos a outras maneiras de prazer.

Câncer de próstata: fumar aumenta o risco de recaída e de morte

Homens fumantes, portadores de câncer de próstata, têm nitidamente um risco maior de reaparecimento do tumor após o tratamento e também de morrer, segundo um estudo publicado na terça-feira nos EUA. O fato de fumar reforça a gravidade do câncer de próstata e aumenta os riscos de reincidência do tumor e de morte do paciente, incluindo neste caso doenças cardiovasculares.  Esse estudo, feito com 5.366 homens com câncer de próstata entre 1986 e 2006, mostra que os fumantes têm 61% de reincidência de tumor e de morte do que os pacientes que nunca fumaram.

"Tomados em conjunto, os dados desse estudo reforçam a ideia de que o fumo aumenta o risco de avanço do câncer de próstata", diz a pesquisadora Dra. Stacey Kenfield, principal autora do estudo publicado no Journal of the American Medical Association da semana de 22 a 29 de junho corrente e pesquisadora da Universidade de Saúde Pública de Harvard (Massachusetts, EUA). Os fumantes diagnosticados com câncer de próstata sem metástase têm igualmente 80% mais de risco de morrer de um câncer generalizado do que os não fumantes, afirmam ainda os autores desse estudo.

Em compensação, os homens atingidos por esse câncer que deixaram de fumar dez anos antes do diagnóstico tiveram seu risco de mortalidade reduzido ao mesmo nível do dos não fumantes. O mesmo não ocorreu com os portadores do mesmo câncer que deixaram de fumar menos de dez anos antes do diagnóstico e que não tinham consumido mais do que 20 maços por ano.

O câncer de próstata atinge um em cada seis americanos -- é a segunda maior causa de mortalidade entre os homens com câncer nos EUA. Cerca de 16 milhões de homens sobrevivem a esse câncer no mundo.

O mesmo homem que roubou a bandeira nazista na Acrópole em 1941 ainda é um ativista em 2011

Com 18 anos, em 1941, junto com um companheiro ele roubou a bandeira nazista que flutuava sobre a Acrópole, em um ato que se tornou lendário. 70 anos mais tarde, Manolis Glezos continua sendo um resistente e um ativista, desta vez contra a "tutela" estrangeira imposta à Grécia para sanar suas finanças.

Era a noite de 30 para 31 de maio de 1941: os alemães acabavam de esmagar o último reduto aliado em Creta, e Hitler disse em um discurso que "a Europa está livre". Manolis disse à Agência France Press (AFP): "queríamos provar-lhe (a Hitler) que a luta estava apenas começando".

"A Grécia conquistou sua liberdade, mas não a sua independência. Na escala da submissão, beiramos os 100% pois são os estrangeiros que decidem tudo", afirma categórico esse octogenário vibrante, fazendo referência à situação financeira atual do país, dependente da ajuda internacional. -- Consciente de que o acesso aos mercados financeiros se lhe tornou praticamente impossível, devido às incertezas sobre sua capacidade de honrar seus compromissos, a Grécia teve que recorrer ao socorro da União Europeia e do FMI que, em contrapartida, exigem medidas de austeridade contestadas nas ruas de Atenas.

Preso três vezes durante a ocupação alemã, Manolis escapou do pelotão de fuzilamento. "Um policial grego checou nossos documentos quando deixamos a Acrópole, mas jamais falou sobre isso", conta ele sem querer reforçar seu ato de bravura. Seu engajamento na resistência, mais sua militância comunista em regimes autoritários e militares lhe valeram duas condenações à morte e doze anos " em quase todas as prisões do país". Aos 88 anos, não perdeu nada de sua combatividade em defesa de suas convicções de extrema esquerda.
Em 5 de março de 2010, manifestantes conduzem Manolis Glezos (centro) ferido pela polícia antitumulto diante do Parlamento em Atenas (Foto Aris Messinis/AFP).
Manolis Glezos em uma reunião em Atenas, numa foto tirada entre 1959 e 1977 (Foto Str/AFP).

Investigação coloca Google em situação crítica nos EUA

Google pode estar entrando na fase decisiva de sua história, agora que os agentes reguladores americanos abriram uma investigação para verificar se a empresa tem abusado de seu domínio nas áreas de busca e propaganda na Internet para reprimir a concorrência. A investigação pela Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC, em inglês), confirmada pelo Google na sexta-feira, exige que a empresa convença os reguladores de que sua bem guardada receita para resultados nas pesquisas foi desenhada para dar as melhores recomenções às pessoas e não para esconder ou evitar links com seus competitores. A FTC está procedendo como os reguladores europeus. O Procurador-Geral do Texas também está de olho nas práticas comerciais do Google.

Se, por exemplo, alguém buscar um negócio local, o Google pode destacar sua própria lista, de um serviço chamado Google Places, em vez de indicar a da Yelp, um site popular de busca que é competidor do Google. Solicitações sobre endereços pode levá-lo ao Google Maps, e buscas sobre vídeos podem levá-lo ao YouTube, que é do Google. Ou então, se você digitar "mortgage" ("hipoteca") na caixa de busca do Google americano o anúncio no topo da lista fornecida pode ser o do Google Advisor, que lista as taxas de juros menores.

A investigação irá também verificar de perto a máquina financeira do Google: os links de propaganda ligados ao assunto de cada pedido de busca. Algumas dessas mensagens comerciais aparecem sombreadas com uma cor no topo da página de resultados, enquanto outras são colocadas em uma relação na coluna à direita. Mesmo tendo se expandido para as áreas de vídeos, celulares e televisão, o Google obtém a maior parte de sua receita das propagandas que pipocam ao longo dos resultados das buscas e em outros conteúdos da web -- a dinheirama que vem daí é esperada superar os 35 bilhões de dólares neste ano!

Alguns sites da web argumentam que o Google armou seu sistema de tal maneira que os preços da propaganda são aumentados, embora a empresa diga que esses valores são determinados por lances em um leilão. Outros dizem que o Google impede propositadamente que seus anúncios apareçam, porque os vê como ameaças de concorrência.

Os sites de busca da Microsoft e do Yahoo também, algumas vezes, fornecem seus próprios serviços nos resultados das buscas à semelhança do Google. A enorme diferença é que o Google processa cerca de dois terços de todos os pedidos de buscas nos EUA e maneja um volume ainda maior de propaganda. O Bing da Microsoft e o Yahoo, juntos, têm menos de 30% do mercado.

A investigação da FTC ameaça o Google do mesmo que um de seus maiores competidores, a Microsoft, foi ameaçada quando foi investigada pelo Departamento de Justiça dos EUA, em um processo que começou nos anos 1990 e se arrastou pela década seguinte. A acusação era de que a Microsoft usava seu dominante sistema operacional, o Windows, para aniquilar os concorrentes que faziam software.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Para ficar esbelto evite batatas e coma castanhas, diz estudo de Harvard

Todo mundo sabe que as pessoas que se fartam de batatas fritas, tomam goladas de refrigerantes e vão pesado na carne vermelha tendem a acumular mais quilos do que aquelas que se limitam a saladas, frutas e cereais. Mas uma porção de batatas cozidas é realmente muito pior que outra de castanhas? Um pouco de pão branco é tão ruim quanto uma barra de chocolate? O iogurte pode ser uma das chaves para se permanecer esbelto?

A resposta a todas essas perguntas é "sim", de acordo com as provocativas revelações feitas por um projeto grande de Harvard, que pela primeira vez detalha quanto de peso algumas comidas podem, individualmente, nos fazer ganhar ou perder. Com financiamento do governo americano, foi feita uma análise de dados coletados durante mais de 20 anos de mais de 120 mil homens e mulheres na faixa de 30, 40 e 50 anos, que encontrou marcantes diferenças de como várias comidas e bebidas -- assim como exercício, padrões de sono, e outras opções de estilo de vida -- influenciam como as pessoas se tornam mais gordas.

Os resultados encontrados somam-se ao crescente conjunto de evidências de que tornar-se mais pesado não é apenas uma questão de "absorver calorias, eliminar calorias", e que o mantra "Faça mais exercício e coma menos" é demasiadamente muito simplista. Embora as calorias continuem sendo uma questão crucial, algumas comidas claramente fazem com que as pessoas engordem mais do que outras comidas, provavelmente por causa de sua composição química e de como os organismos das pessoas as absorvem. "Todas as comidas não são iguais, e apenas comer moderadamente não é o suficiente", diz Dariush Mozaffarian, que liderou o estudo da Escola de Saúde Pública de Harvard publicado na edição de ontem, quinta-feira, do New England Journal of Medicine.

Dentre todas as comidas estudadas, as batatas se destacaram. Cada porção adicional de batatas que as pessoas adicionavam cada dia em sua dieta normal as fazia engordar uma libra (cerca de 454 gramas) a cada quatro anos. Não foi surpresa constatar que batatas fritas e batatas crocantes (potato chips) são particularmente engordativas. Mas o estudo mostrou que mesmo purê de batata e batatas assadas ou cozidas provocam ganho de peso, contra todas as expectativas, talvez por causa de seu efeito no hormônio insulina.

Analogamente, enquanto não era surpresa que cada porção adicional de frutas e vegetais evitava o ganho de 25% a 50% de peso, outras comidas foram impressionantemente boas em ajudar as pessoas a ficarem esbeltas. Cada porção adicional de castanhas, por exemplo, evitou mais de meia libra (cerca de 230 gramas) de ganho de peso. E talvez a maior das surpresas tenha sido o iogurte, cada porção do qual evitou o ganho de quase uma libra (454 g) a cada quatro anos.
Libras ganhas (à direita) ou evitadas (à esquerda) para cada porção adicional das seguintes comidas (clique na imagem para ampliá-la) (Gráfico: New England School of Medicine/The Washongton Post).

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Grupo de hackers divulga supostos dados pessoais de Dilma e Kassab

O grupo de hackers LulzSecBrazil postou em sua conta no Twitter um link para um arquivo com supostos dados pessoais da presidente Dilma Rousseff e do prefeito de S. Paulo, Gilberto Kassab. O LulzSecBrazil é o braço brasileiro do grupo coletivo internacional Lulz Security, que vem ganhando notoriedade por ataques recentes aos servidores da CIA (agência de inteligência americana), do FBI (polícia federal americana), do serviço público de saúde britânico, o NHS, da empresa Sony e das TV americanas Fox e PBS. Nesta quarta-feira, o LulzSecBrazil foi responsabilizado por ataques que deixaram fora do ar os sites da Presidência do Brasil, da Receita Federal e da Petrobras.

 O arquivo com os dados de Dilma e Kassab trazem informações como números do CPF e do PIS, data de nascimento, telefones, signo, nome da mãe (no caso do prefeito) e e-mails pessoais (também só no caso de Kassab). Muitas dessas informações são públicas e constam, por exemplo, da prestação de contas dos mandatários durante as campanhas eleitorais. As informações relativas a Dilma a vinculam à Petrobras, o que poderia sugerir que as informações foram coletadas quando ela fazia parte do Conselho de Administração da empresa, do qual saiu no início do ano passado, antes do lançamento de sua campanha à Presidência.

O LulzSecBrazil disponibilizou também outros dois aquivos - um deles com supostos caminhos para o recebimento de e-mails pessoais de funcionários da Petrobras e outro com supostas senhas e logins de acesso a áreas restritas do site do Ministério do Esporte. Comentários em blogs de tecnologia afirmam que a publicação teria sido uma resposta do LulzSecBrazil ao Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados, o órgão responsável pelos principais sistemas informáticos do governo federal), que afirmou que o grupo não havia tido acesso a dados sigilosos durante os ataques.

O coordenador de comunicação social do Serpro, Carlos Marcos Torres, reafirmou à BBC Brasil que nenhum dos sites administrados pelo órgão sofreu invasão que pudesse expor dados sigilosos do governo ou de cidadãos. Torres afirmou que o acesso indevido a dados sigilosos do governo abrigados nos sistemas do Serpro é "praticamente impossível". -- Embora seja pagão nessa área, fico imaginando se não é pura presunção e muita bazófia essa afirmativa, quando até o site da CIA já foi invadido por hackers.

J.P.Morgan pagará 153,6 milhões de dólares para livrar-se de acusações de fraude

Quando a bolha do mercado americano de habitação começou a inchar em 2007, a J.P.Morgan Securities, uma unidade do J.P.Morgan Chase, vendeu a investidores um complexo instrumento financeiro que foi arquitetado secretamente para ajudar um fundo de hedge a lucrar às suas custas, argumentou o governo americano nesta terça-feira. Entre os investidores que perderam dinheiro nesse negócio estavam pensionistas da General Motors e uma seguradora luterana sem fins lucrativos (pergunto eu: qual era então o objetivo desta seguradora nesse negócio?!...). [O J.P.Morgan Chase possui ativos de 2 trilhões de dólares e é o maior banco americano em termos de vendas, lucros, ativos e valor de mercado].

Na terça-feira a J.P.Morgan Securities concordou em pagar 153,6 milhões de dólares para por fim a um processo civil por fraudes movido contra ela pela Securities and Exchange Commission (SEC) (a equivalente americana à nossa Comissão de Valores Mobiliários - CVM), informou a SEC. Esse acordo garantirá que recebam seu dinheiro de volta os investidores que perderam o que aplicaram no negócio, informou ainda a SEC.

Esse caso contra o J.P.Morgan é uma das mais notáveis ações de execução produzidas até agora nos EUA, em que agentes reguladores têm acusado empresas de Wall Street de explorar investidores no período que levou à crise financeira. As alegações apresentadas contra o J.P.Morgan equiparam-se em geral às apresentadas pela SEC no ano passado contra o Goldman Sachs, que concordou em fechar um acordo de 550 milhões de dólares.

Em um comunicado, o J.P.Morgan se diz satisfeito por ter encerrado o caso. "A SEC não acusou a empresa por má conduta temerária ou intencional", acrescenta. O J.P.Morgan diz ter perdido quase 900 milhões de dólares nesse negócio de 2007.

Funai localiza povo indígena isolado no Amazonas

A Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmou no dia 21 a identificação de um novo grupo de índios isolados no Vale do Javari, no Amazonas. As observações preliminares apontam que esse grupo de cerca de 200 pessoas pode pertencer à família linguística Pano. A nova comunidade de índios isolados foi localizada pela Frente de Proteção Etnoambiental da Funai no Vale do Javari e foi confirmada durante sobrevoo realizado em abril deste ano, com apoio do Centro de Trabalho Indigenista (CTI). As clareiras foram localizadas por satélite antes da realização da expedição aérea que avistou três clareiras com quatro grandes malocas no total.

Segundo o coordenador da Frente do Vale do Javari, Fabricio Amorim, "a roça, bem como as malocas, são novas, datadas de no máximo um ano. O estado das palhas usadas na construção, e a plantação de milho indicam isso. Além do milho, havia banana e uma vegetação rasteira que parecia ser amendoim, entre outras culturas", explica. Até o momento da confirmação, a presença desses índios isolados era apenas uma referência "em estudo", segundo a Funai, pois havia relatos de sua existência, sem informações conclusivas sobre a exata localização e características da comunidade.

"Na Terra Indígena Vale do Javari há um complexo de povos isolados considerado como a maior concentração de grupos isolados na Amazônia e no mundo", avalia Amorim. "Entre as principais ameaças à integridade desses grupos estão a pesca ilegal, a caça, a exploração madeireira, o garimpo, atividades agropastoris com grandes desflorestamentos, ações missionárias e situações de fronteira, como o narcotráfico. Outra situação que requer cuidados é a exploração de petróleo no Peru, que pode refletir na Terra Indígena do Vale do Javari", afirma o pesquisador.

De acordo com a Funai, entre os anos 2006 e 2010, foram localizados mais de 90 indícios da ocupação territorial desses grupos, como roças, tapiris e malocas. Essas observações apontam para a existência de uma população de aproximadamente duas mil pessoas na Terra Indígena do Vale do Javari. A Funai reconhece a existência de 14 referências de índios isolados na região.
 Maloca do novo grupo de índios isolados localizado pela FUNAI (Foto FUNAI divulgada pelo site da revista National Geographic).

O papel crucial dos países do G20 para evitar uma crise alimentar de proporções internacionais

Para Pierre Jacquet, economista-chefe da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), "os países do G20 deviam comunicar-se entre si para evitar o pânico em caso de crise alimentar" -- Jacquet foi encarregado pelo presidente francês Nicolas Sarkozy de redigir, de hoje até setembro, um relatório sobre os novos instrumentos financeiros de segurança a serem criados para proteger os países pobres das altas dos preços agrícolas e dos eventos que afetem as colheitas. [A denominação "G20" é usada para designar as 20 maiores economias do planeta -- desse grupo fazem parte: África do Sul (pela África), Canadá, EUA e México (América do Norte), Argentina e Brasil (América do Sul), Arábia Saudita, China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, Japão, Rússia e Turquia (Ásia), Alemanha, França, Itália, Reino Unido e União Européia (Europa) e Austrália (Oceania)].

O ministro francês da Alimentação, da Agricultura e da Pesca, Bruno Le Maire, anunciou hoje que os ministros da agricultura do G20 reunidos em Paris chegaram a um acordo para combater a volatilidade dos preços agrícolas. Sublinhou ele que os avanços foram reais em uma grande quantidade de temas, nessa que foi a primeira vez em que se reuniram esses ministros do G20. Le Maire citou também o "Fórum de reação rápida", formado por altos responsáveis desse grupo e destinado a "agir rapidamente, a fim de prevenir ou atenuar as crises mundiais dos preços alimentares", segundo o texto adotado hoje. Um verdadeiro "Conselho de segurança agrícola", esse fórum deve em princípio evitar que ocorra novamente um movimento brusco e violento de preços do trigo como o do ano passado, quando a Rússia suspendeu unilateralmente suas exportações desse cereal por causa da seca, explicou Le Maire.

Os ministros do G20 decidiram aumentar a produção agrícola mundial, buscando por exemplo melhorar a produtividade do trigo, segundo a declaração final que emitiram. Quanto à transparência dos estoques agrícolas, objeto de desconfiança da Índia e da China, que consideram que isso envolve informações estratégicas, o G20 vai colocar em operação um sistema de informações sobre o mercado denominado AMIS. Esta base de dados visa a "encorajar" os países a "compartilhar seus dados e a melhorar os sistema de informação existentes,  sem entretanto prever medidas coercitivas", explicou Jacques Diouf, diretor-geral da ONU para a agricultura e a alimentação.

Gadhafi continua resistente e combativo, e surgem divisões internas na OTAN

O contestado líder líbio Muamar Gadhafi está engajado em uma luta até à morte, mesmo "pressionado contra as cordas", denunciando que os ataques da OTAN mataram civis em seu país e provocando divisões no seio dessa aliança militar.

O conflito parece afundar-se em areia movediça, mais de quatro meses depois do início da revolta que se transformou em conflito armado -- Gadhafi se recusa a deixar o poder apesar de seu isolamento, das sanções que sofre e da intervenção militar em seu país, enquanto os combates entre suas tropas e os rebeldes continuam no mesmo compasso. Gadhafi reagiu pela televisão a um ataque aéreo da OTAN que, segundo ele, visou a residência de Khouildi Hmidi, um político influente e seu velho companheiro de campanha, matando 15 pessoas, entre as quais crianças, em Sorman, a 70 km a oeste de Trípoli. Depois de uma série de erros nos últimos dias, a OTAN, que assumiu o comando das operações militares internacionais em 31 de março, admitiu ter feito um ataque nessa área mas afirmou no entanto que foi um "ataque de precisão" visando um "centro de comando e controle de alta importância", e não um alvo civil.

País que abriga o QG das operações da OTAN e as bases aéreas de onde decolam os bombardeiros aliados, a Itália criou um mal-estar ao denunciar os ataques contra os civis e o atoleiro em que se meteu o conflito que já fez milhares de mortos depois de 15 de fevereiro. Seu ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, considerou que "a suspensão das ações armadas é fundamental para permitir uma ajuda imediata" à Líbia. Mas esta proposta foi imediatamente rejeitada pela França, para quem uma pausa, mesmo que humanitária, permitiria que Gadhafi "se reorganizasse". E o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, disse claramente que as operações iriam continuar para evitar que "inúmeros civis a mais percam a vida". Essa bateção de cabeças numa instituição como a OTAN e em um conflito com a seriedade, as consequências e as repercussões como esse da Líbia é simplesmente inacreditável! Mais uma vez, repete-se a velha história: quando se tem muito cacique e pouco índio o resultado invariavelmente é uma lambança.

Novo iPhone da Apple previsto para ser lançado no final do verão americano

A Apple anunciou que lançará no final do atual verão americano sua nova versão do iPhone, que virá com processador e câmara aprimorados. Como acontece com tudo que sai da cachola de Steven Jobs (o MacBook, o iPad, a nova sede da Apple), praticamente cada pessoa do mundo "tech" já está com a boca cheia d'água com esse lançamento. Ainda não se sabe exatamente quando isso ocorrerá. O site Bloomberg, citando fontes não identificadas, diz que o lançamento se dará em algum momento em setembro, mas o blogue técnico Boy Genious Reports e outros estão apostando que isso ocorrerá em agosto.

De acordo com as fontes secretas do Bloomberg, o iPhone 5 terá o mesmo super-rápido processador do iPad 2 e uma câmara de 8 megapixel (contra 5 megapixel do modelo atual). Por outro lado, o International Business Times diz que o iPhone 5 terá caixa mais esguia, home button maior, tela de margem a margem, e vidro arredondado, caracterizando o novo modelo como "visivelmente diferente" dos modelos anteriores.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Em lista de 9 países, Brasil investe menos na preservação por hectare de floresta

Um estudo coordenado pelo Centro para o Monitoramento da Conservação Mundial do Programa da ONU para o Meio Ambiente revela que, numa lista de nove países, o Brasil é o que menos investe na preservação de cada hectare de suas florestas.  Enquanto o Brasil desembolsa, em média, R$ 4,43 por cada hectare de suas unidades de conservação, na Argentina o índice é cinco vezes maior (R$ 21,37), no México, nove vezes (R$ 39,71) e, na África do Sul, 15 vezes (R$ 67,09).

A disparidade é ainda maior se os gastos brasileiros são comparados com os de países desenvolvidos: nos Estados Unidos, país da lista que mais investe na conservação ambiental, são R$156,12 por hectare (35 vezes a mais que o Brasil) e, na Nova Zelândia, R$ 110,39. A lista, integrada também por Costa Rica, Canadá e Austrália, agrega países que, a exemplo do Brasil, têm grande parte de seus territórios ocupados por parques naturais ou índices sociais semelhantes aos brasileiros.

O estudo "Contribuição das unidades de conservação para a economia nacional", divulgado neste mês e feito em parceria entre o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Ministério do Meio Ambiente, calculou quanto o Brasil fatura com a preservação de suas florestas e quanto poderá ganhar caso amplie os investimentos no setor, o que permitiria maior aproveitamento de seus recursos naturais e incremento no número de turistas. Um dos autores do estudo, o pesquisador da UFRJ Carlos Eduardo Young, diz à BBC Brasil que a intenção foi mostrar que a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico são compatíveis.

O estudo calcula que, caso o governo garanta a conservação nessas áreas e invista mais nelas, o aproveitamento econômico desses territórios, que cobrem cerca de 15% do país, pode gerar ao menos R$ 5,77 bilhões por ano. O valor viria de produtos florestais (como castanha-do-pará ou madeira em áreas de extração controlada, por exemplo), turismo, estoque de carbono conservado, água e receitas tributárias, baseada no modelo de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) Ecológico adotado por alguns Estados. Para isso, no entanto, Young diz que o país teria de ampliar os investimentos no setor, atualmente em torno de R$ 300 milhões por ano nas reservas federais, para cerca de R$ 550 milhões anuais para o sistema federal, R$ 350 milhões para os sistemas estaduais (a serem empregados sobretudo em maior fiscalização), além de cerca de R$ 1,8 bilhão para gastos em infraestrutura para o turismo.
Mais investimentos na floresta trariam mais retorno à sociedade, diz especialista (Foto: AFP).



Crise na Espanha empurra imigrantes latino-americanos para o Brasil

O Brasil terá que aprender rapidamente a conviver simultaneamente com os louros e os problemas que seu progresso econômico e sua projeção internacional já vêm acarretando, e ainda provocarão muito mais.

Entre 2003 e 2007, a Espanha recebeu dezenas de milhares de imigrantes, mas a crise econômica que persiste no país está alterando o fluxo migratório. Sem emprego no presente e sem perspectivas para o futuro, os estrangeiros buscam saídas em outros lugares, e o Brasil virou meta para os latino-americanos de baixa formação. De acordo com quatro relatórios que investigam as respostas dos imigrantes diante da crise, o Brasil aparece entre os três destinos preferidos de sul-americanos hispânicos (junto com Estados Unidos e Argentina) como opção para conseguir emprego.

Uma pesquisa da agência de empregos Randstad revelou que 65% dos imigrantes ilegais na Espanha estão pensando ou decididos a trocar a Europa por outro mercado se não encontrarem trabalho até 2012. Os estudos antecipam um fluxo que já pode ter começado. Em 2010, pela primeira vez nos últimos 35 anos, a Espanha registrou uma taxa de saída de população ativa maior do que a de entrada. No ano passado, 48 mil imigrantes chegaram e 43 mil estrangeiros retornaram aos seus países de origem, mas 90 mil espanhóis também foram morar no exterior. O ritmo de redução é tão vertiginoso que em cinco anos o fluxo de chegada pode ser praticamente nulo. Pelas previsões da Fundação de Estudos de Economia Aplicada, se a crise se mantiver como agora, em 2014 chegariam apenas 3 mil imigrantes.

Josep Oliver, professor de economia da Universidade Autônoma de Barcelona e um dos autores do Anuário de Imigração da Espanha, do Ministério do Interior, disse à BBC Brasil que “80% dos imigrantes não têm outras saídas além do aeroporto rumo a mercados com melhores opções, como o Brasil, que oferece oportunidades sólidas”.

A pesquisa Mobilidade Laboral, da Randstad, indica que a Espanha perdeu interesse para o trabalhador estrangeiro de baixa formação. Os estrangeiros entrevistados na pesquisa responderam que querem sair da Espanha, mas temem crises políticas e econômicas na América Latina e só vêem bonança financeira no Brasil, onde criticam a falta de segurança pública. Mais ainda assim estão convencidos de que se não encontrarem emprego até 2012, o caminho é o aeroporto. Estados Unidos, Brasil ou Argentina, na ordem dos mais votados.

O Brasil também aparece como opção para espanhóis de alta formação.Um estudo elaborado pela consultora Adecco e pela Universidade de Navarra indica que os espanhóis com alto grau de formação e que também foram atingidos pela crise colocam o Brasil como um dos seis destinos preferidos para emigrar por emprego. O mercado brasileiro é visto como opção para 55% dos entrevistados, junto com Alemanha, França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Argentina. O perfil médio dos interessados em cruzar o Atlântico é de homens, entre 25 e 35 anos, com formações em engenharia, arquitetura, informática, medicina, biologia e investigação científica.

 Mas, apesar das oportunidades, o Brasil perde para outros destinos em vários quesitos. Os entrevistados da pesquisa ressaltam insegurança, falta de serviços públicos de qualidade, instabilidade econômica e jurídica para quem quer criar um negócio próprio e a distância de seus lugares de origem como barreiras a levar em consideração.

Wimbledon quer acabar com os gemidos dos jogadores

Quem já assistiu a qualquer torneio de tênis já percebeu que alguns jogadores, homens e mulheres, são razoavelmente barulhentos ao jogar -- assistir a vários jogos com esses gemidos e grunhidos não deve ser lá muito agradável. Pelo visto, isso pode estar com os dias contados. O chefe de Wimbledon, Ian Ritchie, quer acabar com esses gemidos -- em entrevista ao Daily Telegraph, ele disse que essas manifestações dos jogadores são desagradáveis para os espectadores e os incomodam, e tiram a atenção dos jogadores. "Somos apenas um torneio em um circuito global, mas deixamos clara nossa opinião e gostaríamos de ver menos disso", disse ele.

O jornal inglês informa que Victoria Azarenka, de Belarus, "uma jogadora frequentemente criticada por seus gemidos", atingiu níveis quase recordes este ano quando máquinas registradoras de ruído gravaram seus gemidos em 95 decibeis. De acordo com o jornal, os grunhidos de Azarenka "excederam 1,5 segundos cada vez que ela atingiu a bola".

Jogadores são autorizados a reclamar do árbitro, se sentirem que os gemidos dos adversários desviam sua atenção. O Daily Telegraph não atribui esse problema a jogadoras, mas não menciona jogadores conhecidos como gemedores -- embora, aparentemente, isso realmente parece ser mais comum entre as mulheres, há jogadores que também são chatos com seus gemidos. O gemido mais alto já registrado é de Maria Sharapova, que alcançou 105 decibeis em 2009 -- isso é tão alto quanto a buzina de um carro a um metro de distância.

Para Ian Ritchie, esse problema dos gemidos é "um problema de educação entre os jogadores mais jovens", acrescentando que "se me perguntarem qual o assunto mais abordado nas cartas que recebo eu diria que essa questão dos gemidos está alta na lista".
A "gemeção" da tenista Azarenka (vídeo de btbadger3331).

Polícia inglesa prende suspeito de ser hacker da CIA

A polícia inglesa prendeu um suspeito de ser um hacker ligado a uma série de quebras de segurança online, incluindo ataques aos sites da Agência de Crimes Graves Organizados, do Reino Unido (Soca, em inglês), e da CIA. O jovem de 19 anos foi preso segunda-feira à noite em Wickford, cerca de 50 km a leste de Londres, como parte de uma operação conjunta com o FBI, informou a Scotland Yard.

"A prisão resulta de uma investigação sobre invasões de redes e ataques de negativa de serviço distribuído (DDoS, em inglês) contra agências internacionais de negócios e de inteligência, pelo que se acredita ser um mesmo grupo de hackers", disse a polícia. A prisão ocorreu depois que um ataque DDoS obrigou a Soca a desligar seu site na segunda-feira. Tais ataques prejudicam websites seriamente, sobrecarregando-os com tráfego, e são comparados pelos hackers a manifestações pacíficas de ocupação de edifícios, repartições, etc.

A responsabilidade pela quebra de segurança foi reivindicada pelo LulzSec, um grupo de hackers que diz que os DDoS são sua "munição menos poderosa e mais abundante". O grupo foi formado depois de uma cisão do grupo Anonymous, que no ano passado atacou organizações que cooperaram com uma operação americana de punição do WikiLeaks. Outros ataques reivindicados pelo LulzSec foram os feitos ao site público da CIA e aos servidores da Sony. Todos os três ataques foram investigados, o que levou à prisão feita, informa a Scotland Yard.

Especialistas em segurança que assessoram o FBI identificaram o suspeito como Ryan Cleary, cujos detalhes foram publicados no mês passado em um site de responsabilidade do Anonymous. Uma postagem no blogue do grupo acusou Cleary de organizar um "golpe de estado" contra o Anonymous, em protesto contra sua "estrutura de comando sem liderança". LulzSec zombou da ideia de que Cleary fosse o "cérebro" da organização.

LulzSec disse nesta semana que as duas organizações juntaram forças para uma nova campanha, denominada Antisec, que roubaria e vazaria informações de governos, bancos, e "outros estabelecimentos de alto nível".

O Sol acorda e a Terra sofre as consequências

O sol está acordando, e no dia 7 de junho acordou Michel Hesse -- às 5:49 da manhão o cientista solar recebeu um alerta no seu smartphone. Uma nave espacial da NASA tinha visto uma rajada de raios-X "esticando-se" de uma mancha solar -- a "rajada" era uma explosão solar, e "uma excepcionalmente grande", disse Hesse.

O sol tem estado quieto por anos, no nadir (ponto mais baixo) de seu ciclo de atividades. Mas, desde fevereiro a nossa estrela vem cuspindo erupções e plasma como um dragão enraivecido -- e o trabalho de Hesse é vigiar essas erupções. E, se houver uma grande na nossa direção, Hesse tem que saber disso e rápido, para que ele possa alertar a indústria de energia elétrica para que ela possa preparar-se para uma tempestade geomagnética capaz de tirar de operação partes importantes da rede elétrica americana.

Um vídeo da erupção captado pelo Observatório de Dinâmica Solar da NASA mostrou uma enorme coluna emergindo do sol -- mas, mas essa demonstração de "cólera" solar não é como a de 1859. No dia 1° de setembro deste ano, ocorreu a maior explosão solar de que se tem registro, testemunhada pelo astrônomo inglês Richard Carrington. Enquanto traçava características da superfície solar, que Carrington havia projetado sobre papel através do telescópio, ele viu um lampejo súbito emergindo de um ponto negro. Embora tais manchas solares tivessem despertado curiosidade por séculos -- Galileu também traçou-as no começo dos anos 1600 -- Carrington não tinha ideia do que esse lampejo podia significar.

Poucas horas depois, os operadores de telégrafos souberam a resposta. Seus longos trechos de fios trançados funcionaram como antenas para essa enorme onda de energia solar. À medida que ela se acelerava, transmissores se aqueceram e alguns pegaram fogo.

Um "evento Carrington" como esse voltará a acontecer um dia, mas nossa civilização super-enredada em fios sofrerá perdas muito maiores do que algumas casinhas de telégrafos como em 1859. Satélites de comunicações serão colocados fora de operação. Transações financeiras cronometradas e transmitidas por esses satélites não serão concluídas, causando milhões ou bilhões em perdas. Os sistemas de GPS ficarão instáveis. Astronautas na estação espacial se agruparão em um módulo blindado, como já fizeram três vezes na década passada devido ao "tempo (no sentido de clima) no espaço", o termo científico para toda atividade solar estranha. Voos entra a América do Norte e a Ásia, sobre o Polo Norte, terão que ser redirecionados, como ocorreu em abril durante uma tempestade solar fraca a um custo para as linhas aéreas de 100 mil dólares um voo. E oleodutos, particularmente no Alasca e no Canadá, sofrerão corrosão pois, assim como as linhas de transmissão elétricas, conduzem a eletricidade decorrente da tempestade solar.
  O sol está se aproximando do pico de seu ciclo de atividades, cuspindo explosões e plasma (Foto: The Washington Post).
Duas fotos sucessivas de uma explosão solar em evolução. O disco solar foi bloqueado nessas fotos, para uma melhor visualização da explosão (Foto: Wikipedia).
Como o "tempo (no sentido de clima)no espaço" afeta a Terra (Fonte: NASA - Gráfico por Bonnie Berkowitz e Alberto Cuadra -- The Washington Post).
Vulneráveis ao "tempo no espaço": Satélites e dispositivos GPS - Oleodutos - Comunicações de aeronaves - Estação espacial internacional - Redes elétricas - Suprimento de água - (Clicar na figura para ampliá-la).

terça-feira, 21 de junho de 2011

Estudo diz que Brasil tem carga tributária "leve" para ricos

Um levantamento feito por uma associação internacional de consultorias, a UHY, indicou que o Brasil tem uma carga tributária considerada leve para as classes mais altas. Acho que sempre houve uma desconfiança generalizada no país de que isso era um fato, mas parece que agora tem-se a confirmação disso com o preto no branco. A UHY é uma das redes líderes mundiais em assessoramento, consultoria e contabilidade de negócios, com cerca de 240 escritórios em 78 países -- no Brasil ela tem quatro escritórios plenos (Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo) e um chamado "escritório de ligação" em Porto Alegre.

Segundo a rede UHY, com sede em Londres, um profissional no Brasil que recebe até US$ 25 mil por ano – cerca de R$ 3.300 por mês – leva, após o pagamento de imposto de renda e previdência, 84% do seu salário para casa. Já os profissionais que recebem US$ 200 mil por ano – cerca de R$ 26.600 por mês – recebem no final cerca de 74% de seu pagamento. Entre 20 países pesquisados pela UHY, essa diferença de cerca de 10 pontos percentuais é uma das menores.

Na Holanda, onde um profissional na faixa mais baixa recebe um valor líquido semelhante ao do Brasil após os impostos e encargos (84,3%), os mais ricos levam para casa menos de 55% do salário. A lógica também se aplica a todos os países do G7, o grupo de países mais industrializados do mundo (EUA, Canadá, Japão, Grã-Bretanha, Alemanha, França e Itália). Nos EUA, enquanto os mais ricos levam para casa 70% do salário, os profissionais na faixa dos US$ 25 mil anuais deixam apenas um décimo da renda para o governo e a previdência.

O representante da UHY no Brasil, o superintendente da UHY Moreira Auditores, Paulo Moreira, disse que a pesquisa revela o caráter “esdrúxulo” da carga tributária brasileira. Com grande parte dos impostos sendo coletada de forma indireta, a carga tributária brasileira total supera a tributação à pessoa física, e é estimada em 41%. Como esses tributos circulam embutidos nas mercadorias e serviços consumidos pelos contribuintes, aplicam-se de forma igual a ricos e pobres, explica. Para Moreira, entretanto, essa suposta “justiça” tributária é ilusória, porque as classes mais altas têm formas de evitar o pagamento de impostos sobre consumo fazendo compras no exterior ou recorrendo a outros artigos de consumo. “Se o sujeito ganha R$ 3 mil, a renda dele tem de ser praticamente consumida em bens de consumo geral: sabonete, comida, arroz, roupas, gasolina, as coisas que são de grande consumo e que são taxadas com mais rigor”, explica o especialista.

“Quem tem uma renda alta, após um primeiro momento dos bens de consumo geral, passa a ter consumos mais sofisticados, produtos menos taxados, obras de artes, enfim, artigos de difícil controle na tributação”, acrescenta Moreira. O porta-voz da UHY diz que outro fator que contribui para fazer do Brasil um país pouco “equânime” no quesito tributário é o teto aplicado à contribuição previdenciária. O imposto de 11% sobre o salário é aplicado somente até o valor de R$ 3.038,99, o que quer dizer que trabalhadores que ganham acima disso têm uma fatia maior do seu salário livre de descontos que os que ganham dentro da faixa.

Entretanto, como lembra o UHY, o imposto sobre a renda pessoal é um dos instrumentos utilizados pelos países, sobretudo emergentes, para atrair mão-de-obra qualificada.
 
As fontes dos dados estão indicadas no rodapé da própria figura (clique nela para aumentá-la).
 Contando impostos diretos e indiretos, brasileiros pagam 41% de carga tributária (Fonte: BBC Brasil).

Salários líquidos / Países selecionados

Salário bruto: US$ 200 mil/ ano
Itália $108.189
Holanda $109.417
Irlanda $111.905
Alemanha $111.953
França $117.519
China $117.897
Grã-Bretanha $121.819
Canadá $129.340
Malaysia $137.128
EUA $139.709
Índia $141.163
Japão $144.083
México $146.377
Brasil $148.088
Estônia $152.515
Egito $160.847
Rússia $174.000
Dubai $200.000
Fonte: Membros da UHY / Bai Yanfeng, Univ. Central de Finanças e Economia da China